Páginas

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Sangue


Meu sangue é o sangue dos homens
Dos trabalhadores
Dos operários
Do proletariado

Meu sangue é o sangue dos explorados
Daqueles que nunca abaixam a cabeça
Dos que vivem cativos e espoliados
Dos honestos, dos revoltados

Meu sangue é o sangue que quer justiça
Dos que não aguentam a injustiça e a opressão
Dos seres de bem
De todos os do BEM

Meu sangue enche os rios
As matas
Os mares
As montanhas
As ruas
As lojas
As fábricas

Mas um dia será um turbilhão
Um tsunami de justiça
De igualdade
Da verdade
Um sangue
Só um sangue
O sangue dos homens
O sangue da terra.


AC 31/03/2011
Afonso Costa é da direção estadual do PCB no Rio de Janeiro e jornalista com quase 35 anos de profissão. Além de matérias e artigos também escreve contos, crônicas e poesias, algo para aliviar a mente, para fazer a luta política no campo das letras.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

NÚCLEO DE CULTURA E MEMÓRIA COMUNISTA NO BRASIL

Temos nos reunido com o intuito de resgatar o potencial transformador da intervenção cultural.
Como disse o camarada Paulo Leminski “Na luta de classes todas as armas são boas: pedras, noites e Poemas”.
Nesse sentido nos colocamos o desafio de estudar, compreender e por em prática a importante contribuição teórico-prática nesse campo dos comunistas
no Brasil, marcadamente durante as décadas de 20 e 80.
Ao nos debruçarmos sobre essas experiências na literatura, teatro, cinema e música, pretendemos potencializar nossas intervenções na realidade sempre no intuito de alcançar a emancipação humana através da transformação radical da sociedade em que vivemos!
Nosso próximo encontro será:

A POLITICA CULTURAL DOS COMUNISTAS – PARTE I
Texto de Celso Frederico – em anexo

DIA 16 DE NOVEMBRO
ÀS 17:00
AUDITORIO DA PRO-REITORIA DE ASSUNTOS COMUNITÁRIOS (PRAC) – UFPB (Entrando no subsolo da reitoria pelo estacionamento)
Para isso contaremos com a riquíssima contribuição do camarada Romero Venâncio, professor de filosofia da Universidade Federal de Sergipe (UFS)!


Quer receber por e-mail as informações, atividades, programação do Núcleo de cultura? CADASTRE-SE NO LINK: https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dE1PZVo0WXpVU183bVYxZlNQQ3Bra2c6MQ
(se quiser participar dos espaços é muito importante o cadastro para facilitar a nossa comunicação)

PROGRAMAÇÃO COMPLETA NO LINK: https://docs.google.com/document/d/1IYgJFJqf1eEq7aCiTkVOx5TVqgvkkONZ2sh19bj1jAs/edit

Contatos:
ujcparaiba@gmail.com
http://www.facebook.com/ujc.pb
www.ujc.org.br
Pablo - (83) 9973.1027 (TIM) / 8809.0422 (OI)
Patrícia - (83) 9645.1957 (TIM) / 8847.3457 (OI)
Romero - (83) 99501473 (TIM)

Para Neide Alves Santos, única mulher do PCB, morta pela ditadura militar

Só vos peço uma coisa: se sobreviverdes a esta época, não vos esqueçais!

Não vos esqueçais nem dos bons, nem dos maus.

Juntai com paciência as testemunhas daqueles que tombaram por eles e por vós.

Um belo dia, hoje será o passado, e falarão numa grande época
e nos heróis anônimos que criaram a história.

Gostaria que todo mundo soubesse que não há heróis anônimos.


Eles eram pessoas, e tinham nomes, tinham rostos, desejos e esperanças,
e a dor do último entre os últimos não era menor do que a dor do primeiro,
cujo nome há de ficar.

Queria que todos esses vos fossem tão próximos como pessoas que tivésseis

Conhecido como membros da sua família, como vós mesmos.

Julius Fuchik

Para Neide Alves Santos, única mulher do PCB, morta pela ditadura militar

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

SAMBA DA NOVA CLASSE MÉDIA

SAMBA DA NOVA CLASSE MÉDIA
dedicado a Bezerra da Silva

Disseram que eu virei classe média
Que muitos degraus da pirâmide galguei
E que agora eu subi de vida
Que eu tenho casa e carro
E ganho mais de mil por mês

Mas veja o senhor a contradição
Se esqueceram de avisar o patrão
Porque o salário é o mesmo miserê
Nunca tive dinheiro que dê
Pra terminar o mês sem pedir
Fiado, emprestado ou retribuição
Carro eu só vejo quando desvio
Ou de dentro de uma lotação
A casa é minha mesmo
Mas em cada quarto mora um irmão

Não vi melhoria de vida
Vi maquiada a situação
E o fosso que nos separa
Parece que mora mais de mil “dragão”
Mas a vida é assim mesmo
Tá tudo certo, tem problema não
Quando chego em casa cansado
E ligo a televisão
O bacana com cara de doutor
Me deixa a par da situação

Disseram que eu virei classe média...

DANIEL OLIVEIRA
BELO HORIZONTE/MG
25 DE OUT 2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Aí?


Cidadão pacato
Humilde e calado
Cabra arretado
Desconfiado
Menosprezado
Curtido e cordato

Gente da terra
Feito tapera
Errante quimera
Que nunca prospera

Cerceado e teimoso
Trabalhador
Nordestino corajoso
Cheio de dor

Carrega um sonho
Desejo contido
Anseio exprimido
Proibido
Escondido
Não permitido

Sem terra e sem lar
Procura um lugar
Onde possa trabalhar
Fugir de tanto azar

Esquecer a fome
Lembrar-se que é homem
Que tem um nome:
Brasileiro.

