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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Bonde da Cultura no VI Congresso da UJC - VAMOS DERRUBAR O SISTEMA e VAMOS LUTAR



O Bonde da Cultura, da comunidade Jorge Turco, em Coelho Neto, mais uma vez atendeu o convite da União da Juventude Comunista e esteve presente na abertura de nosso VI Congresso.

O Rap Combativo do Bonde da Cultura emocionou a todos e mostrou que é possível fazer arte crítica e de qualidade, sem se render à lógica do Capital. Pelo contrário, suas letras e sua atitude mostram sua convicção política e consciência de classe. E uma transformação do mundo deve necessariamente ser acompanhada da transformação de nós mesmos. E uma das formas de fazê-lo é através da arte.

A UJC tem orgulho de lutar ao lado de companheiros como esses, valorosos, talentosos e militantes. Uma verdadeira revolução só poderá ser construída com pluralidade, solidariedade e muita luta.

Mais uma vez obrigado companheiros!!!

Fonte: http://pcb-uberaba.blogspot.com.br/

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Violeta foi para o Céu - Trailer legendado




Antes de Bob Dylan, no sul do mundo, houve Violeta Parra, a mãe do folk latino-americano.

Sinopse: "Violeta Foi para o Céu" conta a história de uma famosa cantora e folclorista chilena, Violeta Parra, preenchida com seu trabalho musical, suas memórias, seus amores e esperanças. O filme traça sua evolução, da infância humilde até se transformar em sensação internacional e heroína nacional, com a intensidade de suas contradições internas, falhas e paixões.


MAIS INFORMAÇÕES:
Vencedor do Sundance Film Festival 2012, como Melhor Filme.
Vencedor do Prêmio do Público em Toulouse - Latin American Film Festival

Título original: Violeta se fue a los cielos
Direção: Andrés Wood
Roteiro: Eliseo Altunaga, Rodrigo Bazaes, Guillermo Calderón e Madeira Andrés
Produção Executiva: Patricio Pereira, Pablo Rovito, Fernando Sokolowicz, Denise Gomes e Paula Cosenza
Fotografia: Miguel Littin Ioan (AEC)
Música: Violeta Parra
Distribuição: Imovision
Gênero: Drama
País: Chile, França, Argentina e Brasil.
Ano: 2011
COR
Tempo: 110 min.

Elenco: Francisca Gavilán, Cristián Quevedo, Thomas Durand, Luis Machín, Gabriela Aguilera, Roberto Farias, Patricio Ossa, Stephania Barbagelata, Tagle Marcial, Jorge López, Roxana Naranjo, Francisca Durán, Guiselle Morales e Juan Quezada.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Desenho de Gilson Ribeiro

https://www.facebook.com/gilson.ribeiro.583/photos

Até onde sei



Até onde sei,
As esquinas escondem
Não mais, não menos,
Bandidos, políticos e crentes.
Eu estive lá com tudo o que desperdicei,
Com os vagabundos que emergem
Na marginalidade de gravata,
E nos becos escuros onde
Um aperto firme de mão
Garante uma boa facada.
Até onde sei,
A charada das esquinas
Reuniu na encruzilhada,
Poetas, amantes e sonhadores,
Eles estiveram lá comigo,
Com os poetas boêmios,
E todos os amantes decadentes,
Num giro incessante e enjoativo,
Frente à frente,
Com o espelho
Dos bandidos, políticos e crentes.
Até onde sei, sei disso.



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Poema em homenagem aos 85 anos da União da Juventude Comunista


Nossos sonhos jamais envelhecem!

Eis a grande juventude da alvorada,
Erguendo a esperança trabalhadora,
Abrolhando das brechas do asfalto
E dos solos interioranos,
Proclamando para os quatro ventos: “Terra, dignidade, paz e liberdade”!
Quando para ultima luta
Contra os algozes da vida chegar,
Nós, camaradas, estaremos lá.
Quando para as lágrimas precisarem escorrer
Para ao chão tocar
Diante da dor, cansaço e tristeza,
Nós camaradas estaremos lá!
Quando para empunhar nossos sonhos
Diante da cicatriz da realidade petrificada em nossas peles
E por justiça, honra e igualdade lutar;
Nós, camaradas, estaremos lá!
Somos poucos,
Mas verdadeiros
E quando pelos camaradas a união da juventude comunista clamar,
Ao fundo escrevendo e imortalizando a história da classe trabalhadora,
Você nos terá!

                                                                                                                                 

Te doy una canción: viva o 59o aniversário de Moncada


imagemCrédito: fbcdn.net


Por Mauro Iasi
Martí me habló de la amistad
ycreo en élcadadía,
aunque la crudaeconomía
ha dado luz a otraverdad.
Silvio Rodriguez

No dia 26 de julho de 1953 acontecia o Assalto ao Quartel Moncada e dava início à Revolução Cubana. Muito já se falou desta incrível experiência e muitas são as preocupações que cercam o atual momento e as perspectivas desta Ilha revolucionária (ver, por exemplo o artigo Três originalidades e um velho caminho, na revista eletrônica Múltiplas Leituras, v. 2, n.2, 2009). Hoje quero tratá-la de uma maneira diferente.
Evidente que todos nos preocupamos com a situação atual e sabemos que as experiências históricas, por mais valorosas que sejam, não dependem apenas da disposição moral e da decisão política de resistir. Mas falemos um pouco disso, da disposição de seguir em frente, da arte de resistir.
Silvio Rodriguez, compositor cubano e um dos protagonistas do movimento chamado “Nova Trova”, tem sido uma voz poética e lúcida desta resistência. Em uma musica chamada “El Necio”, Silvio diz:

Dicen que me arrastarán por sobre rocas
cuando esta revolución se vengaabajo,
que machacarán mis manos y mi boca,
que me arrancaránlosojos y elbadajo.
Será que lanecedadparióconmigo,
lanecedad de lo que hoy resulta necio:
lanecedad de asumiralenemigo,
lanecedad de vivirsintenerprécio.
Yo no sé lo que és el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios que será divino.
Yo me muero como vivi.

