quinta-feira, 7 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O assalto aos céus pelos trabalhadores franceses na COMUNA DE PARIS em versos de cordel, por Paiva Neves
![]() | |
Oh! Deuses da liberdade;
Alimentai-vos meus versos
Com as tintas da igualdade
Para que eu possa cantar
A saga de uma cidade.
Ao escrever o poema,
Onde a métrica cadencia
Em notas, as rimas rubras
Que dar ritmo a poesia,
Homenageio a Comuna
Que venceu a tirania.
Neste combate entre as classes,
A operária apostou alto.
No modo de produção
Projetou um grande salto
E Marx disse: - Eles ousaram
Ao tomar os céus de assalto.
Foi em março de oitocentos
E setenta e um lá na França,
Que povo trabalhador
Foi parteiro da mudança
Construindo o embrião
No berçário da esperança.
Das revoltas sociais
A opressão é a matriz.
No calendário das lutas
A história é quem nos diz:
- Proclamou-se a igualdade
Na comuna de Paris.
Foi em 18 de março
O levante proletário.
Essa revolta classista
Foi fato extraordinário.
O povo foi ao poder
Sob o comando operário.
A revolta teve início
Só pela indignação
Do povo da capital
Contra a mais vil traição
Daquela elite econômica
Que dominava a nação.
A república Francesa
Com outra nação guerreava.
Guerra Franco-Prussiana
O confronto se chamava,
Pois era contra a Alemanha
Com quem a França lutava.
O exército prussiano
Estando mais preparado,
Avançava palmo a palmo
Do objetivo traçado:
Derrotar o inimigo
E mantê-lo dominado.
Foi Napoleão Terceiro
Derrotado facilmente,
E foi feito prisioneiro
Pelo exército oponente
E da França Adolfhe Thiers
Foi eleito Presidente.
As províncias francesas
Numa eleição desigual
Elegeram monarquistas
A Assembléia Nacional
Que defendiam que a França
Se desarmasse geral.
Sob o domínio alemão
A França subjugada,
A alta estima dos franceses
De certa forma apagada
E a autonomia francesa
Sendo por fim esmagada.
Contra a política entreguista
Em Paris houve um levante.
Operário com soldado,
Pequeno comerciante,
Literatos e artistas
Levaram a luta adiante.
A Guarda Nacional
Aliada aos proletários
Uniu-se a população
Tendo à frente os operários
Para defender Paris
Dos burgueses sanguinários.
A batalha foi sangrenta
Com mortes de lado a lado.
A frente destes combates
Estava o operariado
Construindo um mundo novo
Sem patrão, sem explorado.
Dezoito do mês de março
A revolta triunfou.
O Governo, derrotado,
De Paris se retirou
E o povo parisiense
A vitória festejou.
Agora que os explorados
Governavam a cidade
Trataram de transformar
A velha sociedade.
Com muita democracia
Sedimentando igualdade.
O povo vitorioso
Agora estava feliz
Nas ruas, vias e praças
Pisavam na flor de lis,
Cantando e fazendo festa
Pelas ruas de Paris.
Mas, no entanto era preciso
A cidade governar.
Botar em prática o programa
Que fez o povo avançar
Com lágrima, suor e sangue
E o capital derrotar.
Formaram logo o Governo
De caráter proletário.
Em todo e qualquer projeto
Tinha o traço solidário,
Sendo tudo dividido
Com teor igualitário.
Socorreram aos que tem fome
Dando-lhes o que comer,
Repartindo o vinho e o pão
Fez a força renascer
No seio daquele povo
Que rompeu com seu sofrer.
A comuna proletária
Pôs o projeto em ação.
Foi do trabalho noturno
Decretado a abolição
E as oficinas fechadas
Entraram logo em ação.
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terça-feira, 5 de julho de 2011
Curso de Música e Noite Cultural da UJC
O Núcleo de Cultura da UJC, o MêNêLêMê e o Lutarmada convidam a todos para o curso de música com noite cultural.
O tema, Black Music Norte-Americana e sua influência no Hip-Hop Brasileiro, vem bem a calhar com este friozinho e a vontade de ficar perto dos amigos, por isso, vocês estarão lá!
Local: Manoel Congo (Cinelândia)
Data: 16 e 17 de julho
Horários:
16.07 - a partir das 15hs (primeiro módulo)
17.07 - a partir das 10hs (último módulo)
Aproveito para informá-los que rifaremos uma garrafa de rum Cubano, presente do nosso grande amigo Heitor, O César.
Mais informações, estou aqui para isso!
O tema, Black Music Norte-Americana e sua influência no Hip-Hop Brasileiro, vem bem a calhar com este friozinho e a vontade de ficar perto dos amigos, por isso, vocês estarão lá!
Local: Manoel Congo (Cinelândia)
Data: 16 e 17 de julho
Horários:
16.07 - a partir das 15hs (primeiro módulo)
17.07 - a partir das 10hs (último módulo)
Aproveito para informá-los que rifaremos uma garrafa de rum Cubano, presente do nosso grande amigo Heitor, O César.
