sexta-feira, 30 de março de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Poema 90º aniversário do PCB feito no Expresso Vermelho
Eu tenho um sonho
E corro atrás desse sonho!!!
De um mundo melhor
De paz e igualdade
Solidariedade ao socialismo e ao comunismo
A sociedade e a comunidade
Diáspora a revolução
Que se expalhe o socialismo
90 Anos do PCB
E viva o Partido Comunista Brasileiro
Nas ruas, nas praças, operários e camponeses
Nasce o novo homem, justo, social e igual
Nasce o novo povo
Que se reconhece como povo
Homens e mulheres que do presente
Construirão o Futuro!!!
Poema escrito pela Delegação Expresso Vermelho PCB Minas
Transcrição: Daniel Cristiano
PCB 21 - Ipatinga/MG
E corro atrás desse sonho!!!
De um mundo melhor
De paz e igualdade
Solidariedade ao socialismo e ao comunismo
A sociedade e a comunidade
Diáspora a revolução
Que se expalhe o socialismo
90 Anos do PCB
E viva o Partido Comunista Brasileiro
Nas ruas, nas praças, operários e camponeses
Nasce o novo homem, justo, social e igual
Nasce o novo povo
Que se reconhece como povo
Homens e mulheres que do presente
Construirão o Futuro!!!
Poema escrito pela Delegação Expresso Vermelho PCB Minas
Transcrição: Daniel Cristiano
PCB 21 - Ipatinga/MG
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terça-feira, 27 de março de 2012
Black bird U.S.A
O voo livre do pássaro
De metal
São penas de plásticos
A Iludir as massas
E o canto pré-gravado
E sampleado soa falso
E adulterado
E o sonho de mundo melhor
É sepultado!
São aviões não-tripulados
Voos mortais a fazer vítimas
Pelo mundo pobre...
Ei senhor Robert Bales
Quem atirou e matou...
O meu sonho?
Sonho de liberdade...
E de um mundo melhor!
São penas sintéticas
E abstratas!
Voos vazios
São voos não tripulados
A fazer vítimas invisíveis
Impossíveis!
São sonhos falsos
Quem alguém
Inventou
Quem tripula os "drones"?
No jogo mortal
Que ninguém vê!
O voo livre do pássaro
De metal
E não tripulado
E a mira do senhor Robert Bales
Mira impossível
E abstrata
Que ninguém condena
Samuel Costa - Itajaí
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segunda-feira, 26 de março de 2012
Repartido (aos 90 anos do PCB)
Nossa história começa aos noventa
e é o passado que nos alimenta.
Pretendemos nossa voz emaranhada no
torvelinho da massa,
somada aos gritos de Revolução.
Nossa palavra pichada,apócrifa,
nos muros das cidades,
nosso jornal de clara opinião.
Pretendemos nossa cor
em revoadas pelas ruas,
estrelas em pleno dia,
a verdade posta nua!
Nossa história começa aos noventa,
e é o passado que nos alimenta.
Caminharemos firmes, sem demora,
novas páginas começam agora!
Orientados pelo Mar e pelo Lema:
Proletários, uni-vos!
Seguiremos em luta e emancipação.
Empunharemos o martelo e a foice,
com passo entre os povos,
Em táticas avançadas de direção.
Se já estivemos prestes,
estaremos mais prontos.
Se o norte vinha do leste,
teceremos novos pontos.
Nossa história começa aos noventa,
e é o passado que nos alimenta.
Semearemos com flores e com metais
a leira de dialéticos ideais.
Por Robson Luiz Ceron
Militante do PCB - Floripa
e é o passado que nos alimenta.
Pretendemos nossa voz emaranhada no
torvelinho da massa,
somada aos gritos de Revolução.
Nossa palavra pichada,apócrifa,
nos muros das cidades,
nosso jornal de clara opinião.
Pretendemos nossa cor
em revoadas pelas ruas,
estrelas em pleno dia,
a verdade posta nua!
Nossa história começa aos noventa,
e é o passado que nos alimenta.
Caminharemos firmes, sem demora,
novas páginas começam agora!
Orientados pelo Mar e pelo Lema:
Proletários, uni-vos!
Seguiremos em luta e emancipação.
Empunharemos o martelo e a foice,
com passo entre os povos,
Em táticas avançadas de direção.
Se já estivemos prestes,
estaremos mais prontos.
Se o norte vinha do leste,
teceremos novos pontos.
Nossa história começa aos noventa,
e é o passado que nos alimenta.
Semearemos com flores e com metais
a leira de dialéticos ideais.
Por Robson Luiz Ceron
Militante do PCB - Floripa
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terça-feira, 20 de março de 2012
A barbárie civilizada - Poesia por Fernando Lustosa
A barbárie civilizada
por Fernando Lustosa, terça, 14 de Fevereiro de 2012 às 21:14 ·
Uniu a um só tempo as engrenagens a sua destreza;
Passou a desconhecer tais matérias;
Concretizou suas virtudes em verdades efêmeras.
O homem alienou-se de si;
Vendeu seus valores humanísticos a lucrativos e espoliativos fins;
Proletarizou seus ideais
E passou a compor e a corroborar com as paródias legais.
O homem alienou-se de seu ser genérico,
Objetivou-se a trabalhar com escassez de vida;
Criou dois mundos transcendentes ao intelectual e ao operacional;
Ceifou suas faculdades humanas e concretizou-se como um ser estranho a si, tal como ao seu meio social.
O homem alienou-se do homem;
Reduziu seus semelhantes a meras definições banhadas pelo fetichismo da mercadoria e a competição;
Reificou sua essência de ser humano;
Enquanto a realística feição social passou a estar em segundo plano,
E com o instinto de revolução apaziguado por algozes regados em prantos.
Fernando Lustosa
PCB/RJ
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segunda-feira, 19 de março de 2012
"Reflexões sobre a Melancia" - Poesia de Felipe Lustosa
Fruto que abrolha na aridez dum solo estapafúrdio de tabatinga,
Erva trepadeira e rastejante, que corta o nordeste afundindo a caatinga..
Suas folhas em triângulos suntuosos são macias como veludo de seda,
São largas, rasas, não balançam com o vento e ignoram a seca..
Melancia que traz consigo a tropicália do clima sob a forma de alimento bruto,
Melancia que emana a esterilidade dum solo infértil, com seu "sofrimento de fruto"..
Melancia fruto verde que nunca amadurece...
Melancia grande, listrada, de polpa aquosa, que é suculenta e apetece!
