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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Em nossa casa inventaram à força


Em nossa casa inventaram à força
Que os sonhos não cantam

Aqui onde é o sul da América
Emperram-nos com impostos e armas

Até aos pássaros, dizem os acirrados
Cantem mas aí nas gaiolas

E se eles se banqueteiam, fazem festa
E nós, bagunça e bebedeira

Mas à noite o sono chega de graça
E o sangue é vermelho em todas as casas

Jamesson Buarque 
Militante do PCB em Goiás e Professor da UFG

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Poema 37

Numa manhã, ele veio
Na seguinte também, veio
A pobre moça suspirava de felicidade...
E em um dia a alegria tranquila e desejada...
O moço vinha ao seu encontro... triste!
Ele há perdeu!  

Patrícia Raphael é poetisa em Itajaí
contato: patricia.raphael@yahoo.com.br

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Julgam que não poderemos proferir nenhuma palavra


Julgam que não poderemos proferir nenhuma palavra
Que em nosso peito o medo paralisa
O corpo todo em gelo
Das pernas aos braços às vértebras
E do que fomos
De madeira e terra e ar e fogo
Forjaram nossa raça em barra
De calado metal

Da esquadrilha e da armada e do exército que empregam
Julgam que o soldo positivo e falso pago
Pode mais do que nossa língua
Desejosa de fremir até gritar para mover
O verde que nos habita,
Somos muito mais pertencidos de história
Conhecemos todas as canções
E a morte não nos para

Jamesson Buarque
Militante do PCB em Goiás e Professor da UFG

terça-feira, 22 de maio de 2012

Um “b” de bandolim a disposição


O  barbeiro    idoso
dorme  como um
mufana  burguês
no   seu rasgado
banco   de  estar
espantosamente
embalado  pelas
subtís     sonatas
psicanalíticas   e
estrangeiras. Epá quem
passa   pela calçada  junto
a sua barbearia,  com causa
atesta  um velhote  speed, na
maior,   a  exibir   seu  estatuto
de  proprietário   com  preguiça
enraizada aos novelos em seus
cabelos  de  luz.      -Bang, bang
bate  com  raiva                a porta
um  cliente.  Vai                 e abre
com    despreso               o velho
a porta,  e  mais               de   mil
golpes  mentais              formam
um  exército  de              núvens
em seu cérebro           de  cores.
açoitam-no com rancor para se
deliberar e epá! Um  clarão de
pérolas surge. –São horas de
fechar.  E  o   cliente  furioso
lá   fora  na  calçada  refila.
O velho tranca-se e cochila.



      Dinis Muhai é poeta em Maputo
contato: dinismuhai@yahoo.com

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O canto subversivo de José Jatahy, um comunista do PCB, a arte a serviço da luta