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
Nicolas Guillén, o maior poeta da Revolução Cubana
Burgueses
Não me dão pena os burgueses
vencidos. E quando penso que vão a dar-me pena,
aperto bem os dentes e fecho bem os olhos.
Penso em meus longos dias sem sapatos nem rosas.
Penso em meus longos dias sem abrigos nem nuvens.
Penso em meus longos dias sem camisas nem sonhos.
Penso em meus longos dias com minha pele proibida.
Penso em meus longos dias.
- Não passe, por favor. Isto é um clube.
- A relação está cheia.
- Não há vaga no hotel.
- O senhor saiu.
- Deseja uma mulher.
- Fraude nas eleições.
- Grande baile para cegos.
- Caiu o Prêmio Maior em Santa Clara.
- Loteria para órfãos.
- O cavalheiro está em Paris.
- A senhora marquesa não recebe.
Enfim, toda recordação.
E como toda recordação,
que droga me pede você para fazer?
Além disso, pergunte-lhes.
Estou seguro
de que também recordam eles.
Responde tu
Tú, que partiste de Cuba,
responde tu,
onde acharás verde e verde,
azul e azul,
palma e palma sob o céu ?
Responde tu.
Tu, que tua língua esqueceste,
responde tu,
e em língua estranha mastigas
o guel e o yu,
como viver podes mudo ?
Responde tu.
Tu, que deixaste a terra,
responde tu,
onde teu pai repousa
sob uma cruz,
onde deixarás teus ossos ?
Responde tu.
Ah infeliz, responde,
responde tu,
onde acharás verde e verde,
azul e azul,
palma e palma sob o céu ?
Responde tu.
NICOLAS GUILLÉN
NICOLAS GUILLÉN
(Traduções de Gilfrancisco)
(*Jornalista e professor universitário - gilfrancisco.santos@ig.com.br)
LEIA SOBRE A VIDA E A OBRA DE NICOLAS GUILLÉN
NICOLÁS GUILLÉN, POETA MAIOR DA REVOLUÇÃO CUBANA
http://www.arquivors.com/gilfrancisco11.htm
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
EGITO
No fim da tarde de janeiro
o sol esconde-se, ligeiro.
Poente antecipado,
nuvens de concreto armado.
Em suave degradée,
o rosa do oeste ao norte se vê.
Em outro norte, também do sul,
o mosaico de fumaça
não respeita coordenadas geográficas.
Jovens vozes, aos gritos,
fazem-se ouvir no Egito.
Clamam e bradam, povo,
para, pelo e apesar do globo.
Daniela Versieux (escrita em janeiro de 2011)
o sol esconde-se, ligeiro.
Poente antecipado,
nuvens de concreto armado.
Em suave degradée,
o rosa do oeste ao norte se vê.
Em outro norte, também do sul,
o mosaico de fumaça
não respeita coordenadas geográficas.
Jovens vozes, aos gritos,
fazem-se ouvir no Egito.
Clamam e bradam, povo,
para, pelo e apesar do globo.
Daniela Versieux (escrita em janeiro de 2011)
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terça-feira, 28 de junho de 2011
CÓDIGO DE HONRA
Aos meus alunos e aos do front
Juro sobre meus joelhos doloridos
E garganta ardida
dedicação
Prometo esforço dobrado
fazer vocês
melhores do que já são.
Prometo conteúdos desveladores
Das sutilezas contidas
Em determinadas misérias humanas
Não falarei de datas
Nem dos que dão nomes as ruas e praças
E seus fatos geralmente sem graça
A história é outra.
Nela fervem anônimos atores
Sem datas
Que não constam em nominatas.
São heróis
os que cotidianamente
combatem
Na linha de frente
Em diferentes frentes
A burguesia cínica
Seus cínicos e mercenários combatentes
Ofereço
O debate franco
Problematizações
E, sem ser neutro,
Nem geógrafo:
O Norte do que acredito
A saber
A inacabada pedagogia da promoção humana
Afetivamente combinada
Com Vigotsky desejava.
O professor que lhes falou de Matrix
Das falsas aparências superestruturais
Empenha-se para entregar-lhes
A pílula avermelhada
uma segunda leitura
Rebate da realidade pasteurizada
Pela imprensa covarde
Mercantilizada
Nesta greve
Perdoem por danos causados
Não estou matando aula
Estou aprendendo com vocês
Perdoe-me Lênin
Neste momento a recusa do passo atrás
Mao é longa a marcha
E eu só preciso de uma bota de sete léguas
Retroceder agora
é abrir flanco para o retrocesso
Por isso eu lhe peço
Vamos avançar.
Se o pelotão recuar
Seguirei firme por saber que você estará comigo
Em nome da dignidade
Quero meu código de honra
Pode lançar 61
Sidney de Moura
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
Onde está o bolivariano Julián Conrado?