Afonso Costa é da direção estadual do PCB no Rio de Janeiro e jornalista com quase 35 anos de profissão. Além de matérias e artigos também escreve contos, crônicas e poesias, algo para aliviar a mente, para fazer a luta política no campo das letras.
 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

GUARANI KAIOWÁ


Você me diz que é muita terra
E que não preciso de tanto chão
Que eu não produzo em escala
E que isso atrasa a nação
Que meu apego pela terra
É pura fetichização
E que outros lugares
Melhoraria minha situação
E me mostra gráficos
Imaginando a inauguração
E o gado, e os tratores, e as cifras
Na mais louca transação

E quando digo que não
Que eu não vejo assim
Gado, trator, cifra?
O que eu quero é aipim
Ver os meninos correndo soltos
Viver por mim
Estar junto dos meus mortos
E das coisas que me fazem assim
O rio primeiro em que me banhei
A mesma mata de antemão
Essa mesma terra aqui
Bem antes de ti, cidadão
Já era de todos
Porque não é nossa não
E isso você com sua “propriedade”
Não pode compreender
A função social da terra
É a função natural das coisas

E então suas leis e tribunais
Sua polícia e legislação
Dão o veredito final
Sobre milênios de incrustação
De um povo em sua terra
Que é sua própria identidade
Então esse povo decide
Se fazer uno com seriedade
E fundem sangue e terra
Num baile de irmandade
O índio vira terra
A terra vira índio
E o capitalismo segue impávido
Esse colosso bandido

DANIEL OLIVEIRA
29 OUT 2012
BELO HORIZONTE/MG
Militante PCB

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O Trabalho e o sentido da vida


Um dia possui 24 horas.
Vivo em uma sociedade em que:
8 horas do dia estou dormindo,
8 horas do dia estou trabalhando,
3 horas do dia estou me deslocando para o trabalho,
1 hora do dia estou me alimentando,
E assim,
Restam-me apenas 4 horas para viver.
Nessa sociedade,
Eu não trabalho para viver,
Eu vivo para trabalhar.
Sendo assim,
Tudo que faço para continuar vivendo nessa sociedade,
Tem seu sentido distorcido:
Eu não durmo para continuar vivendo,
Eu durmo para continuar trabalhando!
Eu não me alimento para continuar vivendo,
Eu me alimento para continuar trabalhando!

(Hugo Bras)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Minha terra

Minha terra é a terra do frevo
do xote, do xaxado, do forró,
carne de sol, qualhada e bobó,
sanfona, azabumba e realejo,
caatinga, sertão e muito brejo.

Minha terra é a terra do povo
de Luís Gonzaga e Jackson do Pandeiro,
do mar que quebra na praia,
do chapéu de couro, gibão e sandália,
procissão, reza e mortalha.

Minha terra é a terra do rebolado,
da dança, da crença, do mato fechado,
dos rios, da mata e da fartura,
tão invadida que não perdura
ameaça o sonho, agride a candura.

Minha terra é a terra do embolado,
da disputa do azul e do vermelho,
do tacacá, açaí e caranguejo,
farinha, água e lampejo
que cai e irriga o ano inteiro.

Minha terra é a terra do trevo,
da negra, da mulata, da morena,
da eterna garota de Ipanema,
das belas pernas, das grandes bundas,
das ancas quentes e salientes.

Na minha terra tem a Bahia,
O Pernambuco, a Paraíba e o Ceará,
Minas, Goiás e o Belém do Pará.
O velho Chico e o Grande Chico,
Os pampas, os longínquos morros do Amapá.

Não tem Y.
Não tem W
Não tem K.
Vão se embora!
Tirem a mão do meu jabá!

AFONSO COSTA
Jornalista, escritor e membro do CR/RJ do PCB

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Walt Disney e o FBI


O artista denunciou seus funcionários e perseguiu celebridades com o apoio do Senado americano
Walt Disney não foi apenas o pai de Mickey e Donald, o produtor de Branca de Neve, Bambi, Dumbo e Pinóquio e o genial inventor da Disneylândia. Durante 26 anos, de 1940 a 1966, o artista forneceu aos agentes do governo americano relatórios sobre atividades consideradas subversivas das estrelas de Hollywo
od, dos sindicatos de técnicos e das associações de artistas, roteiristas, produtores e escritores.

A atuação de Disney como informante do FBI, o Federal Bureau of Investigation, foi divulgada inicialmente pelo escritor Marc Eliot em O príncipe sombrio de Hollywood (Ed. Marco Zero). A biografia, classificada como “não autorizada” pela imprensa americana, traz uma análise de 470 páginas de informações produzidas pelo próprio órgão estatal. Para acessar o dossiê, Eliot recorreu ao Freedom of Information Act, um dispositivo legal que autoriza qualquer cidadão americano a ter acesso aos arquivos de uma administração. O material não está completo: faltam 100 páginas e muitas das recebidas pelo autor foram escurecidas, para garantir o anonimato de informantes ou de pessoas colocadas sob suspeita por Disney.

