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terça-feira, 20 de agosto de 2013

LATUFF É MEU AMIGO, MEXEU COM ELE, MEXEU COMIGO!


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(Ivan Pinheiro)
Carlos Latuff está entre aqueles que lutam contra a opressão do capital e por uma sociedade justa e fraterna. Antes de tudo, é um humanista, internacionalista e revolucionário, que sofre as dores dos oprimidos, seja onde for.
Militante corajoso, independente, coloca sua arte, sempre inteligente e radical (no bom sentido da palavra), a serviço da esquerda de todo o mundo e da humanidade. Uma charge de Latuff vale mais que muitos manifestos, fala por si, emociona.
Mais uma vez, Latuff está ameaçado de morte.
Justamente indignado com a violência policial, fez, em suas próprias palavras, uma “provocação” em torno do assassinato de um casal de PMs paulistas.
Por mais que a emoção o tenha levado a exagerar o tom da “provocação”, temos a obrigação política e moral, os revolucionários e progressistas, de lhe prestar solidariedade e blindá-lo diante das ameaças de que tem sido vítima, por parte de fascistas que tentam se aproveitar de um momento de compreensível destempero verbal do nosso Latuff.
É bom que saibam os que o ameaçam do carinho que lhe devotam um incalculável número de pessoas e organizações políticas e sociais no mundo todo.
E que depois do “Cadê o Amarildo?”, os matadores, com ou sem farda, de carreira ou de aluguel, vão ter que pensar muito antes de assassinar covardemente um ser humano, seja ele um pedreiro ou um artista. Não mais os deixaremos em paz, a cada covardia.
Com nossa solidariedade, sabemos onde estará por muitos anos o jovem Latuff: numa prancheta, com sua pena implacável contra as opressões e em nossas manifestações contra elas, com a alegria dos que lutam por uma sociedade onde todos nos possamos chamar de companheiros.
* Ivan Pinheiro é militante comunista (PCB-RJ)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Camaradas Raimundo, Samuel e Miguel, presentes!

Porque a cor do sangue jamais se esquece.
Os massacrados serão vingados vestidos de verde oliva.
Politicamente vivos, não estão mortos,
não estão mortos,
não estão mortos.
Camaradas sua morte será vingada!
E quem a vingará?...
O povo organizado?
E como?...
Lutando.
Então, luta,
luta,
luta,
não deixe de lutar por um governo operário,
campesino e
popular!

A União da Juventude Comunista (UJC) vem expressar nossa revolta e intensa dor com o assassinato de três camaradas do Partido Comunista do México (PCM), Raymundo Velásquez, Samuel Vargas e Miguel N.
Nesse momento de indignação e angústia, prestamos nossa incondicional solidariedade aos militantes do PCM e da Liga da Juventude Comunista (LJC), à família e aos amigos dos camaradas assassinados pelo ódio das classes dominantes; por esse triste ocorrido enviamos nossas mais sinceras condolências.
Camaradas, nós da UJC transmitimos aos comunistas mexicanos um abraço forte, combativo e fraterno nesse difícil e duro momento e colocamos toda a nossa militância e estrutura a serviço da divulgação nacional e internacional desse brutal sucedido.
Estamos seguros que a dor desse momento se transformará em mais organização, coragem e luta para seguir enfrentando a violência e terror que a burguesia e seu estado utilizam para intimidar e mutilar a classe trabalhadora, caminhando no sentido de criar o poder popular, a mais importante fortaleza que os oprimidos podem construir para sua autodefesa e fortalecimento do projeto emancipatório dos trabalhadores. O exemplo dos camaradas Raymundo, Samuel e Miguel se somará aos inúmeros heróis e mártires de nossos povos e jamais serão esquecidos pelas novas gerações de revolucionárias e revolucionários.
Ainda que o momento seja de raiva e sofrimento estamos seguros que a perseverante militância do PCM e da LJC sairá ainda mais forte, unida e convicta para seguir construindo a única possibilidade histórica para acabar com a violência, a opressão e a exploração: a revolução socialista e o fim da sociedade de classes.
Camaradas Raymundo, Samuel e Miguel: Presentes, hoje e sempre!
Viva a luta do povo trabalhador mexicano!
Viva o PCM e a LJC!
Secretaria de Relações Internacionais da UJC – Coordenação Nacional
07 de agosto de 2013.
http://ujc.org.br/ujc/?p=849

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Teatro e Resistência Cultural: o Grupo Opinião

Estudo de Miliandre Garcia, publicado no site do grupo de pesquisa Intelectuais, Esquerdas e Movimentos Sociais, da Unesp Marília, Teatro e Resistência Cultural: o Grupo Opinião estuda como, na década de 1960, um contingente expressivo de artistas engajados assimilou o discurso do PCB, com a emergência de um novo imaginário acerca da cultura brasileira, e sua ligação direta com formato e linguagem do Grupo Opinião.



sexta-feira, 19 de abril de 2013

Falleció Alfredo Guevara, Presidente del Festival del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana

Alfredo Guevara. Foto: Petí
Alfredo Guevara. Foto: Petí
Alfredo Guevara, director del Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana y gloria de la cultura nacional, falleció esta mañana en la capital cubana víctima de un infarto cardíaco, dijeron a Cubadebate amigos cercanos.
Guevara, doctor en Filosofía y Letras de la Universidad de La Habana, donde conoció al líder cubano Fidel Castro, fue el creador y presidente fundador del Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC) en marzo de 1959. Nació el 31 de diciembre de 1925 y tenía al morir 87 años de edad y por voluntad expresa, su cuerpo será cremado.
Había recibido la Orden Félix Varela de Primer Grado, máximo reconocimiento de la Cultura cubana, y en marzo de 2009, le fue conferida la Orden José Martí, la más alta distinción del Estado cubano,  de manos del Presidente Raúl Castro.
Participó activamente en las manifestaciones estudiantiles y en la lucha clandestina contra la dictadura batistiana, por lo cual sufrió persecuciones y encarcelamientos. En la década del 50 del siglo pasado, cursó estudios superiores de Dirección Teatral y fue uno de los fundadores del Grupo Teatro Estudio y de la Sociedad Cultural Nuestro Tiempo. En 1955 participó, junto al cineasta Julio García Espinosa y otros artistas en El Mégano, filme documental considerado como antecedente del Nuevo Cine Cubano. Colaboró como asistente de producción de Manuel Barbachano y en la realización de los cortos semanales Cine Verdad. En 1958 trabajó como asistente de dirección de Luis Buñuel en Nazarín.
Al crearse el Ministerio de Cultura en 1975, fue nombrado Viceministro. Como Presidente del Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos, creó la Cinemateca de Cuba, el Noticiero ICAIC Latinoamericano, la revista Cine Cubano, el Grupo de experimentación Sonora del ICAIC, y fue uno de los principales promotores del movimiento plástico cubano que revolucionó el diseño del cartel cinematográfico.
Alfredo fundó con otras grandes figuras, el Nuevo Cine Latinoamericano, y fue organizador y presidente de sus Festivales, miembro de honor del Comité de Cineastas de América Latina y del Consejo Superior de la Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano. Le fue impuesta por el presidente de la República Francesa, Francois Mítterrand, la Orden de la Legión de Honor, en el grado de Comendador.
Desde 1968 colaboró con la UNESCO como especialista en políticas culturales, donde ejerció entre otras funciones la de miembro del Consejo Ejecutivo y representante de Cuba; en 1983 es nombrado Embajador de Cuba ante la UNESCO; recibió, de manos del director general Federico Mayor, la Medalla de Oro Federico Fellini otorgada por primera ocasión a un cineasta.
Era Profesor Emérito del Instituto Superior de Arte, que le otorgó el título de Doctor Honoris Causa en Arte. En el 2008 recibió el Premio de la Latinidad, por su contribución a la cultura nacional y por sus esfuerzos a favor del desarrollo y la difusión del cine latinoamericano y caribeño.
Cubadebate publicó una entrevista que le hiciera el cantautor y escritor Amaury Pérez titulada “Soy un profesional de la esperanza”, y que  hoy recordamos a nuestros lectores como muestra de pesar y homenaje a su extraordinario legado a la cultura nacional.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Carnaval do Rio mostra que crítica social pode ser feita com diversão


Como muitos críticos têm alertado, nos últimos anos a espetacularização e a lógica de mercado vêm dando o tom do desfile das escolas de samba no rio. Salta aos olhos o luxo dos carros alegóricos e das fantasias que desfilaram pela Sapucaí. Longe das lentes da Rede Globo, no entanto, foliões do Rio tomaram as ruas da cidade para mostrar que a diversão do carnaval pode ter tudo a ver com as lutas do povo e com a construção de um mundo justo.
Liberdade de expressão, união dos povos latino-americanos, homenagens a lutadores do povo brasileiro e do mundo e a defesa dos direitos humanos foram cantados e dançados por milhares de foliões. Estes foram alguns dos temas abordados por blocos que na periferia, no centro e na zona sul mostraram que a política também dá samba.

