quinta-feira, 27 de junho de 2013
Liberdade - Por C. Marighella
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terça-feira, 25 de junho de 2013
COPA DO MUNDO
A copa do mundo é o evento,
Mais famoso e mais caro do planeta.
Enquanto milionários correm em campo,
Fazendo belas jogadas.
E nas arquibancadas...
Só sentam-se pessoas abastadas!
Enquanto isso neste mesmo país...
Existem pessoas levando uma vida desgraçada!
Não sei por que acontece essa grande diferença;
Regimes ditando regras e pregando as suas crenças.
Enquanto em nosso planeta
Existem homens, se dizendo inteligentes.
Matam gente todo dia, até mesmo inocentes
Quando não morrem de fome!
Por viverem desnutridos:
Por isso ficam doentes.
Vivaldo Terres é poeta, cronista e contista em Itajaí
Mais famoso e mais caro do planeta.
Enquanto milionários correm em campo,
Fazendo belas jogadas.
E nas arquibancadas...
Só sentam-se pessoas abastadas!
Enquanto isso neste mesmo país...
Existem pessoas levando uma vida desgraçada!
Não sei por que acontece essa grande diferença;
Regimes ditando regras e pregando as suas crenças.
Enquanto em nosso planeta
Existem homens, se dizendo inteligentes.
Matam gente todo dia, até mesmo inocentes
Quando não morrem de fome!
Por viverem desnutridos:
Por isso ficam doentes.
Vivaldo Terres é poeta, cronista e contista em Itajaí
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sexta-feira, 21 de junho de 2013
Tarifa do Piau (Paródia de "Cabeleira do Zezé")
Olha a tarifa do Piau!
Será que é legal?
Será que é legal? (Não é!)
Olha a tarifa do Piau!
Será que é legal?
Será que é legal?
AA deu a canetada
Em cima do prazo final
Piau que não é bobo nem nada
Finge ser tudo normal!
Corta a tarifa dele!
Corta a tarifa dele!
Corta a tarifa dele!
Corta a tarifa dele!
Toninho Marques
http://boisemdono.blogspot.com.br/2013/01/carnaval-2013-parodias.html
Será que é legal?
Será que é legal? (Não é!)
Olha a tarifa do Piau!
Será que é legal?
Será que é legal?
AA deu a canetada
Em cima do prazo final
Piau que não é bobo nem nada
Finge ser tudo normal!
Corta a tarifa dele!
Corta a tarifa dele!
Corta a tarifa dele!
Corta a tarifa dele!
Toninho Marques
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quinta-feira, 20 de junho de 2013
LANÇAMENTO DO LIVRO JUVENIL CERTA MANHÃ, DE DANIEL OLIVEIRA, EM SABARÁ
Lançamento
do livro do autor sabarense Daniel Oliveira, dia 05 de julho às 14h, na
Biblioteca Pública Municipal Professor "Joaquim Sepúlveda"
https://www.facebook.com/events/384060771699456/
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
Quadrinistas brasileiros fazem HQs em apoio a manifestações
Para quem ainda não sabe, está marcada para as 17h deste dia 17 de junho
uma grande manifestação pública no Largo da Batata, em São Paulo. Às
manifestações que começaram na semana passada contra o aumento da
passagem de ônibus agora se juntam outras causas, como o repúdio à
violência policial.
Os quadrinistas nacionais, podendo ou não comparecer ao evento, também estão manifestando-se. Fábio Moon e Gabriel Bá publicaram hoje em seu blog duas HQs curtas explicando por que vão participar da manifestação. Na HQ de Bá, em referência à truculência policial, ele pergunta "e se dissessem quais histórias eu posso contar e quais eu não posso?". Veja na galeria.
Rafael Albuquerque
também colocou seu ponto de vista em HQ e ilustração - lembrando que a
Copa está quase aí e tem tudo a ver com os protestos. Outros
quadrinistas, como Laerte, também já expressaram sua opinião, mesmo que com humor. O autor de Piratas do Tietê fez releitura de uma HQ de Glauco dos anos 70, como você confere na galeria, ao lado. Na mesma linha, João Montanaro está fazendo releitura de Banksy.
Também por motivo dos protestos, a editora Balão Editorial resolveu disponibilizar Como na Quinta Série, de DW Ribatski, álbum lançado no ano passado e que trata também de truculência policial. A HQ pode ser lida aqui.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
Lançamento do livro Os ventos que sopraram do leste: o PCB entre o fim da história e o marxismo
Escrito pelos integrantes do Comitê Central do PCB Hiran Roedel e Heitor Oliveira, Os ventos que sopraram do leste: o PCB entre o fim da história e o marxismo
compara a luta político-ideológica ocorrida no PCB e que gerou a
criação do PPS, com o processo de mudanças manifestas na antiga URSS e
no Leste Europeu.
“Visto
de forma dialética, o impacto de tais mudanças, associado à dinâmica
histórica do Brasil nos anos 80 do século XX, resulta em caminhos
distintos para os comunistas brasileiros que desembocam na divisão em
dois partidos”, escrevem os autores.
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quarta-feira, 12 de junho de 2013
Fronteiras
Os corações
(assim como as pátrias)
não deviam
ter fronteiras.
Queria explodi-los
em suspiros, gozo e
anátemas
para que de tantos pedaços
brotassem outras
centenas.
Os corações
(assim como as pátrias)
não
deviam ter fronteiras…
mas têm.
Mauro Iasi
CC do PCB
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sexta-feira, 7 de junho de 2013
Teatro e Resistência Cultural: o Grupo Opinião
Estudo
de Miliandre Garcia, publicado no site do grupo de pesquisa
Intelectuais, Esquerdas e Movimentos Sociais, da Unesp Marília, Teatro e Resistência Cultural: o Grupo Opinião
estuda como, na década de 1960, um contingente expressivo de artistas
engajados assimilou o discurso do PCB, com a emergência de um novo
imaginário acerca da cultura brasileira, e sua ligação direta com
formato e linguagem do Grupo Opinião.
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quinta-feira, 6 de junho de 2013
O hálito da floresta faz do tempo sua meta
O hálito da floresta
faz do tempo sua meta
Povos feitos de rios e
selva
Comunhão ancestral que
congrega
Na explosão do verde a
descoberta
Texto: Daniel Oliveira
Fotografia: Thiago Almeida
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quarta-feira, 5 de junho de 2013
Poetas do Proletariado e Poemas Coletivos.