Melancia que possui sementes às dezenas,
Duras e ovalares, são negras e murubentas..
Melancia que reflete o verde falso dum sertão das Borboremas;
Terra sofrida, lavrada com foice e largada às contendas.
Não há sertanejo que ignore a presença duma melancia listrada;
Eu fico até imaginando: se ela quer ser notada?!
Num lugar tão seco, inóspito e escaldante;
Ela deve querer ser disputada por todos à todo o instante...
Diante do sol do meio-dia, ela alimenta a família do campesino,
Misturada à farinha, à ração humana e ao milho moído (bem fino)..
Para não trazer a tona: sua carência em consistência e sustância;
Suas deficiências em vitaminas, proteínas (e em fragrância)...
Pois lembre-se que a flor dum pé de melancia, só dura umas poucas semanas...
Não anuncia a vinda da primavera e nem a chegada da sorte, enunciada pelas ciganas.
(Felipe Lustosa)
Erva trepadeira e rastejante, que corta o nordeste afundindo a caatinga..
Suas folhas em triângulos suntuosos são macias como veludo de seda,
São largas, rasas, não balançam com o vento e ignoram a seca..
Melancia que traz consigo a tropicália do clima sob a forma de alimento bruto,
Melancia que emana a esterilidade dum solo infértil, com seu "sofrimento de fruto"..
Melancia fruto verde que nunca amadurece...
Melancia grande, listrada, de polpa aquosa, que é suculenta e apetece!
Melancia que possui sementes às dezenas,
Duras e ovalares, são negras e murubentas..
Melancia que reflete o verde falso dum sertão das Borboremas;
Terra sofrida, lavrada com foice e largada às contendas.
Não há sertanejo que ignore a presença duma melancia listrada;
Eu fico até imaginando: se ela quer ser notada?!
Num lugar tão seco, inóspito e escaldante;
Ela deve querer ser disputada por todos à todo o instante...
Diante do sol do meio-dia, ela alimenta a família do campesino,
Misturada à farinha, à ração humana e ao milho moído (bem fino)..
Para não trazer a tona: sua carência em consistência e sustância;
Suas deficiências em vitaminas, proteínas (e em fragrância)...
Pois lembre-se que a flor dum pé de melancia, só dura umas poucas semanas...
Não anuncia a vinda da primavera e nem a chegada da sorte, enunciada pelas ciganas.
(Felipe Lustosa)
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sexta-feira, 16 de março de 2012
Um jovem de 90 anos - Poesia de Leonardo César de Albuquerque
Meu avô guardava tão firme
Um broche no meio do peito
Uma imagem que ao nos ver imprime
... A esperança de um poder eleito
Forjado da luta de muitos
Juntos sendo um partido
Por nosso povo aguerrido
Lutam por conquistar seus direitos
Desde Março de Vinte Dois
Meu avô se coloca a lutar
Recuar não é opção, pois
Na guerra não pode vacilar
Debatendo à democracia
Ao longo de sua trajetória
Tiveram muitas perdas
Tiveram muita glória
Mas o partido ainda anuncia
Nossos sonhos não faleceram
Nossa luta não envelheceu
Não aceitamos o que se estabeleceu
E os jovens também não o fizeram
Nossa idéia tão nova surgiu
Já mostrou longevidade em seu ar
E hoje ainda segue, a mil,
A muitas mentes cativar
Seus gritos se escutam ainda
Seus punhos erguidos ainda
Suas bandeiras tremulam ainda
Suas denuncias persistem ainda
O PCB não acabou
O PCB não recuou
O PCB se reformulou
O PCB na luta continuou
Meus avós e avôs de fato são
Aqueles que carregaram esse bastião
Da luta do povo trabalhador
Enfrentando a repressão e o horror
Hoje eu carrego este broche
Uma bandeira e a idéia vindoura
Colando nossa mensagem em postes
De que a juventude será a autora
O PCB vive
O PCB atua
Mas principalmente cresce!
Nesses 90 anos
Jamais fomos tão jovens
E sonhamos tão certo!
Leonardo C. de Albuquerque
Partido Comunista Brasileiro/Niterói
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quinta-feira, 15 de março de 2012
Anotações sobre organização - Poesia de Leonardo César de Albuquerque
Sendo o comunismo,
Pelas próprias palavras de Lênin,
A juventude do mundo,
... Nossa organização não pode ser nosso único fim.
Disciplinarmos para como um corpo atuar
É necessário pela responsabilidade de nossa luta
Mas quando com o povo interagir
Não podemos ser como um militar na labuta
Temos de transpirar democracia
Pelo próprio trabalho que é organizar
E jamais feder à rigidez
Como artigos velhos guardados em cima de um altar.
Um mundo novo está aí para sonhar
Pela simples existência do mundo da exploração
Levantemos nossas cabeças para vislumbrar o futuro
E cantemos em alto e bom som as palavras de ordem de nossa libertação.
Leonardo C. de Albuquerque
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quarta-feira, 14 de março de 2012
DESPERTA, DOR. conto de Pirenco
Acordei com o barulho do relógio, abri os olhos e a primeira pancada... 4:55 da madrugada. Fui ao banheiro; tomei um banho pelada, muito rápido; água e luz tá o olho da cara. No café... não vai leite, não tem em casa. Só tem café preto e forte pra me manter acordada e sair por aí apresentando a minha carta de entrada, currículo. Tenho poucas copias, tivesse muita, teria de ir a pé. O dinheiro tá contado, recontado, contadinho, pro ônibus e prum salgado de 50 centavos. Sai de casa, dia 13 de fevereiro de 2012, pisei na calçada esburacada, e como guerreira zumbi, subi até o ponto, ''esperar o ônibus não é tarefa fácil'', pensei. Ponto lotado, empurra-empurra, sobe, não sobe; dentro mais lotado do que lá fora; “bom dia, motorista.” Ele não responde. Na catraca, a segunda pancada... ARMÊNIA 4,80. aumentaram a passagem. PORRA, ASSIM NÃO DÁ. Cobrador me diz uma coisa... POR QUE TUDO AUMENTA SEM NOS PERGUNTAREM SE AO MENOS QUEREMOS ? Eu não quero esse aumento. Se aceito, fico sem alimento. Essa condução tá mais cara do que o feijão. Cobrador... VAMOS DESPERTAR A NOSSA DOR !!! Preste atenção na jogada... o que você dá de lucro ao patrão, NUM SÓ DIA, paga o teu pão de todo o mês. E além do mais, o patrão não pega ônibus caro e lotado, ele anda de carro blindado com ar condicionado. Assim não dá, vamos despertar, dizer não ao aumento, não ao patrão. Vamos juntos... carona, companheiro?!!!
terça-feira, 13 de março de 2012
Vitória Rara
dedicada a Victor Jara
Ouviu-se um clamor no Estádio Nacional,
Mas não era um grito de gol. Era a voz dos
Que não se entregaram, ainda que cercados.