Quando João Dummar funda a Ceará Rádio Clube, a PRE-9, em 1934, José Jatahy, possuidor de potente voz, já era conhecido como o grande seresteiro de Fortaleza. A primeira rádio do Ceará formava pouco a pouco sua equipe de profissionais e o cantor boêmio foi o primeiro contratado pela emissora e seria durante algum tempo sua grande atração. Juntaram-se a ele Moacir Weyne, Romeu Menezes, João Milfont e Lauro Maia, afora os frequentadores dos programas de auditório apresentados semanalmente contando já com o acompanhamento da orquestra da própria rádio. Ásperos tempos Os anos 30, porém, estavam mais para a luta do que para a boemia. O fascismo tomava conta da Europa com a ascensão de Hitler na Alemanha e a vitória de Franco na Espanha. 
O mundo estava em pé de guerra e os comunistas se empenhavam na luta pela paz chamando a todos os democratas a concertarem a frente única antifascista. No Brasil, a década havia começado com o golpe de Estado comandado por Getúlio Vargas. Em seguida à reação dos latifundiários paulistas em 32, as classes dominantes – frações da grande burguesia e latifúndio - acertam suas diferenças sob a hegemonia do bloco germanófilo liderado por Vargas. Os comunistas brasileiros, atendendo ao chamado da Internacional Comunista, organizam a Aliança Nacional Libertadora e o levante popular de 1935. A derrota do levante é seguida de uma tremenda repressão sobre os lutadores do povo. São os ásperos tempos tão bem descritos por Jorge Amado em Os subterrâneos da liberdade. A professora cearense Bárbara Cacau dos Santos, que realizou pesquisa sobre o movimento sindical do Ceará entre 1957 e 1964, mais especificamente sobre o Pacto de Unidade Sindical para sua tese de mestrado do Departamento de História da UFC, levantou significativas informações sobre a biografia de José Jatahy a partir, inclusive, de um depoimento seu ao Arquivo Fonográfico de Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, em Fortaleza. 
Após ser escolhido o melhor cantor do Ceará em um festival realizado em 1942 no Teatro José de Alencar, passou a ser distinguido com a fama de "o pioneiro do rádio" e "O maioral". Jatahy, entretanto, já era visto pelas oligarquias locais como um elemento de ideias perigosas e isso é expresso pelo próprio João Dummar que buscava, sem sucesso, um substituto que suplantasse o seu talento. Mas Jatahy tinha um sonho ao qual vai se dedicar a partir do restante dos anos 40: a criação e montagem de uma rádio. E ele vai realizá-lo na cidade de Campina Grande, onde inaugura junto a outros companheiros tais como Hilton Mota e Gil Gonçalves, a primeira rádio dessa cidade, a BFR-5 Rádio Cariri. Lá permaneceu até a segunda metade dos anos 50 quando vende a rádio e retorna a fortaleza. Músico e dirigente proletário Ao abordar o engajamento de Jatahy na luta classista, a professora Bárbara afirma que: "À frente do sindicato dos músicos do Ceará, Jatahy se insere no universo da organização sindical cearense conseguindo, através da atividade artística criativa, se inserir no projeto de constituição da Unidade Intersindical." E que "Jatahy compôs algumas músicas voltando a sua atenção para a organização e para o universo de experiência dos trabalhadores. A primeira delas é o Hino do Pacto Sindical, cantada pela primeira vez nas comemorações do 1º de maio de 1962". Enquanto mobilizava pela música os vários segmentos da sociedade, Jatahy não descuidava de seu próprio campo profissional, como nos mostra o artigo de Amaudson Ximenes Veras Mendonça publicado na página na internet do Fórum Paulista Permanente de Música, com o título "Os músicos e o Regime Militar de 1964", o qual se reporta à criação da Ordem dos Músicos do Brasil por Juscelino Kubistchek, em 1960, por inspiração do maestro paraibano José de Lima Siqueira e em seguida a sua sucursal no Ceará: "Segundo o professor-maestro Orlando Leite, no ano de 1962, Siqueira viria pessoalmente à Fortaleza para a criação do Conselho Regional do Estado do Ceará. De acordo com o veterano músico Otávio Santiago, o seu primeiro presidente foi o cantor José Jatahi, autor de inúmeras composições, bem como do hino do Ceará Sporting Clube. Entre os fundadores da OMB no estado estavam Antonio Gondin, Edgar Nunes, Nadir Parente, Branca Rangel, Esther Salgado entre outros". Amaudson destaca ainda uma outra qualidade de Jatahy, a de grande agitador, pois diferente de outros quadros do próprio PCB que se acovardaram diante do Golpe de 1º de abril, foi para a praça conclamar a massa a resistir: "Segundo o veterano músico Otávio Santiago, José Jatahy (presidente do Conselho Regional dos Músicos do Ceará) em ato público na Praça José de Alencar, fez um discurso inflamado contra o novo regime, conclamando a categoria e os trabalhadores a se insurgirem contra o Golpe de Estado. 
O ato teria como consequência a sua prisão e deposição do cargo. A partir daquele momento, a OMB criada para o fortalecimento desse segmento social, também mudaria a sua finalidade, passando a exercer poder de polícia se constituindo como um dos sustentáculos da nova política cultural implementada pelo regime militar." A prisão não calou a voz de Jatahy. No quartel do 23º Batalhão de Caçadores, para manter elevado o moral dos companheiros presos, ele soltava sua possante voz, como nos conta Lucili Grangeiro Cortez, professora do Curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará – UECE em seu texto sobre "As repercussões do golpe civil-militar no Ceará": "Enquanto no cárcere a ocupação do espaço reproduzia a estrutura da sociedade cearense, as oposições e lutas pelo poder entre os presidiários eram resolvidas através de batalhas musicais. José Jatahy, representante sindical, era chamado ‘a alma do Pirambu’ (bairro proletário) pela voz de barítono aocantar na hora do banho. Osvaldo Evandro Carneiro Martins, professor, com voz de ‘tenor doméstico, de estilo italiano’ era chamado o ‘rouxinol da Aldeota’" (bairro burguês). Bárbara destaca ainda a coexistência entre o revolucionário e o lúdico na obra de Jatahy, pois ao mesmo tempo em que ele "transmuta o programa socialista de transformação social em músicas acessíveis, repletas de paixão e que trazem em seu bojo o desejo pela mobilização social. Nesse sentido, ele alia à sua criatividade artística a propaganda ideológica". Por outro lado, ele "conseguiu penetrar em diversos tons nas casas populares e nos festejos dos trabalhadores. Poderia transcrever aqui a música que compôs gravada por Luiz Gonzaga: 'Desse jeito não'. 
Ou, então, citar o baião escrito de maneira humorada, intitulado 'Meu Pé de Piqui' que associa a proliferação de crianças numa casa em virtude das estações de um 'piquizeiro'. Ou, ainda, o amor e a dor cantados na beleza das serestas em 'Falsa Felicidade' e 'Se te vejo em Sonho'." A repressão traça o perfil de Jatahy Após o desfecho dos dias 31 de março e 01 de abril de 1964, a polícia militar abriu inquérito para apurar e punir os "subversivos": os militantes dos movimentos sindicais e populares. De caráter investigativo, o IPM/1964 traçou o perfil das principais lideranças cearenses, para o caso de confirmação de denúncia de atividades de comunização nacional. Dentre esses perfis, encontramos o do músico José Jatahy: 184º Relatório Periódico de Informações, período de 15 de fevereiro a 11 de março, assinado pelo Cel. Tácito T. Oliveira em 11/03/1964. Documento do Ministério da Guerra/ IV Exército/ 10ª Região Militar/ 23º Batalhão de Caçadores. Juntado no 1º volume, às folhas 232 e 234, do Inquérito Policial Militar de 1964. JOSÉ JATAHY, brasileiro, casado, com 53 anos de idade, músico, filho de Carlos Jatahy e Benvinda Costa Jatahy, natural de Fortaleza, onde reside no Palace Hotel, quarto 212. Prestou depoimento às fls. 151. Nota-se sua participação direta no movimento de comunização do Nordeste (fls. 151, 153, 172). Introduziu o comunismo em seu sindicato, na tentativa de mudança do nosso regime, fls.87, 152, 244, 323. Como dirigente do Pacto Sindical, integrou a Frente de Mobilização Popular (fls. 93, 153) trabalhando para a comunização da região, conforme anexos 2A-24, 2A-36 e 2A-7. Já não mais músico brasileiro. Era músico comunista. Empregava sua profissão, arte relevante em motivação psicológica, no aliciamento comunista. Às fls. 54, vamos que, numa organização brasileira, como é o Sindicato dos Ferroviários, não foi o hino nacional brasileiro que ensaiou. Foi a Internacional Comunista. Era este hino que José Jatahy contava reger na pretensa vitória do comunismo em nossa terra. Daí o hino russo, a distância é muito pequena. Apesar de músico, presidiu na qualidade de presidente do Pacto Sindical a reunião subversiva realizada no sindicato dos ferroviários (fls. 172). 120. Ainda na sede desse sindicato, no dia 5 de março de 1964, fez pregação subversiva, incitando a greves e movimento para derribada do poder constituído. Às fls. 345, constata-se a ousadia deste denunciado, chegando a ameaçar o Ministro da Educação de tomar medidas drásticas. É preciso notar a desvinculação profissional de José Jatahy em todos esses meios. O denunciado Jatahy é músico. Penetrava no meio estudantil, no Sindicato dos Ferroviários e em outros centros profissionais tão somente para estimular a baderna, para desmantelar a disciplina e criar ambiente mais favorável à comunização, à mudanças dos princípios constitucionais brasileiros. 