"Desaparecido, ainda assim Julián Conrado canta e fala"
Pacto de São José 1969
“A República Bolivariana da Venezuela
Como Estado, concordou:
‘Em nenhum caso
o extrangeiro
pode ser expulso
ou devuelto a outro país,
seja ou não de origen,
onde seu direito a vida
ou a liberdade pessoal está em risco
de violação. A causa de raça,
nacionalidade, religião, condição social
ou de suas opiniões políticas.’”
Em 1 de junho, numa operação conjunta das policías venezuelana e colombiana, foi detido ilegalmente na Venezuela, estado de Barinas, o cantor e artista revolucionário colombiano Julián Conrado. Atualmente, é desconhecido se está em curso o “procedimento legal” para sua entrega ao governo da Colombia, país no qual há 7500 (agora mais 2) presos políticos, produto da guerra civil que assola o país irmão há mais de seis décadas, os quais são violados seus direitos humanos e negado o devido processo.
É alarmante que há quase um mês de sua detenção (sequestro - desaparecimento?) e diante das numerosas solicitações internacionais de outorgar ao companheiro Julián Conrado o direito à defesa e o status de refugiado político, não exista informação clara de seu paradeiro assim como nenhum tipo de resposta oficial à respeito, além das declarações de Juan Manuel Santos [presidente da Colombia] e do subsecretário de Estado para Latinoamérica, Arturo Valenzuela, celebrando a futura entrega e a solicitação pública de extradição do governo dos Estados Unidos que resenham diversos meios de desinformação, com o futuro pagamento de dois milhões e meio de dólares a seu carrasco.
Um grupo de comunicadores populares na Venezuela, latinoamericanos e europeus, preocupados pela censura midiática imposta a outra crueldade do terrorismo imperial e frente a falta de mobilização e informação à respeito, decidimos tornar público um material inédito resgatado de nossos arquivos no qual este extraordinário artista nos deleita com o canto e expressa sua profunda e sentida palavra bolivariana, comprometida com os povos em luta. Sirva isso para reiterar nossa indignação e nosso grito de rebeldia frente esta nova infâmia, e ratificar a exigência coletiva de sua liberdade, demonstrando mais uma vez, a gravidade de seu “desaparecimento” forçado, o que significa entregá-lo às garras do império que o exige como presa natural de sua dominação, aumentando assim as inúmeras violações dos Direitos Humanos, do direito público e internacional reforçando a política sistemática imperialista de subjugação dos povos libertários e sua impunidade criminosa.
Onde está o bolivariano Julián Conrado?
Pela Libertação de Julián Conrado
COORDENADORA “QUE NÃO CALE O CANTOR”
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quarta-feira, 22 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
ESTEREÓTIPOS DA VIDA
Uns em busca da saúde,
Outros às portas da morte.
Poucos em berços de ouro,
Enquanto muitos reclamam da sorte.
As máquinas dominando o homem,
Espalhando medo, desemprego e insegurança.
A criança querendo ser jovem e adulta,
Enquanto o adulto sonha em voltar a ser criança!
A vida a mercê de segundos,
Que se traduz num mistério profundo.
Muitos em busca de trabalho,
Outros a vagar pelo mundo.
A maior certeza da vida,
Não se traduz em riquezas, impérios ou sorte.
A certeza maior da vida,
Concretiza-se no parâmetro idealístico da morte.
Antônio Francisco Cândido
Poesia Classificada no VIII Concurso de Poesias VirArte
Santa Maria/ RS – 2011
e-mail: candidok1917@yahoo.com.br
candidok1917@gmail.com
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
Julián Conrado y Christian Pérez, juglares bolivarianos de la revolución
ABP
2011-06-15-abpnoticias-Jesús Santrich, integrante del Estado Mayor Central de las FARC-EP - Resistencia Colombia.org- “Por muy oscura que sea la prisión, no dejará de brillar la razón”. Julián Conrado/
Qué decir de Julián Conrado, el cantor de la insurrección, que no exprese nuestra admiración y orgullo por su condición de revolucionario pleno de amor por el pueblo y la causa de la emancipación bolivariana. Ese ha sido su delito; es decir, la lucha que hoy desde el imperio y con el coro de los pusilánimes y serviles se estigmatiza con más fuerza que nunca, como terrorismo.
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
Carnaval 2010 “ESSE PAPO DE LEILÃO É PRIVATIZAÇÃO, O PETRÓLEO É NOSSO, NÃO ABRIMOS MÃO.”
Nós vamos cantar
Buscando na história força pra lutar
60 anos atrás
a UJC Lutou
O petróleo é nosso
O povo conquistou
Êta Juventude de Luta
Sempre alerta
Há mais de oitenta anos
Lutando...
...Pelo “Proleta”
O Petróleo é nosso
Não abrimos mão
Esse papo de leilão
É Privatização
Falam em fim da história
Privatizam...
Fazem leilão...
Atacam a Petrobrás
A ofensiva dos liberais.
O Petróleo
Tem que ser nosso
Não faço concessão
A Campanha continua
Unificar é a solução
O trabalhador não pode descansar
Até no carnaval, vamos lutar.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Combinado
Vou me formatar, vou deixar de ser o kitsch, o camp, o barroco
Vou fazer cálculos de trigonometria,
Geometricamente procurar a perfeição da aparência.