Não se acuaram ante ao inimigo, e contidos,
e amontoados, eram conduzidos ao vestiário
para serem massacrados (talvez o inside tenha
vindo de algum assessor alemão,
veterano das SS, que exclamou de pronto:
_ Os chuveiros. Mein gott, os chuveiros!)
O augusto representante do império
com suas armas e legiões, não poupou
sua voz valente, seu corpo e emoções.
Infligiram toda dor que podiam,
trucidaram suas falanges, mas não derrotaram
seu espírito inquebrantável.
Com as mãos moídas, os fascistas gritavam:
_ Toca! E lhe puseram um violão.
E qual foi sua resposta: _ Eu não toco pra vilão,
Toco pro povo insurgente, meu som é revolução.
Daniel Braga & Daniel Oliveira
PCB/Minas Gerais
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sexta-feira, 9 de março de 2012
LILA RIPOLL, poeta e comunista
Crédito: PCB | |
Peço perdão aos poetas do passado e aos do presente, peço perdão aos poetas maiores, como também aos menores, pois vou falar de um poeta, com “P” maiúsculo, estrela de primeira grandeza, que veio, nas asas da Poesia, pousar no Rio Grande, espargindo a pura luminosidade do seu lirismo.
Trata-se de uma mulher/poeta e uso o verbo no presente, porque, parafraseando Guimarães Rosa, devo dizer que “os poetas não morrem, ficam encantados”.
Refiro-me à Lila Ripoll. Já em seu nome há sonoridade e ritmo típicos de um verso; diria que seu nome é como “um suspiro ritmado”.
Essa mulher pequena, aparentava, fisicamente, a fragilidade das açucenas. Por trás das lentes grossas dos óculos, seus grandes olhos escuros, de pupilas incendiadas, miravam horizontes intactos do sonho. Eram “olhos de olhar estrelas”. A testa alta, marcante em seu rosto, como que anunciava sua inteligência, sua capacidade de pensar, sonhar e lutar pelo sonho. De quando em vez, suas mãos esvoaçavam, denunciando sua feminilidade e essa graciosidade inata das mulheres nos gestos que, em Lila, eram, quase sempre, contidos.
Lila nasceu em 12 de agosto de 1905, na cidade de Quarai, na Região da Campanha. É uma característica geográfica daquela região, poder-se visualizar os campos, sem obstáculos à visão, até os limites das linhas do horizonte, criando uma sensação viva de liberdade, mas também de solidão.
Se forem verdadeiras as teorias da influência do meio ambiente sobre os seres humanos, estará explicado o porquê das pessoas daquela região terem a atitude mental de serem abertas à aragem das idéias, como o campo o é em relação aos ventos.
Por tais razões Lila diz em seu poema “No casarão...”, do livro “De mãos postas” (ed. Globo, 1938):
“Nasci num casarão velho, de esquina,
Escondido entre salsos pensativos.
E foi lá que a minha alma, ainda menina,
Olhando dia e noite os poentes vivos,
Aprendeu a viajar no pensamento. (...)”
Aprender a “viajar no pensamento” é abrir-se às idéias, é aprender a sonhar, é predispor-se a conhecer sem preconceitos, sem apriorismos. E a capacidade de sonhar será uma constante nos poemas de Lila como em “Tecedeira” do livro “Poemas e Canções” (ed. Cadernos da Horizonte, 1957):
“(...)
Sou tecedeira de um sonho,
puro, claro, inacabado.
Fia, fia, a tecedeira.
Chega o outono e a primavera.
Dos frutos caem sementes,
das sementes brotam flores.
E o fio interminável,
tece o sonho de uma espera.
(...)
Fia, fia, a tecedeira,
sem saber para quem tece,
com o fio interminável,
uma teia de ternuras.”
O sonho, a capacidade de sonhar, assume importância trancedental, especialmente para o poeta, sendo essa, talvez, a sua missão - espargir sonhos, como quem espalha sementes. É o que Lila canta em “Cantiga”, do livro “Poemas e Canções” (op. cit.):
“(...)
Que pode sonhar um poeta,
senão repartir venturas?
Poeta, irmão, sonhemos juntos
um mundo sem amarguras.
Sonhemos juntos, plantemos.
A terra está como um fruto
em pleno amadurecer.
Espalhemos nossos versos,
como quem joga sementes,
para a terra devolver.”
A solidão como decorrência daquela visão telúrica, se manifesta em seus poemas como em “Canção de Esconde, Esconde”, do livro “O Coração Descoberto”(Editorial Vitória Ltda., 1961):
“Solidão brinca comigo
um jogo de esconde, esconde.
Desaparece um momento
e surge não sei de onde.
(...)
Solidão se esconde e volta,
moe a vida, o sonho, o amor.
Ai! jogo de esconde, esconde,
esconde também a dor.”
Por estes versos, vê-se também que nossa poeta (ela não aceitava a denominação de poetisa, pois a considerava discriminatória) construía seus poemas de forma direta e simples, sem perda do lirismo, do ritmo e da sonoridade.
Quando a Poesia começou a caracterizar-se por ser uma espécie de extenuante laboratório de enigmas, envoltos em densa nebulosidade de mistérios dirigidos a iniciados em charadas, Lila fazia uma profissão de fé na universalidade da temática poética, podendo, a compreensão dos versos, ser atingida por todos.
Dessa maneira e por outro ângulo, Lila se expunha, o coração palpitante, como num ofertório, buscando a comunhão das emoções entre os leitores e a poeta, como o faz em “Aqui estou venturosa” do livro “Poemas e Canções” (op. cit.):
“Aqui está o meu corpo,
pleno de vida e de sonho,
apesar da solidão.
Aqui tens a minha alma,
que sofreu mortes e mortes,
mas não perdeu a ilusão.
Aqui está a minha vida,
partida e reconstruída,
sobre pedaços de amor.
Aqui tens o meu suspiro,
leve sopro perfumado,
feito de aroma e de dor.
Aqui tens as minhas palavras,
revestidas de poesia,
de verdade e sentimento.
