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terça-feira, 1 de novembro de 2011

O que importa? Poesia de Daniel Braga


Não me interesso pelos mistérios
do mundo ou pela dança cósmica
das estrelas.
... Muito menos pelos "quem somos"?,
... se somos pó e ao pó voltaremos.
Danem-se as galáxias, próximas
ou longínquas.
Que mil sóis explodam em supernovas!
Que gigantes gasosos colidam!
De que me interessa que átomos se
dividam em partículas e as partículas
se subdividam em mais partículas,
quando tudo o que realmente importa
é saber:

Como foi o seu dia?

By Daniel Braga
http://subversivainconfidencia.blogspot.com/

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

31 de OUTUBRO - 109 anos de Carlos Drummond de Andrade - Carta a Stalingrado

Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem,
enquanto outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.
Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída,
na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,
no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,
na tua fria vontade de resistir.

Saber que resistes.
Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.
Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro
oculto) estará firme no alto da página.
Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu
a pena.
Saber que vigias, Stalingrado,
sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos
pensamentos distantes
dá um enorme alento à alma desesperada
e ao coração que duvida.

Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto
resplandecente!
As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.
Débeis em face do teu pavoroso poder,
mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não
profanados,
as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues
sem luta,
aprendem contigo o gesto de fogo.
Também elas podem esperar.

Stalingrado, quantas esperanças!
Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!
Que felicidade brota de tuas casas!
De umas apenas resta a escada cheia de corpos;
de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.
Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem
trabalho nas fábricas,
todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços
negros de parede,
mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,
ó minha louca Stalingrado!

A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços
sangrentos,
apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,
caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,
sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?
Uma criatura que não quer morrer e combate,
contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,
contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,
contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura
combate,
e vence.

As cidades podem vencer, Stalingrado!
Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma
fumaça subindo do Volga.
Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão
contra tudo.
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Poema - Patrícia Alcântra

Ah coração, porque és feito de sangue?
Por que não há algo que estanque
Essa enxurrada de sentimento?

Por que não há algo que te acalante,
A não ser aquele instante ,
Aquele de terminado momento?

Por que sou refém desta limitante
Desta situação agoniante
Que me impede o esquecimento?

Patrícia Alcântara

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

REVOLUÇÃO - Poesia de Fidel Castro

É sentido de momento histórico;
é mudar tudo que deve
ser mudado;
... é igualdade e liberdade plenas;
é ser tratado e tratar aos demais
como seres humanos;
é emancipar-nos por nós mesmos
e com nossos próprios esforços;
é desafiar poderosas forças
dominantes dentro e fora
do âmbito social e nacional;
é defender valores nos quais se crê
ao preço de qualquer sacrifício;
é modéstia, desinteresse, altruísmo,
solidariedade e heroísmo;
é lutar com audácia,
inteligência e realismo;
é não mentir jamais
nem violar princípios éticos;
é convicção profunda
de que não existe força no mundo
capaz de esmagar
a força da verdade e as ideias.
REVOLUÇÃO é unidade,
é independência,
é lutar por nossos sonhos de justiça
para Cuba e para o mundo,
que é a base de nosso patriotismo,
nosso socialismo
e nosso internacionalismo.

Fidel Castro Ruz

domingo, 23 de outubro de 2011

Proclamação do amor antigramática - Por Mário Lago

"Dá-me um beijo", ela me disse,
E eu nunca mais voltei lá.
Quem fala "dá-me" não ama,
Quem ama fala "me dá"
"Dá-me um beijo" é que é correto,
É linguagem de doutor,
Mas "me dá" tem mais afeto,
Beijo me-dado é melhor.
A gramática foi feita
Por um velho professor,
Por isso é tão má receita
Pra dizer coisas de amor.
O mestre pune com zero
Quem não diz "amo-te". aposto
Que em casa ele é mais sincero
E diz pra mulher: "te gosto"
Delírio dos olhos meus,
Estás ficando antipática.
Pelo diabo ou por deus
Manda às favas a gramática.
Fala, meu cheiro de rosa,
Do jeito que estou pedindo:
"Hoje estou menas formosa,
Com licença, vou se indo".
Comete miles de erros,
Mistura tu com você,
E eu proclamarei aos berros:
"Vós és o meu bem querer".

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Fanzine A PRIMAVERA (1ª edição) UJC/PE

APRESENTAÇÃO
Eis a versão digital do fanzine cultural da UJC-PE intitulado de A PRIMAVERA,
Lançamento em um mês propício, Setembro, visto que é o mês em que se inicia a estação das flores. Boa leitura!

LINK: http://uniaodajuventudecomunistape.blogspot.com/

O Centro de Estudos Literários e Culturais (CELC) da Faculdade de Letras da UFMG convida para o Simpósio Graciliano Ramos e para a Exposição Graciliano Ramos – Angústia 75 anos

    O Centro de Estudos Literários e Culturais (CELC) da Faculdade de Letras da UFMG convida para o Simpósio Graciliano Ramos e para a Exposição Graciliano Ramos – Angústia 75 anos.
    Exposição Graciliano Ramos — Angústia 75 anos Local: Saguão da Reitoria da UFMG Av. Antonio Carlos, 6627 Belo Horizonte MG Período: 24 a 28 de Outubro de 2011 Abertura: 24 de Outubro de 2011 — 14h30
    Simpósio Graciliano Ramos — Angústia 75 anos Local: Auditório da Reitoria da UFMG Av. Antonio Carlos, 6627 Belo Horizonte MG Data e Horário: 24 de Outubro de 2011 — 15h às 18h Participantes: Belmira Rita da Costa Magalhães (UFAL): Projeto político e projeto literário: a constituição das subjetividades de classe Elizabeth Ramos (UFBA): O espaço na construção de Angústia Erwin Torralbo Gimenez (USP): Mal sem mudança: sombras e realidade em Angústia Hermenegildo Bastos (UnB): O que tem de ser tem muita força: determinismo e liberdade em Angústia Wander Melo Miranda (UFMG): A angústia da revolução

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Voz do sangue

Palpitam-me
os sons do batuque
e os ritmos melancólicos do blue

Ó negro esfarrapado do Harlem
ó dançarino de Chicago
ó negro servidor do South

Ó negro de África

negros de todo o mundo

eu junto ao vosso canto
a minha pobre voz
os meus humildes ritmos.

