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sábado, 1 de março de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO
não temos pátria/ camarada/
não existem fronteiras entre os justos/
a dor dos sofridos nos atrela
e linhas traçadas em mapas
jamais poderão nos apartar/
nem muros/ nem urros/ aferro/
não importa de onde vem o berro/
lá estaremos/ aqui estaremos/
como um só povo/ multidão/
como um só grito/ alvoroço/
como um só punho de resistência
e uma constelação brilhando
em olhos de esperança/
hoje o mundo não cabe na lágrima
de uma mãe palestina/
*Otávio Dutra é estudante de sexto ano de medicina na ELAM, membro da Coordenação Nacional da UJC e militante da base Paulo Petry do PCB em Havana-Cuba.
não existem fronteiras entre os justos/
a dor dos sofridos nos atrela
e linhas traçadas em mapas
jamais poderão nos apartar/
nem muros/ nem urros/ aferro/
não importa de onde vem o berro/
lá estaremos/ aqui estaremos/
como um só povo/ multidão/
como um só grito/ alvoroço/
como um só punho de resistência
e uma constelação brilhando
em olhos de esperança/
hoje o mundo não cabe na lágrima
de uma mãe palestina/
*Otávio Dutra é estudante de sexto ano de medicina na ELAM, membro da Coordenação Nacional da UJC e militante da base Paulo Petry do PCB em Havana-Cuba.
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poesia
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Fallece el cantautor cubano Santiago Feliú a causa de un infarto
El cantautor cubano Santiago Feliú murió esta madrugada. Santiago,
quien nació en La Habana el 29 de marzo de 1962,perteneció al movimiento
conocido como la Nueva Trova y tuvo también una presencia notable en
Novísima Trova, autor de canciones inolvidables como Para Bárbara, Vida,
Ay, la vida y otras.
Se presentó junto a grandes exponentes de las dos generaciones de
trova como Noel Nicola, Frank Delgado, Luis Eduardo Aute, Luis Pastor,
León Gieco, Silvio Rodríguez, su hermano Vicente Feliú, entre otros.
Reproducimos la nota publicada por Silvio Rodríguez, esta mañana en su blog Segunda Cita:
Santy
«Suena el teléfono a las cuatro de la mañana y pienso que ojalá sea
un equivocado. Desde una conciencia adormecida el instinto de
conservación lanza ese pensamiento. Si esa llamada no es error ¿qué
buena noticia te pueden dar a las cuatro de la mañana? El instinto no
traiciona, no miente, viene de un lugar ignoto pero corta como navaja,
porque cuando escucho Aurora y después cuándo fue, ya la cabeza está en
Vicente, que está en Guatemala, en algún accidente de avión o carretera,
en un atentado loco.
Pero no es avión ni carretera ni atentado ni Vicente. Es Santiago, el más joven, a quien hace una hora se lo llevó un infarto.
Ayer mismo borré la carpeta donde le puse una selección de fotos de su boda. ¿Por qué llevaba días pensando en él?
Muchas malas palabras se me ocurren. Muchas. Son tantas, que se atropellan.»
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Santiago Feliú
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Palestra Funk, Ideologia e Alienação com o professor José Renato
EE Dona Bilu Figueiredo - Rua Floriano Peixoto, 01 - Centro - Sabará/MG
19 horas
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Atividade Cultural,
José Renato André Rodrigues
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Eduardo Coutinho: “Tudo o que eu faço é contra o jornalismo”
"Quero saber das pessoas que eu filmo, só"
04/02/2014
Mariana Simões
Na Pública
Em entrevista inédita concedida em 2011 a Mariana Simões, então
estudante de comunicação, o documentarista Eduardo Coutinho não escolhe
as palavras para definir o que faz
Eu tinha 22 anos quando comprei uma passagem para o Rio de Janeiro para
entrevistar Eduardo Coutinho, que morreu no domingo, dia 2/2, no Rio de
Janeiro. Na época eu cursava graduação em Comunicação nos Estados Unidos
e estava passando as férias em Brasília. Fiquei um mês trabalhando na
tese: metade fazendo pesquisa sobre a obra de Coutinho e a outra metade
com o telefone na orelha, tentando agendar uma entrevista com o
documentarista.