A proposta da página é a construção de poemas coletivamente, com a seguinte organização:
1) Um novo poema nasce com uma mensagem - o 1º verso;
2) Os comentários são sua continuidade;
3) Quem lança o 1º verso pode sugerir estilo/temática
*P.ex., soneto, haikai, livre, n° de versos, rimado ou não, etc.
Contudo, deve ser apenas sugestão.
4) Cada um escreve, através de um comentário, um ÚNICO verso.
*copia/cola o(s) verso(s) anterior(es) e adicionar o seu, não podendo alterar o que já apresentados.
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terça-feira, 4 de junho de 2013
Ação Brigada Popular Valdomiro Jambeiro na pista de Skate.
Ação realizada no dia 25/05/2013 na
pista de Skate em Gauianases, Zona lesta da capital paulista. A região
existe poucos ponto de cultura e para a juventude, o pouco que tem falta
manutenção. a Brigada Valdomiro Jambeiro compôs em conjunto com a
juventude que frequenta a pista e pos a "mão na massa" para reformar a
pista de skate, além de fazer diversas gafites para deixa o ambiente com
a cara da juventude que frequenta o espaço.
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.492399494165119.1073741829.100001852180126&type=1
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segunda-feira, 3 de junho de 2013
O Rio balança
-->
O Rio
balança
O Rio
balança o Homem
O Rio
balança o Homem no Barco
Rio
Homem Barco
no
balanço da Vida
Fotografia:
Thiago Almeida
Texto:
Daniel Oliveira
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
MuchoCumo "Nuestro Juramento" (clip musical)
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Exposição de charges comemora 10 Anos de Fábrica Ocupada Flaskô
O cartunista Batata, para comemorar os 10 anos de Fábrica Ocupada Flaskô, realizará uma exposição de charges e cartuns.
A exposição irá acontecer no Festival de 09 a 16 de junho, que também acontecerá como parte da data comemorativa.
Para quem deseja participar da exposição, basta enviar o trabalho para o email batatasemumbigo@gmail.com.
Para saber mais sobre o festival, clique no link abaixo:
O site da Fábrica:
Maiores detalhes da exposição podem ser obtidos através do e-mail do cartunista.
Fonte: http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=21514
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
Estamos num acampamento Sem-Terra.
Estamos num acampamento Sem-Terra.
O surdo baque do machado sobre a lenha
A alegria dos cantos desentoados do Joel
Traz para minh’alma grande alegria
Arrisco cantar uma cantiga antiga
Do fogão-de-barro e chapa de flandre
Escapa o saboroso cheiro de fufé,
Saborosa receita de café e, muito apreciado
É a maior descoberta de algum acampado.
Depois do fufé com fubá suado,
Apressado desço à ravina buscar água
Que regará as plantas já regaladas
De orvalho prata do generoso cosmo
E produzirá tenros legumes aos pratos.
A vida nos acampamentos do movimento
Transcende a esperança e irrompe
A consciência politizada do acampado
Que quanto a legitimidade dessa luta
Não tem dúvidas. Ou luta ou se curva.
Nossas barracas não têm portas
Mas se têm é por questão de medo
A gente come ou bebe em qualquer delas
Sem preconceito também se dorme se for preciso
É que estamos todos, bastante socializados
Repartimos nossos bens à companheirada
Às famílias maiores com sua criançada
E quando cozinham alguma guloseima
Chegam para nós sorrindo e oferecendo
O cândido sorriso de quem está crescendo.
Elias Elliot
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segunda-feira, 20 de maio de 2013
A Liberdade - Bonde da Cultura
O Bonde da Cultura é um coletivo artístico do Morro Jorge Turco, localizado no bairro Coelho Neto - Rio de Janeiro. Revolucionários, bolivarianos, é um dos grupos que fez de sua arte a principal arma de resistência.
No mês de abril, a TV Memória Latina subiu o morro junto aos companheiros do Bonde da Cultura para gravar algumas músicas. Uma delas, você confere agora. Trata-se da música "A Liberdade", composta por Matheus Moraes e Marcelo Jerry e interpretada por Diego Silva e Marcelo Jerry, integrantes do Bonde.
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
Marambaia
-->
Oh,
meu Deus, isso num é vida de gente, não
Marido
doente internado
Eu
aqui de resguardo
As
meninas no caminhão
(Apanhando
café pro patrão)
Oh,
meu Deus, isso num é vida de gente, não
Sempre
eu pensava no início
Que
se tivesse um pedacinho
De
terra que desse ao menos
Um
talinho não saia dali não
Que
a gente lá roçava
Capinava
de enxada
Mas
todo dia a noite vencia
Meus
filhos passava fome
Não
tinha saída, nem folha
De
mandioca que desse guarita
Nem
água com açúcar
Que
açúcar não tinha
Oh,
meu Deus, isso num é vida de gente não
Daniel
Oliveira
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quarta-feira, 8 de maio de 2013
O GARI
Levanta de manhã cedinho,
Deixa a casa, os filhos, a família.
Vai para a labuta diária,
Defender o pão de cada dia.
Passam dias, meses e anos!
Na maioria das vezes sem nunca serem lembrados.
As mãos, o rosto, a vassoura, a pá e o carrinho,
Mostra o seu trabalho honrado.
A vida é passageira,
Da mesma somos todos coadjuvantes.
O final é para todos é uma certeza,
Desde os mais simples, até os mais importantes.
Toda profissão é digna do trabalhador,
Seja ela médico, advogado, professor ou varredor.
O importante é honrar o que se faz,
Acrescentando a esta, respeito, carinho, dedicação e
amor.
Para algumas pessoas, creio:
Ser gari é uma profissão vergonhosa.
Manter uma cidade limpa,
É como cuidar de uma rosa.
Ser gari é muito mais que limpar ruas e cidades,
É criar vínculos de amizade, ternura e boa vizinhança.
Pois quem possui bons amigos,
Colherá os frutos da bonança.
A todos os garis do Brasil,
Meu abraço de estima, apreço e gratidão.
Nunca deixem-se abater pelo desânimo,
Exerçam com carinho e entusiasmo tão bela profissão.