Eu vos acompanho
pelas  emaranhadas áfricas
do nosso Rumo

Eu vos sinto
negros de todo o mundo
eu vivo a vossa Dor
meus irmãos.
Agostinho Neto

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Um poema do camarada Lênin

Por Jefferson Vasques* do blog Eu Passarin

Através do livro de poesias “Um livro vermelho para Lênin” do poeta guerrilheiro Roque Dalton descobri que Lênin teria escrito um poema longo e épico e que não constava em suas Obras Completas. No livro de Dalton, aparece um trecho desse poema. Pesquisando na internet, consegui achar a versão integral traduzida para o espanhol por Waldo Rojas (que partiu da versão em francês de Gregoire Alexinsky).

O poema foi escrito durante a primavera de 1907, ano em que Lênin passou em Selvista, aldeia da Finlãndia. Ali pode descansar um ano e meio da intensa atividade política quase sempre na clandestinidade. Durante sua estadia na aldeia manteve grandes discussões sobre literatura revolucionáría e criação poética com Piotr Al. Para ilustrar essas discussões Lênin escreveu em três dias este poema. Esse poema seria publicado na revista de Ginebra Raduga (Arcoiris) dirigida por Piotr Al, mas a publicação se desfez antes de incluir em suas páginas este poema que seria assinada por “Um russo”.

Literariamente não é muito valioso, mas é uma peça importante pra compreender esse grande pensador russo e como ele enxergava a revolução de 1905. Até onde vi, esta é a primeira tradução para o português.

O único poema de Lênin conhecido

Tempestuoso ano aquele. Os Furacões sobrevoavam
o país inteiro. Se desatavam as nuvens carregadas,
sobre nós se precipitava a tempestade, e o granizo e o trovão.
Feridas
Se abriam nos campos e nas aldeias debaixo dos golpes do chicote terrestre.
Estalavam os raios, os relâmpagos retumbavam violência.
O calor queimava sem piedade, os peitos estavam oprimidos
E o reflexo dos incêndios iluminava
as trevas mudas das noites sem estrelas

Transtornados os elementos e os homens,
os corações oprimidos por uma inquietude obscura,
ofegavam os peitos de angústia,
ressecadas as bocas se cerravam.
Mártires aos milhares morreram nas tempestades sangrentas,
mas não em vão sofreram eles o que sofreram, sua coroa de espinhos,
Pelo reino da mentira e das trevas, por entre escravos hipócritas,
eles passaram como as tochas do porvir.
Com traço de fogo, com um traço indelével,
eles gravaram diante de nós a via do martírio,
e na carta da vida, estamparam o selo do opróbio
sobre o jugo da escravidão e da vergonha das correntes…
O frio se intensificava. As folhas murchavam e caíam
E colhidas pelo vento se amontoavam em uma dança macabra.
Vem o Outono cinza e pútrido,
lacrimejante de chuva, sepultado de barro negro.

E para os homens a vida se fez detestável e opaca.
Vida e morte lhes foram igualmente insuportáveis,
Os rondavam sem trégua a cólera e angústia.
Frios e vazios e escuros seus corações como seus lares.
E de repente, a Primavera! Primavera em pleno Outono putrefeito,
A Primavera Vermelha descendo sobre nós, bela e luminosa,
Como um presente dos céus ao país triste e miserável,
Como uma mensageira da vida.

Uma aurora escarlate como uma manhã de maio
Se levantou no céu abafado e triste;
O sol vermelho, cintilante, com a espada de seus raios
Perfurou as nuvens e se dissipou a mortalha da bruma.

Como o fogo de um farol no abismo do mundo,
Como a chama do sacrifício no altar da natureza,
Aceso para a eternidade por uma mão desconhecida,
Conduziu até a luz os povos adormecidos.

Rosas vermelhas nasceram de sangue ardente,
flores de púrpura se abriram,
e sobre as tumbas esquecidas
trançaram coroas de glória.

Atrás do carro da liberdade,
e brandando a bandeira vermelha
fluiam multidões semelhantes a rios,
como o despertar das águas com a primavera.

Os estandartes vermelhos palpitavam sobre o cortejo,
se elevou o hino sagrado da liberdade
e o povo cantou com lágrimas de amor
uma marcha fúnebre para seus mártires.

Era um povo jubiloso,
seu coração transbordava de esperanças e de sonhos,
todos criam na liberdade que viria,
desde o sábio ancião até o adolescente.

Mas o despertar segue sempre ao sonho.
A realidade não tem piedade.
E à beatitude das fantasias e da embriaguez
segue a amarga decepção.

As forças das trevas se agarravam nas sombras,
arrastando e vaiando o povo. Esperavam.
E repentinamente fundiram seus dentes e suas navalhas,
nas costas e nos calcanhares dos valentes.
Os inimigos do povo, com suas bocas sujas,

Bebiam o sangue quente e puro
quando os inocentes amigos da liberdade
esgotados por penosas caminhadas,
foram pegos de surpresa, sonolentos e desarmados.

Se esfumaram os dias de luz,
os substitui uma série interminável e maldita de dias negros.
A luz da liberdade e os sol se extinguiram.
Um olhar de serpente espreita nas trevas.

Os assassinos sem escrúpulos, os progroms, o lodo das denúncias,
(progrom: assassinato e saqueio de judeus)
são proclamados atos de patriotismo,
e o rebanho negro se regozija
com um cinismo sem freio,

Salpicada com o sangue das vítimas da vingança,
mortas com um pérfido golpe
sem razão nem piedade,
vítimas conhecidas e desconhecidas.