Porque, meu caro, convenhamos, a miséria que há em meu rosto,
Não combina nem um pouco com a sua elegância enfadonha.
As minhas preferências em estar no meio da multidão suada, com as mãos amarradas...
Os meus grandes pés com pelos nos dedos,
E o meu nariz do Benim, tão desproporcional
A suas expectativas tão comuns...
Preciso de fato, me formatar como um pedaço de carne de porco que virou presunto da Sadia.
Nana Krishna Andrade
Nana Krishna Andrade
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
RESULTADO DO CONCURSO HQ PARTIDÃO
|
O PCB (Partido Comunista Brasileiro) divulgou os nomes dos ilustradores selecionados para participarem do primeiro volume da obra Outros Outubros Virão! A História do PCB em Quadrinhos. São eles:
Rosali A. Colares
Marcus Beckenkamp
Luciano Irrthum
Luiz Brazileiro
O primeiro volume contará a história do movimento comunista brasileiro de 1917 até 1963, e será lançado em março de 2012. O segundo volume engloba o período entre 1964 e 2012, e será lançado em setembro do mesmo ano.
Maiores informações: http://pcb.org.br/portal/pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=2542
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Dando nome as cobras
Cada dia um nome...
Antes, José.
Hoje, Maria.
Falsos nomes, cobras criadas
Veneno plenário na garganta do povo.
Privacidade violada...
Democracia é BBB
Política é BBB
Povo é BBB
Polícia é BBB
Favela é BBB
Religião é BBB.
A vontade é única e egoísta.
A miséria é nacional.
Salário mínimo é Bolsa-família.
Cada dia um nome...
Antes, José
Hoje, Maria
Arrastando o passado.
Rastejando rumo ao futuro.
Pra qualquer lado que se olhe:
São cobras.
Veneno destilado em dose única.
Veneno plenário na garganta do povo.
A fé é cega e desesperada...
Verônica Giuliana
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sexta-feira, 10 de junho de 2011
Cândido Portinari - Mestiço - 1934 - Óleo sobre tela
Candido Portinari nasceu no dia 29 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária de desde criança manifestou sua vocação artística. Aos quinze anos de idade foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil em 1931, retratar nas suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a antiacadêmica moderna. Em 1935 obtém seu primeiro reconhecimento no exterior, a Segunda menção honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada CAFÉ, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
O passado não é um altar
Sinto falta e admito que sim
Não pelo que foi,
Não por saudades,
Mas sim pelo que poderia ter sido
Pelas possibilidades perdidas
Pelo futuro não trilhado
O Passado não precisa virar local de lamentos,
Um local de tristezas,
Mas sim, de pontos de partidas
De provas que as coisas mudam,
Que a realidade se transforma
Que a vida caminha
Que o mundo flui.
Heitor César Oliveira
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
Julian Conrado canta "De mi pueblo para la guerrilla": Cantor e compositor foi preso a pouco na Venezuela e será entregue ao regime narco-paramiltar colombiano
De nuevo en un escueto comunicado del Ministerio del Poder Popular de Interior y Justicia (MPPIJ), se informa que en el estado Barinas fue detenido el cantautor y combatiente revolucionario, Guillermo Enrique Torres Cueter, conocido por su nombre artístico como Julián Conrado, presentado, otra vez por el organismo de Estado venezolano como un delincuente solicitado por la Interpol y que sería entregado, otra vez sin fórmula de juicio, al gobierno terrorista de Colombia.
“se informó a las autoridades del Gobierno de la República de Colombia, y se iniciaron los trámites correspondientes para colocarlo a la orden de la justicia de ese país, según los procedimientos correspondientes”, señala el comunicado del MPPIJ.
“se informó a las autoridades del Gobierno de la República de Colombia, y se iniciaron los trámites correspondientes para colocarlo a la orden de la justicia de ese país, según los procedimientos correspondientes”, señala el comunicado del MPPIJ.
En el caso anterior del periodista y director de ANNCOL, Joaquín Pérez Becerra, también acusado por los gobierno de Colombia y calificado por el de Venezuela como “terrorista”, el Presidente Chávez, asumiendo toda la responsabilidad, pero no dando a conocer las razones, lo entregó a Colombia de donde había salido hace casi 20 años huyendo de la represión y la muerte.
Es conocido que durante estos casi 12 años del Gobierno venezolano del Presidente Chávez, que se define como revolucionario y bolivariano, otros casos similares han permitidos que militantes de movimientos sociales y políticos de carácter revolucionarios, hayan sido entregado a los gobiernos que lo perseguían por su compromiso y consecuencia revolucionaria.
Una de las características propias de un Estado con gobierno revolucionario con perspectiva socialista o, menor aun, solo progresista, pero que enfrenta con dignidad y soberanía al imperialismo, lo cual el Gobierno de Venezuela ha demostrado su carácter antiimperialista, es la de solidarizarse con las luchas que cada pueblo asume por su emancipación y su territorio se convierte en espacio de defensa de la vida para los perseguidos políticos.