Canção da Juventude

Em nossas mãos está a grande pátria de amanhã
O futuro do Brasil a juventude é guardiã
No trabalho e nas escolas
Há uma missão a cumprir
A miséria e a injustiça
Nós iremos do Brasil logo extinguir
Pelo campo e na cidade
Onde se possa atuar
Imporemos a igualdade para a injustiça terminar
Grande força, nós formamos do grande rincão nacional
E a todos convocamos
Para se unir ao nosso grande ideal (Refrão)
E aqueles que ainda estão a nossa pátria explorar
Que derramemos sangue, mas iremos expulsar
Nunca mais, oh!
Nunca mais
Terá vez o explorador
Grande força, juventude
Cada jovem será um libertador. 



Hino dos ferroviários 

Decididos a vencer 
Confiantes no poder 
Da nossa grande unidade 
Nosso sol vemos praiar 
Luminoso a despontar 
Como a nossa fraternidade 
Quanta luta já passou 
E na história já ficou 
A grande força operária 
Muitas outras hão de vir 
Nós iremos repetir 
A vitória ferroviária 
Ferroviário [bis], tua força empolga a nação 
Ferroviário [bis], muita paz leva-o no coração 
Ferroviário [bis], com nossa voz vai ecoar 
Ferroviário [bis], a injustiça iremos derrubar 
Nossos bravos veteranos 
Os algozes da nação 
É a luta ferroviária 
Sempre unidos lutaremos 
Com toda classe operária 
Quando a locomotiva 
Grita forte sempre altiva 
Com a nossa voz a clamar 
Nosso grito independente 
Neste país continente 
Bem forte há de ecoar.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Quando ele bater na minha porta

Quando bater na minha porta...
Quando me pedir...
...para ser sua!
É amor?
Desejo?
Doce amor
Doce amor correspondido
Soa como um grito.
Meu amor, como em um conto,
Mas é pura realidade.
 
Patrícia Raphael é poeta em Itajaí
                             e-mail: patriciaraphael@yahoo.com.br

quarta-feira, 16 de maio de 2012

De dentro do interior de nossa casa


De dentro do interior de nossa casa
Para fora
Formaram paredes em labirinto
Sem flores nem vinhos
Nem janelas de vidro, de clara água
À paisagem onde alam
Borboletas e udus-azuis

Não vimos nem ouvimos quando
Servos a chicotadas, jamais operários
Trabalharam de pedreiros
Daqui para lá
Nem de onde veio a voz de mover
Como ferramentas
Suas mãos e seus braços

Cerram-nos aqui dentro mudos
E talvez jantássemos nesse tempo
Talvez dormíssemos
Ou nos ocupávamos dos noticiários
Dados como a voz permitia ouvi-los
Mas ainda que encarcerados
Nossa bandeira está aqui

Jamesson Buarque 
Militante do PCB em Goiás e Professor da UFG
jamessonbuarque@gmail.com

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Que papelão

Menina para
com olhar fixo:
separa, revira,
no lixo se atira,
recolhe, que sina,
do fundo o pão
(e batuca o latão).
Ah, sociedade,
que papelão!

Na vida ensina
bem mais que aprende.
Que idade menina?
12… não cresce?
Faminta, adoece
(só 9, eu diria).
P’ra escola? Vai não?
Ah, sociedade,
que papelão!

Por que o sorriso?
No rosto, menina,
marcado de sol,
de alvorada a arrebol.
É por ironia?
“Sétima economia”
(vocifera um ladrão).
Ah, sociedade,
que papelão!

E se chega o canalha?
Na mão a navalha -
que crápula – a domina.
Que vida, menina!
Nem aguenta briga,
(tão cedo, a barriga)
Será filho ou irmão?
Ah, sociedade,
que papelão!

E aquele que preza
a ordem, a família alva.
E chora: ora ou reza,
e quer sua alma salva,
de olho em cargo eleito
(pra nada fazer pós pleito).
Esse é o verdadeiro “Cão”.
Ah, sociedade,
que papelão!