Segundo os dados obtidos, a parceria começou em 1940, quando o artista tinha 39 anos. Nessa época, o poderoso e temido chefe do FBI, John Edgar Hoover, colecionador inveterado de segredos de alcova, assuntos de família e fofocas de todo tipo, se propôs a ajudar Disney na busca por sua árvore genealógica. O assunto era um tormento para o animador desde a adolescência, quando descobriu que não possuía certidão de nascimento. Acreditando ser adotado, ele fez inúmeras pesquisas para encontrar suas origens, todas sem resultado. A oferta do FBI era uma ótima oportunidade para finalmente atingir seu objetivo. Em troca do esforço dos agentes, Disney tornou-se informante e manteve uma relação quase filial com Hoover.
O acordo, imediatamente colocado em prática, levou dois investigadores americanos à cidade de Mojacar, na Espanha, em busca do atestado de nascimento. Eles encontraram o registro de uma criança, nascida por volta de 1890, cuja mãe teria sido Isabel Zamora Ascencio.

O pai, um notável chamado José Guirao, era casado com outra mulher e não assumiu a relação com a amante. Após sua morte, a señorita Zamora teria embarcado para a América e Disney seria, na verdade, o pequeno José, nome de batismo do bebê espanhol. Pura especulação, as informações foram habilmente utilizadas por Hoover para manter estreitos laços com o cineasta.


Disney e Charles Chaplin, vítima célebre da caça as bruxas empreendida no macarthismo
Mas a aliança era bilateral e Disney utilizou-a muitas vezes, fora da alçada particular inicial. Recorreu à polícia federal contra os sindicatos e, em outro nível, para quebrar o monopólio das grandes companhias cinematográficas, que controlavam a distribuição e exportação da produção hollywoodiana. Para ele, os sindicatos eram certamente comunistas e as empresas, a expressão de um complô tramado por imigrantes do leste europeu. Não seria Hoover quem iria contradizê-lo.

Em 1941, o artista realizou uma de suas obras-primas, Fantasia. O filme, protagonizado por Mickey Mouse, foi um fracasso de público. O cineasta atribuiu a péssima recepção da animação a uma “conspiração sindical”, em um período em que seus funcionários entraram em greve por melhores condições de trabalho.

Greve e perseguição

A mobilização eclodiu quando os diretores do estúdio proibiram o estabelecimento de sindicatos filiados à Cartoonist Guild, espécie de federação dos cartunistas. Com barricadas e piquetes, a queda-de-braço durou vários meses. Por fim, todos os líderes sindicais foram demitidos, e Disney aproveitou a Huac, Comissão de Investigação sobre as Atividades Antiamericanas, que funcionou entre os anos 1938 e 1975, para pedir investigação dos militantes. Por vingança, perseguiu os sindicalistas durante anos, mas foi obrigado a readmitir alguns após processos jurídicos.

Em fevereiro de 1944, ele participou da fundação da Motion Picture Alliance, uma máquina de guerra a serviço do anticomunismo. A organização agrupou a nata dos conservadores, entre eles, o milionário e magnata da imprensa, William Randolph Hearst, e os astros John Wayne e Gary Cooper. Em sua declaração de princípios, a MPA alertava para uma possível “dominação dos comunistas, dos radicais e desmiolados de todo tipo”.


Nove dos Dez de Hollywood, grupo de escritores de esquerda perseguidos no período
Em março do mesmo ano, Disney dirigiu-se ao Congresso dos Estados Unidos, solicitando à Huac que estudasse “a maneira flagrante com que a indústria do filme alimentou, em seu seio, comunistas e outros grupos de tendência totalitária, que trabalhavam na divulgação de idéias e de crenças antiamericanas”. O clima de inquisição em Hollywood estava criado. Qualquer pessoa suspeita de ser liberal ou progressista era ouvida pelos políticos, amplamente apoiados e encorajados em seus trabalhos pelo FBI. Em 1947, a Huac investigou, entre outros alvos, um grupo de escritores de esquerda conhecido como “Os dez de Hollywood”. Por se recusarem a responder às perguntas sobre uma eventual ligação com o partido comunista, eles tiveram suas carreiras prejudicadas e alguns cumpriram pena de prisão. A acusação era a de violação da primeira emenda da Constituição americana, que ironicamente regula a liberdade de expressão, de opinião e de manifestação.

No clima de perseguição, Disney também participou ativamente do Communist Pictures, um grupo de representantes do FBI dedicados a localizar subversivos. Entre os que se uniram a esse movimento, estava um ator de segunda categoria, então desconhecido do grande público: Ronald Reagan. O dossiê do FBI sobre aquele que se tornaria presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989 é eloqüente. Militante sindicalista, Reagan logo tornou-se suspeito por sua atuação no comitê dos cidadãos para as artes, ciências e profissões liberais, considerado uma fachada para os comunistas.

Alertado por seu irmão Neil, membro do mesmo comitê, ele optou por colaborar com as investigações e fornecer aos agentes as listas de militantes ou simpatizantes do comunismo.

Denúncias públicas

Reagan foi brilhante e se tornou informante confidencial. Hoover aproveitou o talento de seu jovem recruta e fez com que fosse ouvido pela Huac.


Para jornais posteriores ao macarthismo, o termo para definir a perseguição política deveria ser "hooverismo", em referência a J. Edgar Hoover (acima)
Em 24 de outubro de 1947, foi a vez de Disney depor perante os políticos, no mesmo dia de Gary Cooper. No relatório da audiência, consta um trecho do diálogo em que os membros da comissão perguntavam se houve, “em qualquer período que seja, comunistas empregados no estúdio”. E o artista respondeu: “Sim. No passado tivemos algumas pessoas que acredito serem comunistas”. Questionado se a greve teria sido fomentada por membros do partido comunista, ele afirmou: “Estou profundamente convencido de que um grupo de comunistas tentou influenciar nossos artistas e conseguiu”. No depoimento, citou os nomes de Herbert Sorrell e Dave Hilberman, dois sindicalistas que participaram da mobilização. Porta-voz dos sindicatos hollywoodianos, Sorrell viu sua carreira naufragar e morreu após um ataque cardíaco aos 45 anos. Hilberman foi vigiado durante anos pelo FBI e teve de se mudar para Nova York, onde trabalhou para uma sociedade de produção tachada de socialista.