Antônio Francisco Cândido
Funcionário do Teatro Municipal de Pouso Alegre - MG
Membro Correspondente da A.C.L.A.C. Arraial do Cabo - RJ.
e-mail: candidok1917@gmail.com
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sexta-feira, 3 de maio de 2013
Carlos Puebla - Yanquees Go Home
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quinta-feira, 2 de maio de 2013
Escritor chileno lança no Brasil obra que lembra desaparecidos da ditadura de Pinochet
O cinema costuma atrair os holofotes quando o mainstream se debruça
sobre a vizinha cultura latino-americana, mas quem disse que ele reina
sozinho no atual panorama cultural da região? Há uma nova safra de
escritores da América Latina que pouco a pouco ocupa as livrarias
brasileiras com sua literatura de qualidade.
Divulgação
Do Chile, a principal referência atualmente é Alejandro Zambra, um dos 22 selecionados pela revista britânica Granta para sua edição com novos nomes das letras hispano-americanas. Seu livro mais celebrado, Bonsai,
saiu em 2006 e recebeu vários prêmios no Chile e no exterior, além de
ter sido adaptado ao cinema pelo diretor chileno Cristián Jiménez. Foi
publicado no Brasil em 2012 pela editora Cosac Naify.
Aos 37 anos, Alejandro publica agora em português, pela mesma editora, A vida privada das árvores, de 2007. O escritor, que participa do “Navegar É Preciso”, viagem literária pelo Rio Negro, organizada pela Livraria da Vila, estará em São Paulo no dia 7 de maio para o lançamento do livro.
Na nova obra, Julián espera a chegada de sua esposa, Verónica, enquanto conta histórias de árvores para sua enteada Daniela. Enquanto a mulher não vem, o protagonista inventa para eles futuros possíveis, do qual Verónica não faz parte. Embora a trama aconteça nos dias de hoje, há quem veja aí uma relação com a ditadura de Pinochet, que deixou muitos a espera de amigos e parentes exilados no Chile.
Confira a entrevista exclusiva de Zambra a Opera Mundi.
Opera Mundi: Que temas mais lhe importam como escritor?
Alejandro Zambra: Isso vai mudando o tempo todo. Só posso dar uma resposta muito geral: me interessa a maneira como as pessoas vivem. Gosto de observar isso. A forma com que você se relaciona com seu bairro, sua cidade, seu país. E isso tem a ver com todos os temas.
OM: Como nasceu a ideia para A vida privada das árvores?
AZ: Realmente não está claro pra mim. A primeira coisa que me ocorreu foi o título. Li o verso “a vida privada das árvores” no livro de um amigo poeta, Andrés Anwandter, há 15 anos. E aí pensei que gostaria de escrever um romance chamado assim. Mas passou bastante tempo até que eu decidisse tentar.
Divulgação
Do Chile, a principal referência atualmente é Alejandro Zambra, um dos 22 selecionados pela revista britânica Granta para sua edição com novos nomes das letras hispano-americanas. Seu livro mais celebrado, Bonsai,
saiu em 2006 e recebeu vários prêmios no Chile e no exterior, além de
ter sido adaptado ao cinema pelo diretor chileno Cristián Jiménez. Foi
publicado no Brasil em 2012 pela editora Cosac Naify.Aos 37 anos, Alejandro publica agora em português, pela mesma editora, A vida privada das árvores, de 2007. O escritor, que participa do “Navegar É Preciso”, viagem literária pelo Rio Negro, organizada pela Livraria da Vila, estará em São Paulo no dia 7 de maio para o lançamento do livro.
Na nova obra, Julián espera a chegada de sua esposa, Verónica, enquanto conta histórias de árvores para sua enteada Daniela. Enquanto a mulher não vem, o protagonista inventa para eles futuros possíveis, do qual Verónica não faz parte. Embora a trama aconteça nos dias de hoje, há quem veja aí uma relação com a ditadura de Pinochet, que deixou muitos a espera de amigos e parentes exilados no Chile.
Confira a entrevista exclusiva de Zambra a Opera Mundi.
Opera Mundi: Que temas mais lhe importam como escritor?
Alejandro Zambra: Isso vai mudando o tempo todo. Só posso dar uma resposta muito geral: me interessa a maneira como as pessoas vivem. Gosto de observar isso. A forma com que você se relaciona com seu bairro, sua cidade, seu país. E isso tem a ver com todos os temas.
OM: Como nasceu a ideia para A vida privada das árvores?
AZ: Realmente não está claro pra mim. A primeira coisa que me ocorreu foi o título. Li o verso “a vida privada das árvores” no livro de um amigo poeta, Andrés Anwandter, há 15 anos. E aí pensei que gostaria de escrever um romance chamado assim. Mas passou bastante tempo até que eu decidisse tentar.
OM: Você é considerado atualmente um dos novos talentos da literatura hispano-americana. Como isso afeta seu trabalho?
AZ: Estou feliz, porque meu trabalho conseguiu chegar a alguns leitores. No momento de escrever, no entanto, não existe nada disso. Você está sozinho com a página.
OM: A seu ver, você compartilha algo com escritores latino-americanos da sua geração?
AZ: Compartilho muitíssimas coisas, mas cada um faz o seu trabalho. Não gosto muito de ficar fazendo listas, na verdade. Há escritores que admiro e por sorte são meus amigos, como os mexicanos Alvaro Enrigue, Guadalupe Nettel e Valeria Luiselli, os argentinos Pedro Mairal e Samanta Schweblin, ou compatriotas meus, como Matías Celedón e Alejandra Costamagna.
OM: No cinema, pouco a pouco se fala de uma maior proximidade entre a cultura brasileira e a hispano-americana. Como você enxerga a literatura nesse contexto?
AZ: Sempre estive atento à literatura e à música brasileiras. Não tenho claro os problemas entre as duas culturas. Acho que sim, que os livros sempre circulam. Neste momento, estou feliz de conhecer autores como Emílio Fraia, Tatiana Salem, João Paulo Cuenca, Daniel Galera e Miguel del Castillo.
OM: Quais são seus autores preferidos no Chile e na América Latina?
AZ: São muitos. É melhor eu citar uma autora que levo muitos anos lendo e desfrutando: Clarice Lispector. E uma grande escritora argentina, não tão conhecida ainda, chamada Hebe Uhart.
OM: Existe alguma relação entre a história que você relata e a ditadura chilena?
AZ: Entendo que essa relação pode ser feita, mas não escrevi o romance pensando nesse tema.
AZ: Estou feliz, porque meu trabalho conseguiu chegar a alguns leitores. No momento de escrever, no entanto, não existe nada disso. Você está sozinho com a página.
OM: A seu ver, você compartilha algo com escritores latino-americanos da sua geração?