Aqui estão minhas mãos,
que permaneceram puras,
em meio a todo tormento.
Aqui estão os meus anos,
multiplicados por quatro,
pelas dores que passaram.
Aqui tens tudo o que sou:
um pouco de céu e terra,
pelas leis que me geraram.
Aqui tens tudo o que sou:
espinho e flor, urze e rosa,
noite, dia e madrugada.
Aqui estou venturosa,
por ter sido como sou,
sem mentir pra ser amada!”
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quarta-feira, 7 de março de 2012
O Rancho da Goiabada
Os bóias-frias quando tomam umas birita
Espantando a tristeza
Sonham com bife-a-cavalo, batata-frita
E a sobremesa
É goiabada-cascão com muito queijo
Depois café, cigarro e um beijo
De uma mulata chamada Leonor ou Dagmar
Amar
O rádio-de-pilha, o fogão-jacaré, a marmita, o domingo
no bar
Onde tantos iguais se reúnem contando mentiras
Pra poder suportar
Ai, são pais-de-santo, paus-de-arara são passistas
São flagelados, são pingentes, balconistas
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados
Dançando dormindo de olhos abertos à sombra da alegoria
Dos faraós embalsamados
Composição: João Bosco e Aldir Blanc
Espantando a tristeza
Sonham com bife-a-cavalo, batata-frita
E a sobremesa
É goiabada-cascão com muito queijo
Depois café, cigarro e um beijo
De uma mulata chamada Leonor ou Dagmar
Amar
O rádio-de-pilha, o fogão-jacaré, a marmita, o domingo
no bar
Onde tantos iguais se reúnem contando mentiras
Pra poder suportar
Ai, são pais-de-santo, paus-de-arara são passistas
São flagelados, são pingentes, balconistas
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados
Dançando dormindo de olhos abertos à sombra da alegoria
Dos faraós embalsamados
Composição: João Bosco e Aldir Blanc
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sexta-feira, 2 de março de 2012
Acróstico de repúdio ao fascismo e apoio a resistência popular
Não pude conter o vômito
Ao saber o motivo da agressão fascista contra o povo do Pinheirinho
Homens, mulheres, crianças despejados de suas histórias
Antecede suas vidas a propriedade privada
Santificada pelo apodrecido Estado burguês
Armas, bombas, tiros e mortes
Legalmente amparada pela justiça
Capacetes de motoqueiro, paus e pedras, escudos, eis a resistência popular
Kombi de emissora televisiva fascista é incendiada
Manifestação para rodovia
Intensifica-se a repressão, tratores destroem casas
Não déia, entretanto, de resistir o Pinheirinho
Renato Queiroz Alves
PCB/Guarulhos
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
CONCURSO HQ PARTIDÃO
Crédito: Dario Silva (PCB/SC) | |
CONCURSO HISTÓRIA EM QUADRINHOS DO PCB
O PCB (Partido Comunista Brasileiro), por motivo de seus 90 anos de fundação a serem comemorados em 2012, editará uma História em Quadrinhos que contará, em dois volumes, a trajetória histórica do Partidão desde os primórdios de sua fundação até os dias de hoje.
Para tanto, estamos selecionando desenhistas para participarem do projeto.
Fazemos, assim, um chamado aos militantes, simpatizantes e amigos ilustradores do PCB, para que enviem amostras de suas artes.
Atenção: trata-se de um trabalho voluntário, militante, daqueles camaradas que ou fazem parte dos nossos quadros partidários ou que, mesmo não fazendo parte do nosso Partido, queiram contribuir para divulgar a rica história de lutas do PCB em nosso país, através de um meio de propaganda que contém uma linguagem de grande aceitação junto à juventude, principalmente. Portanto, o trabalho não será remunerado, mas, repetindo, voluntário, seguindo atradição revolucionária dos comunistas, de assumirem tarefas e compromissos políticos em prol das causas populares e pela afirmação dos nossos ideais.
O e-mail para o envio dos trabalhos é daniludens@yahoo.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. aos cuidados de Daniel Oliveira.
Não fique de fora deste momento histórico!
PARTICIPE!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Resist(ente) - Poesia de Renato Queiroz Alves
Organizados e armados
Preparados para matar e morrer
Assustados, indignados, violentados
Revoltados e preparados
Preparados para matar e morrer
Ocupar e resistir
É o que dizem para existir
Na verdade sempre existem
E ocupar e resistir
É – em essência – existir
Seja em Gaza, Bagdá, Trípoli ou Tegucigalpa
Em Wall street, Lisboa, Madri, Londres, Atenas
É no Pinheirinho que eu vou existir
É no Pinheirinho que devo existir
E mesmo que vier o frio
Existiremos
Não devemos
Não podemos
Deixar de existir
O capitão do mato moderno lambe botas e apreça o gosto das solas
E agride a si mesmo loucamente
Ele se aproxima dos Canudos e Palmares e
O Pinheirinho existe, ocupa, resiste
Deve existir
Vai existir
Renato Queiroz Alves
PCB/Guarulhos
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Líbia Verde - Poesia de Renato Queiroz Alves
O grito uníssono se propaga(nda) de forma múltipla
A reprodução múltipla do mascaramento do massacre
A grande rata precisa reproduzir sua existência
A ratazana de dentro se confunde com a ratazana de fora
Os papeis se invertem
Quem devia estar no esgoto
Sai por aí a matar e agredir
As ratazanas foram alimentadas
Com lixo e podridão
Glutonas ratazanas
Se tornaram reflexo apodrecido do que consomem
São lixo e podridão
Mas cresceram ao serem alimentadas
Com o lixo e a podridão que sai das tetas da ratona
Cresceram e se multiplicaram
E tomaram a casa
E mataram os donos
E chutaram o cachorro
E levaram embora o suprimento
Como se fossem presentes, regalos
Lindos presentes para a ratona
Pra ratona se fartar
Pra ratona se alimentar
Devorar a seiva criativa do ser
Eliminar o ser
Te se(r)parar do ser
E assim a ratona fica forte
Pra produzir em suas entranhas
O lixo e a podridão que sai das tetas da ratona
E alimentar as ratazanas de dentro
Que já são de fora também
E todo mundo gosta disso, enquanto vomita.
Renato Queiroz Alves
PCB/Guarulhos
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Cantores venezuelanos se pronunciam pela liberdade de Julián Conrado
![]() | |
Pela Coordenadoria "QUE NO CALLE EL CANTOR" / FUNDALATIN
Segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 19:31
«Parte dessa herança é Julián Conrado», nos disse Sol Musset. Lilia Vera: «...Acreditamos no asilo, sobretudo porque o que ocorreu com Juliám Conrado é uma violação de seus direitos humanos. Nós cantores abraçamos a luta deste companheiro...»