A postura anticomunista não escapou à União Soviética, que proibiu os filmes de Disney em todo seu território a partir de março de 1949. Em reação a essa sanção, o artista recebeu uma placa de bronze da Câmara do Comércio de Los Angeles, por sua contribuição ao comércio internacional. O clima de tensão se agravou em 1950, com o crescimento da popularidade do senador republicano Joseph MacCarthy, anticomunista fervoroso. Além da Huac, diversos outros instrumentos estavam atuando, como o Subcomitê Interno de Segurança do Senado e o Subcomitê Permanente de Investigações do Senado. Entre 1949 e 1954, mais de 109 dossiês foram analisados no Congresso americano e o termo “macarthismo” passou a definir a política de perseguição sistemática aos partidários da esquerda, embora alguns jornais tenham posteriormente afirmado que o nome ideal seria “hooverismo”. Toda pessoa que se recusasse a comparecer aos depoimentos era automaticamente fichada. John Huston, Katharine Hepburn, Lauren Bacall e Humphrey Bogart receberam muitas críticas por se limitaram a dar respostas evasivas. Os escritores: John Steinbeck, Arthur Miller, Tennessee Williams, Truman Capote, Dashiell Hammett e Thomas Mann também foram espionados. Outra vítima célebre dessa caça às bruxas foi Charles Chaplin, cujos protestos contra a histeria anticomunista irritavam Disney. Apesar de sua fama, o criador de Carlitos não escapou das perseguições, que o obrigaram ao exílio na Europa.

No Natal de 1954, o chefão do FBI nomeou Disney agente especial, o que fez dele um informante de confiança. Essa promoção não foi desinteressada, pois ocorreu no momento em que o artista estreou no mundo da televisão, assinando um acordo com o canal ABC. Hoover deu uma importância especial a essa mídia, pressentindo a força que iria adquirir nos anos seguintes. Em relatório confidencial, Hoover escreveu: “Tendo em vista o prestígio do sr. Disney, o produtor mais importante de desenhos animados da indústria do cinema, sua competência e suas vastas relações no domínio da produção, nós estimamos que sua colaboração para os serviços do Bureau pode se revelar preciosa. Por isso, recomendo que seja promovido a contato oficial de nossos serviços, sob o título de Special Agent in Charge”.

A lua-de-mel foi finalmente encerrada em 1956. Vítimas de sua paranóia, os homens de Hoover, se não o próprio, começaram a suspeitar de Disney quando ele solicitou uma área do FBI como locação de curtas-metragens do Clube do Mickey. Apesar de terem autorizado a filmagem, o clima de confiança nunca mais foi o mesmo. Em 1961, o artista aprovou o roteiro de Um piloto na Lua, que ridicularizava policiais. Quatro anos depois, se recusou a modificar o script de O espião com patas de veludo, pouco elogioso ao FBI.
Vítima de Hoover

Ignorando a qualidade de informante de Disney, os agentes fizeram uma investigação para provar que ele havia participado da Noite das Américas, evento do Conselho de Democracia Pan-americana, considerado uma associação subversiva, e de uma homenagem a Art Young feita pelo jornal New Masses, taxado como aliado do partido comunista americano. Quando o presidente Dwight Eisenhower (1953-1961) listou personalidades suscetíveis de serem nomeadas ao Conselho Nacional da Cultura, Hoover enviou os dossiês desses dois casos e o nome de Disney foi descartado.

O artista passou de colaborador à vítima do chefão do FBI, que de 1924 a 1972 reinou como mestre absoluto sobre toda a vida política dos Estados Unidos, fichando mais de 159 mil de pessoas. Até hoje, a família do homem vencedor de 29 Oscars e 4 Emmy nega sua participação no macarthismo, sob o argumento de que ele seria apenas um “contato” do FBI. Para seu biógrafo, o “público americano só conhecerá a verdade no dia em que todas as peças – sem cortes – do dossiê Disney, em poder do FBI, estiverem disponíveis”. Um forte indício de que as informações divulgadas até agora estão corretas é que nenhum processo foi aberto contra o livro, traduzido em 14 línguas.
Zé Carioca, um brasileiro em defesa dos EUA
Em plena Segunda Guerra Mundial, Walt Disney desembarcou no Brasil para colaborar com a “política da boa vizinhança”. À época, o governo Getúlio Vargas flertava com o Eixo, em detrimento dos Aliados, e os Estados Unidos adotaram uma campanha para ampliar sua influência política, econômica e cultural no país. Entre as iniciativas para aproximar as duas nações, estavam o impulso à carreira de Carmem Miranda e a viagem de 15 dias de Disney ao Rio de Janeiro. A missão do artista, instruído cuidadosamente por Nelson Rockefeller, diretor da influente Secretaria para Assuntos Interamericanos, era ganhar a simpatia dos brasileiros e o resultado foi a criação de Zé Carioca. O papagaio estreou no filme Alô, amigos de 1942, em que ciceroneava o Pato Donald pelo país. A passagem pela América Latina ainda rendou outros dois personagens: o Gauchinho Voador, representante da Argentina, e o galo mexicano Panchito. Todos se tornaram bons amigos de Donald, simbolizando o que deveria ser a relação com os americanos.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Prêmio Miriam Mendonça de Cultura

Mulher e militante Miriam Mendonça.