Néscio, como vocês sabem, é alguém estúpido, ignorante. Seremos, então, estúpidos por acreditar naquilo que acreditamos? Logo no começo da mesma canção, Silvio nos conta do assedio daqueles que nos prometem fazer-nos “únicos”, nos garantir um “lugarzinho em seus altares” e para isso nos convidam ao arrependimento, tentam nos convencer a que não percamos a oportunidade, diz o poeta cubano, “me vienen a convidar a que no pierda, me vienen a convidar a indefinirme, me vienen a convidar tanta mierda”.
Ele mesmo, na epigrafe que segue a letra no encarte do disco, explica que se trata de uma canção de marketing, de preços e esclarece: “y para que nadie se imagine que soy santo, voy a ponerel mio (précio, por ahora): El levantamiento Del bloqueo a Cuba y La entrega incondicional del território cubano que EEUU usa como base naval en Guantánamo”.
Há um fator, imponderável, que aqui se apresenta e que é inseparável da experiência da Revolução Cubana: a dignidade. Em tempos como os nossos, de desilusão, de indignação vazia, nada melhor que nos colocarmos diante de um exemplo de dignidade consciente, humanamente intransigente, politicamente convicta. Em outra musica que trata do mesmo tema, “El Baile”, Silvio nos fala das armadilhas daqueles que querem nos convencer a participar desta ordem injusta e sanguinária, nos oferecendo as benesses que cabem aos que se rendem – “rondándonos, cercándonos para inmovilizarnos”–e nos alerta:

No voy, no vas
aljuego del disfraz,
coristatú y amor de estearlequín
romántico -al menoshasta el fin-,
imposmodernizable.

Que expressão mais precisa e feliz: “impósmodernizável”. O poeta arranca de seu peito as notas que fazem voar as palavras. Suas trovas nasceram quando ainda era soldado e por isso canta: “te doy una canción como un disparo”. Em um programa recente de televisão ao ser entrevistado recebe uma pergunta: você se considera um cantor oficialista? E Silvio responde:
Veja, se é da Revolução Cubana que estão falando, da Revolução que comandou Fidel e que deram continuidade tanta gente valiosa como foi Raul, Che, Camilo e toda esta gente, se é a isso que estão se referindo, digo: como muita honra, muitíssima honra ser oficialista desta Revolução. Do que eu não gostaria de ser “oficialista” é daqueles que lançam bombas em Iraque ou Afeganistão (...) que tentaram invadir Cuba (...), isso sim, para mim seria uma desonra e uma vergonha oficiar semelhantes idéias.
Neste mês de julho, por ocasião do VI Congresso da UJC, tive o prazer de participar de um seminário internacional com representantes de várias organizações de jovens de nossa America Latina. Entre eles estava Hanói Sanches Rodrigues da UJC de Cuba e Secretário geral da FMJD, uma federação mundial de jovens. Em seu depoimento no qual reafirmou a firme decisão da juventude cubana em seguir lutando pela construção do socialismo mesmo diante dos grandes problemas e desafios que se apresentam diante deles, lembrou de tempos difíceis em Cuba, quando estudava e havia grandes cortes de luz e ele e dezoito companheiros seguiam estudando à luz de uma pequena lamparina.
Nosso comandante, Che Guevara, nos dizia em suas reflexões sobre a economia e a construção do socialismo o seguinte:
O socialismo econômico sem a moral comunista não me interessa, dizia Che. Lutamos contra a miséria, mas ao mesmo tempo lutamos contra a alienação. Um dos objetivos fundamentais do marxismo é fazer desaparecer o “interesse individual e também, das motivações psicológicas. Marx se preocupava tanto com os fatos econômico como sua tradução na mente. Ele chamava isto de “fatos de consciência”. Se o comunismo descuida dos fatos de consciência pode até se tornar um método de distribuição, mas deixa de ser uma moral revolucionária. (Entrevista com Jean Daniel, sob o título “La profecia del Che”, in Carlos Tablada Perez – Ernesto Che Guevara, hombre y pensamiento: el pensamiento econômico del Che. Buenos Aires, Antarca: 1987, p. 45.)
Para nós esta concepção é que fundamenta o poema de Silvio Rodriguez que utilizamos como epígrafe e que diz que “Martí nos hablo de la amistad e creo nel en cada dia, aunque la crud economia ha parido otra verdad”. O próprio Che é que conclui que:
Não se trata de quantas gramas de carne se come ou quantas vezes por ano alguém pode ir à praia, nem de quantas belezas que vem do exterior possam ser compradas com os salários atuais. Trata-se, precisamente, que o indivíduo se sinta mais pleno, com muito mais riqueza interior e com muito mais responsabilidade.
Talvez isso explique, talvez não, este elemento de humanidade que encontramos na revolução cubana, esta firme e digna decisão de resistir. Não sabemos o que virá – “Yo no sé lo que és el destino”- , mas saudamos o aniversário do assalto ao quartel Moncada, abraçamos aos nossos camaradas cubanos e lhes agradecemos por ter mantido vivo nosso sonho por todo este tempo.
Nós somos como aqueles estudantes entorno de uma lamparina. Lá fora muitos são os que estão aceitando o convite para o baile em que a corte nos espera para derramar nosso sangue no altar do capital e depois festejar os índices de crescimento econômico. Eu, por meu lado, trocaria de bom grado a pujança do crescimento capitalista brasileiro pela dignidade de apenas um daqueles jovens cubanos.
Por isso cantamos com Silvio:

Quetiemble la injusticiacuandolloran
losque no tienen nada queperder.
Quetiemble la injusticiacuandollora
elaguerrido pueblo de Fidel
quetiemble la injusticiacuandollora
elaguerrido pueblo de Fidel.

Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, presidenteda ADUFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e PesquisasMarxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser daconsciência (Boitempo, 2002). Colaborapara o BlogdaBoitempo mensalmente, àsquartas.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

SARAU DO CAS - BRASIL & CUBA um mar de poesias!!!!

SARAU DO CAS - BRASIL & CUBA um mar de poesias!!!!

 quinta, 26 de julho de 2012
18:30h
Poetas,cordelistas, músicos, artistas plásticos, fotógrafos. Teremos um varal de poesia e exposição de arte.
Poetas homenageados:
... Drumond- Ano D 110 anos do mineiro.
Jose Marti - um dos maiores poetas da língua espanhola.

ECLA - Espaço Cultural Latino Americano - Rua Abolição, 244 - Bela Vista - São Paulo - SP
seráútransformado en La Bodeguita del Medio com direito a mojito e musica cubana.
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domingo, 22 de julho de 2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Novo disco do Septeto Santiaguero


Con una dosis elevada del genuino son cubano y muy a tono con los aires contemporáneos del género, la discográfica catalana Picap saca a la luz Vamos pa’ la fiesta, el séptimo disco del Septeto Santiaguero.
En contacto vía correo electrónico, la disquera española también especifica que el álbum nos ofrece un recorrido por diferentes estilos de nuestra música como la guaracha, el bolero, la trova tradicional, el danzón, el changüí y el pilón.

En 14 sencillos, el grupo liderado por Fernando Dewar hace gala de su particular modo de hacer música, a la vez que ha sumado a importantes figuras de la música internacional. Así aparecen junto al Septeto Santiaguero el panameño Rubén Blades, quien interpreta dos clásicos: Lágrimas negras, de Miguel Matamoros, y Contéstame, de Arsenio Rodríguez.
El boricua Cheo Feliciano los sigue en Un poquito de tu amor, de Julio Gutiérrez, mientras el dominicano José Alberto, «el Canario», escogió Amor silvestre, de Lorenzo Hierrezuelo, canción que se hizo muy popular en su país gracias a la interpretación de Los Compadres.
Asimismo, el norteamericano Jimmy Bosch toca el trombón en La Reina Isabel, un antológico danzón de Electo Rosell, «Chepín», y Luis Quintero hace sonar el bongó en el changüí Yo sí tumbo la mata, de Rodolfo Vaillant; a la vez que el puertorriqueño Edwin Colón Zayas se une al grupo para deslizar sus acordes con el cuatro en Que le den candela, el cual es una clara reverencia a las aportaciones melódicas de Juan Formell y los Van Van.

http://www.juventudrebelde.cu/cultura/2012-07-17/nuevo-disco-del-septeto-santiaguero/

terça-feira, 17 de julho de 2012

Morte e Vida Severina em Desenho Animado - Completo






Publicado em 19/05/2012 por
Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartuinista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.

Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor.

TV Escola

Coordenação Geral de Produção
SUPERVISÃO GERAL DO PROJETO
Érico Monnerat

Direção Geral da TV Escola
Érico da Silveira

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Rap venezuelano em apoio ao presidente Hugo Chávez

Vídeo oficial da campanha ‘Nós com Chavez’ 

Grupo: Arte e essência
Tema: filho de lobo caça
Produção: Hip Hop Revolução

Veneno H2: grupo de rap do MST


Clip da música Nosso Vilarejo do Veneno H2, grupo de rap constituído por assentados do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Eu mato elefantes e meus vassalos matam touros, antes matávamos índios…


"Espanha , o País onde a morte é uma diversão" (Federico Garcia Lorca)

Eu mato elefantes
e meus vassalos matam touros,
antes matávamos índios …
... chegamos um dia
e fizemos a América,
nos fizemos mais ricos
cristianizando ,
matando ,
a quem cruzasse nosso destino .
Nós trouxemos toda a prata e o ouro ,
tratamos os latinos como ladrões
e fomos os primeiros a saquear
tudo quanto encontramos no caminho.
Sou o Rei Juan Carlos,
meu sangue é azul porque esta estancado
de não fazer nada,
porque tenho a alma morta
e porque desfruto de luxos
graças à miséria
de uns muitos,
tenho rainha e a engano
com quem queira,
e o nome da Espanha
me importa uma merda,
pois tenho trono,
Fui amigo de Franco,
e silenciei me fazendo de tonto...
O povo tem seu circo
o sangue diário dos touros ,
e a custo deles viajo fazendo caçadas…
morte morte morte
essa é toda a minha vida..
e somos grandes matando débeis,
chamando arte à estupidez
e olé!
e olé!
latinos bandidos ,
se não estivéssemos neste século
também te acertariamos muitos tiros,
assim como te tiramos a água, a luz, o gás,
e com os bancos te reprimimos ainda mais...
Sou o Rei
mato elefantes,
meu vassalos matam touros,
antes matávamos índios...
Assim sendo
porque não te cala?

