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segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Agora é o barato do Obama
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
A DITADURA DA MEDIOCRIDADE (OU OS IDIOTAS ASSISTEM TV)
por gilson ribeiro
Todo o desenvolvimento humano se deu pela
nossa capacidade de abstração, o que significa que a maior parte de
nossa realidade está fora do nosso campo de visão ( ao contrário dos
outros animais, para o melhor e/ou para o pior, sempre fomos muito além
dos dados concretos da nossa realidade imediata), essa capacidade de
abstração nos levou à criação da linguagem, através da qual se estrutura
nosso pensamento; entre outras coisas, somos seres simbólicos e nos
abstraímos, construímos sentidos, fazemos descobertas, absorvemos
conhecimento - pensamos, enfim.
A partir do momento que qualquer
imagem, esteja onde estiver, adentra nossa casa (tele-visão), deixamos
nossa mente ser ocupada por imagens prontas, ou seja, que não são
resultado da construção mental de sentido advinda da abstração -
deixamos de pensar, enfim.
E de imaginar.
Limitando assim a
nossa realidade apenas ao que se encontra circunscrito ao nosso campo de
visão, desativamos nossa capacidade de abstração (fator principal na
história de todo o desenvolvimento humano). Com isso nos tornamos mais
vulneráveis à manipulação midiática, introjetando interesses deliberados
externamente e confundindo-os com nosso desejo. Assim nos transformamos
em meros consumidores, como que lobotomizados, zumbis.
Já somos
sucessivas gerações predominantemente audiovisuais, conferindo conotação
negativa ao termo "intelectual" para desqualificar qualquer debate mais
aprofundado, reclamando de filmes "lentos", dizendo que preferimos
coisas "light" em detrimento de coisas "complicadas", "xingando" de cult
quem queira argumentar minimamente e faça menções a referências
extra-midiáticas. Cada vez menos contemplativos e mais imediatistas.
Adultos infantilizados num violento processo de idiotia que há muito
tempo trocaram o pensar e o (tentar) compreender pelo (apenas) ver,
assistir.
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Gilson Ribeiro
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
O "CONTROVERSO" PEDRO BIAL
Segundo a grande mídia* muitos críticos de Pedro Bial ficam desconcertados por ele ser um homem que faz filmes “exigentes sobre figuras que pensam o Brasil (Guimarães Rosa e Mautner)” e, ao mesmo tempo, apresentador do BBB. Mas esse suposto e alegado desconcerto não será parte de uma operação midiática para alimentar o mito Bial e lhe conferir a aura controversa de uma personalidade complexa?
Afinal haverá o que legitime intelectualmente o mestre de cerimônia de um espetáculo onde 15 ou 16 pessoas, expondo-se ao ridículo em situações de gosto enormemente duvidoso, trocam sua intimidade por dinheiro e fama?
O filme que ele fez a partir de Guimarães Rosa, por exemplo, é um descalabro de monta (principalmente na abordagem mais que equivocada do conto Famigerado). Só conseguiu fazê-lo porque a família do escritor entrou em raro consenso na liberação de direitos daquela vez. Talvez, por se tratar de uma vedete global, tenham acreditado na possibilidade de lucros vultosos. Quanto aos chamados poemas desse repórter que se tornou showman, eles devem ter uma insignificante fração de risibilidade a menos do que os de José Sarney. Já em seu opus magno literário, sobre Roberto Marinho, ao biografado é conferido a caracterização de ser "revestido de aura sobre-humana" e ele chega a ser chamado até de "Deus". Ao longo do texto, desfilam ainda adjetivos como notável, sedutor, hipnótico, sábio etc. E, claro, o senhor Pedro Bial trata-o o livro todo como "doutor". E isso é tudo no que diz respeito ao lado "intelectualmente denso" do apresentador do BBB.
Num conto de Kafka chamado RELATÓRIO PARA UMA ACADEMIA, um macaco, que se transformou em humano, relata para uma platéia de acadêmicos e estudiosos como gradativamente abandonou sua condição animal e passou a imitar os homens. Ao macaco humanizado restavam duas possibilidades: ir para o zoológico ou para o circo de variedades. Optou pela segunda. Hoje isso me lembra o Big Brother, cujo nome foi tirado de uma obra literária de intensa crítica política (1984), o que bem demonstra a capacidade ilimitada, por parte da gigantesca indústria de entretenimento, de engolir qualquer signo cultural e transformá-lo em produto comercial.