AZ: Compartilho muitíssimas coisas, mas cada um faz o seu trabalho. Não gosto muito de ficar fazendo listas, na verdade. Há escritores que admiro e por sorte são meus amigos, como os mexicanos Alvaro Enrigue, Guadalupe Nettel e Valeria Luiselli, os argentinos Pedro Mairal e Samanta Schweblin, ou compatriotas meus, como Matías Celedón e Alejandra Costamagna.
OM: No cinema, pouco a pouco se fala de uma maior proximidade entre a cultura brasileira e a hispano-americana. Como você enxerga a literatura nesse contexto?
AZ: Sempre estive atento à literatura e à música brasileiras. Não tenho claro os problemas entre as duas culturas. Acho que sim, que os livros sempre circulam. Neste momento, estou feliz de conhecer autores como Emílio Fraia, Tatiana Salem, João Paulo Cuenca, Daniel Galera e Miguel del Castillo.
OM: Quais são seus autores preferidos no Chile e na América Latina?
AZ: São muitos. É melhor eu citar uma autora que levo muitos anos lendo e desfrutando: Clarice Lispector. E uma grande escritora argentina, não tão conhecida ainda, chamada Hebe Uhart.
OM: Existe alguma relação entre a história que você relata e a ditadura chilena?
AZ: Entendo que essa relação pode ser feita, mas não escrevi o romance pensando nesse tema.
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quinta-feira, 25 de abril de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Biografia de Gabriel García Márquez em quadrinhos
A editora espanhola Sins Entido lançou uma graphic novel
com a biografia do escritor colombiano Gabriel García Márquez. O
roteiro é de Óscar Pantoja e os desenhos são de responsabilidade de
Miguel Bustos, Felipe Camargo, Tatiana Córdoba e Julián David Naranjo.
Gabo - Memorias de Una Vida Mágica (180 páginas, formato 17 x 24 cm, 22 euros) relata a vida de um dos mais importantes autores do século 20, vencedor do Pêmio Nobel de Litaratura,
em 1982. Seu último livro, Memória de minhas putas tristes, foi lançado em 2004.
Ele também foi jornalista, editor e ativista político marxista na Colômbia.
No Brasil, a graphic novel deverá ser lançada pela Editora Record, mas ainda não há data confirmada.

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sexta-feira, 19 de abril de 2013
Falleció Alfredo Guevara, Presidente del Festival del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana

Alfredo Guevara. Foto: Petí
- Artículos de Alfredo Guevara en Cubadebate
Alfredo Guevara, director del Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana y gloria de la cultura nacional, falleció esta mañana en la capital cubana víctima de un infarto cardíaco, dijeron a Cubadebate amigos cercanos.
Guevara, doctor en Filosofía y Letras de la Universidad de La Habana, donde conoció al líder cubano Fidel Castro,
fue el creador y presidente fundador del Instituto Cubano del Arte e
Industria Cinematográficos (ICAIC) en marzo de 1959. Nació el 31 de
diciembre de 1925 y tenía al morir 87 años de edad y por voluntad
expresa, su cuerpo será cremado.
Había recibido la Orden Félix Varela de Primer Grado, máximo
reconocimiento de la Cultura cubana, y en marzo de 2009, le fue
conferida la Orden José Martí, la más alta distinción del Estado cubano,
de manos del Presidente Raúl Castro.
Participó activamente en las manifestaciones estudiantiles y en la
lucha clandestina contra la dictadura batistiana, por lo cual sufrió
persecuciones y encarcelamientos. En la década del 50 del siglo
pasado, cursó estudios superiores de Dirección Teatral y fue uno de los
fundadores del Grupo Teatro Estudio y de la Sociedad Cultural Nuestro
Tiempo. En 1955 participó, junto al cineasta Julio García Espinosa y
otros artistas en El Mégano, filme documental considerado como
antecedente del Nuevo Cine Cubano. Colaboró como asistente de producción
de Manuel Barbachano y en la realización de los cortos semanales Cine Verdad. En 1958 trabajó como asistente de dirección de Luis Buñuel en Nazarín.
Al crearse el Ministerio de Cultura en 1975, fue nombrado
Viceministro. Como Presidente del Instituto Cubano del Arte e Industria
Cinematográficos, creó la Cinemateca de Cuba, el Noticiero ICAIC
Latinoamericano, la revista Cine Cubano, el Grupo de experimentación
Sonora del ICAIC, y fue uno de los principales promotores del movimiento
plástico cubano que revolucionó el diseño del cartel cinematográfico.
Alfredo fundó con otras grandes figuras, el Nuevo Cine
Latinoamericano, y fue organizador y presidente de sus Festivales,
miembro de honor del Comité de Cineastas de América Latina y del Consejo
Superior de la Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano. Le fue
impuesta por el presidente de la República Francesa, Francois
Mítterrand, la Orden de la Legión de Honor, en el grado de Comendador.
Desde 1968 colaboró con la UNESCO como especialista en políticas
culturales, donde ejerció entre otras funciones la de miembro del
Consejo Ejecutivo y representante de Cuba; en 1983 es nombrado Embajador
de Cuba ante la UNESCO; recibió, de manos del director general Federico
Mayor, la Medalla de Oro Federico Fellini otorgada por primera ocasión a
un cineasta.
Era Profesor Emérito del Instituto Superior de Arte, que le otorgó el
título de Doctor Honoris Causa en Arte. En el 2008 recibió el Premio de
la Latinidad, por su contribución a la cultura nacional y por sus
esfuerzos a favor del desarrollo y la difusión del cine latinoamericano y
caribeño.
Cubadebate publicó una entrevista que le hiciera el cantautor y escritor Amaury Pérez titulada “Soy un profesional de la esperanza”, y que hoy recordamos a nuestros lectores como muestra de pesar y homenaje a su extraordinario legado a la cultura nacional.
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
EPITÁFIO DE UM INVASOR
EPITÁFIO DE UM INVASOR
•09/04/2013 • Deixe um comentário
(Foto da invasão da Playa Girón, Cuba, por forças norte-americanas, 1962)
(Roberto Fernández Retamar, Cuba, 1930)
Teu bisavô cavalgou por Texas
violou mexicanas trigueiras e roubou cavalos
até que se casou com Mary Stonehill e fundou um lar
de móveis de carvalho e “Deus abençoe nossa casa”.
Teu avô desembarcou em Santiago de Cuba,
viu afundar a Esquadra espanhola, e levou ao lugar
o bafo de rum e uma escura nostalgia de mulatas.