Fábio Henrique de Carvalho

http://coisacoisamente.wordpress.com/2012/05/05/que-papelao/

sexta-feira, 4 de maio de 2012

1º de Maio com poesia


Pesquisadores da UFMG celebram o Dia Internacional do Trabalho com antologia eletrônica de poemas sobre trabalhadores
O Dia Internacional do Trabalho está chegando. Para celebrar a data, algo adequado na Faculdade de Letras é divulgar sistematizadamente uma parte da cultura que faz de trabalhadores, personagens do povo, os protagonistas de muitos versos. Poemas brasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público tem justamente este foco. A obra inclui textos de Alvarenga Peixoto, Augusto dos Anjos, Castro Alves, Cruz e Souza, Fagundes Varela, Luiz Gama, Machado de Assis, Maria Firmina dos Reis, Olavo Bilac, Tomaz Antônio Gonzaga e Vinicius de Moraes.
São autores que faleceram há 70 anos ou mais, e por isto suas obras são legalmente consideradas de domínio público. A exceção é Vinícius de Moraes (1913-1980), cujos herdeiros de direitos autorais liberaram antecipadamente parte da obra, para publicações sem fins comerciais, por meio da Coleção Brasiliana (www.brasiliana.usp.br ) do Instituto de Estudos Brasileiros sediado na USP. Poemas, crônicas e canções do “poetinha” podem ser encontrados também no sítio eletrônico www.viniciusdemoraes.com.br.
A antologia de poemas foi organizada por pesquisadores da UFMG que desenvolvem na Faculdade de Letras há três anos análise linguística de discursos sobre trabalhadores, incluindo o discurso literário, além do jornalístico, do histórico e do educacional. Coordenado pelos professores Antônio Augusto Moreira de Faria e Rosalvo Gonçalves Pinto, o LINTRAB (Grupo de Estudos em Linguagem, Trabalho, Educação e Cultura) envolve estudantes de graduação, que fazem sua iniciação científica, e de pós-graduação.
Como destacam os coordenadores do projeto na introdução do livro, “o trabalho humano consolida hábitos, valores, crenças – cultura, enfim”. Daí a importância de estudar textos que tragam em primeiro plano os personagens trabalhadores e a temática do trabalho. A distribuição gratuita na internet, por sua vez, busca contribuir para a difusão dos textos, tornando-os facilmente acessíveis aos próprios trabalhadores, como também a estudantes e outros interessados no assunto.
Informações:   lintrab@ufmg.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Livro: Poemas brasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público
Organizadores: Antônio Augusto Moreira de Faria, Rosalvo Gonçalves Pinto (professores coordenadores), Fernanda Barbosa Moraes, Fernanda Gonzaga, Júlia Batista Castilho de Avellar, Letícia Lucinda Meirelles, Lucas Morais Retes, Luciana Martins Arruda, Luísa Gaspar Andrade, Luiz Paixão Lima Borges, Maria Juliana Horta Soares, Pauliane Santos Coelho, Priscila Lopes Viana e Rosa Maria Saraiva Lorenzin (estudantes).
Edição: Faculdade de Letras da UFMG - Coleção Viva Voz (Laboratório de Edição - LABED), 2011
Disponibilizada gratuitamente no endereço eletrônico:
http://www.letras.ufmg.br/vivavoz/data1/arquivos/poemastrabalhadores-site.pdf

quarta-feira, 2 de maio de 2012

As Mulheres da Comuna 17 de abril - Poesia de Juan Lima

As Mulheres da Comuna 17 de abril
(Ocupação Urbana em Fortaleza/Ceará)




Barracos, muriçocas...
Na rua da paz a miséria, fome...
Mas também a alegria, coragem.
Muita dor, curada com o calor de abraços.

Na rua da felicidade a lama...
Mas nasce flores por todos os lados.
Rosas, Joanas, Margaridas, Marias...
Todas Marias de peitos abertos rasgando o chão,
fazendo história. Histórias feridas,
cravadas de dor, curadas cotidianamente com amor,
sorrisos, punhos firmes, gritos fortes e agudos,
que ecoam pelos ares...


Florescem e se multiplicam, Rosas, Marias, Joanas.
Margaridas por todos os lados.
Elas avançam...
e eu homem, me sinto mais seguro e sensível.


Juan Lima  UJC/Ceará

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pirataria - Poesia de Patrick Osorio

Ah a pirataria!!!!
E por que não?
Eu defendo sim!
Um PDF sobre privataria!
Um download de um pancadão!
Um jogo pra Playstation Slim

Isso é contra a lei!
Disso eu já sei!!
Sei que é ilegal
Mas me diga que não é legal?

Direitos Autorais
Me diga quem são seus pais
Uma ideia louca(de uma velha rouca?)

Se eu inventei o direito é meu
E foda-se o seu
Mas e o conhecimento que me baseei?
Desse eu não quero saber!
Pensou que eu ia rimar?
Que me importa lucrar!

Conhecimento
Patrimônio cultural
Patrimônio mundial
Ou patrimônio Capital?

Pirataria, qual sua função afinal?
Pra que se possa ter acesso, a este universo
De DVD a dois real! Será que sou perverso?
Será que sou o Dath Vader? Trocando o bem pelo mal?

Ah a pirataria!!!!
E por que não?
Eu digo vários “sims”!
Uma cópia de pornografia!
Um xerox de um livrão!
O terceiro jogo do the Sims


Patrick Osorio de Melo dos Santos
PCB/Sabará-MG

terça-feira, 24 de abril de 2012

S.A. Poesia de Sidney de Moura

Todos os sorrisos brilham
Seguidos de olhares desencontrados
Olhos inspecionando o espaço
A espera do surpreendente abraço
Inesperado

Hoje

O calor não se mistura
Transita sem frescura
Nada flácido
Revestido de armadura.