(Marcelo Valdés)
Tradução: Daniel Oliveira

http://www.marcelovaldes.tk/

terça-feira, 10 de julho de 2012

Dossiê J. F. Neres (Pinheiro)

 
Interrompe-se bruscamente o sol; das flores só o cheiro cada vez mais distante. Da música os acordes mais dissonantes, depois estridentes até desaparecerem os acordes; a melodia foi vencida.
Resta o barulho ensurdecedor tentando ofuscar a lembrança, as vozes de crianças, as vozes do povo, as vozes do novo, o barulho contra o grito.
Gritos, urros, homem contra maquina de dor, a maquina contendo refinada tecnologia, manejada de arte sinistra.
Homem no escuro, o ar cada vez mais fragmentado. Sombra da noite, enfim a noite. As asas do pássaro o carregam para a noite.
Mas não.... é proibido anoitecer. Aqui também a medicina tem seu lugar, encobre a noite mas reforça a escuridão.
Nos raros intervalos em que se pode lembrar, explode o canto novo. É preciso ocupar todas as horas do dia, todos os dias da noite. Som, barulho, dança macabra, onde o velho e o filho bastardo descarregam sua ira como que vingando sua decadência.
Como pode o passado se atirar com tanta força contra o presente e o futuro? O velho ferido de morte em 1917. De lá para cá sobrevive sugando força de sua filha bastarda – a classe média, e se alimentando da bestialidade, do obscurantismo que também são sub produto do velho.
Agora a dança é mais feroz; não conta horas. O dia se perdeu, o ar ficou mais escasso, os combustíveis para vida foram cortados. Em lugar o seu terror, o delírio, as alucinações; o encontro com a noite se faz urgente antes que se apague da mente as cores, as lembranças e a força do novo.
Até a noite foi acorrentada, passou a ser jogada contra a escuridão. A força nova se mantém por um fio, comprida, reprimida. Momentos de refluxo: momentos em que o velho se impõe e festeja a vitória que antevê.
Mas um rasgo de sopro passa pelo fio e arromba a janela. Impõe de novo o novo, de a lembrança, de novo a herança, e lá fora se distingue a cor vermelha, a tocha de luz que avança nas mãos da classe operária.

“Pensamento passado para fora da prisão por Neres clandestinamente, no mês de junho de 1976.”

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Praia Brava - O final do Vale

       Há muito tempo atrás, no longínquo final do século XX, vislumbrou-se a Praia Brava como o cenário ideal de ambiente preservado. Ao mesmo tempo, tornou-se questão de status frequentar aquele pedaço de paraíso, atraindo os olhares de todo o mundo, que aproveitaram suas areias limpas e águas puras para definir um modo de vida agitado dia e noite, com festas regadas a música eletrônica.
      O progresso chegou como uma moto serra sem botão de desligar, e foi deixando para o lado todo o interesse em se viver numa região que tem plena consciência ecológica. E lá, no final do século 20, foi-se a esperança de manter um dos mais sensíveis e preservados ecossistemas do vale do Itajaí inalterado.
    A porta do vale para espécies e o último resquício da ligação do interior ao mar pela natureza sofre mudanças abruptas dia após dia. Recebi o depoimento de um amigo que há seis anos não frequentava a praia, e o mesmo me disse: Essa não é a Brava que eu conheço.
   Pois bem, nem eu. Porém o progresso tem seus descréditos e a região que já sofre em uma conturbação emergente avançou para a brava e seus dias de praia nativa estão contados. Resta agora saber até quando a natureza irá sobreviver, a água permanecerá limpa, as areias e as dunas intocadas e o sossego noturno de quem vive próximo a natureza pode desfrutar.

Moacir Veiga Kienast – Frequentador da Praia Brava, Bodyboarder, Ambientalista e Funcionário Público itajaiense.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

CONVERSA ENTRE DUAS DISTINTAS SENHORAS PARAGUAIAS


_ O bispo caiu, você viu?
_ E como não, soube de antemão.
_ Aff, e imaginar que empesteava o palácio.
_ Pés de pobre em tapetes mágicos.
_ Agora sim voltarão as recepções.
_ Jantares de gala nos salões.
_ Com gente de estirpe, por certo.
_ Mas é claro, fora com os pés rapados.
_ Vi que seu filho recebeu convite.
_ Ministro, Deus existe!
_ Grande patriota, não esperava menos.
_ E seu pequeno, que rebento.
_ Chefe de polícia, esperemos.
_ Agora tudo voltou ao normal.
_ Foi apenas um desvio, mais nada.
_ O povo escolhe mal, isso não falha.
_ Mas nós cá estamos para endireitar as coisas.
_ Viva o Paraguai livre!
_ Viva!

Daniel Oliveira
Junho/2012
daniludens@yahoo.com.br

No gabinete do jornal que sairá amanhã


No gabinete do jornal que sairá amanhã
Com um dedo preso no cenho
Da testa franzida pela angústia
Um jornalista hesita sobre sua redação

Sem companhia que o apóie e todo
Miserável quanto um vira-latas faminto
Pensa sobre o quê do calendário lhe resta
E sobre a beleza da rosa morta no jarro

Como não é de aço e o tempo passa
Pesa na xícara de café um naco de pão
Muito ensimesmado e duvidoso
De assistir à luz da próxima aurora

Quão breve será sua vida se este papel
Passar pelo rolo da imprensa
Para voar feito avião de criança
Em nome de denunciar as evidências

Entretanto sabe que morrerá cedo ou tarde
E que a dissimulação tem pernas curtas
Então executa seu juízo final apostando
No peso e fogo da verdade póstuma