Como reorganização do Movimento Cultural em Jacarepaguá- Rio de Janeiro, estaremos inaugurando o Premio Miriam Mendonça. Essa celebração deverá estar homenageando a saudosa camarada Miriam como também agraciar pessoas que lutam para que a pela cultural popular tenha visibilidade e colabore para desconstrução da cultural mercantilizada e midiática, que nada mais é do que gerar a alienação. Miriam Mendonça, desde muito jovem já lutava contra as injustiças do sistema, por sua ideologia foi presa  e tortura pela  ditadura militar, porém nunca abandonou seus ideais. Militante desde sempre pela esquerda. Com a redemocratização , se filiou ao PDT, onde ficou por pouco tempo, seu ideal era voltar pro Partidão, e foi o que aconteceu. Militou com amor e firmeza no PCB até seu falecimento, ocorrido em 2006.


Prêmio Miriam Mendonça de Cultura

Data: 10 de novembro de 2012 - sábado

Horário:  das 16:30 às 20:00 horas

Local:  Posto de Saúde do Tanque (CMS Jorge Saldanha Bandeira de Mello)
Avenida Geremário Dantas, 135 - Tanque - Jacarepaguá, Rio de Janeiro
Organização:
AABJ - ASSOCIAÇÃO AMIGOS DA BIBLIOTECA DE JACAREPAGUÁ    Conselho Regional da FAM-RIO
ALDEIA – Associação Livre de Defesa, Expansão e Integração Artesanal
CAL - CASA DA AMERICA LATINA
CIA. DE TEATRO NÓS DE NOVO OUTRA VEZ
CPCBAJA – Conselho Popular de Cultura da Baixada de Jacarepaguá
CADEC – Centro de Apoio e Defesa da Cidadania
ACUCA – Associação Cultural do Camorim
AMVC – Associação de Moradores do Vale da Curicica
 Apoio:   
Campus FIOCRUZ – Mata Atlântica  

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

SE ME QUER, QUEIRA-ME INTEIRA


Se me quer, queira-me inteira,
não por zonas de luz ou sombra...
Se me quer, queira-me negra
e branca. E cinza, e verde, e loira,
e morena...
Queira-me dia,
queira-me noite...
E madrugada na janela aberta!

Se me quer, não me recorte:
Queira-me toda... Ou não me queira

Dulce Maria Loynaz (poetisa cubana)
Tradução: Daniel Oliveira

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

PAULAMA

O Brasil ainda é pau!
É pau-d'água
É pau-de-arara
É o pau do policial

O Brasil ainda é pau!
É casa de pau-a-pique
É a cara de pau do político
Paulama

O Brasil ainda é pau!
E de tanto pau
Pau e pedra
Paulificante

O Brasil ainda é pau!
Só já não é pau-brasil.

Hallisson Nunes Gomes
PCB/Minas Gerais

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Borrachalioteca de Sabará - a biblioteca comunitária mais inusitada do Brasil - completa 10 anos de atividades.

E para comemorar serão 3 dias com diversas atividades, entre elas: "Encontro com os Escritores do Coletivo 21", lançamento da embalagem do "Pão e Poesia - Especial", "Encontro de Narradores de História" e distribuição de livros.

“Encontro com os escritores”  – Coletivo 21
19 de outubro de 2012 – Horário: 20:00 Local: Teatro Municipal de Sabará
Na sexta-feira, dia 19 de outubro, convidamos os escritores do Coletivo 21 para um “Encontro com os Escritores – Especial”. Estão confirmados os escritores: Branca Maria de Paula, Caio Junqueira Maciel, Jorge Fernando dos Santos, Neusa Sorrenti e Ronaldo Guimarães. Na ocasião teremos apresentação dos Arautos da Poesia e a exibição do vídeo institucional.
 
Entrega das Embalagens do “Pão e Poesia – Especial”
20 de outubro de 2012 – Horário: 9:00 Saída na sede da Borrachalioteca
No sábado, dia 20, iremos percorrer diversas padarias para a entrega das embalagens do “Pão e Poesia” que dessa vez possui poemas sobre a iniciativa. Embalagens que contam também com desenho de Son Salvador e xilogravura de Erivaldo Ferreira. Haverá também declamação de poesia, tambores e distribuição de livros.
 
Encontro Intermunicipal de Contadores de História
21 e outubro de 2012 – Horário: 9:30 Casa das Artes – Rua Marieta Machado, 164 Centro
Domingo, dia 21, para fechar a programação teremos o “Encontro Intermunicipal de Contadores de História”. São histórias de várias partes do mundo e com contadores de vários estilos.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O bicho


Noites escuras e prédios negros
Detritos, lixos jogados no chão
Dormem em papelões
Nas esquinas e faróis vendem-se
Corpos e mentes ao sistema

A aurora se levante, mas o dia continua cinza
Sons estridentes e ruídos insuportáveis
Maquinas estáticas se movem e rodam
Num baile macabro.

Portas e portões se abrem
Fileiras e fileiras de corpos
Vão e vem vendendo-se nos prédios esfumaçantes
O bicho não pode parar de consumir.

A noite retorna, as trevas surgem mais cinzas
A mesma solidão e porcos gritando
Batendo, Cuspindo e vomitando
O mostro sistema ataca e consome.