Cantores venezuelanos se pronunciam pela liberdade de Julián Conrado
"... a vida é muito perigosa. Não pelas pessoas que fazem o mal, mas pelas que se sentam e assistem ao que acontece..."
Albert Einstein
“Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir”
Dos Indignados em Barcelona.
Recopilado por Eduardo Galeano
Pela Coordenadoria “QUE NO CALLE EL CANTOR” / FUNDALATIN
De maneira decidida, cantores venezuelanos se pronunciam pela liberdade de Julián Conrado, como digno representante do canto comprometido e continuador da obra de Alí Primera. «Parte dessa herança é Julián Conrado», nos disse Sol Musset. Lilia Vera: «...Acreditamos no asilo, sobretudo porque o que ocorreu com Julián Conrado é uma violação de seus direitos humanos. Nós cantores abraçamos a luta deste companheiro...» O aragüeño Agua Salá expressa sem nenhuma dúvida: «Como cantor peço... que se dê a liberdade a esse companheiro que pe a voz de muitos seres humanos». Alí Manaure:«Nós amamos a paz, porém, como defende o próprio Julián, não existirá paz se não houver justiça e nem amor...» Sandino Primera: «Julián representa a esperança...» Estas foram parte das declarações ditas por algumas das figuras do canto comprometido que se solidarizaram publicamente com a liberdade do cantor e compositor preso e em perigo de ser extraditado à Colômbia, somando suas vozes aos clamores do mundo todo que pedem a liberdade do artista e impedem o desenvolver das funestas intenções que justificam a entrega por «conveniência política»
As opiniões emitidas neste vídeo refletem claramente o grande significado político e ético embutido no caso para os setores revolucionários que apoiam a revolução bolivariana e o Presidente Chávez, na Venezuela e no mundo. Tal como propõe uma voz solidária anônima num e-mail, os que sustentam a tese da entrega, «estariam condenados a mais arrasadora condenação histórica» Ainda a respeito do assunto, uma frase d’O Libertador, recopilada pelo cantor Alí Manaure, que nos ajuda a refletir sobre a solidariedade com o companheiro preso: “Feliz é aquele que correndo por entre os escombros da guerra, da política e das desgraças públicas, preserva sua honra intacta e se apresenta inocente ao exigir de seus próprios companheiros de infortúnio uma reta decisão sobre sua inculpabilidade".
Vídeos:
Outros materiais para o “combate” e a reflexão:
A 9 meses de cautiverio ilegal en Venezuela: Entrevista fundamental para comprender la realidad del cantor Julián Conrado, su historia y situación actual. El DIH ampara su Asilo (Inclui vídeo/ transcrição)
Pela derrota do Plano Colômbia nas terras de Bolívar!
Pelo fechamento da porta ao Plano Colômbia nas pátrias libertárias!
Liberdade e Asilo JÁ para Julián Conrado, o Alí Primera colombiano!
Amando, venceremos!
"Alí Costas Manaure" alicostas.manaure@gmail.com
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"Arturo Ramos" arturoramos1970@gmail.com
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"Tamanaco De la Torre" tdelatorre2021@gmail.com
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Tradução: Maria Fernanda M. Scelza (PCB)
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Julian Conrado,
Solidariedade
domingo, 19 de fevereiro de 2012
A MORTE E O CARNAVAL
Enfim terminou o expediente da sexta. Todos estavam eufóricos. Aquilo o deixava perplexo. Sabia o por quê mas não conseguia dizer como. Era como nos tempos da primária, onde andavam em filas com as mãos dadas. E alguém soltava sua mão. E você deixa de fazer parte daquele organismo. Ele havia largado a mão da humanidade há tempos, e seguia taciturno e breve de riso...
Foi para casa. Bebeu sozinho. Ouviu música. Lembrou. Esqueceu. Adormeceu.
No sábado, já clamava aos céus o passamento ligeiro da praga foliã. Em vão.
O carnaval invadia seus sentidos com a sutileza de um tanque israelense em território palestino. Pensou em morrer. Ouviu batidas gentis na porta. Atendeu. Não esboçou reação. Era ela. Nem descontente, e muito menos satisfeito, cumpriu os ritus com uma lisura exemplar. Convidou-a entrar. Silenciosos, acabaram com o líquido da garrafa cristalina. Ela, meio sem graça pelos ossos do ofício, ofereceu-lhe um regalo. Ele assentiu, e gritou a plenos pulmões: Quero morrer ao som de um tango; e que se fodas o carnaval.
Mal sabia ele que no inferno a folia era igual.
Daniel Oliveira
19 de Fevereiro de 2012
Foi para casa. Bebeu sozinho. Ouviu música. Lembrou. Esqueceu. Adormeceu.
No sábado, já clamava aos céus o passamento ligeiro da praga foliã. Em vão.
O carnaval invadia seus sentidos com a sutileza de um tanque israelense em território palestino. Pensou em morrer. Ouviu batidas gentis na porta. Atendeu. Não esboçou reação. Era ela. Nem descontente, e muito menos satisfeito, cumpriu os ritus com uma lisura exemplar. Convidou-a entrar. Silenciosos, acabaram com o líquido da garrafa cristalina. Ela, meio sem graça pelos ossos do ofício, ofereceu-lhe um regalo. Ele assentiu, e gritou a plenos pulmões: Quero morrer ao som de um tango; e que se fodas o carnaval.
Mal sabia ele que no inferno a folia era igual.
Daniel Oliveira
19 de Fevereiro de 2012
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Daniel Oliveira
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
A greve do carnaval - Por Heitor Cesar Oliveira
Imagine um dia, talvez um sábado, ou mesmo uma segunda feira de carnaval. As ruas do Rio vazias. Nenhum bloco; nenhum cordão; nenhum baile; nenhum bêbado cantarolando alguma marchinha; nenhum casal brigando por ciúme; nenhum beijo despretensioso. Imaginem um carnaval que os foliões fizessem greve. Não fossem às ruas. Uma greve de carnaval.
