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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Quem tem boca vaia Roma

Recuso-me à pisar no seu coliseu
Pois não sou cidadão e nem plebeu
Não sou um escravo-propício
E tão pouco, um patrício

Não sou bárbaro, nem gladiador
Para viver do seu favor...
Na arquibancada ou nos arcos, eu não estou!
Nem na tribuna de honra de um ditador...
Não decido quem vive ou quem morre
E sequer falo Latim, acho um porre!

Não sou um jantar cristão
Tão pouco um bestial Leão...
Não uso Toga nem Pálio
Tão pouco, sou um cativo trácio

Me recuso a pagar o seu pedágio...
E a empunhar: uma rede, um tridente ou um gladio!
Me abstenho até de queimar Roma...
Não gosto de Nero, nem de sua pompa!

Mas gosto da arquitetura...
Odeio a sua usura!
Não gosto de certos romanos!
Acho-os corruptíveis e profanos...

Não sou nem um pouco pagão...
Não acredito em Martes, nem em Plutão!
Me recuso a receber o seu pão!
Nem estou desesperado ou aflito...
Ao ponto de participar desse circo!

(Felipe Lustosa)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

"O Rato"

E aí Dr. Ratazana! Lembra de Mim? Eu fui o seu aluno na historia... Aquele que sacava muito de arqueologia, mas que não era bom o suficiente para ser historiador...Me formei...E você? Como vai?

Oi Dr. ratazana, sou eu! Aqui nova
mente... Aquele que saca muito de história, mas que não é bom o suficiente para ser filósofo –mesmo, já o sendo...

Oi Dr. ratazana, sinto muito pelo tiro que levou, sinto realmente, mas não pelo único tiro...E sim, por ter sido só um! Pois deveria ter sido 17!

Mandarei o seu assecla, ou o seu correligionário como falso leviano à espera de uma vaga, levar uma flor...Mas é a minha e não a dele!

A flor, ela será de Lótus! Aquela que abrolha em meio aos cadáveres, carniças, corcovas e moribundos!

Mandarei colocá-la em meio ao seu ser jazido! Na sua sepultura daninha! Repleta de intrigas, de sonhos quebrados e de desesperança.

Pois eu -e os outros do mundo em chamas-, somos a nova Ordem-Mundial e não o que você disse ser, ou o The Economist e a TV...

Você é o que ficou para trás: está enterrado, sepultado, chafurdou na própria bile e foi digerido por ela, é gordura pra queimar.

Tu foi o que há mais de pútrido, mais deletério (em vida), hoje é só o miasma do cadáver, semi-morto, na mente de outro, o abandono! Que mereceu apodrecer vivo e felizmente morreu! Tragicamente, hilariamente, patéticamente!

Você foi o suplantado, o suprimido , eu limpei (e limpo eternalmente ) a minha bunda com o seu curriculum Lattes, quando cago na Avenida Brasil. Seu filho da puta!...Você é um execrável, Dr.

Mereceu o paredão, sem perdão! Sem reflexão, sem episteme, sem formalidades, sem cerimônias, sem humanismo. Ué, você não é o inumano?

Você é o encosto do espírito, aquele que inexiste!...Pois aqui na imanência, não há espíritos! Agora, na hora da débâcle, na hora da morte, seu filho da puta...Você crê em espíritos?...Não é o que seus livros dizem, Dr!

- (Felipe Lustosa)

segunda-feira, 19 de março de 2012

"Reflexões sobre a Melancia" - Poesia de Felipe Lustosa

Fruto que abrolha na aridez dum solo estapafúrdio de tabatinga,
Erva trepadeira e rastejante, que corta o nordeste afundindo a caatinga..
Suas folhas em triângulos suntuosos são macias como veludo de seda,
São largas, rasas, não balançam com o vento e ignoram a seca..

Melancia que traz consigo a tropicália do clima sob a forma de alimento bruto,
Melancia que emana a esterilidade dum solo infértil, com seu "sofrimento de fruto"..
Melancia fruto verde que nunca amadurece...
Melancia grande, listrada, de polpa aquosa, que é suculenta e apetece!

Melancia que possui sementes às dezenas,
Duras e ovalares, são negras e murubentas..
Melancia que reflete o verde falso dum sertão das Borboremas;
Terra sofrida, lavrada com foice e largada às contendas.

Não há sertanejo que ignore a presença duma melancia listrada;
Eu fico até imaginando: se ela quer ser notada?!
Num lugar tão seco, inóspito e escaldante;
Ela deve querer ser disputada por todos à todo o instante...

Diante do sol do meio-dia, ela alimenta a família do campesino,
Misturada à farinha, à ração humana e ao milho moído (bem fino)..
Para não trazer a tona: sua carência em consistência e sustância;
Suas deficiências em vitaminas, proteínas (e em fragrância)...
Pois lembre-se que a flor dum pé de melancia, só dura umas poucas semanas...
Não anuncia a vinda da primavera e  nem a chegada da sorte, enunciada pelas ciganas.

(Felipe Lustosa)