Amigos de 68
   
   
Comunicadores populares se divertem no bloco Fala Puto
Foto: Samuel Tosta/Sindipetro-RJ
No início da tarde do dia 12, a rua Dias Ferreira, no Leblon, foi tomada por placas que estampavam imagens de Che e Fidel, bandeira da Venezuela e até um boneco do presidente Chávez. Foi dia do bloco Inimigos do Império, que ocupou o coração da zona sul. O samba de 2013 cantou e homenageou os presidentes Morales, da Bolívia; Cristina, da Argentina; Correa, do Equador; Mujica, do Uruguai; e, por fi m, grita “Viva Chávez, nosso bolivariano!”. Todas personalidades diariamente atacadas pelos meios de comunicação comerciais. Além dos foliões, a festa reuniu representantes da Casa da América Latina, Associação Cultural José Martí-RJ, Comitê Estadual do Rio pela Libertação dos Cinco Cubanos, Instituto João Goulart e outras. Para cobrir o evento esteve presente uma equipe da Telesur, canal de TV multiestatal com sede na Venezuela.
O bloco Inimigos do Império foi criado pelos Amigos de 68, grupo de remanescentes da luta contra a ditadura civil-militar. Há cinco anos a folia dos militantes é realizada em frente ao Bar Tio Sam, “território inimigo” ocupado por quem deseja se contrapor à soberania ideológica dos Estados Unidos. Cid Nelson, um dos fundadores do grupo, explica que a ideia veio do entendimento de que a luta contra a hegemonia estadunidense pode e deve ser feita em todos os meios, inclusive no carnaval. “Somos um grupo de resistência. Nosso estatuto diz que o propósito explícito desta intervenção cultural é denunciar, ridicularizar e se contrapor ao Império do Norte, ao neoliberalismo e todos seus defensores. Tudo isso de forma lúdica e prazerosa”, afirma.
Eliete Ferrer, também fundadora do bloco, conta que o objetivo do grupo sempre foi defender os povos oprimidos. “Já apoiamos a Palestina, hoje estamos fortalecendo nosso continente. Chega de os EUA acharem que podem, impunes, matar quem eles querem. Agora já até inventaram os drones [aviões sem piloto para matar civis no Oriente Médio em uma suposta ‘guerra ao terror]”, explica a militante. “Estamos aqui para lutar contra a opressão e para cantar a humanidade e a solidariedade entre os povos”, ressalta Eliete.
Autor de vários livros e membro do Conselho do Brasil de Fato, o jornalista Mario Augusto Jakobskind é um dos organizadores do bloco e um dos compositores do samba deste ano. “Apoiar a República Bolivariana da Venezuela e Chávez está na ordem do dia. Decidimos enfrentar o Império por meio de uma manifestação popular, mostrando que a politização e a alegria podem caminhar juntas.”, conclui.

Monopólio da mídia
O direito à comunicação é bandeira do bloco Fala Puto, que há quatro anos desfila na Cinelândia, no centro do Rio, e conta com a participação do bloco Lira de Ouro, de Duque de Caxias. O bloco foi criado por comunicadores populares com o objetivo abrir espaço no carnaval carioca para a luta pela democratização da mídia. “Com diversão também é possível tratar desse tema tão importante. Em quatro anos já falamos sobre a Conferência Nacional de Comunicação, denunciamos o monopólio da mídia, criticamos a imagem da mulher na TV, defendemos o marco regulatório”, conta Edson Munhoz, do Sindicato dos Petroleiros do Rio, entidade que patrocina o Fala Puto.
“O nome do bloco é irônico, já que nossa ideia é criticar a realidade da mídia no Brasil de maneira alegre, divertida. Esse puto tem várias interpretações. Nós, que estamos insatisfeitos com a concentração dos meios no país, temos que ficar putos, temos que reivindicar a garantia do direito à comunicação”, diz a jornalista Gilka Resende.
O também jornalista Arthur William, cantor do bloco e um dos compositores, explica que o fato de o grupo sair há quatro anos sem autorização da Prefeitura materializa a defesa do direito à comunicação e à folia por meio da ocupação do espaço público para expressar ideias contra-hegemônicas. “Blocos de rua como este são um contraponto ao carnaval comercial realizado pela maioria das escolas de samba e por alguns blocos patrocinados. Em nossa festa, cantamos a sociedade com a qual sonhamos, ajudando a construí-la na prática”, afirma.

   
   Bloco Comuna que pariu - Foto: Adriano Alves
Homenagem à Niemeyer
Há quatro anos estreava nas ruas da Cinelândia o bloco Comuna que pariu, criado por militantes da União da Juventude Comunista (UJC), do PCB. Ele ocorre neste local devido à história de resistência política e cultural da área, além de ser onde está localizada a Ocupação Manoel Congo, símbolo da luta pela moradia na cidade.
“A cultura pode servir de arma na luta de classes. Somos todos fi lhos da Comuna de Paris”, explica o professor de história Heitor Cesar Oliveira, um dos fundadores do grupo. Ele conta que o Comuna surgiu da ideia de que é possível usar elementos culturais para incentivar e ampliar a luta social. “Criamos o bloco para unir a alegria do carnaval à mensagem social. Já falamos sobre a Anistia, a campanha O petróleo tem que ser nosso e ano passado denunciamos as remoções ocorridas no Rio por causa da especulação imobiliária. Também fizemos, em 2010, uma homenagem ao MST”, enumera.
Neste ano, no domingo, dia 10, a rua ficou lotada para ouvir o samba em tributo a Niemeyer, falecido recentemente. Victor Neves, um dos compositores do samba deste ano, disse que a escolha do tema foi “quase natural”, devido ao falecimento deste grande arquiteto. “Ele sempre assumiu publicamente sua posição de comunista fervoroso. Foi presidente de honra de nosso partido. Além disso, foi um dos maiores arquitetos do século 20”, explica.
Para Neves, o Comuna ajuda a refletir sobre que carnaval de rua os militantes querem e até que ponto aceitam a interferência do Estado que aí está. “Acredito que seria bom ampliar a participação de outros grupos de esquerda e movimentos sociais, que podem e devem se integrar à organização do bloco”, convida.

Sheila Jacob,
do Rio de Janeiro (RJ)
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/12024

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A DITADURA DA MEDIOCRIDADE (OU OS IDIOTAS ASSISTEM TV)

por gilson ribeiro

Todo o desenvolvimento humano se deu pela nossa capacidade de abstração, o que significa que a maior parte de nossa realidade está fora do nosso campo de visão ( ao contrário dos outros animais, para o melhor e/ou para o pior, sempre fomos muito além dos dados concretos da nossa realidade imediata), essa capacidade de abstração nos levou à criação da linguagem, através da qual se estrutura nosso pensamento; entre outras coisas, somos seres simbólicos e nos abstraímos, construímos sentidos, fazemos descobertas, absorvemos conhecimento - pensamos, enfim.
A partir do momento que qualquer imagem, esteja onde estiver, adentra nossa casa (tele-visão), deixamos nossa mente ser ocupada por imagens prontas, ou seja, que não são resultado da construção mental de sentido advinda da abstração - deixamos de pensar, enfim.
E de imaginar.

Limitando assim a nossa realidade apenas ao que se encontra circunscrito ao nosso campo de visão, desativamos nossa capacidade de abstração (fator principal na história de todo o desenvolvimento humano). Com isso nos tornamos mais vulneráveis à manipulação midiática, introjetando interesses deliberados externamente e confundindo-os com nosso desejo. Assim nos transformamos em meros consumidores, como que lobotomizados, zumbis.
Já somos sucessivas gerações predominantemente audiovisuais, conferindo conotação negativa ao termo "intelectual" para desqualificar qualquer debate mais aprofundado, reclamando de filmes "lentos", dizendo que preferimos coisas "light" em detrimento de coisas "complicadas", "xingando" de cult quem queira argumentar minimamente e faça menções a referências extra-midiáticas. Cada vez menos contemplativos e mais imediatistas. Adultos infantilizados num violento processo de idiotia que há muito tempo trocaram o pensar e o (tentar) compreender pelo (apenas) ver, assistir.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O "CONTROVERSO" PEDRO BIAL

Por Gilson Ribeiro*

Segundo a grande mídia* muitos críticos de Pedro Bial ficam desconcertados por ele ser um homem que faz filmes “exigentes sobre figuras que pensam o Brasil (Guimarães Rosa e Mautner)” e, ao mesmo tempo, apresentador do BBB. Mas esse suposto e alegado desconcerto não será parte de uma operação midiática para alimentar o mito Bial e lhe conferir a aura controversa de uma personalidade complexa?

Afinal haverá o que legitime intelectualmente o mestre de cerimônia de um espetáculo onde 15 ou 16 pessoas, expondo-se ao ridículo em situações de gosto enormemente duvidoso, trocam sua intimidade por dinheiro e fama?

O filme que ele fez a partir de Guimarães Rosa, por exemplo, é um descalabro de monta (principalmente na abordagem mais que equivocada do conto Famigerado). Só conseguiu fazê-lo porque a família do escritor entrou em raro consenso na liberação de direitos daquela vez. Talvez, por se tratar de uma vedete global, tenham acreditado na possibilidade de lucros vultosos. Quanto aos chamados poemas desse repórter que se tornou showman, eles devem ter uma insignificante fração de risibilidade a menos do que os de José Sarney. Já em seu opus magno literário, sobre Roberto Marinho, ao biografado é conferido a caracterização de  ser "revestido de aura sobre-humana" e ele chega a ser chamado até de "Deus". Ao longo do texto, desfilam ainda adjetivos como notável, sedutor, hipnótico, sábio etc. E, claro, o senhor Pedro Bial trata-o o livro todo como "doutor". E isso é tudo no que diz respeito ao lado "intelectualmente denso" do apresentador do BBB.

Num conto de Kafka chamado RELATÓRIO PARA UMA ACADEMIA, um macaco, que se transformou em humano, relata para uma platéia de acadêmicos e estudio­sos como gradativamente abandonou sua condição animal e passou a imitar os homens. Ao macaco humanizado restavam duas possibilidades: ir para o zoológico ou para o circo de variedades. Optou pela segunda. Hoje isso me lembra o Big Brother, cujo nome foi tirado de uma obra literária de intensa crítica política (1984), o que bem demonstra a capacidade ilimitada, por parte da gigantesca indústria de entretenimento, de engolir qualquer signo cultural e transformá-lo em produto comercial.

Esse contexto, de certa forma, explica um pouco como Pedro Bial pode “transitar” tanto no campo da gravidade dialética como no cenário de futilidades televisivas. Na verdade seu verdadeiro habitat é só esse cenário telemidiático.

A possibilidade de associar Pedro Bial ao universo intelectual, portanto, se dá na mesma ordem com que o programa lastimável da TV por ele apresentado tem por nome um termo retirado de renomada obra literária do século XX.