No meio de vapores de álcool, madizendo, mostrando o punho,
com garrafas de vodka nas mãos, multidões de pilantras,

Correm, como um tropel de bestas,
Fazendo soar as moedas da traição,
E bailam uma dança de apaches.

Mas Emilinho, o pobre idiota,
(Yemelia:diminutivo de Yemelian (Emiliano), entre os russos é sinônimo de idiota)
a quem as bombas tornaram mais tonto e assustadiço, treme como um rato,
E em sua festança ajeita com aprumo a insígnia dos Cem Negros.
(Cem Negros:partido czarista, policial, anti-semita e reacionário, precursor russo do nazismo)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

INTERNAMENTE

Meu corpo moreno e magro,
Mas rígido, dessa dureza que
Evoca o diamante-carne de Minas,
De tantas cores quanto sangues,
Que me tingem por dentro
E continuam a manchar de
Verdade e assombramento
Os olhos-borboletas que
Pousam e se espatifam
À vista do que poderia
Jamais ter sido.
 
Assim, acalentado pela vergonha
Ancestral, mais antiga que o medo
Penso em Drummond,
Passeio em Stalingrado,
E acabo em Gaza,
Onde o século XXI saúda a todos
Com um crânio nas mãos
 
Quem sou eu em meio a tanta tecnologia?
O amor corre de cabeça baixa,
desviando-se de bombas e tiros.
O abraço virtual não aquece,
não tem nome ou face.
As ruas se chocam
Elas, as ruas, sempre inexoráveis
Sempre na contra-mão de qualquer
civilidade imposta.
O tempo é pastoso e escorre dos telhados.
Bukowski está morto
Deu a vida por todos nós
Estamos livres para beber da água suja
Tantas perguntas fora de moda
E ainda dizem que a fome
é consequência direta da falta
de qualificação para segurar o garfo.
 
 
 
Daniel Oliveira
Sabará/MG
19Jan09

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Produzimos uma Cultura de Devastação

Produzimos uma Cultura de Devastação Todos os anos exterminamos comunidades indígenas, milhares de hectares de florestas e até inúmeras palavras das nossas línguas. A cada minuto extinguimos uma espécie de aves e alguém em algum lugar recôndito contempla pela última vez na Terra uma determinada flor. Konrad Lorenz não se enganou ao dizer que somos o elo perdido entre o macaco e o ser humano. Somos isso, uma espécie que gira sem encontrar o seu horizonte, um projecto por concluir. Falou-se bastante ultimamente do genoma e, ao que parece, a única coisa que nos distancia na realidade dos animais é a nossa capacidade de esperança. Produzimos uma cultura de devastação baseada muitas vezes no engano da superioridade das raças, dos deuses, e sustentada pela desumanidade do poder económico. Sempre me pareceu incrível que uma sociedade tão pragmática como a ocidental tenha deificado coisas abstractas como esse papel chamado dinheiro e uma cadeia de imagens efémeras. Devemos fortalecer, como tantas vezes disse, a tribo da sensibilidade...

José Saramago, in 'Revista Universidad de Antioquia (2001)'

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Cine ABI, em parceria com o Cineclube da Casa da América Latina, Apresentam: Procurando Allende

O Cine ABI, em parceria com o Cineclube da Casa da América Latina,
Apresentam:
    Procurando Allende
    Direção de Carlos Pronzato 2008 Documentário 70 min. 22/09/2011 quinta-feira a partir das 18h30 na ABI (Associação Brasileira de Imprensa) Rua Araújo Porto Alegre, 71 - 7° andar Centro (próx. ao metrô Cinelândia)
    Sinopse:
Salvador Allende nasceu em Santiago ou em Valparaíso? A partir desta controvérsia começa a busca que este documentário realiza sobre um dos presidentes latino-americanos que calaram mais fundo na memória popular do continente. Busca não só de sua cidade natal, mas principalmente das dificuldades para levar adiante seu projeto político de transformação social, bem como das causas da trágica queda da "via chilena ao socialismo" em 11 de setembro de 1973. E para desvendar as incógnitas desta procura relatam suas experiências ex-ministros, funcionários e militantes da Unidade Popular (UP), amigos de seu círculo íntimo, jornalistas, pesquisadores e militantes de organizações sociais. Lançado em Santiago do Chile nas Jornadas Allendistas durante as comemorações do centenário de nascimento de Salvador Allende em junho de 2008.
Após a exibição do filme, haverá debate.
 Serão concedidos certificados aos participantes. Os 25 primeiros que chegarem terão direito a pipoca e guaraná grátis!
 
cortesia: Sindipetro-RJ
apoio: ABI Associação Brasileira de Imprensa
realização: Casa da América Latina

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Simpósio aberto por Antonio Cândido e uma edição especial marcam as comemorações pelos 75 anos de Angústia, de Graciliano Ramos




Para comemorar os 75 anos da primeira edição de Angústia, de Graciliano Ramos, a editora Record lança na próxima semana uma edição especial do romance e abre um ciclo de debates que percorrerá cinco capitais do país. O primeiro evento ocorrerá na Universidade de São Paulo (USP), na terça-feira (20), e será aberto com um depoimento do escritor, professor, ensaísta e crítico literário Antônio Cândido.

O simpósio "Graciliano Ramos - 75 anos de Angústia"  levará ao público uma visão multifacetada sobre esta grande obra da literatura brasileira, publicada pela primeira vez em 1936 quando Graciliano estava preso. Participarão dos debates os professores Elisabeth Ramos (neta de Graciliano) Erwin Torralbo Gimenez, Hermenegildo Bastos, Wander de Melo Miranda e Belmira Rita da Costa Magalhães, todos especialistas na obra do escritor alagoano.