En el caso de Conrado, el presidente colombiano celebrando la captura de este combatiente, apuntó otros detalles preocupantes y reveladores. Durante la ceremonia de graduación de oficiales en la Escuela Militar de Cadetes ‘José María Córdova’, de Bogotá, el mandatario destacó el operativo de detención, contó con la ayuda de autoridades colombianas.
“El día de antes de ayer, en una operación que realizó el Gobierno venezolano, con ayuda de autoridades colombianas –inteligencia de nuestra Policía- se capturó a ‘Julian Conrado’”, a quien califica de narco terrorista.
Lo revelador de esta aseveración de Santos, es que existiría un “acuerdo” entre el Presidente Chávez y Santos para la cooperación a nivel de servicios de inteligencias para la captura de combatientes colombianos que han llegado a nuestro país para salvar sus vida de la persecución y las masacres que comete la oligarquía colombiana, como es de todos conocidos.
Si ya es de gravedad este acuerdo, lo que es peor aún y que es de todos conocidos, la relación y ayuda a nivel de los servicios de inteligencia y militar que existe entre el Mossad israelí y la CIA estadounidense con el Gobierno y Estado colombiano para perseguir, a lo que ellos llaman “terroristas” y que son los militantes revolucionarios de todo el mundo que luchan por hacer realidad esa hermosa consigna de que “OTRO MUNDO ES POSIBLE”.
Por lo que no es exagerado señalar que con este “acuerdo” de cooperación entre servicios de inteligencia de Colombia y Venezuela, indirectamente y creemos que sin quererlo, se está haciendo el juego y/o siendo parte de la red mundial del imperialismo para capturar a cuadros revolucionarios de izquierda con el objetivo de destruir las luchas de nuestros pueblos.
El Partido Comunista de Venezuela (PCV), con el caso de Pérez Becerra, ya advirtió en la necesidad de desarrollar un debate nacional e internacional sobre la entrega de revolucionarios al gobierno narcoparamilitar de Colombia y solicitó al Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) buscar un espacio para analizar esta situación que se ha creado, pero hasta el momento ese espacio no se ha logrado.
Esta nueva situación creada con la detención de “Julián Conrado” y el compromiso de entrega inmediata que el MPPIJ señaló en su comunicado, sin tomar en cuenta las leyes nacionales e internacionales y la propia Constitución Bolivariana de Venezuela, debemos advertir, a través de Tribuna Popular en espera de un comunicado oficial del PCV, a las y los revolucionarios del mundo, que Venezuela ha dejado de ser un lugar seguro para los luchadores populares.
Por último cabe señalar que en el día de hoy, el Presidente Santos recordó que luego de la operación Fénix, en la que fue abatido ‘Raúl Reyes’, las autoridades colombianas creyeron inicialmente que uno de los guerrilleros dados de baja era alias ‘Julián Conrado’, lo cual quedó descartado al realizar las verificaciones del caso.
“Hoy está a buen recaudo y el Presidente Chávez nos ha dicho que nos lo va a entregar”, agregó el Presidente Santos al celebrar la captura.
Desde Tribuna Popular expresamos toda nuestra solidaridad y compromiso revolucionario con el combatiente Julián Conrado y serán nuestra páginas expresión de la solidaridad internacionalista y de combate por su libertad y la de todos los combatientes antiimperialistas del mundo.
¡Exigimos aplicar los derechos que la Constitución Bolivariana de Venezuela!
Que su caso sea sometido por los Tribunales de Justicia guardando, al menos, el debido proceso y respeto por los derechos del combatiente detenido.
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sábado, 28 de maio de 2011
Félix Contreras: Meus poemas brasileiros
Este poema
Para ganhar a vida
escrevo este poema
olhando o que se foi
e como sempre
o que há que escolher
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Para ganhar a vida
escrevo este poema
olhando o que se foi
e como sempre
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Para ganhar a vida
escrevo este poema
enquanto minha infância
uiva no fundo destas palavras
Félix Contreras
escrevo este poema
enquanto minha infância
uiva no fundo destas palavras
Félix Contreras
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quinta-feira, 26 de maio de 2011
O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
Fonte: http://www.fabiorocha.com.br/neruda.htm
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terça-feira, 24 de maio de 2011
VITÓRIA DO SANGUE
No dia nove de maio,
Onde tudo aconteceu...
Às portas da liberdade
O tirano nazista cedeu.
Moscou, Kiev, Smolensk,
Minsk, Briansk e Stalingrado!
No curso e anais da história,
Seus nomes sempre serão lembrados.
Sangue, suor e lágrimas...
Foi à herança do tirano nazista,
Que via nos seus sonhos e loucos caprichos!
A realização de suas idéias e fantasias egoístas.
A liberdade sobrepujou a vil tirania,
O proletariado viu uma nova estrela surgir.