*http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-estrada-de-mautner--entrevista-com-pedro-bial,991176,0.htm#bb-md-noticia-tabs-1

 “Se existe algo que me irrita profundamente é o jeito sem cerimônias com que o mestre-de-cerimônia do Big Brother Brasil saúda aquela penca de jovens (...) confinados na casa montada pela TV Globo no Rio de Janeiro: "Boa noite, meus heróis!" (...) Reconheço, meio a contragosto, que todos os heróis são espelhos do mundo e da sociedade em que vivem. Os heróis do Bial espelham o mundo da futilidade, o hedonismo, o império dos sentidos humanos, a interação quase total entre os espaços público e privado. Meus heróis espelham o mundo dos ideais, dos valores humanos, do desprendimento e do amor à espécie humana. Os heróis de Bial lutam pelo prêmio financeiro e pelas conseqüências advindas de contratos pecuniários no mundo artístico. Meus heróis lutaram por aquilo em que acreditavam e sua recompensa era tão somente o sentimento de possuírem consciências tranqüilas, tanto que o mito do herói não foi por eles desfrutado: morreram em si para darem vida ao herói que neles subsistia.”

Washington Araujo


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

“CAETANICES”, NUMA BELA HOMENAGEM



A quem ainda não ouviu, recomendo uma canção incluída no último disco do grande compositor, letrista e intérprete Caetano Veloso, intitulada "Um Comunista", na qual ele presta uma homenagem, tardia mas sincera, a Carlos Marighella. O link para o Youtube é este: 
Como é importante ouvir seguindo a letra, ela está no final deste artigo.
Formalmente, a música é de primeira qualidade. É uma espécie de litania (ladainha) não-religiosa, em que a repetição exaustiva do motivo melódico realça extraordinariamente os versos e sua intenção. Tal técnica já foi usada muitas outras vezes. Por exemplo, em “Pra não Dizer que não Falei de Flores”, de Geraldo Vandré (a conhecidíssima “Caminhando e Cantando ...” http://www.youtube.com/watch?v=onbRuVLPDmI ) e a menos conhecida “Working Class Hero” (Herói da Classe Operária http://www.youtube.com/watch?v=njG7p6CSbCU), do John Lennon pós Beatles.
Caetano, em “Um Comunista”, usa a técnica da ladainha, mas com muito mais riqueza melódica e harmônica.
É surpreendente – num sentido positivo – que Caetano tenha composto uma canção como esta. Porque ele jamais demonstrou simpatia para com os comunistas. No caso, a homenagem é a um revolucionário que admirava provavelmente a partir de uma posição romântica. Mas, de qualquer maneira, há trechos que emocionam a todos nós, pelo reconhecimento que faz de determinadas características nossas.
 Refiro-me aos seguintes trechos da letra: 
"... foi aprendendo a ler / olhando o mundo à volta / e prestando atenção / no que não estava à vista / assim nasce um comunista ..."; 
"... os comunistas guardavam sonhos / os comunistas / os comunistas ..." (trecho repetido várias vezes ao final da gravação);
"... sempre foi perseguido / nas minúcias das pistas / como são os comunistas ..."
"... vida sem utopia / não entendo que exista / assim fala um comunista ..."
Surpreende também que ele cite, como um dos que prenderam Marighella, o Antônio Carlos Magalhães – tendo em vista que sempre que teve oportunidade louvou o falecido senhor feudal da política baiana. Coisa que, por sinal, muitos outros faziam – inclusive o também falecido Jorge Amado. 
Mas como nada é perfeito, Caetano comete dois erros crassos de avaliação – salvo se não se tratar de erros de avaliação, e sim de uma espécie de compensação política pela homenagem a Marighella e pelas frases de reconhecimento aos comunistas. 
Um deles está contido no trecho "... as nações terror / que o comunismo urdia ...". Ora, que nações seriam essas? Não me consta que as nações em que o socialismo chegou a ser implantado exportassem "terrorismo". Com certeza, por sua perspectiva internacionalista e pelo dever de levá-la à prática, apoiavam de diversas maneiras as lutas de libertação de outros povos. Daí a chamá-las de "nações terror" vai a distância exata entre uma afirmação coerente politicamente e uma simples "caetanice" (no pior sentido).
O outro erro aparece em "... o mulato baiano já não obedecia / às ordens de interesse / que vinham de Moscou ...". Claro que ele aqui se refere à ruptura de Marighella com a posição adotada pelo PCB de luta de massas contra a Ditadura, e sua adesão à luta armada. Entretanto, a idéia de que a estratégia àquela altura proposta pelo PCB fosse mero seguidismo das posições de grande potência da URSS (que de fato existiam) é um equívoco grave.
A posição de recusa da luta armada era claramente majoritária no interior do PCB. Não só pela compreensão de que ela não tinha – por todos os motivos – a menor condição de ser vitoriosa, mas também porque fortaleceria indiretamente o regime, que facilmente isolaria e estigmatizaria os grupos armados. O que de fato ocorreu.
O afastamento de inúmeros bravos camaradas para o caminho da luta armada é questão que não está mais em causa, pois a História nos deu razão. Apenas, o Caetano incorreu nos velhos erros de considerar que não tínhamos vontade própria, de que éramos meros “teleguiados” de Moscou. Com o adendo de que nem em todos os casos a URSS foi contra a luta armada. Há vários exemplos de apoio militante dos soviéticos a lutas de libertação nacional e a levantamentos armados contra governos opressores.
Parece que o genial compositor, letrista e intérprete baiano "deu uma no cravo e outra na ferradura". Em sua nova canção, ele elogia os comunistas numa perspectiva idealista, mas os critica no concreto. Totalmente Caetano, afinal.
FELIPE OITICICA (RJ)
A letra da canção:

Um Comunista

(Caetano Veloso)

Um mulato baiano,
muito alto e mulato,
filho de um italiano
e de uma preta huça,
foi aprendendo a ler
olhando mundo à volta
e prestando atenção
no que não estava a vista;
assim nasce um comunista ...

Um mulato baiano
que morreu em São Paulo,
baleado por homens do poder militar,
nas feições que ganhou em solo americano,
a dita guerra fria,
Roma, França e Bahia ...
Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!

O mulato baiano, mini e manual
do guerrilheiro urbano que foi preso por Vargas,
depois por Magalhães,
por fim pelos milicos,
sempre foi perseguido nas minúcias das pistas,
como são os comunistas ...

Não que os seus inimigos
estivessem lutando
contra as nações terror
que o comunismo urdia,
mas por vãos interesses
de poder e dinheiro,
quase sempre por menos,
quase nunca por mais ...
Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!

O baiano morreu,
eu estava no exílio,
e mandei um recado:
– eu que tinha morrido
e que ele estava vivo,
mas ninguém entendia,
“vida sem utopia
não entendo que exista”:
assim fala um comunista ...

Porém, a raça humana
segue trágica, sempre,
indecodificável,
tédio, horror, maravilha ...
Ó, mulato baiano,
samba o reverencia,
muito embora não creia
em violência e guerrilha
tédio, horror e maravilha ...

Calçadões encardidos,
multidões apodrecem,
há um abismo entre homens
e homens, o horror ...
quem e como fará
com que a terra se acenda?
E desate seus nós,
discutindo-se Clara,
Iemanjá, Maria, Iara,
Iansã, Catijaçara?

O mulato baiano já não obedecia
às ordens de
 interesse  que vinham de Moscou,
era luta romântica
era luz e era treva,
feita de maravilha, de tédio e de horror ...
Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!
(várias vezes)





quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Walt Disney e o FBI


O artista denunciou seus funcionários e perseguiu celebridades com o apoio do Senado americano
Walt Disney não foi apenas o pai de Mickey e Donald, o produtor de Branca de Neve, Bambi, Dumbo e Pinóquio e o genial inventor da Disneylândia. Durante 26 anos, de 1940 a 1966, o artista forneceu aos agentes do governo americano relatórios sobre atividades consideradas subversivas das estrelas de Hollywo
od, dos sindicatos de técnicos e das associações de artistas, roteiristas, produtores e escritores.

A atuação de Disney como informante do FBI, o Federal Bureau of Investigation, foi divulgada inicialmente pelo escritor Marc Eliot em O príncipe sombrio de Hollywood (Ed. Marco Zero). A biografia, classificada como “não autorizada” pela imprensa americana, traz uma análise de 470 páginas de informações produzidas pelo próprio órgão estatal. Para acessar o dossiê, Eliot recorreu ao Freedom of Information Act, um dispositivo legal que autoriza qualquer cidadão americano a ter acesso aos arquivos de uma administração. O material não está completo: faltam 100 páginas e muitas das recebidas pelo autor foram escurecidas, para garantir o anonimato de informantes ou de pessoas colocadas sob suspeita por Disney.

Segundo os dados obtidos, a parceria começou em 1940, quando o artista tinha 39 anos. Nessa época, o poderoso e temido chefe do FBI, John Edgar Hoover, colecionador inveterado de segredos de alcova, assuntos de família e fofocas de todo tipo, se propôs a ajudar Disney na busca por sua árvore genealógica. O assunto era um tormento para o animador desde a adolescência, quando descobriu que não possuía certidão de nascimento. Acreditando ser adotado, ele fez inúmeras pesquisas para encontrar suas origens, todas sem resultado. A oferta do FBI era uma ótima oportunidade para finalmente atingir seu objetivo. Em troca do esforço dos agentes, Disney tornou-se informante e manteve uma relação quase filial com Hoover.
O acordo, imediatamente colocado em prática, levou dois investigadores americanos à cidade de Mojacar, na Espanha, em busca do atestado de nascimento. Eles encontraram o registro de uma criança, nascida por volta de 1890, cuja mãe teria sido Isabel Zamora Ascencio.

O pai, um notável chamado José Guirao, era casado com outra mulher e não assumiu a relação com a amante. Após sua morte, a señorita Zamora teria embarcado para a América e Disney seria, na verdade, o pequeno José, nome de batismo do bebê espanhol. Pura especulação, as informações foram habilmente utilizadas por Hoover para manter estreitos laços com o cineasta.