Quando consegui o número de telefone do escritório dele, achei que a
minha entrevista estava garantida. Mas faltando uma semana para eu
voltar para Nova York, ainda não tinha dado em nada. Comecei a entrar em
pânico. “Se faça de boba, minha filha,” meus pais me disseram.
Eu segui o conselho: mandei um e-mail para a produtora dele dizendo que
já tinha comprado minha passagem para ir ao Rio de Janeiro e que, no dia
seguinte, ligaria para confirmar o horário da entrevista. “Você sabe
como é, ele já está velho, não gosta mais de dar entrevista,” alguém me
disse pelo telefone dias depois. Expliquei que já estava no Rio de
Janeiro esperando ele me atender. A passagem custou caro, eu iria voltar
logo para o exterior, fui dizendo.
Eu tinha entrevistado o cineasta Vladimir Carvalho na semana anterior.
Ele foi simpático ao telefone e, quando nos encontramos, ficamos horas
conversando. Um homem sorridente, com boa vontade, cheio de energia.
Com Coutinho foi praticamente o oposto. Quando entrei na sala para
entrevistá-lo, a única que estava sorridente era eu. Coutinho estava
atrás de uma mesa, me esperando, um maço de cigarros em mãos. Ele falava
baixo, meio rouco. Tossia muito.
Apertou minha mão. Perguntei se podia filmar a entrevista, ele
gesticulou que sim e eu comecei a agradecer como uma tonta. Disse que
era uma honra poder entrevistar um homem que mudou a cara do
documentário brasileiro. Fui logo acrescentando que achava ele um grande
documentarista, alguém que eu admirava, mas percebi que ele não gostou
dos meus elogios. Não queria se fazer de herói, nem aceitar o título de
grande cineasta; ele era apenas um cara que gostava de documentar o
encontro da câmera com o mundo. E, de fato, avisou que não fazia filmes
para descobrir a verdade sobre ninguém.
Tudo que eu tinha entendido sobre o trabalho dele até então foi aos
poucos desmoronando. “Eu estou interessado que a pessoa fale a partir de
sua experiência sabendo que, como é memória, toda memória é mentirosa, e
portanto tem verdade e mentira juntos. Isso é inevitável,” ele
explicava. De acordo com Coutinho, não era possível fazer um
documentário que só contasse a verdade. Para ele, não existia uma
verdade única sobre um acontecimento, mas sim várias verdades ou várias
experiências vividas que juntas pudessem contar uma história.
Assim como os gestos e o comportamento dele, naquele dia, também contaram uma história.
Quando entrei na sala, vi um homem de 80 anos que já estava cansado,
cuja voz às vezes falhava, mas um homem que ao longo da entrevista foi
se soltando, começou a mostrar outra cara. Apesar da aversão que sentia
em dar entrevistas, eu notava o brilho no olho dele, o orgulho que tinha
pelo que fazia, a paixão que sentia pela arte que havia criado. Antes
de ir embora, pedi para tirarmos algumas fotos juntos. Na última, ele
puxou meu braço e disse: “Agora chega de fotos genéricas, vamos fazer
uma em movimento.” E aí ele acenou para a câmera e por um instante
consegui capturar algo: não a verdade sobre Coutinho, mas um retrato
dele naquele momento. Que se foi.
Você acha que o documentário é de alguma forma uma extensão do jornalismo?
Questões gerais eu odeio. Se você me pergunta a diferença do
documentário pra ficção nós não vamos sair do lugar. Não, eu fiz nove
anos de jornalismo para a TV Globo, trabalhei três anos em jornal
também, até fui jornalista, dirigi filmes para o Globo Repórter. Mas eu, desde que eu saí do Globo Repórter, tudo que eu faço é contra o jornalismo.