Após a capital paulista, o simpósio acontecerá em outras quatro cidades: Brasília (22/9), Salvador (04/10), Maceió (06/10) e Belo Horizonte (26/10). Nesta última, o ciclo será encerrado com a exposição "Graciliano - 75 anos de Angústia" , no Saguão da Reitoria da UFMG, onde serão exibidos documentos, textos e objetos do autor.

A edição comemorativa de Angústia é organizada por Elizabeth Ramos e conta com posfácios de Otto Maria Carpeaux e Silviano Santigo, além de fortuna crítica e um texto de apresentação de Elizabeth Ramos. "Angústia constrói, através de uma galeria de personagens e da decadência do espaço e do ambiente, uma análise das infinitas roupagens de que se reveste a miséria humana", resume a professora sobre o terceiro romance do avô.

Escrito em ambiente de desassossego e intrigas, em plena repressão do governo Getúlio Vargas, Angústia reflete o desconforto do autor com a situação de insegurança em que vivia. "Falta-me tranqulidade, falta-me inocência, estou feito um molambo que a cidade puiu demais e sujou", pensa o narrador. Graciliano foi levado preso pouco depois de revisar as últimas páginas do livro.

Abaixo, a programação do simpósio "Graciliano Ramos - 75 anos de Angústia"
São Paulo - 20 de setembro

Local: USP - Prédio das Ciências Sociais e Filosofia (FFLCH), sala 8
Endereço: Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 - Cidade Universitária
Horários: 10h às 12h e 14h30 às 17h
Mais informações: (11)3091-3753 ou 3783
Depoimento de Abertura: Professor Antonio Candido de Mello e Souza
Historiador literário, escritor, ensaísta, professor universitário e crítico consagrado, Antonio Candido nasceu em 1918 no Rio de Janeiro. Sua carreira é marcada pelo trabalho acadêmico, iniciado na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (1942) e prolongado por toda a sua vida, inclusive em instituições estrangeiras. Publicou muitos livros importantes, entre os quais Ficção e confissão (1956), estudo fundamental sobre a obra de Graciliano Ramos, Formação da literatura brasileira (1959), Literatura e sociedade (1965) e Vários escritos (1970).

Brasília - 22 de setembro
Local: Universidade de Brasília, Instituto de Biologia, Auditório 4
Endereço: Campus Universitário Darcy Ribeiro, Asa Norte
Horários: 10h às 12h e 16h às 18h
Mais informações: (61)3107-7211 ou (61) 3107-7203, Depto. de Teoria Literária e Literaturas

Salvador - 04 de outubro
Local: Universidade Federal da Bahia, auditório da Faculdade de Comunicação (FACOM)
Endereço:  Campus de Ondina - Rua Barão de Geremoabo, s/nº
Horário: 14h às 18h
Mais informações: (71)8726-4027 ou (71)3283-6225
Depoimento de abertura: escritor Hélio Pólvora
Nascido na Bahia em 1928, Hélio Pólvora iniciou sua carreira literária no Rio de Janeiro. De volta à Bahia em 1984, seguiu na literatura e em intensa atividade jornalística. À sua estréia em livro com Os Galos da Aurora (1958 e 2002), seguiram-se mais de vinte títulos de ficção e crítica literária, além de participação em antologias nacionais e estrangeiras. Tem contos traduzidos para diversos idiomas. Conquistou prêmios como o Bienal Nestlé de Literatura - Contos (em 1982 e 1986), prêmio da Fundação Castro (Estranhos e Assustados) e do Jornal do Commercio (Os Galos da Aurora).

Maceió - 06 de outubro
Local: Universidade Federal de Alagoas, auditório da FAMED, Faculdade de Medicina
Endereço: Campus A. C. Simões  - Av. Lourival Melo Mota s/nº , Tabuleiro do Martins
Horário: 15h às 18h / 19h30 às 21h30
Mais informações: (82)3241-1524 e (82)3214-1640

Belo Horizonte - 24 de outubro
Local: Universidade Federal de Minas Gerais - Auditório da Reitoria
Endereço: Av. Antonio Carlos, 6627  Campus Pampulha
Horário: 14h30 às 18h
Mais informações: (31) 3409-4650 e (31) 3409-4624
Exposição: De 24 a 31 de outubro,  exposição Graciliano Ramos - 75 anos de Angústia, no Saguão da Reitoria da UFMG

Editora Record / Grupo Editorial Record
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O feio da cabeça

Eles pensam que a dignidade de uma mulher está em seus cabelos
As mulheres pensam que sua força está em seus cabelos,
Não são Dalilas: Sansão.

Rapunzel era digna,
Virgem Maria idolatrada:
Pura queratina
Pobre Rapunzel!
Joana D’arc fora excomungada.

Em Auschwitz-Birkenau, em Belzec ou em Varsóvia
As mulheres carecas choraram a perda de sua dignidade capilar.
E de toda a sua condição humana.

Para as mulheres que tem câncer,
Para as índias apaches escalpadas,
Para todos os anjos calvos.

O que tu, Homem, ama?
Como tu, Homem, ama?

Nana Krishna Andrade

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Aniversário de Octavio Brandão

No dia 12 de setembro de 2011, lembramos o aniversário do nosso patrono, Octavio Brandão. Há cento e quinze anos nascia em Viçosa, Alagoas, aquele que poderíamos definir como um dos grandes pioneiros da luta pelo petróleo  brasileiro, e também, da edificação de um projeto de transformação socialista em nossa pátria.

Convidamos a todos os sócios e amigos do CCOB para comemorar conosco essa data e participar da mesa redonda que vamos realizar no próximo sábado, 17/09, às 16 horas, abordando aspectos da vida e da obra de Octavio Brandão, com a presença de Roberto Mansilla (História-UFF) e Ney Nunes (História-UERJ).