Disney e Charles Chaplin, vítima célebre da caça as bruxas empreendida no macarthismo
Mas a aliança era bilateral e Disney utilizou-a muitas vezes, fora da alçada particular inicial. Recorreu à polícia federal contra os sindicatos e, em outro nível, para quebrar o monopólio das grandes companhias cinematográficas, que controlavam a distribuição e exportação da produção hollywoodiana. Para ele, os sindicatos eram certamente comunistas e as empresas, a expressão de um complô tramado por imigrantes do leste europeu. Não seria Hoover quem iria contradizê-lo.

Em 1941, o artista realizou uma de suas obras-primas, Fantasia. O filme, protagonizado por Mickey Mouse, foi um fracasso de público. O cineasta atribuiu a péssima recepção da animação a uma “conspiração sindical”, em um período em que seus funcionários entraram em greve por melhores condições de trabalho.

Greve e perseguição

A mobilização eclodiu quando os diretores do estúdio proibiram o estabelecimento de sindicatos filiados à Cartoonist Guild, espécie de federação dos cartunistas. Com barricadas e piquetes, a queda-de-braço durou vários meses. Por fim, todos os líderes sindicais foram demitidos, e Disney aproveitou a Huac, Comissão de Investigação sobre as Atividades Antiamericanas, que funcionou entre os anos 1938 e 1975, para pedir investigação dos militantes. Por vingança, perseguiu os sindicalistas durante anos, mas foi obrigado a readmitir alguns após processos jurídicos.

Em fevereiro de 1944, ele participou da fundação da Motion Picture Alliance, uma máquina de guerra a serviço do anticomunismo. A organização agrupou a nata dos conservadores, entre eles, o milionário e magnata da imprensa, William Randolph Hearst, e os astros John Wayne e Gary Cooper. Em sua declaração de princípios, a MPA alertava para uma possível “dominação dos comunistas, dos radicais e desmiolados de todo tipo”.


Nove dos Dez de Hollywood, grupo de escritores de esquerda perseguidos no período
Em março do mesmo ano, Disney dirigiu-se ao Congresso dos Estados Unidos, solicitando à Huac que estudasse “a maneira flagrante com que a indústria do filme alimentou, em seu seio, comunistas e outros grupos de tendência totalitária, que trabalhavam na divulgação de idéias e de crenças antiamericanas”. O clima de inquisição em Hollywood estava criado. Qualquer pessoa suspeita de ser liberal ou progressista era ouvida pelos políticos, amplamente apoiados e encorajados em seus trabalhos pelo FBI. Em 1947, a Huac investigou, entre outros alvos, um grupo de escritores de esquerda conhecido como “Os dez de Hollywood”. Por se recusarem a responder às perguntas sobre uma eventual ligação com o partido comunista, eles tiveram suas carreiras prejudicadas e alguns cumpriram pena de prisão. A acusação era a de violação da primeira emenda da Constituição americana, que ironicamente regula a liberdade de expressão, de opinião e de manifestação.

No clima de perseguição, Disney também participou ativamente do Communist Pictures, um grupo de representantes do FBI dedicados a localizar subversivos. Entre os que se uniram a esse movimento, estava um ator de segunda categoria, então desconhecido do grande público: Ronald Reagan. O dossiê do FBI sobre aquele que se tornaria presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989 é eloqüente. Militante sindicalista, Reagan logo tornou-se suspeito por sua atuação no comitê dos cidadãos para as artes, ciências e profissões liberais, considerado uma fachada para os comunistas.

Alertado por seu irmão Neil, membro do mesmo comitê, ele optou por colaborar com as investigações e fornecer aos agentes as listas de militantes ou simpatizantes do comunismo.

Denúncias públicas

Reagan foi brilhante e se tornou informante confidencial. Hoover aproveitou o talento de seu jovem recruta e fez com que fosse ouvido pela Huac.


Para jornais posteriores ao macarthismo, o termo para definir a perseguição política deveria ser "hooverismo", em referência a J. Edgar Hoover (acima)
Em 24 de outubro de 1947, foi a vez de Disney depor perante os políticos, no mesmo dia de Gary Cooper. No relatório da audiência, consta um trecho do diálogo em que os membros da comissão perguntavam se houve, “em qualquer período que seja, comunistas empregados no estúdio”. E o artista respondeu: “Sim. No passado tivemos algumas pessoas que acredito serem comunistas”. Questionado se a greve teria sido fomentada por membros do partido comunista, ele afirmou: “Estou profundamente convencido de que um grupo de comunistas tentou influenciar nossos artistas e conseguiu”. No depoimento, citou os nomes de Herbert Sorrell e Dave Hilberman, dois sindicalistas que participaram da mobilização. Porta-voz dos sindicatos hollywoodianos, Sorrell viu sua carreira naufragar e morreu após um ataque cardíaco aos 45 anos. Hilberman foi vigiado durante anos pelo FBI e teve de se mudar para Nova York, onde trabalhou para uma sociedade de produção tachada de socialista.

A postura anticomunista não escapou à União Soviética, que proibiu os filmes de Disney em todo seu território a partir de março de 1949. Em reação a essa sanção, o artista recebeu uma placa de bronze da Câmara do Comércio de Los Angeles, por sua contribuição ao comércio internacional. O clima de tensão se agravou em 1950, com o crescimento da popularidade do senador republicano Joseph MacCarthy, anticomunista fervoroso. Além da Huac, diversos outros instrumentos estavam atuando, como o Subcomitê Interno de Segurança do Senado e o Subcomitê Permanente de Investigações do Senado. Entre 1949 e 1954, mais de 109 dossiês foram analisados no Congresso americano e o termo “macarthismo” passou a definir a política de perseguição sistemática aos partidários da esquerda, embora alguns jornais tenham posteriormente afirmado que o nome ideal seria “hooverismo”. Toda pessoa que se recusasse a comparecer aos depoimentos era automaticamente fichada. John Huston, Katharine Hepburn, Lauren Bacall e Humphrey Bogart receberam muitas críticas por se limitaram a dar respostas evasivas. Os escritores: John Steinbeck, Arthur Miller, Tennessee Williams, Truman Capote, Dashiell Hammett e Thomas Mann também foram espionados. Outra vítima célebre dessa caça às bruxas foi Charles Chaplin, cujos protestos contra a histeria anticomunista irritavam Disney. Apesar de sua fama, o criador de Carlitos não escapou das perseguições, que o obrigaram ao exílio na Europa.

No Natal de 1954, o chefão do FBI nomeou Disney agente especial, o que fez dele um informante de confiança. Essa promoção não foi desinteressada, pois ocorreu no momento em que o artista estreou no mundo da televisão, assinando um acordo com o canal ABC. Hoover deu uma importância especial a essa mídia, pressentindo a força que iria adquirir nos anos seguintes. Em relatório confidencial, Hoover escreveu: “Tendo em vista o prestígio do sr. Disney, o produtor mais importante de desenhos animados da indústria do cinema, sua competência e suas vastas relações no domínio da produção, nós estimamos que sua colaboração para os serviços do Bureau pode se revelar preciosa. Por isso, recomendo que seja promovido a contato oficial de nossos serviços, sob o título de Special Agent in Charge”.

A lua-de-mel foi finalmente encerrada em 1956. Vítimas de sua paranóia, os homens de Hoover, se não o próprio, começaram a suspeitar de Disney quando ele solicitou uma área do FBI como locação de curtas-metragens do Clube do Mickey. Apesar de terem autorizado a filmagem, o clima de confiança nunca mais foi o mesmo. Em 1961, o artista aprovou o roteiro de Um piloto na Lua, que ridicularizava policiais. Quatro anos depois, se recusou a modificar o script de O espião com patas de veludo, pouco elogioso ao FBI.
Vítima de Hoover

Ignorando a qualidade de informante de Disney, os agentes fizeram uma investigação para provar que ele havia participado da Noite das Américas, evento do Conselho de Democracia Pan-americana, considerado uma associação subversiva, e de uma homenagem a Art Young feita pelo jornal New Masses, taxado como aliado do partido comunista americano. Quando o presidente Dwight Eisenhower (1953-1961) listou personalidades suscetíveis de serem nomeadas ao Conselho Nacional da Cultura, Hoover enviou os dossiês desses dois casos e o nome de Disney foi descartado.

O artista passou de colaborador à vítima do chefão do FBI, que de 1924 a 1972 reinou como mestre absoluto sobre toda a vida política dos Estados Unidos, fichando mais de 159 mil de pessoas. Até hoje, a família do homem vencedor de 29 Oscars e 4 Emmy nega sua participação no macarthismo, sob o argumento de que ele seria apenas um “contato” do FBI. Para seu biógrafo, o “público americano só conhecerá a verdade no dia em que todas as peças – sem cortes – do dossiê Disney, em poder do FBI, estiverem disponíveis”. Um forte indício de que as informações divulgadas até agora estão corretas é que nenhum processo foi aberto contra o livro, traduzido em 14 línguas.
Zé Carioca, um brasileiro em defesa dos EUA
Em plena Segunda Guerra Mundial, Walt Disney desembarcou no Brasil para colaborar com a “política da boa vizinhança”. À época, o governo Getúlio Vargas flertava com o Eixo, em detrimento dos Aliados, e os Estados Unidos adotaram uma campanha para ampliar sua influência política, econômica e cultural no país. Entre as iniciativas para aproximar as duas nações, estavam o impulso à carreira de Carmem Miranda e a viagem de 15 dias de Disney ao Rio de Janeiro. A missão do artista, instruído cuidadosamente por Nelson Rockefeller, diretor da influente Secretaria para Assuntos Interamericanos, era ganhar a simpatia dos brasileiros e o resultado foi a criação de Zé Carioca. O papagaio estreou no filme Alô, amigos de 1942, em que ciceroneava o Pato Donald pelo país. A passagem pela América Latina ainda rendou outros dois personagens: o Gauchinho Voador, representante da Argentina, e o galo mexicano Panchito. Todos se tornaram bons amigos de Donald, simbolizando o que deveria ser a relação com os americanos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O assassinato de um cantor popular

Grande cantor popular chileno, ele foi cruelmente assassinado nos primeiros dias da ditadura instaurada pelos militares liderados por Augusto Pinochet em 1973. O crime aconteceu no Estádio Nacional que servia de prisão para milhares de militantes. O relato chocante abaixo, que mostra a barbaridade do assassinato, foi retirado de No Olho do Furacão, do jornalista brasileiro Paulo Cannabrava, a partir de relatos de quem esteve lá.