Camarada Camilo
(pseudônimo de Patrick Wallacy - PCB/Guarulhos)


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não sou Clarice



Eu não tenho a minima pretensão em ser poeta
Quero inundar os olhos de ninguém com palavras sem fim
Rabiscar sentimentos

Tão despretensiosos quanto meu viver

Não entendo de métrica e rima
Não sou Clarice
Sou pequenina, desajeitada
Às vezes me finjo furacão
Outras pareço dias de sol

Meu teatro é meu segredo
E que não se abram as cortinas
Dispenso aplausos no salão
Nenhum holoforte

Quero viajar dentro de mim
Descobrir as cores que me pintam
Sozinha, nos meus delírios mais secretos
 
GABI SANTOS

Buena Vista Social Club prepara seu segundo disco (+ vídeo)

A banda cubana Buena Vista Social Club está prestes a lançar seu segundo álbum. Com Jesus Ramos na direção musical, as composições já estão praticamente prontas. E se depender do otimismo do diretor, o CD será um sucesso: “Com essas canções, tenho certeza que será considerado para o Grammy”, diz.
Músicos cubanos fizeram sucesso ao redor do mundo no fim dos anos 1990 
O grupo lançou seu primeiro disco em 1997, produzido pelo guitarrista norte-americano Ry Cooder, e se tornou sensação ao redor de todo o mundo, levando um som que há muito não ultrapassava as fronteiras da ilha.

O sucesso foi tanto que, em 1999, rendeu até um filme com o nome do grupo, sob a direção de Wim Wenders. De lá para cá, parte dos integrantes faleceu, mas a banda se manteve ativa. Hoje, só restam dois dos músicos originais: o trompetista Manuel "Guajiro" Mirabal e a cantora Omara Portuondo. Apesar da mudança dos músicos, a sonoridade que encantou plateias desde os anos 1990 continua a mesma. Agora é esperar o lançamento para conferir.
Fonte: http://convencao2009.blogspot.com.br/2012/10/buena-vista-social-club-prepara-seu.html

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Fantasia noturna

E a noite oculta com seu véu negro
Bem mais que os medos reais
Pois a fantasia que no dia se esconde
Nas sombras constantes da noite passeia
Entre a imensidão vazia, sem ter como
Oponentes o brutal preconceito
O que a luz mostra como torpe e diferente
A noite absorve como seu e lhe conota 

Sentidos, estes, únicos e belos
Assim os excluídos do dia reinam absolutos
Na metade menos requerida do ciclo diário
Mas não seria assim, afinal para que o espetáculo seja
Apreciado é preciso que se apaguem as luzes
E erga as cortinas
Então na realidade instituída faz-se necessário
Que o dia se recolha para que o melhor não tenha
Concorrência
Triste é perceber que o todo jamais se permitirá
Sentir o singular momento que só a noite proporciona
Mas mesmo seres como eu de vida diurna em um raro momento
Já pertenceu à noite
E como em uma paixão fugaz se entrego em alma
Ao ínfimo instante





EDVALDO ROCHA

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Voz Camarada

Sei que minhas palavras incomodam
Sei quando me mandam calar
Sei quando me ameaçam
Sei quando me torturam

Não importa
Não me calarei

Falarei mesmo sem língua
Falarei mesmo sem dedos
Falarei mesmo sem olhos
Falarei sem braços ou pernas
Falarei mesmo sem vida

Não me importa
Não me calarei

Nunca calarão
A voz que sai da minha boca
As vezes rouca, intensa ou grave
Mas nunca vacilante
Nunca calarão essa voz
Que na verdade não é minha
É de todo humano que já foi explorado

Não importa
Não me calarei

Nunca calarão a minha voz
Que mesmo após a minha morte
Ecoará mais forte do que nunca
Através da garganta de meus camaradas
Que com certeza gritarão meu nome

Camarada Presente!!!!!

Patrick Osorio de Melo dos Santos

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Hoje celebra o aniversário de 96 a Vedette Negra de Cuba Candita Batista

Hoje celebra o aniversário de 96 a Vedette Negra de Cuba.
Quando ele nasceu no Senado, cidade do atual município de Minas, em outubro distante, ninguém poderia imaginar Candita Batista para conquistar as fases mais importantes do mundo. Voz e donaire abriram caminho em tempos difíceis, quando a cor da sua pele colocar inúmeras barreiras para o sucesso que sua atuação sempre foi.

Mas essa rainha de ébano foi capaz de impor a sua classe e olhar cara a cara de fama, sem esquecer suas origens ou perder o único sorriso. Porque ela, que realizou na Europa e na América, ele dividiu a cena com grande canção - como Josephine Baker, Nat King Cole, Lola Flores, Rosita Fornés, bola de neve e Charles Aznavour, para citar apenas alguns - não hesitou em regressar ao seu país quando o povo chegou ao poder na ilha, 1 de janeiro de 1959. Tudo seria diferente no futuro, e Candita Batista queria ser protagonista da nova Cuba. Havana mesmo que seduziu; Ele decidiu ficar famosa de seu Camaguey e aqui continua, em habitação marcada com o número 2 na rua Cristo do capital agramontina, mesmo na área declarada Patrimônio Cultural da humanidade.
E eu acho que a coincidência, ideal para jollivan também é símbolo da cultura nacional e universal. Ela é o sentimento, voz, música e paixão feita a melodia.
Sonho de viver 120, e quem sabe... Sim posso garantir você é seu Camagüey parabéns você cantam e irão fornecer para ela, em sua casa na calle Cristo, ou muito perto, "Patricio Ballagas" Trova House ou qualquer lugar onde a boa arte é amor. Porque Candita Batista comemora 96 anos de idade e que merece um brinde, onde quer que estejamos.
(Traduzido por Bing)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Eles não Usam Black-tie