Robocop noturno
Sem gingado
Rebolado
Sem bulir
Sem bailado

Que S.A. é essa
Que por mais que se peça
Emsimesmada
Não se apresenta

Que coisa!
Ao final estende a mão
Sinaliza sem revide
Chama e não divide
O táxi da madruga.

Já foi o Tempo...
“Taxista siga aquele carro”

Pe-rigo! Pe-rigo!


SIDNEY DE MOURA

Quem sozinho afronta a frota - Poema de Gilson Ribeiro


Quem sozinho afronta a frota,
desperta pena,
atrai o riso.

Quem sozinho em esquálida bravata
brande a débil altivez.

Quem, minúsculo no requadro,
sussurra seu brado:

os fardados não são páreos
para os párias!



GILSON RIBEIRO

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Somos Rosas - Poesia de Ana Carolina Ferreira

Cheiro de rosas
Rosas ao vento
Quantas são as rosas
Que vivem neste mundo?

Rosas cheirosas
E rosas medíocres
Rosas das mais belas
Belas e coloridas

Eu sinto a brisa
E o cheiro de flores
Somos as rosas
Eu Margarida

Somos Rosas Brancas
Delicadas e singulares

Somos Violetas
Tão pequenas e tão sutis

Somos Girassóis
Acenando para o sol
Dando adeus à solidão
E se entristecendo na escuridão

Somos Lírios,
Somos Lilases
Somos Damas-da-Noite
Somos Copo-de-Leite

Mas cuidado companheiro!
Somos mulheres!
Somos rosas,
e temos espinhos!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

ESTÁ NO AR A HISTÓRIA DO PCB (PARTE 1) EM QUADRINHOS!







Camaradas, companheir@s e amig@s,concluímos a primeira parte do projeto de produção da História do PCB em Quadrinhos. Os arquivos estão disponíveis para download na página do Partido Comunista Brasileiro (www.pcb.org.br).
Durante o Congresso da UJC (União da Juventude Comunista), sairá uma tiragem impressa para distribuição.

Para acessar a História em Quadrinhos do PCB, clique nos links abaixo:

Arquivo 1 Arquivo 2 Arquivo 3 Arquivo 4

O trabalho foi todo desenvolvido a partir da colaboração voluntária de desenhistas de quadrinhos, alguns deles profissionais, que participaram do Concurso Nacional divulgado pela página do PCB: feras como Rosali Colares, Alex D'Ates e Luciano Irrthum. Daniel Oliveira e Márcio Rodrigues foram responsáveis pelo roteiro e argumentos, com supervisão de Ricardo Costa. Dario Silva produziu a capa e Luiz Coutinho fez a diagramação e ainda colaborou com desenhos, revelando uma face até então pouco conhecida deste camarada, sempre solicitado pelo PCB para trabalhos gráficos.
O resultado final é impactante e belo, pela obra artística sensível dos desenhistas, cujos desenhos mágicos deram forma a histórias que jamais poderão ser apagadas. Mas também o é em virtude da fantástica história de lutas abordada e que envolveu tantos homens e mulheres neste país, os quais dedicaram suas vidas em prol da erradicação da exploração e pela construção de novas relações entre os povos, fraternas e justas.
Este resultado só foi possível graças ao trabalho solidário e entusiasmado de todos aqueles que participaram do projeto desde o início. O PCB, ao longo de toda sua história, sempre contou com o apoio de pessoas que, mesmo tendo no peito o ardor da justiça, não militam organicamente em nossas fileiras. Amigos que nos esconderam da prisão,da tortura e da morte, quando estas bateram às nossas portas. Amigos que disponibilizaram seus jornais
e revistas para que nossas ideias, censuradas, pudessem aflorar. Amigos que exigiram a legalidade do Partido, mesmo nele não estando filiadas, que choraram conosco as nossas perdas e reveses, que nos estenderam as mãos...
Esta é a história do PCB, uma história feita por combatentes e militantes, mas também pelos seus amigos e simpatizantes!
Em breve estaremos produzindo o volume dois, que abordará a história do Partido das lutas contra a ditadura civil-militar de 64 aos dias atuais. Quem gostou da experiência e quiser contribuir para o próximo volume, será um grande prazer.
A HQ do PCB será mais um instrumento de trabalho político e de formação da nossa militância, para divulgação da história de lutas do PCB, no ano em que comemoramos os 90 anos de fundação do Partido. É também material fundamental de difusão da linha política e ideológica atual.
Forte abraço a todos e boa leitura!

Daniel Oliveira - militante do PCB de Minas Gerais e editor do Blog Cultural Rosa do Povo
Ricardo Costa (Rico) - Secretário Nacional de Formação Política do PCB

http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=3887:esta-no-ar-a-historia-do-pcb-parte-1-em-quadrinhos&catid=56:memoria

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Olha sua Imagem diversa

Olha sua Imagem diversa
Que espelha a miséria
Que gela a costela
De fome tão séria
De Justiça na gleba
... Plural que é a terra dos homens.

Por tão elástica ser a condição humana
Esse reflexo não copiado
É o elo de nossa tão fadada tarefa

Tarefa essa de construir uma fuga da cela
Da alienada constituição da realidade que cancela,
Ao natal, toda a potência das almas humanas
De se desenvolverem

Livres,

Emancipadas

E Belas.