Os Camaradas Stálin, Jukov, Timoshenko e Rotmistrov,
Os responsáveis por esse novo porvir.
Antônio Francisco Cândido
Funcionário do Teatro Municipal de Pouso Alegre
E-mails: candidok1917@yahoo.com.br
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quinta-feira, 19 de maio de 2011
"Humor desde o Cárcere" Caricaturas Políticas de Gerardo Hernandez Nordelo
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Gerardo Hernandez Nordelo
quarta-feira, 18 de maio de 2011
II Maio de Resistência - Debate sobre a Comuna de Paris - Poesias com o CC Rosa do Povo
- Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania / IHG
- R. Hermilo Alves, 290 - Sta. Tereza - BH/MG
- Onibus:9103,9210 e SC01 - Metrô:Est.Sta. Efigênia
-
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terça-feira, 17 de maio de 2011
Vale a pena viver, quando se é comunista
Dedicado a Antonio Gramsci
Quando a noite parece eterna
e o frio nos quebra a alma.
Quando a vida se perde por nada
e o futuro não passa de uma promessa.
Nos perguntamos: vale a pena?
Quando a classe parece morta
e a luta é só uma lembrança.
Quando os amigos e as amigas se vão
e os abraços se fazem distância.
Nos perguntamos: Vale a pena?
Quando a história se torna farsa
e outubro não é mais que um mês.
Quando a memória já nos falta
e maio se transforma em festa.
Nos perguntamos: vale a pena?
Mas, quando entre camaradas nos encontramos
e ousamos sonhar futuros.
Quando a teoria nos aclara a vista
e com o povo, ombro a ombro, marchamos.
Respondemos: vale a pena viver,
quando se é comunista.
Mauro Iasi
Quando a noite parece eterna
e o frio nos quebra a alma.
Quando a vida se perde por nada
e o futuro não passa de uma promessa.
Nos perguntamos: vale a pena?
Quando a classe parece morta
e a luta é só uma lembrança.
Quando os amigos e as amigas se vão
e os abraços se fazem distância.
Nos perguntamos: Vale a pena?
Quando a história se torna farsa
e outubro não é mais que um mês.
Quando a memória já nos falta
e maio se transforma em festa.
Nos perguntamos: vale a pena?
Mas, quando entre camaradas nos encontramos
e ousamos sonhar futuros.
Quando a teoria nos aclara a vista
e com o povo, ombro a ombro, marchamos.
Respondemos: vale a pena viver,
quando se é comunista.
Mauro Iasi
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Oswald de Andrade - Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
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domingo, 8 de maio de 2011
MODELO DE MULHER
Do latim: mater,
Que deu à luz.
Idade: uma vida inteira.
Raça: todas.
Amor: infinito.
Para o filho: uma heroína,
... Jovem, adulta, idosa...
Um título nobre,
Uma vida de dedicação,
Um coração grandioso.
Amor igual não existe,
No diminutivo ou no aumentativo,
Para o que der e vier,
Modelo de mulher,
MÃE.
Antônio Francisco Cândido
Funcionário do Teatro Municipal de Pouso Alegre
e-mail: candidok1917@yahoo.com.br
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
Novo quadro de Alexandre Magno da Cunha Gomes
Sem título. Pintado em Menorca-Ilhas Baleares-Espanha
Não há quem não escute o som das tintas nesta obra de tanta força, inspirada na cultura gitana. É uma sinfonia para os olhos...
terça-feira, 3 de maio de 2011
A difusão da ideologia política nos cartazes da Revolução Constitucionalista de 19321 - Por Nana Krishna Andrade e Dênio Augusto Vieira Sarôa Ribeiro
A Revolução Constitucionalista de 1932 compõe um dos importantes acontecimentos históricos do Brasil republicano. Iniciada no dia 9 de julho do mesmo ano, em São Paulo, num quadro de instabilidade política, teve como principal razão as divergências entre o Partido Republicano Paulista, composto pelas oligarquias cafeeiras e o governo de Getulio Vargas durante a Revolução de 1930.
Os paulistas desejavam o retorno da constituição, e o controle administrativo do estado, que Vargas havia passado para as mãos de um “tenente” aliado. Diante da falta de autonomia política o único caminho encontrado pelos paulistas foi do conflito armado. Nesse processo, a ideologia da propaganda política veiculada em vários meios da imprensa, como os cartazes, foi fundamental para a adesão popular na Revolução Constitucionalista. Esse artigo pretende, portanto, apresentar exemplos dessas imagens que contribuíram, de forma incisiva, para que a população civil participasse desse processo político nos quadros da Era Vargas.