“Em um dado momento, Victor desceu para a platéia e se aproximou de uma das portas por onde entravam os detidos. Ali topou – cara a cara – com o comandante do campo de prisioneiros que o olhou fixamente e fez o gesto mimico de quem toca violão. Victor assentiu com a cabeça, sorrindo com tristeza e ingenuidade. O militar sorriu, contente com sua descoberta..
Levaram Victor até à mesa e ordenaram que pusesse suas mãos em cima dela. Rapidamente surgiu um facão. Com um só golpe cortaram seus dedos da mão esquerda e, com outro, os da mão direita. Os dedos cairam no chão de madeira, ainda se mexendo, enquanto o corpo de Victor se movia pesadamente.

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Depois choveram sobre ele golpes, pontapés e os gritos: ‘canta agora… canta…’, a fúria desencadeada e os insultos soezes do verdugo ante um ‘alarido coletivo’ dos detidos.
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De improviso, Victor se levantou trabalhosamente e, com o olhar perdido, dirigiu-se às galerias do estádio… fez-se um silêncio profundo. E então gritou:
- Vamos lá, companheiros, vamos fazer a vontade do senhor comandante.

Firmou-se por alguns instantes e depois, levantando suas mãos ensanguentadas, começou a cantar em voz ansiosa o hino da Unidade Popular (Coligação de partidos de esquerda que apoiavam o governo de Allende), a que todos fizeram coro.
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Aquele espetáculo era demasiado para os militares. Soou uma rajada e o corpo de Victor começou a se dobrar para a frente, como se fizesse uma longa e lenta reverência a seus companheiros. Depois caiu de lado e ficou ali estendido.”

Vídeos:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-assassinato-do-cantor-victor-jara-na-ditadura-chilena

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Uruguaio Daniel Viglietti lembra ditaduras, critica impunidade e diz que faz ‘canções humanas’

Ao se apresentar em São Paulo, o músico uruguaio reafirmou a necessidade urgente de se acabar com a impunidade na América Latina. Ele citou o caso do “traidor” Cabo Anselmo, que entregou a militante Soledad Barret, a quem dedicou uma canção intercalada com um poema de Mario Benedetti.



Carta Maior

São Paulo – Não são muitos os músicos que atravessaram as ditaduras na América Latina e ainda reservam para si a tarefa de divulgar a memória das lutas populares. O uruguaio Daniel Viglietti é uma dessas poucas figuras que utiliza as canções como interpretação poética do passado e do presente, “como um pequeno passarinho que pousa no ombro das pessoas para lhes falar verdades”, como ele mesmo definiu.

Aos 73 anos, o músico veio ao Brasil para fazer duas apresentações no Sesc Santana, na cidade de São Paulo, nos dias 24 e 25 de agosto. Muito simpático e solícito, Daniel concedeu uma entrevista à Carta Maior e falou sobre a importância da arte para manutenção da memória.

Livrando de si o peso de ser parte desta memória viva da música latinoamericana, a todo tempo reivindicou outras influências, de todas as gerações, sejam elas de artistas – como os chilenos Victor Jara e Violeta Parra –, sejam elas os heróis da luta popular, como o Capitão Lamarca e Carlos Mariguella.

Durante a própria apresentação, Viglietti reafirmou a necessidade urgente de se acabar com a impunidade na América Latina. Citou o caso do “traidor” Cabo Anselmo, que entregou a militante Soledad Barret, a quem o músico dedicou uma canção intercalada com um poema de Mario Benedetti.

Viglietti elogiou a mescla de ritmos e sons utilizados pelas novas gerações, citando o rap, e diz preferir chamar o tipo de canção que faz como “canções humanas”. Mostrou, assim, representar com muita abertura a transição para a “nova memória que está se editando” no continente. Assista a entrevista em nosso canal no Youtube.

Fonte: http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=4698:uruguaio-daniel-viglietti-lembra-ditaduras-critica-impunidade-e-diz-que-faz-cancoes-humanas&catid=89:uruguai