Jamesson Buarque 
Militante do PCB em Goiás e Professor da UFG


quinta-feira, 28 de junho de 2012

REGULAMENTO DA ANTOLOGIA FAROL LITERÁRIO DA ACLAC





Regulamento Antologia:  
Farol Literário
Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Regulamento
Prazo para envio dos textos: 20  de julho 2012
Tema: Livre
DA PARTICIPAÇÃO
1.1. A antologia "Farol Literário ” é promovida pela ACLAC- Academia Cabista de Letras Ciências e Artes
1.2. Poderão participar da antologia todas as pessoas físicas maiores de 18 anos, ou menores com permissão do responsável, residentes legais no Brasil, bem como brasileiros residentes no exterior. Também poderão participar da Antologia escritores de outras nacionalidades, desde que a língua mantida seja a língua portuguesa.
1.3. Das características da antologia: A Antologia , receberá única e exclusivamente contos, poesias, trovas, haikais, sonetos e crônicas, sendo que a criatividade e imaginação do escritor darão o toque e estilo ao trabalho.
A mesma será dividida em 4 partes e os autores colocados em ordem alfabética:
Membros Acadêmicos Associativos
Membros Acadêmicos Correspondentes
Poetas e escritores amigos e apoiadores da instituição (Independente de serem ligados a mesma ou a outras entidades de qualquer lugar do país e do mundo)

1.4. Poderão participar da antologia autores com menos de vinte e um anos,mediante autorização por escrito de um responsável legal, acompanhada de fotocópia do original de documento de identidade do mesmo para conferência e registro de inscrição.
1.5. A participação se dará no sistema de cotas, sendo que cada autor deverá proceder ao pagamento da seguinte forma:
O Valor de participação será de R$ 200,00  (duzentos reais), que deverá ser paga em cota única  , este valor abrange 2 poesias de até 400 caracteres ou 1 conto ou crônica de até  6 mil caracteres por cota) sendo depositado até o dia  15  DE agosto de  2012.
(Caso receba notificação que seu texto foi aprovado)
1.6 Os participantes receberão um total de  12  exemplares da Antologia por participação.
Título; Farol Literário
Formato: 230 X 160 mm (fechado)
Paper: OFF SET
1.7. A presente antologia será confeccionada pela  Editora Literarte, será registrada , receberá ISBN , mas cada autor é responsável por registrar suas obras, a antologia  tem como finalidade estimular a produção de contos, formação e divulgação de novos autores.

2)DA ACEITAÇÃO DOS CONTOS, CRÔNICAS E POESIAS
 2.1. Serão aceitos apenas contos , crônicas e poesias em língua portuguesa, de temática pertinente a antologia, com limite de cinco  mil caracteres  por texto com espaços, em formato A4, espaços de 1,5 entre linhas, fontes times ou arial tamanho 12, acompanhados dos dados de inscrição que constam no parágrafo 5.5 desse regulamento.
2.2. Não serão aceitos lendas e nem contos que pertençam ao universo de personagens já existentes criados por outro autor.
2.3. Os contos devidamente formatados deverão ser enviados para o e-mail:
Assunto: Livro da ACLAC  ,   junto com os dados de inscrição e demais documentos de autorização.
2.4. Os contos inscritos deverão contemplar, obrigatoriamente, os seguintes elementos:

(a) narrativa em primeira pessoa ou terceira pessoa;

(b) O tratamento dado ao tema será de exclusividade de cada autor.
(c) Não ultrapassar o limite de 6000 caracteres com espaços, mais uma biografia de 10 linhas.
2.5. Caso o autor deseje que seu conto tenha mais do que o espaço reservado de 6000 caracteres ele terá a opção de adquirir o valor de duas cotas, assim podendo ampliar seu espaço na antologia. Os procedimentos são os mesmo citados no item 1.5 desse regulamento, caso haja espaço na antologia liberaremos alguns autores que excedam sem custo extra.

3) NÃO SERÃO ACEITOS CONTOS, CRÔNICAS OU POESIAS QUE:

(a) possam causar danos a terceiros, seja através de difamação, injúria ou calúnia, danos materiais e/ou danos morais;

(b) ofendam a liberdade de crença e as religiões;

(c) contenham dados ou informações racistas ou discriminatórias;

(d) tenham a intenção de divulgar produtos ou serviços alheios aos objetivos da antologia ou que tenham qualquer finalidade comercial;

(e) façam propaganda eleitoral ou divulguem opinião favorável ou contrária a partidos ou candidatos;

(f) tenham sido produzidos por terceiros;
(g) que não venham formatados nas normas estabelecidas por esse regulamento e descritas no item 2.1.

4) DOS CONTOS, CRÔNICAS E POESIAS INSCRITOS:
4.1. Os contos inscritos serão analisados e selecionados mediante avaliação do profissional nomeado pela organização da Antologia, cujas decisões serão soberanas e irrecorríveis. A avaliação se dará com base nos seguintes critérios:
(a) criatividade e originalidade do enredo;
(b) adequação do enredo ao universo ficcional do livro
(c) impacto do conto e qualidade dos recursos narrativos utilizados.

4.2. Ao se inscrever na Antologia o autor autoriza automaticamente a veiculação de seu conto, sem ônus para a Editora  nos meios de comunicação existentes ou que possam existir com a intenção de divulgar a antologia.