Os antecedentes da Revolução Constitucionalista de 1932: a crise da República Velha e os conturbados anos 1920
O período compreendido entre o final da década de 1920 e os primeiros anos da década de 1930 é marcado pela transição da República Velha (1889 - 1930) ao Governo Provisório de Getúlio Vargas (1930 - 1934). Cabe ressaltar que a República Velha caracterizou-se pelo predomínio dos grupos agrários, sob a hegemonia dos cafeicultores paulistas e mineiros que, segundo Viscardi citada por Resende (2003, p. 118 - 119), alternavam no poder através de uma aliança estável denominada “política do café com leite”. A República Velha também é marcada por um regime político coerente com os anseios das oligarquias estaduais amparado pela política dos governadores. Essa, por sua vez, visava estabelecer relações de compromisso entre o executivo federal e os executivos estaduais possibilitando assim, a formação de um legislativo coeso no plano federal para que o governo conseguisse dar sustentação às suas políticas.
Nos últimos anos da década de 1920, o Brasil vivenciou uma séria crise socioeconômica e política, uma vez que o sistema oligárquico pautado na política do café com leite e na política dos governadores começou a desagradar alguns setores da sociedade juntamente com as denominadas oligarquias de segunda grandeza. As autoras Marieta Ferreira e Surama Pinto (2003, p. 394) denominam como estados de segunda grandeza as federações do Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul. Esses estados articularam um movimento que ficaria conhecido como Reação Republicana, que não tinha como proposta acabar com o modelo oligárquico em vigor, mas ampliar a participação de outras oligarquias no poder.
Nesse contexto, convém salientar a influência das atividades do movimento tenentista na década de 1920 e a sua ligação com a crise da República Velha. Esse grupo pretendia implementar no país um poder centralizado com o objetivo de construir a nação a partir da reconstrução do Estado através da redução do poder das oligarquias. Segundo Fausto (2004, p. 314) os tenentistas entendiam que o grande mal das oligarquias residia no fato de o Brasil estar fragmentado em “vinte feudos” cujos senhores eram escolhidos pela política dominante. Não acreditavam que o liberalismo fosse o caminho certo a ser seguido para reconstruir o país, além de acreditarem no autoritarismo como fator relevante para a reforma do Estado e da sociedade.
A partir das crises socioeconômicas e políticas dos anos 1920 e da movimentação dos tenentes observadas no mesmo período, podemos entender a crise da República Velha e o seu desfecho com a Revolução de 1930.
A Revolução de 1930
No ano de 1929 podem ser destacadas importantes transformações que resultariam na Revolução de 1930, liderada pela coalização formadora da Aliança Liberal (AL) sob o comando de Getúlio Vargas. O governo do então presidente Washington Luís era caracterizado por certa estabilidade política, pois segundo Ferreira e Pinto (2003, p. 403), “os confrontos que marcaram os primeiros anos da década de 1920 pareciam estar contornados”. Entretanto, no mesmo ano, ocorre em Nova Iorque a quebra da bolsa de valores tendo impacto direto e negativo sobre a economia brasileira e, principalmente, sobre a oligarquia paulista. Ainda no ano de 1929 têm-se a fissura no acordo tácito entre São Paulo e Minas Gerais no tocante a alternância da presidência da República.
A indicação de Júlio Prestes, conterrâneo de Washington Luís, a presidência, corroborou no desentendimento entre as oligarquias paulista e mineira. Com isso, em julho de 1929, gaúchos e mineiros se unem e lançam a candidatura de Getúlio Vargas a presidência e de João Pessoa, então governador da Paraíba, a vice-presidência. Diante disso, há a formação da Aliança Liberal tendo por base de sustentação os estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba. Seu programa era alcançar o apoio popular da classe média e, conseqüentemente, quebrar o poder da oligarquia cafeeira paulista.
Porém, as eleições realizadas em março de 1930 deram a vitória a Júlio Prestes deixando setores da Aliança Liberal inconformados. Com a derrota, a AL buscou aproximar-se das lideranças do movimento tenentista como Juarez Távora, Miguel Costa, Siqueira, Campos e Cordeiro de Farias. Porém, em 26 de julho de 1930, o candidato a vice pela Aliança Liberal, João Pessoa foi assassinado em Recife. Tal acontecimento serviu de pretexto para o início de um movimento revolucionário no dia 3 de outubro de 1930 e, em novembro do mesmo ano, Vargas assume o poder através do Governo Provisório.
Logo após assumir a presidência, Getúlio Vargas adota uma postura arbitrária e inconstitucional ao fechar o Congresso e as assembléias estaduais e municipais, depõe os governadores dos estados e revoga a constituição de 1891. As medidas arbitrárias pelo então presidente, foram diretamente de encontro aos interesses da oligarquia paulista. Para se manter no poder, Vargas pretendeu estender a sua ditadura com base na nova constituição e contava, para isso, com o apoio dos modelos militares dos quadros tenentistas na luta contra as oligarquias estaduais. Novamente, as elites paulistas foram contrariadas e, em 1932, estourou a guerra civil conhecida como a Revolução Constitucionalista.
A Revolução Constitucionalista de 1932
O movimento revolucionário iniciado em São Paulo no dia 9 de julho de de1932 está relacionado à insatisfação das oligarquias paulistas para com o desfecho da Revolução de 1930. Os rumos da política nacional caminhavam para o fortalecimento do poder central, em detrimento da autonomia de São Paulo.