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

García Lorca, 76 años de un crimen

Mencionar al poeta Federico García Lorca era cosa prohibida en Granada a raíz de su fusilamiento ocurrido en 1936 durante la Guerra Civil española. García Lorca entendía la causa republicana y varias de sus amistades cercanas eran de izquierda. No militaba ni con los republicanos ni con los franquistas. Lo mataron por homosexual, por persona no grata al sistema.
Así, en su discurso inaugural de la biblioteca de su pueblo, Fuente Vaqueros, Granada, dijo:
“Y yo ataco desde aquí violentamente a los que solamente hablan de reivindicaciones económicas sin nombrar jamás las reivindicaciones culturales que es lo que los pueblos piden a gritos. Bien está que todos los hombres coman, pero que todos los hombres sepan. Que gocen todos los frutos del espíritu humano porque lo contrario es convertirlos en máquinas al servicio de Estado, es convertirlos en esclavos de una terrible organización social”.
A ciencia cierta se desconocen los datos de su fusilamiento. Se entiende que ocurrió entre la madruga del 18 de agosto y el día 19 del mismo mes. Días antes de ser detenido su casa estuvo siendo registrada por los falangistas. El nueve de agosto la deja y se refugia con la familia Rosales. El 16 de agosto fueron por él los milicos.
Como los milicos lo andaban cercando, el músico Manuel de Falla, su amigo, quien residía por ese entonces en Granada, le había ofrecido su casa como refugio. A Manuel de Falla se le consideraba un compositor nacionalista, y por lo tanto García Lorca estaría a buen recaudo por lo menos un tiempo, el necesario para preparar su salida de España.
EL ÚLTIMO RASTRO
Sin embargo, García Lorca eligió otra opción, en teoría, segura. La casa de la familia Rosales. Falangistas. El poeta estaba contemplando la posibilidad de embarcarse rumbo a México, pero quería venir con su enamorado, un jovencito de diecinueve años, menor de edad para aquélla época, sin permiso de sus padres para dejar el hogar. García Lorca pospuso sus planes de viajar a nuestro país.
El día que es detenido, donde los Rosales, lo conducen a la Guardia Civil. Ni Manuel de Falla, ni los falangistas Rosales consiguen que lo liberen. Manuel de Falla se hunde en una tristeza extrema. Enferma. El poeta es conducido a Víznar, una localidad de la así conocida vega granadina, donde es ejecutado en un barranco. Se desconoce el punto donde sus restos hayan sido arrojados o enterrados. Se lo tragó la tierra. Dejó otro tipo de rastro: Poeta, y Bernarda Alba.
El primero en investigar sobre la ejecución del poeta fue el lorquista Claude Clouffon, en los 40, a pesar de que en Víznar los extranjeros no eran gente bien vista, y se evitaba repetir en espacios abiertos el nombre del poeta. Después el hispanista Ian Gibson se convertiría en el principal estudioso de la biografía de García Lorca.
Por fortuna para las Letras, un mes antes, estando en Madrid, García Lorca había llevado el manuscrito de Poeta en Nueva York para que lo leyera su amigo José Bergamín. Al no encontrarlo, pidió que le entregasen los originales a Bergamín, y se marchó a Granada.
Como la obra de teatro La casa de Bernarda Alba, escrita en su última primavera, Poeta en Nueva York fue publicado de forma póstuma. Decir poeta es un modo; García Lorca escribió y montó diversas obras teatrales. Dibujaba, tocaba el piano, y escribió algunos guiones para cine no comercial.
LA MÚSICA DE LA PALABRA
Habría que hablar más de la obra, al cabo la única que le sobrevive. La descendiente que nos heredera García Lorca.
Juan Vadillo, maestro en Letras españolas, con la tesis La poesía y el flamenco. Manuel Machado, José Bergamín y García Lorca, refiere que la evolución del pensamiento lorquiano se concentra en las conferencias La imagen poética de Luis de Góngora (1926), e Imaginación, inspiración, evasión (1928). En la primera, hace un análisis racional de la metáfora gongorina “que coloca al poeta en el plano de la imaginación, no importa cuán intrincadas puedan ser su imágenes, siempre se pueden desentrañar racionalmente”.
En la segunda conferencia va más allá al advertir que el poeta puede colocarse en el plano de la inspiración donde la metáfora no puede desentrañarse racionalmente, “se trata de la metáfora alucinante o surrealista. Por medio de ella se alcanza el estado de evasión de la realidad, la imagen nos transporta a un mundo delirante, cercano al mundo del origen, donde las cosas más disímiles son idénticas —todo es metáfora—, porque el universo se percibe como un todo. Esta es la experiencia mítica de las imágenes irracionales que religan lo que había sido escindido por la razón”.
- ¿Qué va de Romancero gitano a Poeta en Nueva York?
-En el Romancero gitano la música de la palabra en nuestra lengua ha tocado el techo. En esta obra lo más importante es la música que libera a la palabra de su lastre referencial y la hace volar; en cuanto escuchamos cómo se corresponden los sonidos nos evadimos en dirección a un mundo primigenio que Octavio Paz ha llamado “Analogía”.
Es Octavio Paz quien destaca que poetas como Mallarmé, Eliot y José Gorostiza, han dado a sus creaciones una estructura musical en tanto que otros, Valéry, García Lorca, han acentuado la relación entre la poesía y la danza. Estos temas los conoce bien Juan Villar quien cursa el Doctorado en Letras en la UNAM con un proyecto de investigación acerca de la relación entre música y literatura:
“La columna vertebral del Romancero gitano es la música de la palabra, que articula un diálogo contrapuntístico entre la metáfora alucinante (del surrealismo) y la metáfora imaginativa (cuya complejidad llega a ser gongorina). Todo dentro de un molde profundamente tradicional que es el romance, del que se desprenden recursos muy antiguos, que curiosamente coinciden con los procedimientos más vanguardistas”.
EL HOMBRE DESOLADO
Entre el Romancero gitano y Poeta en Nueva York —dice Juan Villar—, “García Lorca escribe odas y prosas poéticas en un proceso que se va acercando cada vez más al surrealismo, la imaginación se va subordinando a la inspiración en busca de la evasión. La musicalidad que alcanzan los versos de Poeta en Nueva York, igual que en el Romancero, roza lo sublime”.
Juan Villar agrega que frente al paisaje urbano de Poeta en Nueva York, el hombre desolado intenta reconstruir su identidad en un mundo totalmente fragmentado: “Esto implica una vuelta a la infancia, también al origen. Estamos de nuevo ante la evasión que sólo puede lograrse reinventando la realidad, religando la realidad; en el vacío de la urbe todo adquiere forma; la ciudad se reestructura como un ser vivo; de repente todo se corresponde, allí donde nada tenía sentido, todo tiene sentido, pero sólo por un instante que se desvanece. En la soledad urbana el hombre se reconstruye merced a la palabra”.
- ¿Cuál es la trascendencia que la poesía de García Lorca alcanza en nuestros días?
- En un mundo en que muy poca gente apaga su i Phone y se toma el tiempo de leer poesía, los versos de Lorca, sobre todo los del Romancero gitano, consiguen con su musicalidad tender un puente sobre el abismo que separa la cultura de masas de la cultura de élite. Creo que en ello radica su gran trascendencia y vitalidad.
Diplomado en composición de jazz por el Berklee College of Music, de Boston, Juan Villar recuerda que los poemas de García Lorca han sido cantados por Camarón y por los grandes cantaores de flamenco contemporáneo: “En las cuevas del Sacro Monte [barrio de gitanos en Granada] se escucha la cadencia del romance de la luna, luna, en voz de algún gitano que ha transformado el poema, cambiando algunas palabras, creando paralelismos, dándole vida, haciéndolo suyo, es decir tradicional. La poesía más vital entre toda la poesía del siglo XX en nuestra lengua es la de Lorca. Esa vitalidad se debe sobre todo a su música, a la resonancia del verso silencioso cuya luminosidad a veces nos recuerda, en un mundo de ruido, que hay un silencio para escuchar poesía”.
APRETAR UN GATILLO
- Las circunstancias en que muere García Lorca lo convierten en tema polémico.
- No hay nada que polemizar ante el fascismo, el asesinato, la muerte, la destrucción, que en este caso acaban con la vida de una de las personas que más podía aportar a nuestra cultura. Más bien se trata de un tema de reflexión, donde debemos incluir los campos de concentración, la matanza de Tlatelolco, la pena de muerte, los presos políticos, lo que está sucediendo hoy mismo en nuestro país.
Lo cierto es que la familia de García Lorca es señalada por estudiosos como Ian Gibson de no haber hecho lo suficiente para dar con los restos del poeta, y tampoco los gobiernos, sean de izquierda o de derecha. Gibson ha dicho que el mensaje del Partido Popular de Granada era pensar en el presente y en el futuro. No quieren, acusó en una entrevista concedida a El País, que se encuentren los restos porque, si se encuentran, la atención del mundo se fija en la Guerra Civil, y no resuelta. Es importantísimo saber dónde está. Quiero saber cómo lo mataron y si lo torturaron (yo creo que sí), para que se sepa de una vez por todas.
“La tristeza del asesinato de Lorca —lamenta Juan Villar— llega hasta las entrañas, es como el asesinato de la poesía, sigue siendo atacada justamente por su poder de evasión, de liberación. La muerte de Lorca es un símbolo que llevamos en el alma, que descifra el humanismo frente al fascismo, la creatividad frente a la destrucción, la inclusión frente a la exclusión, que nos hace reflexionar en torno a la fragilidad de la vida y la cultura los cuales pueden aniquilarse con sólo apretar un gatillo”.
LOS SENTIMIENTOS
En meses recientes el dramaturgo Carlos Armando montó Yerma, una obra de García Lorca de 1935.
- ¿Cuál es la lectura que hiciste de Yerma?
- La estructura es una reproducción de la tragedia clásica griega. Encontramos al personaje protagonista en lucha contra su destino y los hombres; la anagnórisis [revelación del personaje] de Yerma al descubrir que su marido es el verdadero responsable de su falta de hijos; una hamartia [error fatal] que mueve la acción dramática, y la parte que más me gusta, el coro de lavanderas, que tiene la misma función del coro griego.
Carlos Armando, que en la actualidad tiene en cartelera la puesta ¿Lo hacemos esta noche?, comenta que varios directores y maestros de teatro han calificado Yerma como un melodrama, “pero por la base estructural dramática, esto sería un error de análisis o una libertad para crear cierto efectismo en los espectadores. Las propuestas pueden variar, pero un tono distinto al género lo considero ignorancia o falta de respeto”.
Formado en la Escuela de Periodismo Carlos Septién García, así como en la Escuela de la Sociedad General de Escritores (SOGEM), quiso olvidarse del estilo lorquiano de montar obras, el folklore, el ambiente gitano, la romería: “Mi Yerma fue condensada para cinco personajes, con mucha intensidad dramática y extremadamente violenta. Quise exponer los sentimientos de una mujer ultrajada psicológica y físicamente, no conmover al público para tener compasión por ella. Una consecuencia de lo que vive Yerma genera compasión, pero en mi montaje esto ocurría con el análisis posterior a la representación, ya que Yerma termina asesinando de una manera atroz a su marido. Lo que provocaba cierta comprensión, que no es lo mismo que aceptación”.
LA CAUSA FUE EL AMOR
- ¿Cómo se inserta la obra dramática de Federico García Lorca en la actualidad?
- Lo más satisfactorio de una puesta como Yerma, que yo consideraba no apta para todo público por lo fuerte del tratamiento y, desafortunadamente, por el desconocimiento del público en general sobre Lorca, fue la respuesta de varios espectadores, hombres y mujeres. En los cinco meses de temporada, se acercaron para compartirme sus experiencias personales como mujeres señaladas por no tener hijos, o para hacer referencia de casos similares cercanos.
Carlos Armando, fundador de la compañía de teatro independiente RECA, dice que tomar cualquiera de las obras de García Lorca, es “descubrir que aunque las justificaciones de los personajes sean distintas por el contexto social, las emociones que despiertan los textos siguen ejerciendo el mismo mecanismo catártico en los espectadores. Resultando con esto lo que a los actores más importa, que es no estar de acuerdo con las decisiones de su personaje, pero sí comprender el origen de las mismas”.
- ¿Qué postura tienes ante las circunstancias que envuelven la muerte García Lorca?
- Todo ocurrió en una época donde Lorca debió ocultar muchas situaciones de su vida privada por ser homosexual. La familia incluso quiso destruir las obras que consideraban inmorales o perjudiciales para el prestigio del apellido. Ian Gibson cuenta que Margarita Xirgu, una de las actrices favoritas para las que escribía Lorca, tuvo que ingeniárselas para rescatar el manuscrito de La casa de Bernarda Alba. Se espera que aparezca aquella obra que estaba empezando y que según las palabras del poeta sería un escándalo, Los días de Sodoma.
Para este asesor de contenidos escénicos, cuales sean las circunstancias en que García Lorca fue asesinado, la causa fue una sola: el amor. “Esa pasión que, como a Oscar Wilde, condujo a Lorca a su muerte. Pareciera una excusa idiota, pero para un artista que retrató tanta pasión en sus obras, me parece que es suficiente y hasta comprensible”.
MEDIO PAN Y UN LIBRO
García Lorca en sus propias palabras: “No sólo de pan vive el hombre. Yo, si tuviera hambre y estuviera desvalido en la calle no pediría un pan; sino que pediría medio pan y un libro”
Fuente: http://www.sinembargo.mx/18-08-2012/335656

terça-feira, 19 de junho de 2012

120 ANOS DE GRACILIANO RAMOS


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Neste ano de 2012 comemoram-se 120 anos de Graciliano Ramos. Nascido em 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, sertão de Alagoas, o grande romancista brasileiro ingressou no PCB no ano de 1945, quando já era um escritor consagrado pela publicação de obras que marcariam para sempre a literatura nacional, como São Bernardo e Vidas Secas, verdadeiros libelos contra a miséria e a opressão humanas. Nesta época também já era conhecido por sua postura política profundamente ética e libertária, destacando-se por sua posição antifascista e contrária ao Estado Novo, assim como pelo uso, em suas crônicas, da ironia corrosiva contra as mazelas sociais e a inépcia do governo Vargas em combatê-las. Afinal, havia passado dez meses preso, sem culpa formada, e ficou fichado na Polícia Política como “suspeito de exercer atividade subversiva”, quando eclodiu a rebelião comunista em 1935.

Participou das lutas contra o nazifascismo e contribuiu, com sua militância junto aos escritores, para a retomada das liberdades democráticas e pelo fim do Estado Novo. No PCB, juntou-se a Jorge Amado, Astrojildo Pereira, Caio Prado Júnior, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Carlos Scliar, Djanira, Moacir Werneck de Castro, Aparício Torelly, Oduvaldo Vianna, Dias Gomes, Oscar Niemeyer, Alberto Passos Guimarães, Mário Lago, entre inúmeros outros artistas e intelectuais que enxergaram no Partido Comunista o espaço político necessário à luta pela paz, pelo avanço democrático e pelo socialismo. 