Teu pai, homem de paz,
só pagou o soldo de doze rapazes na Guatemala.
Fiel aos teus,
te dispuseste a invadir Cuba, no outono de 1962.
Hoje serves de adubo às ceibas.
(tradução de Jeff Vasques)
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Roberto Fernández Retamar
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Centro de Formação Astrojildo Pereira ganha logotipo
O Centro de Formação Astrojildo Pereira já possui logotipo. Após
receber dezenas de sugestões em concurso cultural promovido pelo PCB, o
Secretariado Nacional do Partido escolheu o desenho de Francélio Parente
Hardi, de Roraima – que mesmo sem ser militante do PCB se colocou à
disposição para colaborar na iniciativa.
Como premiação no concurso, este amigo do PCB receberá nos próximos
dias uma coleção com todas as publicações já editadas pela Fundação
Dinarco Reis.
Ao mesmo tempo em que anuncia a arte vencedora, o Partido reafirma
que vem promovendo uma incansável e dura luta para quitar a aquisição do
imóvel onde será sediado o Centro de Formação – e também para sua
reforma e estruturação. Iniciativas para o levantamento de recursos
financeiros serão anunciadas em breve. Continuamos contando com o apoio e
participação não apenas de militantes do PCB, mas também de nossos
amigos e simpatizantes, como Francélio.
http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=5770:centro-de-formacao-astrojildo-pereira-ganha-logotipo&catid=29:organizacao
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terça-feira, 9 de abril de 2013
domingo, 7 de abril de 2013
Pátria Amada
Tu sente a dor mas não sabe de onde veio a pancada.
Nasceu inocente e puro, e cresce aprendendo se prendendo e se corrompendo.
Você tem um sonho, terá de comprá-lo. O preço é a própria submissão.
Há o mundo perfeito onde há plenitude, sucesso e prestações fixas.
Sua voz tem poder, tem timbre. Mas é sufocada pelo som do canal 12.
E o umbigo foi importante até você nascer, mas olha só pra ele o tempo todo.
Existe um pastor no poder, mas existe poder num pastor?
Não há quem consiga mandar onde ninguem obedeça, mas obedecemos demais.
Rede social: A rede te prendeu e o social nunca existiu.
E a necessidade de SER foi substituída pela necessidade de TER.
o pátria amada!...
Cristiano Coimbra
quarta-feira, 3 de abril de 2013
inquietude milenar
sonhos/ medos e alucinações/
onde a razão não chega
resta a imaginação/
tristeza/ sofrimento e saudade/
quando o coração agoniza
resta a consolação
vida de desumanização humana/
estranhamento da essência/
exaltação da aparência/
coisificação do trabalho/
vida de pesadelo cotidiano
vida de sobrevivência para muitos
e de gozo para poucos/
de satisfação para poucos
e de submissão para tantos/
vida esvaziada e guiada
realidade fértil à mistificação/
necessidade mental da fuga/
necessidade vital da dominação/
vida repleta de usurpadores
e culto à mentira
o que esperar após a morte?
vida de gozo/
vida de sonhos/
vida eterna ou vácuo?
inquietude milenar
e o que esperar da vida sem
a usurpação e o medo/
a submissão e a mentira/
a coisificação do trabalho
e da vida?
o resgate da essência/
liberdade e criação/
a re-humanização humana
Otávio Dutra – março de 2013
Havana - Cuba
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terça-feira, 2 de abril de 2013
POR QUÊ?

POR QUÊ?
(Elvio Romero, poeta-lutador paraguaio, 1926-2004)Por que não devemos querer nós todos
o que nunca quisemos; por exemplo, uma casa
sobre o remanso de um rio,
com vitórias régias em seu costado,
com suas janelas em regozijo.
Por que não devemos escutar nós todos
o que a noite escuta; por exemplo, uma sombra
que nos sirva de abrigo,
que ali morra misteriosamente
assumindo a cor de seus domínios.
Por que não devemos pisar nós todos
o que jamais pisamos; por exemplo, uma vereda
com cheirosos cachos,
com uma fogueira que ali se acenda,
com grandes chuvas que nunca vimos.
Por que não devemos sonhar nós todos
com um eco que soe; por exemplo, um murmúrio
que trema no som ido,
e que responda às perguntas
que junto ao fogo reunimos.
E por que não buscar sempre
o que é parada em um caminho,
o que há de outono em um verão,
o que há de ardente no mais frio,
o que é rubor em uns lábios,
o que é Lembrança no Olvido,
o que é pergunta na resposta,
o que é ofegar em um suspiro,
o que é vital dessa alegria,
dessa tristeza em que se vive.
Tradução:
Jefferson Vasques
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poesia
segunda-feira, 1 de abril de 2013
O Segundo Réquiem para Gullar
![]() |
| O poeta de esquerda "arrependido": um prato cheio para o monopólio midiático reacionário de "tempos democráticos" |
O
último poema de O Vil Metal chama-se Réquiem para Gullar[1]. No ano passado, após mais de meio século, Ferreira Gullar fez
publicar seu segundo réquiem. Enquanto no primeiro exercia o seu ofício, neste
último a poesia sai de cena. Aquele que já se definiu “poeta político” (Omissão, B) agora renega a si mesmo, abandona a
esperança e a luta, capitula e trai.
Para
que não pensem que exageramos, transcrevemos abaixo os principais trechos dessa
fúnebre (não) poesia de Gullar. Pretendemos, em seguida, analisar cada um
desses pontos à luz, principalmente, da própria poesia de Gullar e, assim,
completar seu obituário. Nesses dias de trocas de papas, podemos voltar ao
velho latim e dizer: Requiescat in pace!
* * *
Entrevista
de Ferreira Gullar nas páginas amarelas da Veja, em 26.09.2012, piores trechos:
“O capitalismo é forte porque é instintivo. ... O capitalismo não é uma
teoria. Ele nasceu da necessidade real da sociedade e dos instintos do ser humano. Por
isso ele é invencível.
A força que torna o capitalismo
invencível vem dessa origem natural
indiscutível. Agora mesmo, enquanto falamos, há milhões de pessoas
inventando maneiras novas de ganhar dinheiro.”
“O capitalismo é uma fatalidade, não
tem saída. Ele produz desigualdade e exploração. A natureza é injusta. A
justiça é uma invenção humana. Um nasce inteligente e o outro burro. Um nasce
inteligente, o outro aleijado. Quem quer corrigir essa injustiça somos nós. A
capacidade criativa do capitalismo é fundamental para a sociedade se
desenvolver, para a solução da desigualdade, porque é só a produção da riqueza
que resolve isso. A função do estado
é impedir que o capitalismo leve a exploração ao nível que ele quer levar.”