Leonardo C. de Albuquerque
PCB/RJ

terça-feira, 17 de abril de 2012

Minha conversão

O ontem!
E o hoje...
Projetam dias...
Sempre iguais! 
Horizontes sempre iguais.
E Itajaí está tomada.
Pelo tédio.
Bem comum.
De quem não sabe...
... para aonde quer ir!
Fico em casa entediado.
Sentimento bem comum
Para quem não sabe...
... para onde vai!
Itajaí tem um aspecto  nebuloso
Bem comum em cidades
Que se verticalizam!
E ganham os céus…
Itajaí do hoje
Itajaí do ontem
Tediosa & nebulosa!
Sentimentos bem comuns...
Para quem não sabe para onde vai
Ou de aonde veio!
 
Samuel Costa é poeta em Itajaí

domingo, 15 de abril de 2012

Texto de L. C. Albuquerque

Me admira as cores inquietas que rompem da madruga cinza sua mansidão
Insatisfeita com o raiar de dias formais e sem brilho

Dessa rotineira quietude desbrava o canto de um novo alvorecer
Uma juventude vermelha na rua se coloca a transpirar fagulhas de vontade
... E fazer parte dessa juventude, que canta o amanhã
E vive mais interinamente que qualquer um esses dias opacos,
Me enche o espírito de uma aura vermelha e indomável

Fazer parte disso tudo me da a certeza que outro mundo é possível
E que essa rapaziada é quem pintará, rimará, dançará, esculpirá o sorriso dos que virão depois deles

Dando-lhes a pura liberdade de expressar suas almas.

Leonardo C. de Albuquerque

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O poeta e os apressadinhos


imagem


Jacques Gruman

Queria falar sobre ETs e a origem da vida na Terra (sem a permissão dos criacionistas), com pinceladas de Rod Serling e Robert Wise. Fica para a próxima. No meio do caminho, fui atropelado – e não fui o único – por um poema-bomba e não vou jogá-lo fora com um peteleco blasé. Simplesmente não dá.
Quem é que ia dar bola para um poema, menos de trinta linhas, publicado num pequeno jornal do sul da Alemanha? Acontece que o autor era Günter Grass, prêmio Nobel de literatura, e o alvo uma suposta ameaça de Israel à paz mundial. Um bombardeio pesado veio em reação. Foi do patético (a embaixada israelense em Berlim não teve pudor em divulgar uma nota, enquadrando Grass na mitologia antissemita do assassinato ritual de gentios antes da Páscoa judaica) ao comedido.  Creio que vale a pena olhar de perto o que está por trás dessa situação. Senão, caímos na histeria e no assassinato da Razão.
Grass, é verdade, serviu, por um breve período e no final da Segunda Guerra Mundial, na SS, a tenebrosa tropa de elite nazista, responsável por crimes hediondos. Era um adolescente que, como tantos outros, foi provavelmente forçado a se alistar no ocaso do Terceiro Reich, quando começavam a escassear recrutas. A ligação com a SS foi um dos argumentos usados para desqualificar o grande escritor alemão e acusá-lo de antissemita. Ora, sem levar em conta as circunstâncias em que ele esteve na SS e a idade que tinha (quantos de nós estão completamente amadurecidos com dezessete anos ?), é imoral julgá-lo. Mais do que isso. Tristão de Athayde, San Tiago Dantas e Dom Helder Câmara, para ficar nos mais conhecidos, foram integralistas na juventude. Dantas chegou a contribuir para o jornal dos galinhas verdes em São Paulo. Todos mudaram e, cada um à sua maneira, deram importante contribuição humanista para a política brasileira. Se a lupa congelasse nos anos 1930, seriam execrados.
Grass ousou criticar a pusilanimidade com que a comunidade internacional trata o único estado nuclear do Oriente Médio: Israel. O Estado judeu tem um arsenal atômico não determinado (calcula-se em algumas dezenas de bombas), tecnologia militar para alcançar qualquer país da região e se recusa a admitir fiscalização independente (a mesma que exige, junto com seus aliados, do Irã). Não assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e obteve parte do material, que usou para fabricar as bombas, da África do Sul, durante o regime de apartheid. Será que é ser antissemita exigir ao menos igualdade de tratamento para as potências nucleares ? O escritor alemão criticou a hipocrisia do Ocidente, que troca de lentes quando olha seus aliados. Nisso, estou com ele. Serei um ingênuo perigoso ? Terei auto-ódio ? Cartas para a redação.
Grass é “culpado” pela militância pró-palestina. Ah, isso não lhe perdoam os que igualam, de forma pueril e inconsistente, antissionismo e antissemitismo. O primeiro, é uma forma de manifestação política legítima, com a qual, ao longo da História, muitos judeus se identificaram. Ninguém é obrigado a concordar com ele. Os que discordam, com argumentos igualmente legítimos, podem lutar com seus adversários no terreno adequado: a política. O segundo, é uma patologia múltipla, com braços religiosos, psicológicos, sociais. Claro que há casos em que um se aninha nos braços do outro, a política servindo de biombo para a patologia. Isso, no entanto, não é, em absoluto, obrigatório.
Grass vocalizou uma preocupação verdadeira: o que acontecerá caso Israel lance um ataque contra o Irã ? Se isso for antissemitismo, muitos israelenses se enquadram no figurino, a começar pelos escritores David Grossman e Amos Óz. Grossman, que perdeu um filho num dos conflitos com o Líbano, chegou a dizer que, caso aconteça, o ataque será “uma aposta selvagem, apressada, passível de mudar o futuro completamente, de maneira que eu sequer me atrevo a imaginar”. O fato de Grass ser alemão tira-lhe o direito e o dever de pensar sobre ações que envolvam um Estado nacional e, dentro dele, os judeus ?
Leio que o governo israelense proibiu a entrada de uma missão da ONU, criada para apurar o impacto dos assentamentos judaicos sobre a população palestina. Em 2010, autoridades israelenses deportaram uma prêmio Nobel da Paz (certamente uma ameaça perigosíssima à segurança nacional). Os falashas, judeus etíopes que vieram com fanfarras, protestam contra a discriminação. Será que criticar essas e outras mazelas deve ser monopólio dos patrícios ? Se os críticos não pertencerem à tribo, serão antissemitas ? É tão constrangedor que me faz lembrar um personagem do seriado Seinfeld, um dos meus vícios declarados. É o tio Leo (uncle Leo). Judeu, ele via antissemitas em todos os cantos. Serviam-lhe um hambúrguer mal passado na lanchonete ? O cozinheiro é antissemita ! Não conseguia um bom lugar na sinagoga ? O rabino é antissemita ! A paranoia do Leo é engraçada na televisão. Na vida real, não tem graça nenhuma.