5) SOBRE AS INSCRIÇÕES:
5.1. As inscrições para a Antologia  serão abertas às 24h00min do   dia  20 de  junho  de 2012 e encerradas no dia 20 de  julho  de 2012, podendo ser encerradas antes, caso o número de contos recebidos e avaliados sejam aprovados antes da data, no formato e padrão já descritos. As inscrições só poderão ser feitas pelos e-mails acima citados ou pelo site.
O LIVRO SERÁ LANÇADO NO MÊS DE OUTUBRO  DE 2012  EM CABO FRIO E EM OUTROS LUGARES QUE SERÃO COMUNICADOS MAIS PRÓXIMOS AO LANÇAMENTO.
OS NOMES DOS SELECIONADOS SERÃO DIVULGADOS ATÉ O DIA  30 JULHO  POR EMAIL.

5.2 . Um determinado conto poderá ter mais de um autor, num número limite de dois. Um determinado autor poderá participar da antologia com mais de um conto, desde que observado o parágrafo 1.5 e 2.5 desse regulamento.

5.3. Para participar os candidatos deverão, além de enviar um ou mais textos de acordo com as regras estabelecidas neste regulamento, fornecer as informações a seguir:
(a) nome completo do autor do conto e de seu responsável legal(se for menor de idade);
(b) data de nascimento;
(c) número do documento de identidade pessoal e do responsável legal(se for menor de idade);
(d) endereço físico e eletrônico, completo e legível;
(e) telefone fixo e celular;
(f) informação de onde e como ficou sabendo da antologia;
(g) autorização por escrito assinada pelo responsável (se for menor de idade) e fotocópia legível do documento de identidade do mesmo (cópia escaneada e enviada junto com o e-mail);
(h) mini biografia de no máximo três linhas para cada autor. No caso de contos com dois autores o espaço deverá ser dividido entre ambos.
Uma foto
(i) frete de entrega dos livros será por conta do autor.

5.5. Só serão aceitas inscrições através dos procedimentos previstos neste regulamento. Os dados fornecidos pelos participantes, no momento das inscrições, deverão estar corretos, claros e precisos. É de total responsabilidade dos participantes a veracidade dos dados fornecidos à organização da Antologia .

5.6. Em caso de fraude comprovada, o conto será excluído automaticamente da antologia.
5.7. Os participantes concordam em autorizar, pelo tempo que durar a antologia com a editora, que a organização  faça  uso do seu conto, suas imagens, som da voz e nomes em mídias impressas ou eletrônicas para divulgação da Antologia, sem nenhum ônus para os organizadores, e para benefício da maior visibilidade da obra e seu alcance junto ao leitor.
6) OUTRAS INFORMAÇÕES

6.1. Dúvidas relacionadas a esta antologia e seu regulamento poderão ser enviados para o e-mail poesiarte@hotmail.com
Ou pelo telefone 22-2645-2368
6.2. Todas as dúvidas e casos omissos neste regulamento serão analisados por uma comissão composta pela equipe organizadora e sua decisão será irrecorrível.

6.3. Para todos os efeitos legais, os participantes do presente Antologia, declaram ser os legítimos autores dos contos inscritos e garantem o ineditismo dos mesmos, isentando a editora pessoa física  de qualquer reclamação ou demanda que porventura venha a ser apresentada em juízo ou fora dele.
6.4. A literarte, reserva-se o direito de alterar qualquer item desta Antologia, bem como interrompê-la, se necessário for, fazendo a comunicação expressa para os participantes.

6.5. A participação nesta Antologia implica na aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
...
Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

Carlos Drumond de Andrade

sábado, 23 de junho de 2012

Os olhos do continente

Desenho monumental feito por Carlos Latuff
Para o comandante Che Guevara

Nasci num continente
que olhava para o chão.
Pupilas perdidas na terra,
na relva, nas raízes,
nas pedras da humilhação.

Nasci num continente
que olhava para o chão.
Olhava e não via
seu rosto mutilado
no rosto de seu irmão.

Perguntava e não ouvia
seu canto entrecortado.
Numa surdez medonha
o velho chão só respondia:
vergonha.

Si señor, no señor...

Com o perdão da palavra
a palavra era culpada.
Um deus patrão com as mãos recém-lavadas
cortava o ar em cruz, o perdão era dado
ou o infeliz executado.

Gracias señor
pelo pão, pelo castigo
pela morte, pelo destino.

Nasci num continente
que olhava para o chão.
Mas um dia leu ali
entre ossos calcinados
o verbo de sangue seco
pelo povo derramado.

Leu nos olhos simples
nas águas dos regatos.
No suor vertido em braços
pelo povo explorado.

Leu ali o seu espanto
nas pedras reviradas
nas raízes descobertas
pelo povo rebelado.

Guardou, então, no seu caderno de terra
a gramática revelada
e uma semente em seu olho
que chamou dignidade.

O deus-patrão nos alerta:
“Não olhem nestes olhos
de serpente peçonheta,
é praga que se alastra
e destrói tua colheita”.

“Não olhem nestes olhos
que se rebela a harmonia,
é o fim da religião, da casa
e da família.”
Mas são olhos tão simples,
úmidos de dor e esperança.
São olhos tão brilhantes
como olhos de criança.

São os olhos de Martí,
são os olhos de Sandino,
são os olhos das montanhas
que nos mostram o caminho.

São os olhos de Camilo,
são os olhos de Havana,
é meu olho no teu rosto
que outro olho reclama.

O veneno me tomou
e já posso ler no chão,
onde antes era vergonha
leio agora revolução.

Já viram as fotos de Che morto?
Seus olhos permanecem abertos
olhando sereno o céu
do continente onde nasci.