Viva Octavio Brandão! 

http://centroculturaloctaviobrandao.blogspot.com/2011/09/aniversario-de-octavio-brandao.html

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um Poema


O meu corpo é território ibérico
Há em meu interior, pequenos cavaleiros e escudeiros,
Mouros, castelhanos, asturianos, catalães.
Gente pequena guerreia dentro de mim.

Sinto as espadas ferindo uns aos outros,
Micro espadas dilaceram o meu coração,
Meu fígado,
Meus pulmões.
Cavalinhos galopam com força pelo meu ventre.
Ah! Dor.
Astúrias, Angústia.

O que é este mistério?
Fundamentos marciais de séculos passados.
Fecho os meus olhos e consigo ver a cor púrpura,
O vermelho,sangue, carmim.
Amarrada, arrasada, aguardo o fim.
Inconsolável, espero o som fúnebre da guitarra,
Andaluzia, Granada.

Nana Krishna Andrade

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O romance histórico

Escrito em 1936-37, O romance histórico de György Lukács é considerado o trabalho mais significativo do filósofo nos anos de exílio na União Soviética. Publicado pela Boitempo Editorial, inédito em português, o livro traz textos preparatórios para uma “estética marxista”. Nele o filósofo húngaro amadurece os fundamentos da sua teoria dos gêneros literários com uma abordagem materialista da história da literatura moderna e investiga a natureza da interação entre o espírito histórico e a grande literatura: correntes, ramificações e pontos de confluência que, do ponto de vista da teoria, são característicos e imprescindíveis. “E isso apenas em relação à literatura burguesa; a mudança provocada pelo realismo socialista ultrapassa os limites de meu estudo”, delimita o autor.

O livro, que conta com apresentação de Arlenice Almeida da Silva e orelha de Carlos Eduardo Ornelas Berriel, mostra como a gênese e o desenvolvimento, a ascensão e o declínio do romance histórico são consequências necessárias das grandes convulsões sociais dos tempos modernos. “Estamos diante de um ensaio feito de deslocamentos e aproximações que entrelaçam literatura, experiência e figuração do tempo. Ele [...], sobretudo, enuncia de lugar improvável uma crítica corajosa contra o pensamento socialista ortodoxo, dito vulgar”, afirma Arlenice.
Com esses estudos Lukács também pôde amadurecer sua teoria sobre o realismo, que para ele não corresponde a uma escola literária, mas sim a uma forma literária que reconstitui o homem na sua totalidade – o que seria particularmente perceptível na obra de Walter Scott, o “grande poeta da História”, que introduziu na literatura épica o retrato dos costumes e das circunstâncias dos acontecimentos, o caráter dramático da ação e, em estreita relação com isso, o novo e importante papel do diálogo no romance, como assinala o filósofo.
Em um capítulo especialmente dedicado à obra scottiana, Lukács sublinha o surgimento do romance histórico na Inglaterra como resultado do despertar da sensibilidade para a história, a consciência do desenvolvimento histórico, em meio às enormes convulsões políticas e sociais das décadas anteriores à revolução burguesa. Nesse contexto, afirma ele, Walter Scott permanece muito fortemente ligado às camadas da sociedade arruinadas pelo rápido desenvolvimento do capitalismo, mas sempre procurando um “caminho do meio” entre os extremos em luta: não fazia parte nem dos entusiastas do desenvolvimento nem de seus apaixonados contestadores. Paradoxalmente, como reforça o filósofo, a grandeza de Scott reside em seu conservadorismo, ao esforçar-se para demonstrar sua realidade histórica pela figuração ficcional das grandes crises da história inglesa. Seus personagens não possuem a profundidade psicológica das figuras humanas individuais, mas o autor é capaz de dar vida humana a tipos sociais históricos com concisão e univocidade, o que se aplica a seus “heróis medianos” insuperáveis no modo realista da “classe média” inglesa. Lukács cita o comentário do crítico russo Vissarion Belinski sobre o caráter épico do romance de Scott, a totalidade histórica presente na figuração e nas personagens coadjuvantes, que em sua maioria é mais interessante e importante que o herói mediano principal. Diz Belinski:
É assim que deve ser em uma obra de caráter puramente épico, em que a personagem principal serve somente de centro em torno do qual os acontecimentos se desdobram e no qual ela se deixa descrever apenas por traços gerais que merecem nossa simpatia humana, pois o herói da epopeia é a própria vida, e não o homem. Na epopeia, o homem é, por assim dizer, submetido ao acontecimento; este, com sua grandeza e importância, encobre a personalidade humana, desvia nossa atenção do homem pela própria diversidade e quantidade de suas imagens, bem como pelo interesse que despertam.
Na obra, além de elucidar aspectos essenciais da obra de Walter Scott – para Lukács, jamais alcançados em sua grandeza por outro escritor –, o filósofo analisa o papel de outros grandes nomes do romance histórico, como Balzac, Stendhal, Goethe, Púchkin, Gógol, Górki e Tolstói.
Trechos do livro
“O ‘herói’ do romance scottiano é sempre um gentleman inglês mediano, mais ou menos medíocre. Em geral, este possui certa inteligência prática, porém não excepcional, certa firmeza moral e honestidade que beiram o sacrifício, mas jamais alcançam o nível de uma paixão humana arrebatadora, de uma devoção entusiasmada a uma causa grandiosa. [...] Essa escolha do herói foi muito atacada pela crítica posterior, por Taine, por exemplo; ela detectou aí um sintoma da mediocridade do próprio Walter Scott como ficcionista. A verdade é o exato contrário. Na construção desses heróis “medianos”, apenas corretos e nunca heroicos, expressa-se o extraordinário talento épico de Walter Scott, talento que marcou toda uma época, ainda que, do ponto de vista psicológico e biográfico, é muito provável que seus preconceitos pessoais, presos à pequena nobreza e ao conservadorismo, tenham desempenhado um grande papel na escolha desses heróis. O que se expressa aqui é sobretudo uma recusa e uma superação do romantismo, assim como um desenvolvimento oportuno das tradições literárias do realismo do período iluminista. [...] Ele se esforça para figurar as lutas e as oposições da história por meio de homens que, em sua psicologia e em seu destino, permanecem sempre como representantes de correntes sociais e potências históricas. Scott estende esse modo de conceber aos processos de marginalização; considera-a sempre em sentido social, e não individual. Seu entendimento do problema do presente não é profundo o suficiente para resolver essa questão dos processos de marginalização. Por isso, ele se desvia da temática e conserva, em sua figuração, a grande objetividade histórica do épico legítimo.”
[...]
“De fato, Scott tornou-se um dos escritores mais populares e mais lidos de seu tempo, em escala mundial. A influência que exerceu sobre toda a literatura da Europa é incomensurável. Os escritores mais significativos desse período, de Púchkin a Balzac, encontraram novos caminhos em sua produção por meio desse novo tipo de figuração da história. Contudo, seria um erro acreditar que a grande onda de romances históricos na primeira metade do século XIX tenha evoluído de fato sobre os princípios scottianos. Já vimos que a concepção histórica do romantismo era diametralmente oposta à de Walter Scott. E é claro que, com isso, a caracterização das outras correntes do romance histórico está longe de se esgotar. Indicamos apenas duas correntes importantes: por um lado, o romantismo liberal, que em termos de visão de mundo e modo de figuração tem muito em comum com o solo original do romantismo, com a luta ideológica contra a Revolução Francesa, mas representa, sobre essa base contraditória e oscilante, a ideologia de um progresso moderado; por outro, escritores importantes – como Goethe e Stendhal – que conservaram muito da visão de mundo do século XVIII e cujo humanismo contém fortes elementos do Iluminismo."
Sobre o autor
Nascido em 13 de abril de 1885 em Budapeste, Hungria, György Lukács é um dos mais influentes filósofos marxistas do século XX. Doutorou-se em Ciências Jurídicas e depois em Filosofia pela Universidade de Budapeste. No final de 1918, influenciado por Béla Kun, aderiu ao Partido Comunista e no ano seguinte foi designado Vice-Comissário do Povo para a Cultura e a Educação. Em 1930 mudou-se para Moscou, onde desenvolveu intensa atividade intelectual. O ano de 1945 foi marcado pelo retorno à Hungria, quando assumiu a cátedra de Estética e Filosofia da Cultura na Universidade de Budapeste. Estética, considerada sua obra mais completa, foi publicada em 1963 pela editora Luchterhand. Já seus estudos sobre a noção de ontologia em Marx, que resultariam oito anos depois na Ontologia do ser social, iniciaram-se em 1960. Faleceu em sua cidade natal, em 4 de junho de 1971. Do autor, a Boitempo já publicouProlegômenos para uma ontologia do ser social: questões de princípios para uma ontologia hoje tornada possível (2010) e O romance histórico (2011).