Brasil, 1981. Direção de Leon Hirszman Baseado na peça teatral de Gianfrancesco Guarnieri Sinopse: Ano de 1980, um dos últimos da ditadura militar no Brasil. Em São Paulo, a greve dos operários se prepara, dividindo os sindicalistas mais lúcidos e calculistas e os mais ansiosos e impulsivos. Ao mesmo tempo em que a luta se desenvolve, Tião -- filho de Otávio, sindicalista veterano marcado pela polícia -- e sua namorada, Maria, tomam a decisão de se casar. Temendo que lhe aconteça o mesmo que ao pai, Tião nem pensa em ficar do lado dos grevistas, hesitando mesmo em ficar do lado da empresa. Elenco: Gianfracesco Guarnieri, Fernanda Montenegro, Carlos Aberto Riccelli, Bete Mendes, Mílton Gonçalves, Francisco Milani, Anselmo Vasconcelos... Curiosidade: Participação de Fernando Ramos da Silva, que representou o Pixote, mais ou menos na mesma época.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

MEMÓRIA - 80 anos de nascimento de Victor Jara (28/09/1932)



fONTE: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=274244202692147&set=a.206142889502279.45491.200234660093102&type=1&theater

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

FALHEI

Falhei em aceitar a miséria como normal
E o meu egoísmo como coisa natural

Falhei em todos os padrões
em que tentaram me enquadrar
Me deram outra chance, me deram outra prova,
de múltipla escolha, com uma só opção
Não adiantava,
Só encontrava a resposta certa em meu coração

Tirei zero em cinismo,
Porque aquela desigualdade me incomodava
Não encontrava solução para o sistema
Nas minhas contas a matemática estava errada

Mas enxerguei a vida de outro ângulo
E a questão me pareceu exata
Ficou claro que aquela não era a minha classe
Que havia, por algum motivo me enganado

No fim, fiquei reprovado em hipocrisia
Porque não aceitei as regras da burguesia

Fui jubilado e encontrei a saída

Falhei...
E por isso venci na vida

William Alexandre

ELA

Naquela manhã de aragem fresca,
De vento feliz,
Só o vento podia tocá-la,
Se bem que eu queria, mas ela não quis.

Fazia alguns meses que ela partira,
Num dia tristonho de sol morno até,
Se partira, ou estava enganando,
Quem poderia dizer? Quem é? Quem é?

Agora volta, não sei se com vontade,
De ser a beldade que o amor consagrou,
Trazendo consigo a paz verdadeira,
Ou a grande esperança que ao partir deixou.

Vivaldo Terres

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ocupação artística inaugura monumento à classe trabalhadora


imagemCrédito: Brasil de Fato


Coletivo Dolores Boca Aberta

Após 15 dias de ocupação e 37 atividades, o Festival Teatro Mutirão, organizado pelo Coletivo Dolores Boca Aberta, deixa em praça da cidade de São Paulo monumento construído em homenagem à classe trabalhadora (na foto, ao fundo)

17/09/2012

O Coletivo Dolores Boca Aberta promoveu, até o dia 15 deste mês, em São Paulo, o Festival Teatro Mutirão. Todas as atividades foram realizadas em uma praça ao lado do metrô Artur Alvim (linha vermelha), na zona leste, em uma ocupação político-artística.

Diversos parceiros do Coletivo ajudaram a organizar as ações, que contaram com atividades de formação. Além de música, teatro, vídeo e oficinas, durante este período um monumento na praça em homenagem à classe trabalhadora foi construído.

O Coletivo dá o nome a isso de teatro perene, um esforço de colocar as ações, experiências e relações construídas nestes dias de ocupação cultural pra além deste próprio tempo.

Foram trabalhadores organizados que, ao pensarem o mundo onde vivem a partir de sua própria realidade, criaram e recriaram símbolos num processo de construção de outras possibilidades.

Em 15 dias de ocupação, foram realizadas 37 atividades e muita gente participando do processo todo.

No show de inauguração do monumento, que contou com a Banda Nhocuné Soul, havia cerca de 250 pessoas. Encerrada a ocupação, fica o Elefante. Quando o Elefante souber a força que tem, nunca mais precisará temer os ratos!

Crédito: Xandi Gonça/Lu Costa

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Cine ABI, em parceria com o Cineclube da Casa da América Latina apresentam: Cruzando as Crises Estadunidenses: do Colapso à Ação

    O Cine ABI, em parceria com o Cineclube da Casa da América Latina, Apresentam:
      Cruzando as Crises Estadunidenses: do Colapso à Ação Direção de Sílvia Leindecker e Michael Fox 2011 Documentário - 88 min.
    20 de setembro quinta-feira a partir das 18h30
    na ABI (Associação Brasileira de Imprensa) Rua Araújo Porto Alegre, 71 - 7° andar Centro (próx. ao metrô Cinelândia)

    Sinopse: Em 15 de setembro de 2008, os EUA foram tragados pela pior crise financeira desde a Grande Depressão. Neste mesmo dia, os diretores de Cruzando as Crises Estadunidenses saíram de viagem pelo país, percorrendo cerca de 40 estados da federação, para perguntar ao povo estadunidense o que eles tinham a dizer sobre o fato. Em 2010, eles voltaram aos locais por onde passaram para ver o que havia mudado. Nesta época, os profetas financeiros diziam que a recessão já havia acabado, mas a realidade era outra. As histórias  de cada entrevistado revelam desespero, indignação, esperança, sonhos, em meio a um colapso econômico desastroso; o caos gerado por um sistema de desigualdades. Mas a derrocada financeira é apenas uma das várias crises de direitos que estão, no momento, afligindo os Estados Unidos — em habitação, saúde, educação, etc.
       