Contra o jornalismo?
Eu odeio o jornalismo. Não estou interessado em jornalismo. Não estou
interessado em informações, mapas, em filme militante, em filme
político. Deus me livre. Aquecimento global, liberar maconha. Não estou
interessado em filmes políticos, sociais, genéricos. Nada que é genérico
me interessa. Quero saber das pessoas que eu filmo, só. Então comigo é
uma exceção, um tipo de cinema particular que eu faço, do qual é o único
que eu sei falar. Não falo sobre o cinema em geral porque, bom, o
documentário pode ser tudo, né? Jornalistas podem fazer excelentes
documentários jornalísticos, evidente. O Michael Moore é jornalista, no
fundo um cineasta, e que é um tipo engraçado e tal, mas que é um
populista evidentemente de esquerda e que, enfim, usa metas que eu não
usaria. Mas é um cara altamente eficaz, está milionário e tal, mas é
jornalismo. E seus filmes são úteis? São, em certa medida são. Tratar
dos assuntos que ele trata, agora, as metas que ele usa, não me
interessa.
Você acha que o Michael Moore interfere muito no filme?
Michael Moore é um exemplo, tem mil outros. Todo cara que começa a fazer
um filme dizendo “eu vou fazer esse filme para obter tal resultado” não
me interessa. Vou dar um exemplo: o filme do Al Gore, não vou ver. Não
estou interessado! O filme que o cara sabe que ele vai fazer para dizer
que a maconha deve ser legalizada, não estou interessado! Que o mundo
vai ser aquecido, o cacete a quatro, não estou interessado! Outro pra
dizer que não pode comer carne. Outro pra dizer que a miséria é boa. Não
quero saber disso, não interessa. Faça um livro, faça isso no jornal.
Agora a experiência de fazer cinema, que é tão ingrata, que você não
ganha dinheiro, que é chata pra burro, só tem sentido para mim se é uma
coisa que você goste, desse tipo de coisa eu não gosto. Tem gente que
adora e faz bem. Um filme que é feito sobre o nazismo etc, isso é um
filme jornalístico de um certo sentido, mas com alto nível de pesquisa e
tal e interessante, mas não é o tipo de filme que me interessa fazer.
Até que ponto você, como diretor, deve interferir, por exemplo, durante uma entrevista?
Eu tento não interferir. Ou melhor, eu tento… Eu não julgo. Eu não julgo
se um cara, uma pessoa que é escrava, que gosta de ser escrava, eu não
vou perguntar “mas como?!” Se ela quiser ela dá um discurso do porquê
ela gostar de ser escrava. Eu não estou lá para mudar as pessoas, eu
estou lá para ver o estado do mundo através das pessoas. A partir da
relação que eu vou ter com a pessoa, que é o essencial, na qual tudo
pode acontecer, pode haver conflitos ou não conflitos etc. Mas que eu
não estou lá a fim de dizer para a pessoa que ela mude de opinião, não.
Aliás, a opinião não me interessa. Me interessa que as pessoas tratem de
sua vida. A partir de suas vidas, as pessoas vão ter opiniões de
direita e esquerda, tanto faz, mas que são viscerais. Eu não estou
interessado no conteúdo social da vida da pessoa, eu estou interessado
no que a pessoa fala a partir de sua experiência sabendo que, como é
memória, toda memória é mentirosa, portanto tem verdade e mentira
juntas, isso é inevitável. Não há solução. Ninguém consegue desobstruir a
memória, então eu aceito aquilo que é exagero. Como sabe se o
sentimento é verdadeiro ou não? Sabe, “eu gostei de um cara.” Eu sei lá
se gostou ou não, ela conta a história do romance dela, é um segredo.