Alturas depois de Che,
meu povo não teme vê-las,
meu continente hoje leva os olhos
até o brilho das estrelas.
Mauro Luis Iasi – Meta Amor Fases

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Canção Oficial da Marcha Patriótica (castelhano) - Yury Buenaventura

Campos Elíseos

Ah se o tempo pairasse
Então eu não deixaria você ir embora
Ficaria há admirar-te
E toda minha existência
Por mais artificial que fosse
Por mais surreal que fosse
Justificar-se-ia
Então saberia
Que não posso viver
Sem tua doce presença na minha vida
Já não te deixaria ir embora
Já não te deixaria sozinha
Jogada a própria sorte...
Tudo isso se o tempo pairasse!
           
Agnes não gostou de ver os dois policiais postados, na porta do quarto fazendo a sentinela, a postura marcial dos militares incomodou Agnes. A vida toda ela fugia dessas figuras, na verdade Agnes fugia de si mesma, a vida desregrada era sua mais profunda e angustiante prisão, pois não conseguia fugir dela em absoluto, Agnes era prisioneira de si mesma. Naquele momento, ela não sabia se deveria passar diretamente pela porta, ou se identificar para os soldados. Parou por uns instantes e decidiu adentrar, passou porta adentro sem pedir licença aos militares parados ali feito estátuas de cera. Agnes em um instante chegou a duvidar se aquelas figuras foram pessoas de verdade. Ela passou pela porta e não foi incomodada pelo militares.
            Agnes foi encontrar Sibelli deitada, na cama debilitada, parecia estar morta. Mas, a mulher de negros cabelos, olhos verdes e pele glacial, estava viva. A Dama da noite, outrora absolta e ‘’dona’’ de muitos admiradores. Jazia solitária deita na cama de um hospital.
            - Trouxe... trouxe o que te pedi menina? – A voz de Sibelli, soou de uma forma que, não condizia com o seu estado de saúde. Era forte e decidida, agora Agnes sabia o porquê de ela ter a fama de sobrepujar a todos.
            - Trouxe! Mas...
             - Anda... me dá logo as pílulas e vá embora menina!
             - Sibelli ...????     
             - ‘’Tás’’ pensando o que menina? A vida é minha, e disponho dela como bem entender! Vivi sozinha, a minha vida intera, e não é agora que vou pedir ajuda. Cai fora daqui... desaparece da minhas vistas logo.
Agnes olhou a amiga, fez como um ato mecânico com as mãos. E passou as cápsulas para a Sibelli.
            - Vá embora quero partir sozinha! – Mais uma vez a voz da Sibelli era forte e cheia de razão. O olhar da mulher ajustou Agnes. Agnes queria correr quando passou pela porta, mas não o fez, saiu do quarto calmante, como se nada acontecera. Ela não mais se importou com a postura marcial dos soldados. Estavam estáticos, quando há jovem passou por ambos. Pareciam feitos de ceras as sentinelas, pareciam alheios a tudo a todos.

Samuel da Costa é contista em Itajaí

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Na Colômbia cabeças rolam


Na Colômbia cabeças rolam
Em formato de bola de futebol

Crianças e mulheres assistem
A seus pais e maridos e filhos
Macerados em sangue e bosta

Os pássaros se lamentam as mortes
Eles mesmos à surdina morrem
Porque ousaram cantar no azul

Não palavra em língua livre
Para dizer Esta é minha casa

Se alguém dedilha folhas e colhe frutos
Sem senha ou fora do horário
Coturnos marcham fabricando cadáveres

Tratados de paz são assinados a bala
Com choques de tortura pela censura

Um dia uma criança viu seu pai
Cortado por lâmina de motosserra

Colombianos esperam pelo dia quando
Caminharão pelas praças, ruas e campinas
Sem a ameaça de fuzis e canhões

Jamesson Buarque 
Militante do PCB em Goiás e Professor da UFG

 

terça-feira, 19 de junho de 2012

120 ANOS DE GRACILIANO RAMOS


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Neste ano de 2012 comemoram-se 120 anos de Graciliano Ramos. Nascido em 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, sertão de Alagoas, o grande romancista brasileiro ingressou no PCB no ano de 1945, quando já era um escritor consagrado pela publicação de obras que marcariam para sempre a literatura nacional, como São Bernardo e Vidas Secas, verdadeiros libelos contra a miséria e a opressão humanas. Nesta época também já era conhecido por sua postura política profundamente ética e libertária, destacando-se por sua posição antifascista e contrária ao Estado Novo, assim como pelo uso, em suas crônicas, da ironia corrosiva contra as mazelas sociais e a inépcia do governo Vargas em combatê-las. Afinal, havia passado dez meses preso, sem culpa formada, e ficou fichado na Polícia Política como “suspeito de exercer atividade subversiva”, quando eclodiu a rebelião comunista em 1935.

Participou das lutas contra o nazifascismo e contribuiu, com sua militância junto aos escritores, para a retomada das liberdades democráticas e pelo fim do Estado Novo. No PCB, juntou-se a Jorge Amado, Astrojildo Pereira, Caio Prado Júnior, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Carlos Scliar, Djanira, Moacir Werneck de Castro, Aparício Torelly, Oduvaldo Vianna, Dias Gomes, Oscar Niemeyer, Alberto Passos Guimarães, Mário Lago, entre inúmeros outros artistas e intelectuais que enxergaram no Partido Comunista o espaço político necessário à luta pela paz, pelo avanço democrático e pelo socialismo. 