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Não me resignarei!

Não me resignarei!
seja meu grito
cotidiano.

Não me acomodarei
com a injustiça do
mundo nem com a
cobiça dos homens.

Prefiro me indignar,
me revoltar!

E quando a luta não
for possível, que eu
possa falar, gritar
a plenos pulmões:

Não me resignarei!

Tamanha

Diziam que éramos pequen@s
talvez fôssemos em número,
mas sempre fomos grandes no projeto
e também na vontade,
uma vontade militante que vira ação
que vira vontade que volta a agir,
organiza, é viração, viramundo,
revolução
Tamanha vontade atuante coletiva,
como diz meu camarada, é: - joia rara!

Dario Silva
Santa Catarina/Brasil

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Greve da educação 2011

Os professores em Minas
Estão em greve
 
Eles tem o pior piso
Entre todos os Estados
Do Brasil
 
Como se não bastace
Tiveram (os grevistas)
Seus salários cortados
 
E seus cargos ocupados
Por oportunistas contratados
Em flagrante desrespeito
 
Eles lutam para que o governo
Pague o piso salarial nacional
Determinado por lei federal
 
Os professores querem
Que cumpra-se a lei
Dever de qualquer governo
De um estado democrático
 
O Governo neoliberal Anastasia
É fora da lei!
E ainda assim
Diz ser defensor
Da educação
 
Pensem nisso
Senhores pais
Pensem nisso
Senhoras mães
Educação não é mercadoria! 
 
HALLISSON NUNES GOMES

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Heroísmo

Nossos heróis não têm punhos de ferro nem peito de aço
Não lançam fogo pelas mãos nem raios pelos olhos
Não flutuam, não voam, não escalam edifícios!
Nossos heróis não ficam invisíveis nem são eternos
Não são metálicos, fluidos ou atômicos!
Não atravessam paredes nem adivinham o futuro
Não viajam no tempo nem são invencíveis!
Não tem a força de um tanque nem o poder de um foguete
Nem podem destruir cem inimigos com um único golpe!
Não... Não temos heróis assim!

Nossos heróis precisam comer, beber, respirar e dormir.
Nossos heróis estão nas fábricas torneando peças
Montando carros, computadores, sofás e geladeiras!
Estão no volante de um trator, num balcão, nas oficinas e
armazéns!
São lavradores, enfermeiros, coveiros, professores e estudantes!
Nossos heróis cortam cana, recolhem lixo, assentam tijolos, lavam roupas!
Vendem alface, fazem pão, riem, choram, votam e são assaltados.
Nossos heróis pagam impostos, ficam doentes e perdem o emprego!
Mas continuam de maneira visceral a criar, com seu
heroísmo, para este país,
Nossos futuros heróis!