“O que está errado é achar, como
Marx diz, que quem produza riqueza é o trabalhador e o capitalista só o explora. É bobagem. Sem a empresa, não existe
riqueza. Um depende do outro. O empresário é um intelectual que, em vez
de escrever poesias, monta empresas. É um criador, um indivíduo que faz
coisas novas.”
“A visão de que só um lado produz riqueza e o outro só explora é
radical, sectária, primária.” (negritos nossos)[2]
* * *
Como
pode um antigo militante comunista dizer essas bobagens ridículas, expressões
de rendição de classe? Avancemos uma primeira hipótese, que condiz com nossa tese
dessa entrevista como um réquiem, a partir da própria poesia do ex-poeta:
“Foi-se formando/a meu lado/um outro/que é mais Gullar do que eu/que se
apossou do que vi/do que fiz/do que era meu/e pelo país/flutua/livre da morte/e
do morto” (O Duplo, PI).
Se
descartarmos essa hipótese poética de um duplo, de um impostor que tenha tomado
o lugar do velho Gullar (e pilhérias a parte), a explicação mais plausível para
sua impostura deve estar baseada no próprio fenômeno que funda uma sociedade
dividida em classes antagônicas, que a perpassa de cima a baixo, e define os
rumos da prática, da teoria e da ideologia de cada classe nessa sociedade: a
luta de classes.
O
recuo e a traição de Gullar podem ser explicados (nunca justificados!) como
efeitos do próprio recuo da classe operária na luta de classes contra a
burguesia nas últimas décadas. Efeitos das ausências de uma firme posição
revolucionária entre as massas e do seu partido comunista na sociedade
brasileira atual. Efeitos do recuo relativo da teoria marxista no país. Só que
esses efeitos, para o segundo réquiem de Gullar,já se mostram um tanto quanto defasados,
pois tanto a conjuntura mundial quanto a conjuntura nacional da luta de classes
já apontam para uma retomada da luta de massas, o que tende a levar em seu bojo
a retomadas tanto da teoria marxista quanto de sua organização revolucionária.
A
própria e necessária ligação entre luta de classes e posição política não era
desconhecida do antigo poeta:
“Meu povo e meu poema crescem juntos” (Meu Povo, Meu Poema, DNV).
* * *
Vamos
analisar agora, brevemente, as principais teses do segundo réquiem.
Primeira tese de Ferreira
Gullar: o capitalismo como tendo “origem
natural”. O capitalismo como fruto “dos
instintos do ser humano”. Passagem de “natural”
para final, “invencível”. Fim da
história.
Ao
abandonar a posição proletária e revolucionária, Gullar abandona o materialismo
histórico e, com isso, regride às formulações ideológicas das classes
dominantes, utilizadas para justificar a dominação de classe da burguesia. Para
esta, nada melhor do que apresentar o capitalismo – e assim justificar sua
exploração sobre a grande maioria da população – como algo natural e
espontâneo, porém de acordo com a natureza, com uma pseudo-essência, do ser
humano. Dessa forma, o capitalismo vira o fim da história ou, nas palavras de
Gullar, um sistema “invencível”.
Nada
mais distante, porém, da realidade do que essa caricatura ideológica.
O
capitalismo, ao contrário de ser de “origem
natural”, é um modo de produção historicamente determinado com o objetivo
de produzir e reproduzir não apenas as condições materiais de existência, mas
também as relações de dominação e exploração de classe que lhe são
características.
Isso
quer dizer que a constituição do modo de produção capitalista, tal qual do
feudalismo e do escravismo, dependeu de uma série de fatores concretos,
contingentes porém cumulativos (políticos, sociais, tecnológicos, etc.),
ocorridos em determinado e longo período histórico. Essa transição do
feudalismo ao capitalismo nada teve de necessária, imanente, caracterização
típica de quem, à “esquerda” ou à direita, professa diversas “filosofias da
história”, com sua sucessão pré-determinada e teleológica de momentos que
culminariam com a realização da “essência” do homem.
Da
mesma forma, o capitalismo não é a realização dos “instintos do ser humano” – supondo que tais instintos existam além
da herança evolucionária que compartilhamos com os demais seres vivos
(resumidos de forma geral nas buscas pela sobrevivência e pela reprodução) – sejam
eles quais forem. O importante é explicitar que nesta frase de Gullar se resume
a impostura ideológica do liberalismo burguês: criar um indivíduo
representativo de todos, ignorando as divisões da sociedade em classes, e
associar este indivíduo ao burguês. Porém atenção: não se trata aqui do burguês
real, egoísta, explorador e sedento de lucro, mas de um burguês ideologicamente
idealizado, um poço de virtudes.
Virtudes
essas ressaltadas e condensadas nas belas e genéricas declarações de
princípios, necessariamente ideológicas, da burguesia, tais como as dos pais do
liberalismo inglês, ou dos direitos do homem e do cidadão da grande Revolução
Francesa, ou ainda o Bill of rights
da Revolução Americana, até os mais recentes estatutos da ONU ou a
“constituição cidadã” brasileira. Trata-se, no entanto, de submetê-las ao
confronto da realidade concreta. A realidade concreta da opressão do
imperialismo inglês sobre os povos coloniais do mundo todo até meados do século
passado e dos bairros proletários denunciados por Charles Dickens e Jack London.
A realidade concreta da opressão sobre os miseráveis e os mineiros franceses,
denunciadas por Victor Hugo e Émile Zola no século XIX, das condições de vida nos
banlieues da Paris atual às tropas
colonizadoras que oprimem os povos do mundo aos acordes da Marselhesa. A
realidade concreta do secular escravismo americano substituído por um apartheid
em que se enforcavam negros aos aplausos da multidão branca nas southern trees denunciadas por Billie
Holiday, da miséria espalhada pelas depressões do século XX, retratada por John
Steinbeck, e do século XXI, ainda à espera de autor, às políticas do big stick que se mantêm de Theodore
Roosevelt a Obama. A realidade concreta dos sempre negados direitos à
autodeterminação dos povos diante das “intervenções humanitárias” das grandes
potências imperialistas. E a realidade concreta do nosso conhecido país da
jabuticaba, das Vidas Secas de Graciliano à Cidade de Deus de Paulo Lins e aos
Domingos Sem Deus de Luiz Ruffato, e uma das maiores desigualdades sociais do
mundo, para usar esse eufemismo estatístico.