Após a exibição do filme, haverá debate. 

Serão concedidos certificados aos participantes.
Os 25 primeiros que chegarem terão direito a pipoca e guaraná grátis!
cortesia: Sindipetro-RJ 
apoio: ABI Associação Brasileira de Imprensa 
realização: Casa da América Latina 

         
Campanhas que apoiamos 

       
 O Petróleo Tem que Ser Nosso
       
Agenda Colômbia Brasil
       
Auditoria da Dívida Interna e Externa
         



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O assassinato de um cantor popular

Grande cantor popular chileno, ele foi cruelmente assassinado nos primeiros dias da ditadura instaurada pelos militares liderados por Augusto Pinochet em 1973. O crime aconteceu no Estádio Nacional que servia de prisão para milhares de militantes. O relato chocante abaixo, que mostra a barbaridade do assassinato, foi retirado de No Olho do Furacão, do jornalista brasileiro Paulo Cannabrava, a partir de relatos de quem esteve lá.



“Em um dado momento, Victor desceu para a platéia e se aproximou de uma das portas por onde entravam os detidos. Ali topou – cara a cara – com o comandante do campo de prisioneiros que o olhou fixamente e fez o gesto mimico de quem toca violão. Victor assentiu com a cabeça, sorrindo com tristeza e ingenuidade. O militar sorriu, contente com sua descoberta..
Levaram Victor até à mesa e ordenaram que pusesse suas mãos em cima dela. Rapidamente surgiu um facão. Com um só golpe cortaram seus dedos da mão esquerda e, com outro, os da mão direita. Os dedos cairam no chão de madeira, ainda se mexendo, enquanto o corpo de Victor se movia pesadamente.

.
Depois choveram sobre ele golpes, pontapés e os gritos: ‘canta agora… canta…’, a fúria desencadeada e os insultos soezes do verdugo ante um ‘alarido coletivo’ dos detidos.
.
De improviso, Victor se levantou trabalhosamente e, com o olhar perdido, dirigiu-se às galerias do estádio… fez-se um silêncio profundo. E então gritou:
- Vamos lá, companheiros, vamos fazer a vontade do senhor comandante.

Firmou-se por alguns instantes e depois, levantando suas mãos ensanguentadas, começou a cantar em voz ansiosa o hino da Unidade Popular (Coligação de partidos de esquerda que apoiavam o governo de Allende), a que todos fizeram coro.
.
Aquele espetáculo era demasiado para os militares. Soou uma rajada e o corpo de Victor começou a se dobrar para a frente, como se fizesse uma longa e lenta reverência a seus companheiros. Depois caiu de lado e ficou ali estendido.”

Vídeos:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-assassinato-do-cantor-victor-jara-na-ditadura-chilena

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Uruguaio Daniel Viglietti lembra ditaduras, critica impunidade e diz que faz ‘canções humanas’

Ao se apresentar em São Paulo, o músico uruguaio reafirmou a necessidade urgente de se acabar com a impunidade na América Latina. Ele citou o caso do “traidor” Cabo Anselmo, que entregou a militante Soledad Barret, a quem dedicou uma canção intercalada com um poema de Mario Benedetti.



Carta Maior

São Paulo – Não são muitos os músicos que atravessaram as ditaduras na América Latina e ainda reservam para si a tarefa de divulgar a memória das lutas populares. O uruguaio Daniel Viglietti é uma dessas poucas figuras que utiliza as canções como interpretação poética do passado e do presente, “como um pequeno passarinho que pousa no ombro das pessoas para lhes falar verdades”, como ele mesmo definiu.

Aos 73 anos, o músico veio ao Brasil para fazer duas apresentações no Sesc Santana, na cidade de São Paulo, nos dias 24 e 25 de agosto. Muito simpático e solícito, Daniel concedeu uma entrevista à Carta Maior e falou sobre a importância da arte para manutenção da memória.

Livrando de si o peso de ser parte desta memória viva da música latinoamericana, a todo tempo reivindicou outras influências, de todas as gerações, sejam elas de artistas – como os chilenos Victor Jara e Violeta Parra –, sejam elas os heróis da luta popular, como o Capitão Lamarca e Carlos Mariguella.

Durante a própria apresentação, Viglietti reafirmou a necessidade urgente de se acabar com a impunidade na América Latina. Citou o caso do “traidor” Cabo Anselmo, que entregou a militante Soledad Barret, a quem o músico dedicou uma canção intercalada com um poema de Mario Benedetti.

Viglietti elogiou a mescla de ritmos e sons utilizados pelas novas gerações, citando o rap, e diz preferir chamar o tipo de canção que faz como “canções humanas”. Mostrou, assim, representar com muita abertura a transição para a “nova memória que está se editando” no continente. Assista a entrevista em nosso canal no Youtube.

Fonte: http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=4698:uruguaio-daniel-viglietti-lembra-ditaduras-critica-impunidade-e-diz-que-faz-cancoes-humanas&catid=89:uruguai

Video Daniel Viglietti

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Gregório Bezerra, por Eduardo Antonio Lázaro

espancado e torturado,
mais que Cristo no Calvário,
só porque dedica a vida
ao movimento operário
e à luta dos camponeses
contra o latifundiário.