Sugestão 1: Leiam o poema de Grass (What must be said) na íntegra. É fácil encontrar na internet. Não fiquem apenas em trechos, que dão uma ideia muito pobre do conteúdo.
Sugestão 2: Leiam o artigo de Guila Flint , sobre a decisão do governo israelense proibir a entrada de Günter Grass no país.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/04/120409_guntergrass_israel_gf_ac.shtml

quarta-feira, 11 de abril de 2012

VÍTIMAS DO DESCASO - Poesia de William Alexandre

Eis que o céu desaba novamente
diante de nossos olhos,
Para lembrar-nos da dor
que nunca conseguimos esquecer.
Eis que numa simbólica data
Recai sobre nós como o peso do destino
A angústia de nossa perda.
E em nossos ombros suportamos
Toda nossa omissão consentida.
E aqueles que se foram não aparecem
como fantasmas a nos atormentar,
Mas como testemunhas de uma certeza:
Acidentes não acontecem se podíamos evitar

Essa chuva: são lágrimas,
As nossas e daqueles a quem condenamos
com nossa indiferença.
Como se o próprio Deus que inventamos
para livrai-nos do mal
Viesse agora nos punir pelos erros
Que sabíamos que estávamos cometendo.
“Não somos políticos, não somos de esquerda”
E enquanto outros decidiam o que queriam ser,
E como deveríamos viver,
A realidade desabava ante nós,
E as vidas escorriam pelas mãos da morte.
Uma tristeza tão concreta que discurso algum
Pode relativizar.

Duas vezes um mesmo povo fora castigado
A primeira vez pela pobreza,
a segunda por ser pobre.
Os anos passam e a história se repete.
A primeira vez era tragédia,
Desde então tudo parece farsa,
Egoísmo e incompetência.
E assim continuaremos a viver
Até que sejamos capazes de perceber
Que somos nós que fazemos a história
E que, se não está ao nosso alcance
Voltar e fazer um novo começo,
É nosso dever, e isso não se pode negar,
Que podemos ainda fazer um novo fim.
William Alexandre
 
OBS: Há exatos 2 anos um forte período de chuvas atingia o Rio de Janeiro. Centenas de pessoas morreram em diversos municípios como Friburgo, Teresópolis, Volta Redonda e Niterói. As mortes, no entanto, não foram resultado do acaso, ou mera fatalidade. Pelo contrário, são o resultado da indiferença histórica dos governos para com as classes populares. Até hoje, diversas famílias continuam sem lugar para morar pois, quando há, o aluguel social não é suficiente. Tudo isso é parte da estratégia covarde de criminalizar a pobreza e responsabilizar a classe trabalhadora por não ter escolha. Estamos de luto, mas só porque ele é parte da nossa recusa de aceitar tal mundo, e de nossa luta para transformá-lo.

Parada do Velho Novo

Eu estava sobre uma colina e vi o Velho se aproximando, mas ele vinha como se fosse o Novo. Ele se arrastava em novas muletas, que ninguém antes havia visto, e exalava novos odores de putrefação, que ninguém antes havia cheirado. A pedra passou rolando como a mais nova invenção, e os gritos dos gorilas batendo no peito deveriam ser as novas composições. Em todas as partes viam-se túmulos abertos vazios, enquanto o Novo movia-se em direção à capital. E em torno estavam aqueles que instilavam horror e gritavam: Aí vem o Novo, tudo é novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós! E quem escutava, ouvia apenas os seus gritos, mas quem olhava, via tais que não gritavam. Assim marchou o Velho, travestido de Novo, mas em cortejo triunfal levava consigo o Novo e o exibia como Velho. O Novo ia preso em ferros e coberto de trapos; estes permitiam ver o vigor de seus membros. E o cortejo movia-se na noite, mas o que viram como a luz da aurora era a luz de fogos no céu. E o grito: Aí vem o Novo, tudo é novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós! Seria ainda audível, não tivesse o trovão das armas sobrepujado tudo.”