As ruas ficariam desertas. Mais desertas que um início de madrugada de segunda feira. Os comerciantes, estes ficariam em pânicos: os donos dos bares ficariam loucos pensando na “fortuna” por eles gasta para encher seus estoques à espera de foliões e bêbados que não mais apareceriam. A polícia - essa coitada! – perderia grande parte de sua renda extra de extorsão dos foliões exagerados – presas fáceis desse tipo de investimento. Mas o que causaria isso? O que causaria uma greve de carnaval, unindo o folião, o bêbado, os comerciantes ambulantes, os diretores de blocos, os compositores de marchinhas, os sambistas com seus violões e pandeiros?
Esse quadro me foi desenhado por um sujeito que se dizia viajante do tempo, vindo de 2011, ano em que tal fato ocorrera. Eu o encontrara numa rua próxima a praça XV andando meio perdido em meio aos blocos com suas camisas cheias de patrocínio e com suas letras que não diziam muito mais do que um montante de vogais.
Ao ser perguntado sobre tal fato, ele responderia direto, com uma certeza nítida: — A velha e conhecida de todos nós, a ganância, a ânsia enlouquecida por lucro, a mercantilização das relações humanas e seus derivados.
O carnaval havia se voltado para o turismo, para os de fora. Tudo invertido na cidade, preparada para servir de vitrine para os gringos.
Nada contra. Mas se eles são turistas, que aprendam a conviver com as coisas como estão, e não as modifiquem para melhor atender seus desejos de “caricatura de povo”, de "carnaval", de "mulatas", de "malandro sambista". E a Ordem, essa velha inimiga do povo – essa amante de mentes pequenas e positivistas, que tem medo do povo –
impediu a brincadeira de ocorrer fora de seus padrões de “choques", intimidando o povo, acabando com os coretos e com a espontaneidade da brincadeira. Favorece – isso sim! – os donos de comércio e bares, que se fecharam nos seus salões com ar condicionado e com suas músicas ao vivo, com seus preços exagerados que afastam o folião autêntico, o brincalhão, o fanfarrão, o bêbado. Tudo fica perfeito para a “playboyzada” curtir com os cartões de créditos patrocinados pelos pais, os mesmos pais que assumiram a organização da festa, a nossa burra elite.
Foi assim, diante desse quadro que se organizou – ou melhor, que se desorganizou - a greve de sábado foi passando pelo domingo (recorde de presença das missas), pela segunda e, quase terminando na terça feira, foi entrando pela quarta. Logo quando todos achavam que a festa tinha ido para o buraco, quando todos consideravam o fim do carnaval carioca; a morte, tão decretada, do samba... Estourou a festa do povo!
Num passe de mágica, as ruas foram tomadas não para buscar os bares com seus donos falidos, mas para fazer a brincadeira de rua. Desfilar pela Avenida Rio Branco, pela Presidente Vargas, correndo, brincando, com bate-bola, mascarados, foliões, sambistas, diretores de blocos e claro, nosso amigo de sempre, o bêbado, com seu vasto repertório de sátiras, de marchinhas antigas e filosofias de botequim.
Foi o ano em que nenhum dinheiro caiu nos cofres da elite. Foi o ano do choque da desordem urbana, pois afinal quem quer manter essa ordem aí? Eu não...
Assim, meu amigo viajante do tempo entrou numa viela, dessas que tem um monte na cidade, e sumiu gritando: — Viva o povo trabalhador, brincalhão, alegre, folião e claro, combatente, valente e brigão, como deve mesmo ser.
As ruas ficariam desertas. Mais desertas que um início de madrugada de segunda feira. Os comerciantes, estes ficariam em pânicos: os donos dos bares ficariam loucos pensando na “fortuna” por eles gasta para encher seus estoques à espera de foliões e bêbados que não mais apareceriam. A polícia - essa coitada! – perderia grande parte de sua renda extra de extorsão dos foliões exagerados – presas fáceis desse tipo de investimento. Mas o que causaria isso? O que causaria uma greve de carnaval, unindo o folião, o bêbado, os comerciantes ambulantes, os diretores de blocos, os compositores de marchinhas, os sambistas com seus violões e pandeiros?
Esse quadro me foi desenhado por um sujeito que se dizia viajante do tempo, vindo de 2011, ano em que tal fato ocorrera. Eu o encontrara numa rua próxima a praça XV andando meio perdido em meio aos blocos com suas camisas cheias de patrocínio e com suas letras que não diziam muito mais do que um montante de vogais.
Ao ser perguntado sobre tal fato, ele responderia direto, com uma certeza nítida: — A velha e conhecida de todos nós, a ganância, a ânsia enlouquecida por lucro, a mercantilização das relações humanas e seus derivados.
O carnaval havia se voltado para o turismo, para os de fora. Tudo invertido na cidade, preparada para servir de vitrine para os gringos.
Nada contra. Mas se eles são turistas, que aprendam a conviver com as coisas como estão, e não as modifiquem para melhor atender seus desejos de “caricatura de povo”, de "carnaval", de "mulatas", de "malandro sambista". E a Ordem, essa velha inimiga do povo – essa amante de mentes pequenas e positivistas, que tem medo do povo –
impediu a brincadeira de ocorrer fora de seus padrões de “choques", intimidando o povo, acabando com os coretos e com a espontaneidade da brincadeira. Favorece – isso sim! – os donos de comércio e bares, que se fecharam nos seus salões com ar condicionado e com suas músicas ao vivo, com seus preços exagerados que afastam o folião autêntico, o brincalhão, o fanfarrão, o bêbado. Tudo fica perfeito para a “playboyzada” curtir com os cartões de créditos patrocinados pelos pais, os mesmos pais que assumiram a organização da festa, a nossa burra elite.
Foi assim, diante desse quadro que se organizou – ou melhor, que se desorganizou - a greve de sábado foi passando pelo domingo (recorde de presença das missas), pela segunda e, quase terminando na terça feira, foi entrando pela quarta. Logo quando todos achavam que a festa tinha ido para o buraco, quando todos consideravam o fim do carnaval carioca; a morte, tão decretada, do samba... Estourou a festa do povo!
Num passe de mágica, as ruas foram tomadas não para buscar os bares com seus donos falidos, mas para fazer a brincadeira de rua. Desfilar pela Avenida Rio Branco, pela Presidente Vargas, correndo, brincando, com bate-bola, mascarados, foliões, sambistas, diretores de blocos e claro, nosso amigo de sempre, o bêbado, com seu vasto repertório de sátiras, de marchinhas antigas e filosofias de botequim.
Foi o ano em que nenhum dinheiro caiu nos cofres da elite. Foi o ano do choque da desordem urbana, pois afinal quem quer manter essa ordem aí? Eu não...