Discordou da política cultural então formulada pelo PC da URSS, a do “realismo socialista”, afirmando que “a literatura é revolucionária em essência, e não pelo estilo do panfleto”. Faleceu em 20 de março de 1953, aos 60 anos, sem ver publicada outra obra clássica escrita por ele: Memórias do Cárcere, reconstituição dos porões da ditadura varguista e belo exemplar do realismo crítico, a retratar as figuras humanas em toda a sua fragilidade, riqueza e complexidade.

O Partido Comunista Brasileiro – PCB – através de sua página oficial e da Fundação Dinarco Reis, homenageia um dos seus mais importantes militantes históricos com a Seção “120 anos de Graciliano Ramos”, na qual coloca à disposição textos e materiais diversos sobre a história de vida e a obra de Graciliano. Convidamos os militantes e amigos do PCB a contribuírem ativamente com a manutenção deste espaço virtual e com as comemorações em torno de mais um aniversário de vulto para todos nós, no ano em que nosso Partido completa 90 anos de existência.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Quando tudo terminar


Ah se o tempo pairasse
Então nada seria como antes
Já não te deixaria, jogada entre as feras
Desprotegida & sozinha
Então toda a minha existência
Justificar-se-ia & então eu me perderia
Na imensidão dos teus olhos
De um verde tão intenso
E eu saberia
Com toda a certeza que já não posso viver
Sem você...
Sem tua doce presença na minha vida.

Otto sempre preferiu viver em regiões fronteiriças, vivia como seus antepassados, que sempre viveram assim. O clã’’, a qual Otto pertencia, vivia e morria, entre a legalidade e a ilegalidade, entre uma nação e outra, entre um continente e outro, como em uma marcha sem fim, indo e vindo ao saber das conveniências da ocasião. Viviam e morriam de lealdades e de traições, migrações e imigrações forçadas. E o teuto tomou para si esse legado familiar. Por isso escolheu para viver na cidade portuária e seus inúmeros e infindáveis vai e vem de navios, caminhões, mercadorias e gente de todos os naipes, te todas as matizes, raças e credos. E para morar, aquele bairro que não se decidia se queria ser uma zona rural ou urbana, com aquelas olarias, que importunavam a todos com seus fornos arcaicos enfumaçados, bairro cortado por uma rodovia que ligava o litoral informal e quente com o vale europeu frio e sisudo. Otto foi encontrar trabalho um pouco longe dali, no Bar-café Garibaldi, que se localizava próximo a orla, na via de acesso rápido entre cidades. Otto também dividia a vida em duas partes distintas, uma clandestina de noite, e uma aparentemente normal e de dia. Viver entre os mais variados riscos e desventuras da fronteira da ilegalidade com a legalidade. O ar puro da orla do mar de dia, o clima carregado da noite da beira do cais e por fim entre traições e lealdades. Um equilíbrio que nem sempre repousava nas mãos de Otto. Os choques entre mundos eram inevitáveis, constantes e cada vez mais violentos e cada mundo lhe cobraria, a sua maneira, um preço e uma definição. 

***

O aroma de alfazemas pairava no ar e se misturava com a música romântica francesa antiga. E a luz vermelha, que vinha do abajur ao lado da cama, deixou o quarto à meia luz. As roupas espalhadas por toda a parte compunham o ambiente. Para os dois não havia nada para se dizer, pois o silêncio já dizia tudo, e falava por si. E abraçados na cama, ficaram por mais uns alguns instantes, além do habitual, mas parecia uma eternidade para ambos.  Agnes sabia que aquilo não poderia durar muito tempo. Otto, também, sabia que as coisas não poderiam ficar no pé em que estavam. Ele queria dizer alguma coisa, mas lhe faltavam palavras, elas morriam em sua boca. Agnes nem sequer deixou espaço para tal coisa nos últimos dias. Não poderia, pois como uma boa profissional que era, tinha decidido por fim nessa história de uma vez por todas. Já o conhecia o suficiente para tanto, e daria um golpe baixo da linha da cintura, e a hora tinha que ser naquele momento. Agnes aproveitou do momento em que Otto estava frágil e cheio de culpa.  
- Amanhã, quando raiar o dia, apareço no teu trabalho, e tu vai me preparar um senhor café da manhã, seu canalha, aproveitador, seu desgraçado. Vou querer ser servida por pelo teu amiginho muito especial. Que tal, torradas e chá com conhaque canadense de sete anos? E pra Cigana, pão-de-mel e café morno sem açúcar, um limão cortado no meio e dois saquinhos de adoçante cristalizado importado. - Não era do perfil dela se portar daquela maneira com os clientes. Nem com os habituais, nem tão pouco com os ocasionais, mas aquilo tinha que ter um fim em absoluto. E não poderia ficar de pé uma centelha sequer, da relação que estava construindo com Otto, àquela relação era ruim para ambos, Agnes sabia da realidade em que vivia e não queria aquela ilusão para si. 
- Se tu fizer isto, sua puta desgraçada! Te mato... sabes que minha mulher trabalha comigo? Não sabes? – Esbravejou Otto, sem soltar Agnes dos braços, ainda a abraçava com terno carinho apesar do tom de voz áspero e duras palavras. 
- Não! Não eu sabia! – A voz dela soou com um lamento e como um pedido de desculpas.
- Pois agora tu sabes, te mato, se por os pés por lá te mato, tu e aquela tua amiga ordinária!- Retrucou o teuto, com todo o ódio do mundo, sem olhar nos olhos dela. Enquanto isso, lá fora há noite estava se despedindo, e o dia com as suas múltiplas possibilidades, vinha para expulsar Agnes da vida de Otto. Só que dessa vez era para sempre.

Samuel da Costa é contista em Itajaí