Discordou da política cultural então formulada pelo PC da URSS, a do “realismo socialista”, afirmando que “a literatura é revolucionária em essência, e não pelo estilo do panfleto”. Faleceu em 20 de março de 1953, aos 60 anos, sem ver publicada outra obra clássica escrita por ele: Memórias do Cárcere, reconstituição dos porões da ditadura varguista e belo exemplar do realismo crítico, a retratar as figuras humanas em toda a sua fragilidade, riqueza e complexidade.

O Partido Comunista Brasileiro – PCB – através de sua página oficial e da Fundação Dinarco Reis, homenageia um dos seus mais importantes militantes históricos com a Seção “120 anos de Graciliano Ramos”, na qual coloca à disposição textos e materiais diversos sobre a história de vida e a obra de Graciliano. Convidamos os militantes e amigos do PCB a contribuírem ativamente com a manutenção deste espaço virtual e com as comemorações em torno de mais um aniversário de vulto para todos nós, no ano em que nosso Partido completa 90 anos de existência.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Prefeitura Municipal de Ipatinga (PMI) não comparece a audiência e frustra classe artística Audiência pública para debater problemas do setor na cidade é realizada sem representantes do Governo Robson Gomes


Debate na Câmara foi acompanhado por vários setores da sociedade, à exceção do Governo Municipal
 IPATINGA – Profissionais da área cultural de Ipatinga se reuniram anteontem (31) em audiência pública para definir a melhor estratégia para resolver os impasses enfrentados pelo setor e sair da estagnação em que se encontra atualmente. A presença mais esperada para o encontro era a do secretário municipal de Cultura, Esportes e Lazer, Luís Henrique Alves, mas ele não compareceu, frustrando as expectativas de diálogo.
A presidente do Conselho Municipal de Cultura, Leila Cunha, lamentou a ausência de representantes do Executivo na audiência. “Infelizmente, mais uma vez nem o prefeito e nem o secretário de Cultura estiveram presentes. Um fato muito curioso é que o secretário de Cultura esteve em Governador Valadares, em um encontro que se discutia o Sistema Municipal de Cultura, e não veio a uma audiência pública para debater o mesmo assunto na sua própria cidade”, declarou.
OBJETIVO
A audiência pública, que teve como objetivo debater questões estruturais da cultura no município, com foco no Sistema Municipal de Cultura, foi convocada pela Comissão Permanente de Educação, Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Legislativo, presidida pelo vereador César Custódio (PT). Participaram do debate a pesquisadora de políticas públicas e diversidade cultural, Giselle Lucena, o consultor da UNESCO/Ministério da Cultura, Naudiney de Castro e a presidente do Conselho Municipal de Cultura, Leila Cunha.
Na abertura, o presidente do Legislativo de Ipatinga, vereador Nardyello Rocha (PSD), deixou como sugestão a criação da Secretaria Municipal de Cultura. Hoje, o Departamento de Cultura está subordinado à Secretaria de Esporte, não tem dotação orçamentária própria e nem condições de buscar os recursos que poderia conseguir. “É preciso criar meios e dar a estrutura necessária para fazer a Cultura acontecer da forma como merece, e como os munícipes merecem”, justificou Nardyello.
Ele destacou ainda o grande número de profissionais da arte encontrados no município. “Material humano para o trabalho nós já temos. Existem excelentes projetos e profissionais em nossa região, o que falta é o suporte necessário para seguir em frente. Mas vamos brigar para que este suporte seja criado”, garantiu.

PRINCIPAL
O principal tema discutido na audiência foi a criação do Sistema Municipal de Cultura, que deve ser integrado aos sistemas Estadual e Nacional de Cultura. O primeiro passo para isso é a assinatura pelo município do Acordo de Cooperação Federativa com o Ministério de Cultura. Na última entrevista concedida ao DIÁRIO POPULAR, Leila Cunha informou que faltava o prefeito Robson Gomes (PPS) enviar um documento manifesta ndo o interesse de participar do Sistema, para que a cidade pudesse participar efetivamente.
A pesquisadora de políticas públicas e diversidade cultural, Giselle Lucena, falou da sua experiência de implantação do Sistema de Cultura no Acre, sua cidade de origem. “Venho trazer uma experiência geograficamente distante, que é da implantação do Sistema no Acre e de construção de um Conselho que tenta se adequar da melhor forma possível à realidade da cidade. E tentar mobilizar tanto o poder público quanto a sociedade civil na construção de políticas públicas para a cultura local”, afirmou Giselle.

PRAZO
Para Leila Cunha, a principal preocupação no momento é que o município perca o prazo para aderir ao Sistema Municipal de Cultura. “Na verdade, quando a gente não faz essa adesão, perdemos o recurso. E estamos falando de uma cidade que está em crise. Então n ão acho que é hora de perder isso, pois significa uma má gestão. Já são 75 cidades mineiras que aderiram ao Sistema então se não fosse uma boa oportunidade, não teriam tantas adesões”, considerou Leila.
Ainda segundo ela, o cuidado deve ser maior em relação à aprovação dos projetos culturais em Ipatinga. “Sobre a lei de incentivo à cultura, nós estamos com 87 projetos que artistas locais inscreveram. E a análise ainda não foi feita, não divulgaram os resultados. Infelizmente, se até o final de julho eles não soltarem quais os projetos aprovados, a classe artística vai ficar sem receber esse recurso municipal”, lamentou a presidente do Conselho Municipal de Cultura de Ipatinga, por se tratar de ano eleitoral.

CONCLUSÃOO vereador César Custódio encerrou a audiência relatando as principais ações que precisam ser feitas para buscar uma solução para a crise da cultura na cidade. “A primeira medida é tentar reunir os chefes dos poderes municipais da região no próximo dia 18, para que possam conhecer melhor as vantagens de aderir ao Sistema Nacional de Cultura. Outra questão é a criação de uma secretaria exclusiva de Cultura, que precisa ser discutida junto ao Conselho Municipal de Cultura. Também temos a sugestão do padre Daniel, da Diocesse de Itabira e Coronel Fabriciano, de realização de uma Semana de Cultura da Paz. Tudo isso será levado para a Comissão Permanente de Cultura da Câmara e discutido com o Conselho Municipal”, concluiu César Custódio.

“Um fato muito curioso é que o secretário de Cultura
esteve em Governador Valadares, em um encontro que
se discutia o Sistema Municipal de Cultura, e não veio a
uma audiência pública para debater o mesmo assunto
na sua própria cidade”, declarou

Leila Cunha, presidente do Conselho Municipal de Cultura

Novo encontro está agendado para dia 18
Ipatinga
– Sem respostas da PMI, a classe artística agendou um novo encontro para o dia 18 de junho. A presidente do Conselho Municipal de Cultura, Leila Aparecida da Cunha, informou que o consultor da UNESCO/Ministério da Cultura, Naudiney de Castro se comprometeu em retornar à cidade para a próxima reunião.
Para Leila, o primeiro encontro representou um saldo positivo para o Conselho. “Saímos muito fortalecidos dessa audiência, pois saímos com o apoio da Câmara Municipal de Ipatinga. E também com sugestão do Naudiney, vamos ampliar a discussão para os outros municípios. A ideia é que no próximo encontro ele volte e explique a importância do Sistema na tentativa de sensibilizar não só o município de Ipatinga, mas os outros ao redor também”, disse Leila.

Etapas
O objetivo do próximo encontro s erá divulgar a importância da adesão ao Sistema Nacional e implantar o Sistema Municipal de Cultura para todos os municípios do Colar Metropolitano do Vale do Aço. A partir da adesão, os municípios terão que cumprir algumas etapas.
A última etapa é a criação do Plano Municipal de Cultura, com ações previstas para os próximos 10 anos. Para chegar ao PMC, deverá ser realizada a Conferência Municipal de Cultura, com ampla participação popular. A partir das suas deliberações serão elaboradas as ações do Plano, que deve ser revisto a cada dois anos.

Resposta
No dia seguinte à audiência (ontem), o secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Luís Henrique Alves, se reuniu com a presidente do Conselho Municipal de Cultura, Leila Aparecida da Cunha. Na ocasião, ela questionou o secretário quanto à demora na implantação do Sistema Municipal de Cultura e da libera� �ão da verba destinada aos projetos culturais da cidade.
Segundo Leila, Luís Henrique garantiu que na próxima segunda-feira (11) irá se pronunciar quanto aos questionamentos do Conselho. “Ele me disse que vai analisar a situação e se comprometeu a nos dar uma resposta na segunda-feira, depois do feriado”, relatou.