Emerson Mário Destefani


poema em embalagens de PÃO E POESIA ...
http://paopoesia.blogspot.com

http://arvoredospoemas.blogspot.com

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Cultura y Revolución


Los contrarrevolucionarios cubanos hacen referencia a que  la Revolución Cubana trajo consigo un freno al desarrollo intelectual, etc. En el año 59 en que triunfa la Revolución Cubana, la instrucción publica, y la cultura eran patrimonio de las élites burguesas, en una población de 6 millones de habitantes con más de un millón de iletrados. Fue la Revolución la que cumplió la promesa de Fidel en la Historia me Absolverá, de que “al pueblo no le vamos a decir cree, sino lee”.
Ahora mismo hay Sedes Universitarias en todos los Municipios del país. El nivel de escolarización de Cuba es muy superior al resto de América Latina, y algunos países desarrollados. Cuba a pesar del bloqueo, produce más músicos, pintores, escultores, y artistas que casi todos los países de América. Algo como el Ballet Nacional de Cuba que exporta bailarines como Carlos Junior Acosta, primera figura del Royal Ballet de Londres, es algo que desmiente una involución cultural.
A veces me sorprende que a pesar de que la comunidad Cubano Americana dice ser un paradigma cultural, ya no puede mantener su programación sin contratar a los que se fueron de Cuba. Es decir que nuestras escuelas de arte está formando artistas para Cuba, y hasta para regalárselos a Miami. Vi una película producida y filmada en Miami, y el elenco completo está compuesto por artistas del Cine y  la Televisión Cubana.Ninguno se graduó en Juilliard. Se graduaron en la ENA, en el ISA, enla ENIA, y en otras escuelas de arte nuestras. Hasta le tenemos que prestar a los Van Van para que gocen a lo cubano. Gloria Estefan, y Willie Chirino, son una champolita de salsero puertorriqueño con bastante virulilla tecnotrónica, nada que tenga que ver con auténtica timba cubana.
Cuando algunos timberos famosos de la isla llegan allá los transforman en algo insípido. Del Carlos Manuel, el del Clan, que se fue de aquí, solo queda un espejismo. Ese personaje con frac, moviéndose en el escenario, con unas bailarinas de pasillos estudiados en academias de yanquis, que no son nuestras mulatas de Jesús María y Pogolloti, da más lástima que otra cosa, aunque él asegure que está haciendo lo que le dé la gana.
Eso sin contar médicos científicos, en todas las ramas del saber.La Biotecnología cubana está al nivel del primer mundo, al punto de ser el único país de nuestro tan llevado y traído tercer mundo, que ha logrado que el Departamento del Tesoro, a pesar del bloqueo autorizara la transferencia de tecnología en el campo científico, de Cuba hacia EEUU.
A pesar de las limitaciones de impresión en este país de venden millones de libros de autores de todo el mundo, así que yo nunca he entendido del todo, eso que hablan los albarderos de la reacción. De Mario Vargas Llosa, me he leído en ediciones cubanas “La ciudad y los perros”, “La guerra en el fin del mundo” y otros libros suyos, a pesar de que hace años rompió sus antiguos lazos con nosotros. De Almodóvar se ponen todos los días sus filmes, a pesar de que a cada rato nos tira con todo.
Lo que no vamos a permitir en Cuba el PCC, y los revolucionarios cubanos es lo que pasó enla URSS, que los yanquis y sus aliados se dedicaron a destruir a tal punto la historia dela URSS, que un poco más y Hitler y los nazis perdieron la guerra por sus errores propios, ¡Ah! y gracias a los yanquis. Los 20 000 000 de muertos soviéticos no pintaban nada porque eran comunistas, y nunca hicieron nada novedoso, ni humano, ni divino. Los viajes al cosmos los lograron gracias a los gulaks, y la represión. Los soldados en la guerra no se batían palmo a palmo en defensa de su patria por amor a ella, sino por temor a los comisarios del Ejército Rojo.
Nuestro Partido es el Escudo y el Alma dela Nación Cubana.Los Partidos dela Gusanera, alias “grupúsculos”, esos que solo existen en los medios occidentales. En Cuba vamos a construir el Socialismo nuestro, el de Fidel, el del Che, el de Raúl y el de todos nosotros. Ese es monopartidista, el del Partido Comunista de Cuba, heredero del Partido Revolucionario de Martí. Aquel que los yanquis nos disolvieron cuando nos robaron la independencia.
Publicado originalmente en: http://edumatanzas.blogspot.com/

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O pagador de promessas - Dias Gomes

                       Primeiro Ato
                   Primeiro Quadro

      Ao subir o pano, a cena está quase às escuras. Apenas um jato de luz, da direita, lança alguma claridade sobre o cenário.
Mesmo assim, após habituar a vista, o espectador identificará facilmente uma pequena praça, onde desembocam duas ruas.
Uma à direita, seguindo a linha da ribalta, outra à esquerda, ao fundo, de frente para a platéia, subindo, encadeirada e sinuosa, no perfil de velhos sobrados coloniais. Na esquina da rua da direita, vemos a fachada de uma igreja relativamente modesta, com uma escadaria de quatro ou cinco degraus. Numa das esquinas da ladeira, do lado oposto, há uma vendola, onde também se vende café, refresco, cachaça etc.; a outra esquina da ladeira é ocupada por um sobrado cuja fachada forma ligeira barriga pelo acúmulo de andares não previsto inicialmente. O calçamento da ladeira é irregular e na fachada dos sobrados vêem-se alguns azulejos estragados pelo tempo. Enfim, é uma paisagem tipicamente baiana, da Bahia velha e colonial, que ainda hoje resiste à avalancha urbanística moderna.
      Devem ser, aproximadamente, quatro e meia da manhã. Tanto a igreja como a vendola estão com suas portas cerradas. Vem de longe o som dos atabaques dum candomblé distante, no toque de Iansan. Decorrem alguns segundos até que Zé-do-Burro surja, pela rua da direita, carregando nas costas uma enorme e pesada cruz de madeira. A passos lentos, cansado, entra na praça, seguido de Rosa, sua mulher. Ele é um homem ainda moço, de 30 anos presumíveis, magro, de estatura média. Seu olhar é morto, contemplativo. Suas feições transmitem bondade, tolerância e há em seu rosto um “quê” de infantilidade. Seus gestos são lentos, preguiçosos, bem como sua maneira de falar. Tem barba de dois ou três dias e traja-se decentemente, embora sua roupa seja mal talhada e esteja amarrotada e suja de poeira. Rosa parece pouco ter de comum com ele. É uma bela mulher, embora seus traços sejam um tanto grosseiros, tal como suas maneiras. Ao contrário do marido, tem “sangue quente”. É agressiva em seu “sexy”, revelando, logo à primeira vista, uma insatisfação sexual e uma ânsia recalcada de romper com o ambiente em que se sente sufocar. Veste-se como uma provinciana que vem à cidade, mas também como uma mulher que não deseja ocultar os encantos que possui.
      Zé-do-Burro vai até o centro da praça e aí pousa a sua cruz, equilibrando-a na base e num dos braços, como um cavalete. Está exausto. Enxuga o suor da testa.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Autor alemão narra a vida de Fidel Castro em quadrinhos