Esse contexto, de certa forma, explica um pouco como Pedro Bial pode “transitar” tanto no campo da gravidade dialética como no cenário de futilidades televisivas. Na verdade seu verdadeiro habitat é só esse cenário telemidiático.
A possibilidade de associar Pedro Bial ao universo intelectual, portanto, se dá na mesma ordem com que o programa lastimável da TV por ele apresentado tem por nome um termo retirado de renomada obra literária do século XX.
*http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-estrada-de-mautner--entrevista-com-pedro-bial,991176,0.htm#bb-md-noticia-tabs-1
“Se existe algo que me irrita profundamente é o jeito sem cerimônias com que o mestre-de-cerimônia do Big Brother Brasil saúda aquela penca de jovens (...) confinados na casa montada pela TV Globo no Rio de Janeiro: "Boa noite, meus heróis!" (...) Reconheço, meio a contragosto, que todos os heróis são espelhos do mundo e da sociedade em que vivem. Os heróis do Bial espelham o mundo da futilidade, o hedonismo, o império dos sentidos humanos, a interação quase total entre os espaços público e privado. Meus heróis espelham o mundo dos ideais, dos valores humanos, do desprendimento e do amor à espécie humana. Os heróis de Bial lutam pelo prêmio financeiro e pelas conseqüências advindas de contratos pecuniários no mundo artístico. Meus heróis lutaram por aquilo em que acreditavam e sua recompensa era tão somente o sentimento de possuírem consciências tranqüilas, tanto que o mito do herói não foi por eles desfrutado: morreram em si para darem vida ao herói que neles subsistia.”
Washington Araujo
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012
GIRO IMÓVEL
I
Girando no teto
sem jamais romper o tédio.
Girando no teto
hélices de gumes cegos.
A reunião prossegue.
II
A mão do relator
busca, fiel, retratar
infinda valsa verbal.
O tédio, no entanto,
não entra na ata.
No teto os gumes prosseguem.
III
De dentro duma agenda
quase me sorri
dos relógios flácidos de Dali
a figura reduzida.
Gilson Ribeiro
hélices de gumes cegos.
A reunião prossegue.
II
A mão do relator
busca, fiel, retratar
infinda valsa verbal.
O tédio, no entanto,
não entra na ata.
No teto os gumes prosseguem.
III
De dentro duma agenda
quase me sorri
dos relógios flácidos de Dali
a figura reduzida.
Gilson Ribeiro
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
DEPOIS
Meus amigos perderam-se na noite.
Mudaram-se para as repúblicas e perderam-se na noite.
Depois surgiram de repente
Mudaram-se para as repúblicas e perderam-se na noite.
Depois surgiram de repente
para contar da vida depois da partida.
Mais tarde vieram por ondas telefônicas
dizendo como estava a vida agora, depois.
Depois não ligaram nunca mais.
Eu, por minha vez, não sei.
Um pombo disfarçou-se de vampiro.
Não saboreou sangue nem foi beijado pelo sol.
Viu-se gente um dia, voltou para casa embriagado.
Apenas quantas permitiram seus sapatos bêbados
matou das baratas inúmeras
nas calçadas do Mercado Central.
Depois desabou no sofá
com um cubo de gelo invisível entre os dedos.
Amaldiçoou o amor e A Síndrome de Peter Pan.
Depois, com os lábios presos entre os dentes,
não amaldiçoou ninguém.
Chorou em posição de feto.
Mais tarde vieram por ondas telefônicas
dizendo como estava a vida agora, depois.
Depois não ligaram nunca mais.
Eu, por minha vez, não sei.
Um pombo disfarçou-se de vampiro.
Não saboreou sangue nem foi beijado pelo sol.
Viu-se gente um dia, voltou para casa embriagado.
Apenas quantas permitiram seus sapatos bêbados
matou das baratas inúmeras
nas calçadas do Mercado Central.
Depois desabou no sofá
com um cubo de gelo invisível entre os dedos.
Amaldiçoou o amor e A Síndrome de Peter Pan.
Depois, com os lábios presos entre os dentes,
não amaldiçoou ninguém.
Chorou em posição de feto.
GILSON RIBEIRO
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Desenho de Gilson Ribeiro
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terça-feira, 24 de abril de 2012
Quem sozinho afronta a frota - Poema de Gilson Ribeiro
Quem sozinho afronta a frota,
desperta pena,
atrai o riso.
Quem sozinho em esquálida bravata
brande a débil altivez.
Quem, minúsculo no requadro,
sussurra seu brado:
os fardados não são páreos
para os párias!
GILSON RIBEIRO
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