Assim, meu amigo viajante do tempo entrou numa viela, dessas que tem um monte na cidade, e sumiu gritando: — Viva o povo trabalhador, brincalhão, alegre, folião e claro, combatente, valente e brigão, como deve mesmo ser.
Heitor Cesar Oliveira é historiador, militante da UJC e membro do bloco de carnaval "Comuna que Pariu!"
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Funk, Mulher, Alienação e Capitalismo
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(*) José Renato André Rodrigues
Hoje no Brasil se faz muita confusão sobre o que é funk, muitos ritmos surgem e desaparecem. A indústria cultural de acordo com o interesse do mercado muda nomes e fórmulas de determinadas manifestações artístico-culturais.
A origem do funk se deu nos Estados Unidos, assim com o blues, gospel, jazz e soul surgiram nas comunidades negras. A palavra funk vem do Inglês que quer dizer medo, embaraço pusilânime. James Brown é considerado um dos pais do funk; alguns críticos musicais consideram Michael Jackson e outros cantores negros estadunidenses como expressão deste gênero musical.
Entre nós o funk começa nos anos 1970 em plena ditadura civil-militar durante o movimento da Black Music. Alguns consideram Tim Maia, Jorge Benjor, Sandra de Sá, Gerson King kombo e outros. Dos precursores do ritmo em terras brasileiras dos anos 1970 ao atual ritmo considerado funk, muita coisa mudou da influência do Soul à batida de nossos dias cada vez mais o atual chamado funk demonstra não ter nada haver com a sua origem.
Entre o fim da ditadura civil-militar à volta da democracia burguesa durante os anos 1980 este ritmo musical não tinha ainda muita força e espaço nos grandes veículos de comunicação de massas. Vivia-se o auge do chamado rock Brasil, consolidava-se o rock brasileiro como expressão da juventude que resistiu à ditadura civil-militar e denunciava as injustiças e os anseios da jovem geração, onde rádios como a Fluminense FM 94,9 na cidade de Niterói, estado do Rio de Janeiro divulgavam, bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Pleber Rude, Garotos Podres, RPM, Ira, Ultraje a Rigor, Barão Vermelho e outras bandas eram expressão deste momento histórico da sociedade brasileira, e com o avanço do neoliberalismo na passagem dos anos 1980 para 1990 o rock começa a perder alguns espaços na mídia e passa a se restringir a um determinado público específico e se consolida como um nicho de mercado.
A partir do neoliberalismo, o período é marcado pelo pagode mauricinho, pelo breganejo criticado por Lulu Santos por conta do apoio a Collor nas eleições de 1989. Enquanto isso, o funk carioca se espalha pelas comunidades pobres de todo o Rio atingindo até as academias de ginástica da chamada classe média da zona sul do Rio.
As primeiras músicas falavam em amor, amizade e problemas sociais. Quem não se lembra da música do Silva, hoje este ritmo assim como o cenário da música brasileira apoiada pela grande mídia mudou para pior. Hoje este ritmo do chamado funk carioca, assim como outros gêneros musicais como a música baiana, passou a explorar a sexualidade e a pornografia, onde o sexo é visto não na forma de prazer responsável e libertário, e sim como objeto a ser consumido de forma irresponsável e vulgar onde o sexo é praticado na forma do salve-se quem puder, refletindo uma sociedade alienada nas letras, nos bailes, nas roupas das dançarinas e cantoras do funk, do axé etc. A situação, todos sabem: meninas grávidas precocemente e abandonadas e os meninos pais sem emprego, formação ou vítimas da violência urbana onde crianças crescem sem uma estrutura familiar com todas as possibilidades de reproduzir o eterno ciclo de alienação e miséria em que vegetam.
Hoje o atual funk carioca nada mais é do que alienação e fuga da realidade em que vive a maioria dos jovens das camadas mais pobres da nossa sociedade. Este tipo de música não tem nada de contestador, fazem apologia às drogas, ao papel submisso da mulher, aos grupos milicianos e dos grupos dos soldados do comércio varejista de drogas. Sem falso moralismo ou hipocrisia, este tipo de música não contribui em nada para elevar a consciência das massas exploradas pelo capital.
Estes ritmos são apoiados e incentivados até por lideranças políticas ligadas a burguesia para incentivar a vulgaridade das mulheres que através da exposição de seus corpos como mercadoria, sonhando como as dançarinas do funk acender socialmente, talvez casar ou engravidar de algum artista, jogador de futebol ou conseguir algum contrato para alguma revista masculina. Na prática, é muito difícil isso ocorrer porque nem todas poderão ter as mesmas chances como ocorre na sociedade capitalista, nem todas vão poder dar o golpe do baú e se tornar marias chuteiras ou amantes de empresários, artistas e etc.
A grande maioria vai se tornar amante de policiais corruptos ou mulher de gerentes do comércio varejista de drogas, e gozar de um poder ilusório até quando a burguesia não precisar mais e estas mulheres vão amargar as prisões ou encontrar a morte.
Não existe uma política cultural voltada para os filhos das classes trabalhadoras, assistir um bom show de música é muito caro e alguns ritmos musicais antes considerados populares se elitizaram tornando-se inacessíveis às grandes massas, e o poder público por outro lado não procura criar condições para tornar acessível nem democratiza para as grandes massas bens culturais criados pela humanidade. Qual a saída para esses jovens? Ir às casas de shows baratas com seguranças autoritários em sua maioria policiais, ser vitima da violência, ir ao baile funk e lá saudar os Mc’s totalmente manipulados pelos soldadinhos do comércio varejista de drogas até porque o grande traficante não estará lá, mas mora nos bairros elegantes da burguesia; com isto causam a alienação nos nossos jovens tornando-os domesticados e adaptados ao status quo.
É preciso fazer uma distinção, popular não é popularesco ou lixo. Se fosse assim não teria surgido o chorinho, o samba, o maracatu, o bumba meu boi, o Blues, o jazz, o rock, o sertanejo e etc. São incontáveis os artistas populares como Cartola, Nelson Cavaquinho, Gonzaguinha, Luiz Gonzaga, Djavan, Jovelina Pérola Negra, Beatles, Elvis Presley, Black Sabbath, Chuck Berry, Jerry Lewis, The Who, Sex Pistols e tantos outros. Até um palavrão em uma música deve ter um sentido como faziam os Titãs, Legião Urbana, Ultraje a Rigor. Hoje o palavrão nas músicas do funk carioca não contesta nada, apenas contribui para a alienação.