Há décadas o revolucionário cubano é um enigma tanto para seus compatriotas quanto para o resto do mundo. Depois de inúmeras tentativas literárias, é a vez de o cartunista Reinhard Kleist se ocupar desse grande mistério.

Delinear a vida do líder revolucionário cubano Fidel Castro é um desafio até para o biógrafo mais bem informado. O ícone mundial que completou 85 anos de idade no sábado passado (13/08) não é apenas uma personagem politicamente controvertida, mas também um mistério para o mundo exterior.

Assim, a recente tentativa de um cartunista alemão de contar a história de Castro em quadrinhos parece – na melhor das hipóteses – altamente ambiciosa, ou – no pior dos casos – simplesmente tola. Mas o fato é que Reinhard Kleist conseguiu compor uma biografia espantosamente vívida do assim chamado Grande Líder. Já traduzida, ela deixou o público de HQ de idioma inglês pedindo mais.
 Como aponta um dos mais importantes especialistas no gênero, Paul Gravett, Castro constitui um marco nas histórias em quadrinhos da Alemanha. Segundo ele, o HQ germânico levou tempo para amadurecer, mas "seu momento chegou" com a publicação desse livro. "Nos últimos dez anos, vimos um bom número de autores alemães marcar presença na cena internacional, e Kleist é um pioneiro dessa nova forma", analisa Gravett.

A façanha não foi fácil, admite Reinhard Kleist. "Escrever a história foi realmente uma grande tarefa. Fiquei frustrado durante semanas, pois não tinha ideia de onde começar e onde terminar." O cartunista diz estar especialmente satisfeito por ter encontrado um meio de falar sobre a Revolução Cubana. "Não acho que esse livro seja especificamente sobre Fidel Castro. Na verdade, é sobre a revolução, e a personagem forte que ele representa."

Castro ao lado de Hugo Chávez e Raul Castro, seu irmão e sucessor no comando de CubaCastro ao lado de Hugo Chávez e Raul Castro, seu irmão e sucessor no comando de Cuba

Perseguindo ideais

Kleist comenta que traçar a vida do líder deu-lhe a oportunidade de questionar seu próprio sistema de crença. Ele enfatiza que Cuba é frequentemente romantizada no pensamento político alemão, e que ele chegou ao país num estado de ingenuidade incurável.

"Um tema permeia todo o livro: como perseguir os próprios ideais. Temos duas personagens diferentes: Karl, o narrador e Fidel. Cada um segue seus ideais de forma diversa." O protagonista é um repórter jovem e idealista, que rapidamente desiste de tentar permanecer neutro. Ele foi inspirado numa entrevista com Castro realizada na vida real por um repórter do jornal The New York Times.

No livro, o veterano revolucionário também concede uma entrevista a Karl, com quem conversa o tempo inteiro, deitado em sua rede. E o jornalista não só é contagiado pela febre da revolução como se apaixona por uma jovem combatente.

Profundidade e diversão

Kleist admite que a história de amor foi relativamente fácil de narrar, comparada com as complexidades da figura de Castro. No fim, o autor acabou por não simpatizar nem um pouco com sua personagem. "Ele não é uma pessoa de que se goste. Não há como se aproximar de Fidel Castro em 300 páginas: é quase impossível identificar-se com ele", observa.

De acordo com Paul Gravett, diretor do festival de HQ de Londres Comica, a tentativa de se confrontar com uma das personagens mais polarizadoras da história não comprometeu o potencial de entretenimento do livro. "A página se desenvolve de maneira muito fluida. É incrível a capacidade de retratar Castro em todos os estágios de sua vida. Não se trata de uma história de mocinho e bandido. Ela é complexa, e Kleist sabe estabelecer as locações muito bem, você realmente sente como se estivesse dentro da revolução."

O livro é cheio de ironia e humor. O próprio autor aponta uma de suas seções favoritas, onde esboça centenas de complôs reais contra a vida de Castro, incluindo o plano de instalar uma bomba submarina enquanto o líder cubano sai para mergulhar.

Questão de equilíbrio

Mas será que o esforço de ser engraçado numa história em quadrinhos não banaliza, de certa forma, a Revolução Cubana e todas as vidas humanas que ela custou?

Na opinião de Gravett, este não é o caso. Para o especialista em HQ, Kleist captura a motivação psicológica de Castro, sem tentar estabelecer a biografia definitiva. "Ele não procura traçar uma grande pincelada histórica, mas sim penetrar no pensamento e na personalidade de um líder extremamente fascinante."

Para Kleist, ocupar-se de Fidel Castro representou uma dura viagem emocional. Indagado se enviaria uma cópia ao revolucionário, o autor diz ter ouvido que ele lê todos os livros publicado a seu respeito. Assim, o cartunista alemão espera que o Grande Líder não deixe de ler este também.

Fonte: Deutsche Welle
Autoria: Nina-Maria Potts (av)
Revisão: Carlos Albuquerque