Fonte: Diário Popular, sábado 02/06/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O canto subversivo de José Jatahy, um comunista do PCB, a arte a serviço da luta

Quando João Dummar funda a Ceará Rádio Clube, a PRE-9, em 1934, José Jatahy, possuidor de potente voz, já era conhecido como o grande seresteiro de Fortaleza. A primeira rádio do Ceará formava pouco a pouco sua equipe de profissionais e o cantor boêmio foi o primeiro contratado pela emissora e seria durante algum tempo sua grande atração. Juntaram-se a ele Moacir Weyne, Romeu Menezes, João Milfont e Lauro Maia, afora os frequentadores dos programas de auditório apresentados semanalmente contando já com o acompanhamento da orquestra da própria rádio. Ásperos tempos Os anos 30, porém, estavam mais para a luta do que para a boemia. O fascismo tomava conta da Europa com a ascensão de Hitler na Alemanha e a vitória de Franco na Espanha. 
O mundo estava em pé de guerra e os comunistas se empenhavam na luta pela paz chamando a todos os democratas a concertarem a frente única antifascista. No Brasil, a década havia começado com o golpe de Estado comandado por Getúlio Vargas. Em seguida à reação dos latifundiários paulistas em 32, as classes dominantes – frações da grande burguesia e latifúndio - acertam suas diferenças sob a hegemonia do bloco germanófilo liderado por Vargas. Os comunistas brasileiros, atendendo ao chamado da Internacional Comunista, organizam a Aliança Nacional Libertadora e o levante popular de 1935. A derrota do levante é seguida de uma tremenda repressão sobre os lutadores do povo. São os ásperos tempos tão bem descritos por Jorge Amado em Os subterrâneos da liberdade. A professora cearense Bárbara Cacau dos Santos, que realizou pesquisa sobre o movimento sindical do Ceará entre 1957 e 1964, mais especificamente sobre o Pacto de Unidade Sindical para sua tese de mestrado do Departamento de História da UFC, levantou significativas informações sobre a biografia de José Jatahy a partir, inclusive, de um depoimento seu ao Arquivo Fonográfico de Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, em Fortaleza. 
Após ser escolhido o melhor cantor do Ceará em um festival realizado em 1942 no Teatro José de Alencar, passou a ser distinguido com a fama de "o pioneiro do rádio" e "O maioral". Jatahy, entretanto, já era visto pelas oligarquias locais como um elemento de ideias perigosas e isso é expresso pelo próprio João Dummar que buscava, sem sucesso, um substituto que suplantasse o seu talento. Mas Jatahy tinha um sonho ao qual vai se dedicar a partir do restante dos anos 40: a criação e montagem de uma rádio. E ele vai realizá-lo na cidade de Campina Grande, onde inaugura junto a outros companheiros tais como Hilton Mota e Gil Gonçalves, a primeira rádio dessa cidade, a BFR-5 Rádio Cariri. Lá permaneceu até a segunda metade dos anos 50 quando vende a rádio e retorna a fortaleza. Músico e dirigente proletário Ao abordar o engajamento de Jatahy na luta classista, a professora Bárbara afirma que: "À frente do sindicato dos músicos do Ceará, Jatahy se insere no universo da organização sindical cearense conseguindo, através da atividade artística criativa, se inserir no projeto de constituição da Unidade Intersindical." E que "Jatahy compôs algumas músicas voltando a sua atenção para a organização e para o universo de experiência dos trabalhadores. A primeira delas é o Hino do Pacto Sindical, cantada pela primeira vez nas comemorações do 1º de maio de 1962". Enquanto mobilizava pela música os vários segmentos da sociedade, Jatahy não descuidava de seu próprio campo profissional, como nos mostra o artigo de Amaudson Ximenes Veras Mendonça publicado na página na internet do Fórum Paulista Permanente de Música, com o título "Os músicos e o Regime Militar de 1964", o qual se reporta à criação da Ordem dos Músicos do Brasil por Juscelino Kubistchek, em 1960, por inspiração do maestro paraibano José de Lima Siqueira e em seguida a sua sucursal no Ceará: "Segundo o professor-maestro Orlando Leite, no ano de 1962, Siqueira viria pessoalmente à Fortaleza para a criação do Conselho Regional do Estado do Ceará. De acordo com o veterano músico Otávio Santiago, o seu primeiro presidente foi o cantor José Jatahi, autor de inúmeras composições, bem como do hino do Ceará Sporting Clube. Entre os fundadores da OMB no estado estavam Antonio Gondin, Edgar Nunes, Nadir Parente, Branca Rangel, Esther Salgado entre outros". Amaudson destaca ainda uma outra qualidade de Jatahy, a de grande agitador, pois diferente de outros quadros do próprio PCB que se acovardaram diante do Golpe de 1º de abril, foi para a praça conclamar a massa a resistir: "Segundo o veterano músico Otávio Santiago, José Jatahy (presidente do Conselho Regional dos Músicos do Ceará) em ato público na Praça José de Alencar, fez um discurso inflamado contra o novo regime, conclamando a categoria e os trabalhadores a se insurgirem contra o Golpe de Estado. 
O ato teria como consequência a sua prisão e deposição do cargo. A partir daquele momento, a OMB criada para o fortalecimento desse segmento social, também mudaria a sua finalidade, passando a exercer poder de polícia se constituindo como um dos sustentáculos da nova política cultural implementada pelo regime militar." A prisão não calou a voz de Jatahy. No quartel do 23º Batalhão de Caçadores, para manter elevado o moral dos companheiros presos, ele soltava sua possante voz, como nos conta Lucili Grangeiro Cortez, professora do Curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará – UECE em seu texto sobre "As repercussões do golpe civil-militar no Ceará": "Enquanto no cárcere a ocupação do espaço reproduzia a estrutura da sociedade cearense, as oposições e lutas pelo poder entre os presidiários eram resolvidas através de batalhas musicais. José Jatahy, representante sindical, era chamado ‘a alma do Pirambu’ (bairro proletário) pela voz de barítono aocantar na hora do banho. Osvaldo Evandro Carneiro Martins, professor, com voz de ‘tenor doméstico, de estilo italiano’ era chamado o ‘rouxinol da Aldeota’" (bairro burguês). Bárbara destaca ainda a coexistência entre o revolucionário e o lúdico na obra de Jatahy, pois ao mesmo tempo em que ele "transmuta o programa socialista de transformação social em músicas acessíveis, repletas de paixão e que trazem em seu bojo o desejo pela mobilização social. Nesse sentido, ele alia à sua criatividade artística a propaganda ideológica". Por outro lado, ele "conseguiu penetrar em diversos tons nas casas populares e nos festejos dos trabalhadores. Poderia transcrever aqui a música que compôs gravada por Luiz Gonzaga: 'Desse jeito não'. 
Ou, então, citar o baião escrito de maneira humorada, intitulado 'Meu Pé de Piqui' que associa a proliferação de crianças numa casa em virtude das estações de um 'piquizeiro'. Ou, ainda, o amor e a dor cantados na beleza das serestas em 'Falsa Felicidade' e 'Se te vejo em Sonho'." A repressão traça o perfil de Jatahy Após o desfecho dos dias 31 de março e 01 de abril de 1964, a polícia militar abriu inquérito para apurar e punir os "subversivos": os militantes dos movimentos sindicais e populares. De caráter investigativo, o IPM/1964 traçou o perfil das principais lideranças cearenses, para o caso de confirmação de denúncia de atividades de comunização nacional. Dentre esses perfis, encontramos o do músico José Jatahy: 184º Relatório Periódico de Informações, período de 15 de fevereiro a 11 de março, assinado pelo Cel. Tácito T. Oliveira em 11/03/1964. Documento do Ministério da Guerra/ IV Exército/ 10ª Região Militar/ 23º Batalhão de Caçadores. Juntado no 1º volume, às folhas 232 e 234, do Inquérito Policial Militar de 1964. JOSÉ JATAHY, brasileiro, casado, com 53 anos de idade, músico, filho de Carlos Jatahy e Benvinda Costa Jatahy, natural de Fortaleza, onde reside no Palace Hotel, quarto 212. Prestou depoimento às fls. 151. Nota-se sua participação direta no movimento de comunização do Nordeste (fls. 151, 153, 172). Introduziu o comunismo em seu sindicato, na tentativa de mudança do nosso regime, fls.87, 152, 244, 323. Como dirigente do Pacto Sindical, integrou a Frente de Mobilização Popular (fls. 93, 153) trabalhando para a comunização da região, conforme anexos 2A-24, 2A-36 e 2A-7. Já não mais músico brasileiro. Era músico comunista. Empregava sua profissão, arte relevante em motivação psicológica, no aliciamento comunista. Às fls. 54, vamos que, numa organização brasileira, como é o Sindicato dos Ferroviários, não foi o hino nacional brasileiro que ensaiou. Foi a Internacional Comunista. Era este hino que José Jatahy contava reger na pretensa vitória do comunismo em nossa terra. Daí o hino russo, a distância é muito pequena. Apesar de músico, presidiu na qualidade de presidente do Pacto Sindical a reunião subversiva realizada no sindicato dos ferroviários (fls. 172). 120. Ainda na sede desse sindicato, no dia 5 de março de 1964, fez pregação subversiva, incitando a greves e movimento para derribada do poder constituído. Às fls. 345, constata-se a ousadia deste denunciado, chegando a ameaçar o Ministro da Educação de tomar medidas drásticas. É preciso notar a desvinculação profissional de José Jatahy em todos esses meios. O denunciado Jatahy é músico. Penetrava no meio estudantil, no Sindicato dos Ferroviários e em outros centros profissionais tão somente para estimular a baderna, para desmantelar a disciplina e criar ambiente mais favorável à comunização, à mudanças dos princípios constitucionais brasileiros. 

Canção da Juventude

Em nossas mãos está a grande pátria de amanhã
O futuro do Brasil a juventude é guardiã
No trabalho e nas escolas
Há uma missão a cumprir
A miséria e a injustiça
Nós iremos do Brasil logo extinguir
Pelo campo e na cidade
Onde se possa atuar
Imporemos a igualdade para a injustiça terminar
Grande força, nós formamos do grande rincão nacional
E a todos convocamos
Para se unir ao nosso grande ideal (Refrão)
E aqueles que ainda estão a nossa pátria explorar
Que derramemos sangue, mas iremos expulsar
Nunca mais, oh!
Nunca mais
Terá vez o explorador
Grande força, juventude
Cada jovem será um libertador. 



Hino dos ferroviários 

Decididos a vencer 
Confiantes no poder 
Da nossa grande unidade 
Nosso sol vemos praiar 
Luminoso a despontar 
Como a nossa fraternidade 
Quanta luta já passou 
E na história já ficou 
A grande força operária 
Muitas outras hão de vir 
Nós iremos repetir 
A vitória ferroviária 
Ferroviário [bis], tua força empolga a nação 
Ferroviário [bis], muita paz leva-o no coração 
Ferroviário [bis], com nossa voz vai ecoar 
Ferroviário [bis], a injustiça iremos derrubar 
Nossos bravos veteranos 
Os algozes da nação 
É a luta ferroviária 
Sempre unidos lutaremos 
Com toda classe operária 
Quando a locomotiva 
Grita forte sempre altiva 
Com a nossa voz a clamar 
Nosso grito independente 
Neste país continente 
Bem forte há de ecoar.