Nesse contexto, observa-se uma disputa política entre o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Democrático (PD), que almejavam se consolidar no poder. Na tentativa de ampliar as suas bases eleitorais, os membros do PD se aliam aos grupos que pregavam a idéia de uma revolução objetivando minar o poder das oligarquias paulistas representadas pelo PRP. Nesse intuito, o PD une forças a Aliança Liberal que, por sua vez englobava o movimento tenentista. Contudo, essa manobra política resultou mais tarde no descontentamento dos membros da PD, pois segundo Pandolfi (2003, p. 19), ocorrera no imediato pós-30 a nomeação pelo governo federal do tenente pernambucano João Alberto para ocupar a chefia do estado de São Paulo, incomodando assim a elite paulista. Em junho de 1931, o PD exige a deposição de João Alberto nomeando-se em seu lugar o paulista Laudo Ferreira de Camargo. Porém, com a sucessão de crises, em menos de dois anos a interventoria do Estado de São Paulo sofreu cinco substituições.
Face aos acontecimentos mencionados, eclodiu em São Paulo no mês de julho de 1932, uma revolução que logo se transformou na pior guerra civil vivida pelo país. O autor Edgard Carone (1974, p. 306) ressalta que os paulistas organizaram e conduziram todo o movimento contra o governo federal por não estarem satisfeitos com as perdas sofridas, principalmente nos planos políticos e econômicos, pelo Estado de São Paulo no pós-30. Durante todo o período revolucionário, os revoltosos buscaram avidamente o apoio das distintas classes sociais para a luta. Para entendermos como o movimento conseguiu apoio dos civis, iremos analisar a propaganda e a ideologia empregadas.
A ideologia política como arma de mobilização para a luta
A classe dominante paulista conseguiu, através de meios ideológicos, mobilizar um número extraordinário de pessoas a aderirem à causa revolucionária. Essa elite utilizava um discurso que representava toda a sociedade e todos os seus interesses, se dirigindo assim, às várias camadas sociais objetivando a contribuição da maioria para a vitória paulista.
Outro não é o papel da ideologia; no discurso ideológico, o dominante reveste-se de generalidade e universalidade procurando anular a realidade das classes e a contradição entre elas. Com isto ocorre a identificação de uma parte da divisão com o todo, imaginariamente indivisível. Dessa forma, as idéias da classe dominante passam a ser aceitas como as únicas verdadeiras e válidas para o conjunto da sociedade. (CAPELATO, 1981, p. 20).
Os apelos para a mobilização eram dirigidos ao “povo paulista”, isso significava que qualquer um, independente de sua classe social deveria receber o chamamento para o combate. Por essa razão, a classe dominante dirigiu-se a população por meio do apelo as suas categorias profissionais. Dessa maneira, muitos intelectuais se solidarizaram com a revolução pró-constitucionalista. Os modernistas da semana de 1922 contribuíram com produção iconográfica, cartazes de propaganda, ilustrações em revistas e livros, além de letras de músicas de hinos e canções marciais. Anita Malfati, Monteiro Lobato, Menoti del Pichia ( que escreveu a obra a Revolução Paulista), Mario e Oswald de Andrade, Afonso Schimidt ( autor de A Locomotiva), e o cantor Francisco Alves foram exemplos de artistas que ajudaram, às vezes de forma anônima e gratuita, a “causa paulista”. O autor Jeziel De Paula comenta:
O ímpeto revolucionário e o entusiasmo patriótico despertaram uma criatividade artística intensa que se manifestou em todas a áreas e atividades. No curtíssimo período de apenas 85 dias floresceu de forma surpreendente uma verdadeira geração de obras de arte. Esse universo iconográfico, relativo a um mesmo tema, não encontra paralelo em nossa história, principalmente se consideramos que, em sua maioria, eram obras anônimas nas quais predominava o espírito da colaboração. Não buscavam, esses artistas, a glória e o reconhecimento pessoal, mas a vitória coletiva da causa constitucionalista em que acreditavam. (1999, p.236)
O papel dos meios de comunicação na propaganda da Revolução de 1932
Na cruzada pró-constitucionalista, todos os meios de comunicação de massa se empenharam no sentido de sensibilizar, por meios dos sentimentos de regionalismo, nacionalismo e busca por liberdade, para abarcar o maior número de pessoas para a luta armada. Panfletos, jornais, rádios, cartazes, comícios, slogans, eram os meios usados para incitar a população a pegar em armas. No domínio da consciência pública, a grande imprensa, teve o papel de destaque, como principal formadora de opinião.
Faz-se necessário, portanto, dar um maior destaque aos cartazes produzidas na época, para compreendermos como foi essa abordagem à população. De Paula explica:
Os muros e postes das cidades paulistas foram forrados por trabalhos publicitários que incentivavam o alistamento militar voluntário, solicitavam a doação de bens e de serviços e enalteciam os que lutavam pela causa. Todos, porém, traziam de uma forma ou de outra a tônica da brasilidade, conclamando à união nacional. (1999, p. 240)
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