É necessário resgatar a autêntica cultura popular ligada às massas trabalhadoras, cultura não só para entreter e sim levar à reflexão e conscientização da população através das artes. Devemos buscar uma cultura popular que promova a contra-hegemonia e que coloque as massas em movimento e aponte a necessidade histórica da revolução socialista como a única saída capaz de libertar a população e quebrar esse círculo vicioso em que vivem as massas exploradas pelo capital .
(*) José Renato André Rodrigues – Professor de Filosofia; membro do Comitê Central do PCB
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José Renato André Rodrigues
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
O dia em que Portinari não pisou em Nova York
No cinquentenário de sua morte, vale (re)ler perfil de pintor que nunca renegou suas convicções políticas, e as atribuía a algo mais profundo que a razão
Por Marília Balbi | Imagem: estudos para Guerra e Paz, de Cândido Portinari
Uma agenda extensa de comemorações marcará, em 2012, os 50 anos da morte de Cândido Portinari, que se completaram em 6 de fevereiro. Em São Paulo, o Memorial da América Latinaexibe, desde ontem, “Guerra” e “Paz” os murais mais famosos do pintor, cuja instalação permanente é a sede das Nações Unidas, em Nova York. Eles foram restaurados no ano passado, no Museu Gustavo Capanema, no Rio, em trabalhos abertos ao público. Outros eventos ocorrerão em diversas cidades do país.
Há uma bibliografia razoável sobre o pintor. Entre os livros não-esgotados, uma excelente opção é o breve — porém denso — perfil produzido pela jornalista Marília Balbi. Intitula-se “Portinari, o pintor do Brasil” e foi publicado em 2003 pela Editora Boitempo, uma parceira de “Outras Palavras”. Integra a coleção “Pauliceia”, dirigida por Emir Sader. Na semana do cinquentenário (até 12/2), está sendo vendido com desconto de 50% (por R$ 17,50). O trecho — curioso e revelador — que publicamos a seguir é seu capítulo inicial.
–
Portinari, o pintor do Brasil, de Marília Balbi.
Editora Boitempo, 2003. 176 páginas, R$ 17,50 até 12/2 (depois, preço normal: R$ 35). Pode ser comprado aqui
–
Aquela data era aguardada havia muitos anos por todo o mundo. Finalmente, no dia 6 de setembro de 1957, os gigantes painéis Guerra e Paz foram apresentados nas paredes do Hall dos Delegados da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. A presença daquela obra monumental ali – na casa que deve zelar pelo bem-estar de todos os homens da Terra – era obviamente carregada de sentido. As expressões de dor e esperança pintadas nos dois painéis de 140 metros quadrados simbolizam, de um lado, o flagelo das guerras irracionais e, de outro, o regozijo da harmonia entre as nações. Dois lembretes para a eternidade.
Curiosamente, a cerimônia de inauguração do monumento à humanidade foi discreta, e poucos foram os convidados. Em especial, um esteve ausente: o autor dos dois painéis, Cândido Portinari.
Os tempos eram outros. Os Estados Unidos viviam o auge do macartismo, a doutrina de proteção americana contra ações supostamente subversivas, cujo expoente anti-comunista foi o senador Joseph McCarthy. Portinari, por sua vez, era um declarado comunista e fora candidato à Câmara Federal, em 1945, e ao Senado, em 1947, pelo “partidão”. Duas posturas inconciliáveis nos idos da Guerra Fria. Por isso, desde os anos 1940, Portinari vinha tendo sua entrada nos EUA negada.
Mas como manter aquela proibição no momento em que o artista brasileiro, reconhecido em todo o mundo, tinha sua gigantesca obra em defesa da paz afixada em caráter permanente na “casa de todas as nações”?
O mal-estar crescia. Esperava-se uma posição conciliatória do governo americano. Após a intervenção da diplomacia brasileira, encontrou-se uma solução: bastava que Portinari solicitasse o visto americano no Brasil e este lhe seria concedido. Isso não ocorreria. Homem de personalidade forte, Portinari queria um convite oficial de Washington para pisar em solo americano. Assim era o homem.
O episódio envolvendo Guerra e Paz foi apenas mais um constrangimento a que Cândido Portinari foi submetido durante a vida. Como diversos artistas, ele foi perseguido, cerceado, estigmatizado pelas posições de esquerda. A polícia política brasileira, por exemplo, acompanhou seus passos durante décadas. O Departamento Estadual de Ordem Política e Social – o famigerado Deops – acumulou notícias a seu respeito até mesmo depois de sua morte, em 1962.
Ele explicava a quem perguntasse por que se aproximara da política. A Vinícius de Moraes, confidenciou, em texto publicado postumamente, em março de 1962: “Não pretendo entender de política. Minhas convicções, que são fundas, cheguei a elas por força da minha infância pobre, de minha vida de trabalho e luta, e porque sou um artista. Tenho pena dos que sofrem, e gostaria de ajudar a remediar a injustiça social existente. Qualquer artista consciente sente o mesmo”.
Portinari pintou o povo sofrido, a miséria, o homem de enxada na mão, pés na terra – o trabalhador brasileiro. Pela primeira vez, um artista expressou a tragédia do Nordeste do Brasil assolado pela seca. Ou como sintetiza de maneira brilhante seu único filho, João Cândido, Portinari “fez do pincel sua arma para denunciar as injustiças e os valores sociais e humanos”.
O artista começou retratando sua aldeia. Depois, partiu para o universal. Das crianças brincando na terra roxa em sua natal Brodósqui às crianças dos painéis da ONU. Temas universais também estão presentes na mulher com o filho morto nos braços – a Pietà nordestina – e nos horrores da guerra. Visionário e esperançoso, pintou um judeu e um árabe de braços dados.
As imagens que ele criou são facilmente reconhecidas por todos. Muitas delas nem sequer saem de nossa memória. Assim que tentamos conceber a cena de um trabalhador, imediatamente nos vêm à mente seu estivador, seu lavrador de café, seu sorveteiro, seu operário, seu lenhador ou ainda o sapateiro de Brodósqui. O mesmo ocorre com os pobres e miseráveis: de pronto, suas favelas, seus morros e as figuras esquálidas da série Retirantes nos preenchem a visão.
Reconhecemos nessas obras nossa gente, nossas dores e nossa esperança – além das marcas inconfundíveis de um grande artista.
http://www.outraspalavras.net/2012/02/08/o-dia-em-que-portinari-nao-pisou-em-nova-york/
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Cândido Portinari
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