Portanto,
o capitalismo não só não é algo “natural”
sendo, pelo contrário, historicamente determinado, como não realiza “instinto” humano algum, inclusive porque
não só não há esse “instinto” humano,
como não há, tampouco, esse indivíduo humano representativo de todas as classes
no capitalismo.
Mas
que o capitalismo não é uma sociedade homogênea, mas dividida em classes, isso
o velho poeta já sabia:
“a noite ocidental obscenamente acesa/sobre meu país dividido em classes”
(Madrugada, DNV).
Tiradas,
assim, suas premissas, já cairia por terra a ridícula hipótese de um
capitalismo “invencível”. Mas achamos
que cabe acrescentar, ainda, dois pontos adicionais. O primeiro é que não é
possível a quem quer que seja, nem a este outro Gullar, ignorar a dimensão da
atual crise do capitalismo, da crise da economia mundial, do imperialismo.
Crises que vem se sucedendo umas as outras de maneira crescente e generalizada.
Crise que, ao ampliar desmesuradamente o nível de exploração sobre as classes
trabalhadoras, está fazendo crescer a reação dessas mesmas classes dominadas
contra o sistema de dominação.
O
segundo ponto é que uma premissa implícita da tese da invencibilidade do
capitalismo em Gullar é que ela restaria provada pela queda das tentativas
socialistas do século XX. Mais uma vez, o ex-poeta vê tudo ao avesso. As
gloriosas e bem sucedidas experiências de derrubada revolucionária do
capitalismo, bem como as primeiras tentativas de construção do socialismo na
União Soviética, na China, no Vietnã, em Cuba e tantos outros lugares, são
lições imprescindíveis, nos seus acertos e nos seus erros, à geração atual de
comunistas. Sabemos, agora, quais erros evitar e quais lições desenvolver.
Segunda tese de Ferreira
Gullar: o capitalismo como solução para a desigualdade que ele próprio cria,
amplia e reproduz. A “capacidade criativa
do capitalismo é fundamental para a sociedade se desenvolver, para a solução da
desigualdade”. A “produção da riqueza”
no capitalismo.
Mais
uma vez, defrontamo-nos com a mais simples e caricata ideologia burguesa. O
capitalismo é apresentado como o regime de produção de riqueza ao qual bastaria
uma melhor regulação, um maior controle estatal, uma legislação mais apropriada
ou quem sabe, uma maior consciência dos capitalistas, para que haja uma
distribuição menos desigual dessa riqueza. Como criticou Lênin, um capitalismo
asseadinho.
E
note bem: uma distribuição menos desigual de riqueza seria tudo ao que o proletariado
e as demais classes dominadas poderiam almejar. Como diz este Gullar, essas
classes são aquelas que nascem “burras”,
nascem “aleijadas”. E a riqueza seria
criada pelas empresas, da qual dependeriam os operários. Essa matriz ideológica
burguesa é compartilhada por todos os matizes de reformismo e revisionismo,
tanto em suas infrutíferas tentativas de criar um capitalismo organizado,
asseadinho, quanto nas suas ações para paralisar a classe operária e moderar
suas reivindicações.
Mas
comecemos a desmontar essa ideologia pelo seu começo. Em que base ocorre a
produção de riqueza no capitalismo? O materialismo histórico nos apresenta de
forma cabal que é o trabalho humano que transforma os valores de uso
disponíveis na natureza, tornando-os apropriados às satisfações das
necessidades humanas.
No
capitalismo, no entanto, este trabalho humano adquire uma característica
bastante específica. É o trabalho daquelas classes que não detêm nem os meios
de produção nem as condições de garantir sua própria subsistência. Sua única
maneira de subsistir é vender sua força de trabalho à classe possuidora dos
meios de produção, detentora do capital. E aqui a maravilhosa descoberta
científica de Marx, desnudando a raiz da exploração capitalista: ao produzir
uma quantidade de riqueza que supera o valor de sua força de trabalho vendida
ao capitalista, essa riqueza excedente, a mais-valia, é apropriada
integralmente pelo capitalista, sem equivalente. A riqueza capitalista
resume-se, toda ela, à apropriação do trabalho não pago das classes trabalhadoras.
E
isso pode ser traduzido em termos poéticos. Mais uma vez, nos socorramos do antigo
poeta Ferreira Gullar. E não de qualquer poema, mas de seu poema mais famoso, o
Poema Sujo, escrito em meados dos
anos 1970 na Argentina, onde o então poeta estava exilado.
O
que ficam fazendo os proletários, Gullar?
“trabalhando para o dono – como disse/Marx”
(PS).
E
o que é a vida proletária, poeta?
“miséria dos homens/escravos de outros”
(PS).
Uma
década antes, isso já lhe estava suficientemente claro:
“Trabalhava noite e dia/nas terras do fazendeiro./Mal dormia, mal
comia,/mal recebia dinheiro;/se recebia não dava/pra acender o candeeiro./João
não sabia como/fugir desse cativeiro” (João Boa-Morte Cabra Marcado Pra
Morrer, RC).
Ao
invés das loas atuais ao capitalismo e sua pseudo-capacidade de distribuir
riqueza, ao invés de se deixar festejar pela burguesia brasileira, nosso antigo
poeta sabia e enfrentava a dura realidade do país com sua poesia:
“Façam a festa/cantem e dancem/que eu faço o poema duro/o
poema-murro/sujo/como a miséria brasileira”
“poema/que não toca no rádio/que o povo não cantará/(mas que nasce dele)”
“Obsceno/como o salário de um trabalhador aposentado/o poema/terá o
destino dos que habitam o lado escuro do país/ – e espreitam.” (Poema
Obsceno, VD)
Terceira tese de Ferreira
Gullar: no capitalismo quem produz as riquezas são os capitalistas e os operários
conjuntamente, “um depende do outro”.
“O empresário é um intelectual que, em
vez de escrever poesias, monta empresas”.
“O branco açúcar que adoçará meu café/nesta manhã de Ipanema/não foi
produzido por mim/ ... /e tampouco o fez o dono da usina/ ... /Em lugares
distantes, onde não há hospital/nem escola,/homens que não sabem ler e
morrem/aos vinte e sete anos/plantaram e colheram a cana/que viraria açúcar”
(O Açúcar, DNV).