Bertold Brecht

terça-feira, 10 de abril de 2012

Quando e por que nascemos

imagemCrédito: PCB



Aos 90 anos do PCB (1922-2012)







Não sei quantos anos temos.
Sei que festejamos hoje 90 anos
porque nascemos em 1922.
Mas, talvez tenha sido antes,
talvez tenhamos nascido em 1917
quando os trabalhadores russos
iniciaram a construção do futuro,
ou foi em 1919 quando na Internacional
sonhamos sonhos planetários.
Talvez tenha sido antes ainda.
Em 1871, na Paris Revolucionária da Comuna
ou em 1848, quando os trabalhadores
levantaram-se para falar com sua própria voz.
Não sei, mas talvez tenha sido antes.
Quando dois alemães se encontraram
e viram o mundo através de nossos olhos
nos mostrando o caminho da emancipação.
Mas talvez não.
Talvez tenha sido há muito mais tempo:
quando um trabalhador
olhou para suas mãos
e percebeu que não eram mais suas mãos.
Quando olhou para seus pés e viu
que a terra não era mais a sua terra.
Não sei, mas acredito que foi ali que nascemos.
Talvez por isso é que nascemos.
Talvez por isso vivemos tanto tempo.
Talvez por isso resistimos.
Talvez por isso estejamos aqui hoje
para dizer aos trabalhadores:
_ Olha, esta são suas mãos,
são seus os produtos do trabalho.
_ Olha, esta é tua terra,
são nossos seus frutos.
_ Coragem, levanta a cabeça e veja:
olha este sol que se insinua
por trás das nuvens que o escondia.
Não há noite tão longa que derrote o dia.
Veja como tinge de vermelho o universo.
_ Levanta tua mão, camarada, assim...
agora fecha o punho, isso...
Lembra como era aquela canção?
Coragem, vocês nunca estarão sozinhos
Porque aqui estamos camaradas.
Por isso nascemos.
Por isso lutamos tanto.
Por isso sobrevivemos.
É por vocês camaradas
que fomos, que somos, que seremos
sempre
Comunistas!

Mauro Iasi
março de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Vamos celebrar a solidariedade internacional à Angye! NÃO MAIS PRESOS POLÍTICOS NA COLÔMBIA!

Reservem o fim de tarde de sábado 14 de abril! Ato em solidariedade a poeta colo...mbiana Angye Gaona (com a participação dela via videoconferência) e com o fantástico grupo CANTO LIBRE, entoando o cancioneiro de luta latino-americano! Tragam poesias, canções e cenas!!! Vamos celebrar a solidariedade internacional à Angye! NÃO MAIS PRESOS POLÍTICOS NA COLÔMBIA!


Mais info:https://www.facebook.com/events/148086915317511/

TECIDO BRANDO
Angye Gaona

Calma e tino te digo, peito brando.
Não queiras conter toda a água dos mares.
Toma uns litros de ondas bravas,
de espuma fera.
Deixe que se encrespe dentro de ti,
cavalo afrontado,
mas não domes esta água
que o tempo a requer viva
e pulsante.
Respira e prepara-te, peito brando.
Não queiras conter todo o ar dos abismos,
toma só o de tua pequena inspiração,
o acaricie por instantes,
o sussurre como se ao último alento
e o deixa livre ir ali,
aonde tu também querias:
vasto, imenso, indistinto.
Sopra forte o que guardas.
Não recolhas mais lágrimas, peito brando.
E se um menino preso chora, dirás,
e se um homem é torturado, dirás.
Que não é tempo de guardar a ira, te digo.
É momento de forjar e fazer luzir
o fio da navalha.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

UM MINUTO


O que é um minuto em nossas vidas?
Na sua? Na minha? Na de todos?
Pode ser tudo,
Pode não ser nada.

Em um minuto:
Uma vida nasce,
Enquanto outra é ceifada.

Um minuto pode significar:
Uma felicidade,
Uma tragédia,
Um encontro,
Um desencontro,
Um aceno para a paz,
Uma declaração de guerra.

Um minuto em nossas vidas,
Pode significar:
Um abraço de reconciliação,
Um beijo de união,
Um ato de traição,
Um coração que pára,
Uma boca que fala.

Um minuto parece não ser nada,
Mas é tempo que não se repete,
Uma dor causada a alguém,
Uma calúnia contra um amigo,
Um encontro de dois corações,
Duas vidas se unindo em uma só.

Um minuto pode ser tudo,
Também pode não ser nada.
Depende do momento,
Da ocasião,
Da situação,
De mim, de você e de todos.

Antônio Francisco Cândido
Membro Correspondente da A.C.L.A.C. Arraial do Cabo - RJ.
 


sexta-feira, 30 de março de 2012

CELA – 6

A hora dos
capuzes negros
é a hora mais negra
... dos prisioneiros.

Descer às cegas
pelas cascatas
apalpando paredes
adivinhando fissuras

Pisando superfícies
escorregadias
de sangue
e urina.

Às cegas.

Eis que me retornam
vestes, sapatos,
óculos, relógios.

Bolsa povoada
de lenços, moedas,
inúteis estojos.

Despojada até aos ossos
não sei o que fazer
de meus despojos.

Lara de Lemos

quarta-feira, 28 de março de 2012

Poema 90º aniversário do PCB feito no Expresso Vermelho

Eu tenho um sonho
E corro atrás desse sonho!!!

De um mundo melhor
De paz e igualdade

Solidariedade ao socialismo e ao comunismo
A sociedade e a comunidade

Diáspora a revolução
Que se expalhe o socialismo
90 Anos do PCB
E viva o Partido Comunista Brasileiro

Nas ruas, nas praças, operários e camponeses
Nasce o novo homem, justo, social e igual
Nasce o novo povo
Que se reconhece como povo
Homens e mulheres que do presente
Construirão o Futuro!!!


Poema escrito pela Delegação Expresso Vermelho PCB Minas
Transcrição: Daniel Cristiano
PCB 21 - Ipatinga/MG