Não
é necessário nada além do soco no estômago que é essa poesia para demolir a
patética tese da “co-dependência” entre o trabalhador e o “empresário-intelectual-poeta” (sic!).
Mas
vejamos esse ponto com um pouco mais de detalhe. Este atual duplo de Gullar,
este impostor, afirma que, ao invés do que escrevia antes, a produção de
riqueza se dá por “milhões de pessoas
inventando maneiras novas de ganhar dinheiro”, pois o burguês “é um intelectual que, em vez de escrever
poesias, monta empresas”. Que a burguesia passa todo o seu tempo se
beneficiando das maneiras velhas de ganhar dinheiro ou inventando maneiras
novas para isso é sua própria definição enquanto classe. O que Gullar não diz
(pois a Veja poderia não gostar), mas que é seu sinônimo, é que para isso, a
burguesia passa todo o seu tempo se beneficiando das maneiras velhas de
explorar os trabalhadores ou inventando maneiras novas de realizar essa
exploração. Quem diz capitalismo, diz exploração de classe.
O
que o capitalista tem é apenas o dinheiro, o capital. É esse capital que ele
põe em funcionamento contratando trabalhadores para gerarem a mais-valia que é
por ele apropriada. Ao capitalista, o que interessa é a produção de um valor
maior do que o que dispunha inicialmente, tanto faz produzindo açúcar ou
cocaína, chips de computador ou armas.
Isso
é tão óbvio que até o nosso Zé Molesta já o sabia:
“A verdade é muito simples/e eu vou logo lhe contar./Você não quer
liberdade,/você deseja é lucrar. Você faz qualquer negócio/desde que possa
ganhar:/vende canhões a Somoza,/aviões a Salazar,/arma a Alemanha e Formosa/pro
mercado assegurar” (Peleja de Zé Molesta com Tio Sam, RC).
Esquecido
de sua vida anterior, o que o novo Gullar parece ainda acreditar é nos velhos
mitos das “robinsonadas”, do pequeno capitalista individual movido a uma ideia
na cabeça e algum dinheiro no bolso. Algo como um Steve Jobs. O que ele “esqueceu”
é que para transformar essas idéias em produtos vendáveis, mercadorias, o
capitalista cai fora e o trabalho é feito pelos operários. Esqueceu que o
sucesso do Steve Jobs é baseado em milhares de operários chineses presos em
fábricas militarizadas, nas quais se faz apenas trabalhar (muito), comer e
dormir (pouco) a troco de salários irrisórios. Lá como aqui e em qualquer
lugar, no entanto, a exploração capitalista encontra seu limite na reação
operária. Lá como aqui e em qualquer lugar, a luta dos operários limita, na
medida de sua organização e disposição de luta, um avanço maior da exploração, aumenta
os salários (ainda irrisórios) e conquista melhores condições de trabalho.
No
tempo em que ele ainda sabia dessas coisas, ele as chamava pelo nome. Não mais um
“empresário-intelectual-poeta”, mas
os grandes monopólios imperialistas:
“Que o tempo é pouco/e ai estão o Chase Bank,/a IT & T, a Bond and Share,/a
Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,/e sabe-se lá quantos outros/braços do
polvo a nos sugar a vida/e a bolsa” (Homem Comum, DNV).
E
também a própria classe dominante brasileira não era poupada:
“Latifúndios com nome de gente, famílias/com nome de empresas” (Dois
Poemas Chilenos, DNV).
E
ainda vem esse ex-poeta criticar suas antigas posições como “radical, sectária, primária”! Primárias
são as teses que se derivam do senso comum, que expressam a ideologia
dominante. Como vimos, não é outra coisa que Gullar faz durante toda a
entrevista-réquiem. Sectário é não se abrir ao debate, à discussão, à crítica.
O marxismo sempre foi, desde Marx, o oposto a isso. Não é por outra razão que
nosso blog chama-se Cem Flores (http://cemflores.blogspot.com.br/).
Por fim, como dizia o jovem Marx, ser radical é tomar as coisas pela raiz, o
que no caso se traduz em desvendar e denunciar os mecanismos encobertos da
exploração capitalista e desnudar a ideologia burguesa que a justifica[3].
* * *
À
guisa de conclusão, dois comentários.
Ao
contrário do que propõem tanto a entrevista-réquiem de Gullar quanto a ofensiva
ideológica da classe dominante na atual crise do imperialismo, o capitalismo
não é o fim da civilização, o fim da história. Pelo contrário, na atualidade há
crescentes indícios de aumento das lutas de massa (passeatas, greves,
manifestações, ocupações, greves gerais, etc.) e de retomada do marxismo. Por
certo partindo de patamares recuados, mas iniciando a contra ofensiva das
classes dominadas.
E
como nosso velho “poeta político” já
sabia, quando essa luta avança...
“Um grave acontecimento está sendo esperado por todos/Os banqueiros os
capitães de indústria os fazendeiros/ricos dormem mal. ... Um grave
acontecimento/está sendo esperado/e nem Deus e nem a polícia/poderiam evitá-lo”
(A Espera, VD)
“A poesia/quando chega/não respeita nada./ ... /E promete incendiar o
país” (Subversiva, VD)
“Onde está/a poesia? Indaga-se/por toda parte ...
/poesia/paixão/revolução” (A Poesia, DNV).
E
como último e triste comentário, parece que enfim concretizou-se na vida do
poeta a sua própria poesia:
“é a morte que te chama/É tua própria história/reduzida ao inventário de
escombros/no avesso do dia/e não mais esperança/de uma vida melhor?/que se
passa, poeta?/adiaste o futuro? ” (Omissão, B).
“O morto está morto” (Glauber Morto, B).
[1] Neste texto, todas as citações da obra poética de
Ferreira Gullar foram feitas de acordo com a edição de sua Poesia Completa, Teatro e Prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. Dá-se o nome do poema citado e indica-se o
livro no qual foi publicado pelas suas iniciais: VM (O Vil Metal, 1954-60), RC
(Romances de Cordel, 1962-67), DNV (Dentro da Noite Veloz, 1962-75), PS (Poema
Sujo, 1975), VD (Na Vertigem do Dia, 1975-80), B (Barulhos, 1980-87) e PI
(Poemas Inéditos, 1948-2006).
[2]Veja, 26
de setembro de 2012. O texto integral está disponível no sítio do filósofo e
poeta Antonio Cícero, que o qualifica de brilhante (sic!): http://antoniocicero.blogspot.com.br/2012/10/ferreira-gullar-entevista-revista-veja.html.
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