Porque são pessoas comuns. Se eu fosse entrevistar o Napoleão não ia
entrevistar sobre a vida dele, o interessante é a política dele. Quer
falar sobre um político, faça um livro.
Por que você começou a fazer documentário tão tarde na vida? Acho
interessante que não foi na faculdade que você entrou nesse caminho.
Você começou fazendo Direito, não foi?
Comecei por Direito porque era o que se fazia. Direito, Engenharia,
Medicina. Mas enfim, larguei, fui trabalhar em jornalismo, depois fiz um
curso de cinema e passei a fazer cinema. Agora, ninguém podia pensar em
fazer documentário no Brasil nos anos 1960. Nem cinema! Quanto mais
documentário. Longa metragem? Isso não existia. Som direto ia começar
ainda e tal. E daí fui fazer ficção até o final dos anos 70. Fiz um
filme interrompido que tinha um lado documental, mas que ao mesmo tempo
eram camponeses e atores. E daí eu parei, fui fazer televisão teve o
golpe de estado tal, tal, tal. Eu larguei o cinema durante dez anos e
voltei para fazer o Cabra [Marcado para Morrer] onde eu fiz um
trabalho de História, de jornalismo, de cinema, tudo misturado. Cabra
tem tudo isso. Cabra tem tudo, pesquisei como um filho da puta.
Trabalhei muito antes de fazer o filme. Sobre a história dos camponeses,
pra saber que perguntas que eu devia fazer. Nos filmes que eu fiz nos
últimos dez anos e tal, não faço pesquisa, não tem que fazer pesquisa.
Eu vou filmar num lixo e simplesmente vou ao lixo conversar com as
pessoas. Isso é bom ou ruim? Você tem que perguntar pra uma pessoa que
tá lá no lixo, isso é bom ou ruim? Porque eu sei que tem aquilo e tem
coisa pior que aquilo.
Em Boca do Lixo, você se surpreendeu com o que as pessoas falaram nos depoimentos?
Não há coisa mais degradante do mundo do que o cara ser filmado catando o
lixo. E tive a reação deles e aí eu dizia ‘e por que?’ E depois eles
diziam os motivos pelos quais trabalham no lixo. Motivos até econômicos,
entende? Enfim, eu tentei ouvir o lado deles. Ninguém diz aqui é bom,
mas muitos dizem “não, mas aqui eu alimentei meus filhos, eu conheci
amigos”, por exemplo. O cara de esquerda supõe que aquilo dali é
horrível, que a culpa é do governo, que a culpa é do capitalismo.
Acontece que eu fui lá aberto e ouvi gente dizendo: “Eu prefiro isso do
que ser empregada”. Tá aí um troço novo. Porque o cara nas condições
terríveis do lixo, pelo menos ele é autônomo, ele não tem patrão.
Alienado ou não, o cara julga um triunfo ele não ter um patrão. No
Brasil inteiro deve ter um milhão de pessoas que vivem na rua vendendo
coisas. E essa noção de liberdade, se é falsa ou não, não importa. O
cara no lixo diz: “Olha eu trabalho aqui, agora sábado eu não venho.
Sábado eu faço feira, não sei o que.” Não ter um patrão. Para quem tem
herança de escravidão é um troço essencial. Tudo no Brasil está ligado
ao troço da escravidão. Isso pesa muito, entende? O horror ao trabalho é
um troço que vem dos 350 anos de escravidão.
Pulando um pouco, o filme que me introduziu ao seu trabalho, foi o Edifício Master…
É onde eu já estou num outro caminho, em que eu não quero dizer que
aquilo ali é o inferno ou o paraíso. Eu quero simplesmente tentar ver
como as pessoas vivem aquilo. Porque como eu não vivo aquilo, se eu
tivesse a minha idade e tivesse morando lá eu dizia ‘pô, fim de linha,
que fracasso’. Depende, as pessoas que eu encontrei lá, tem um
aposentado que esteve nos Estados Unidos, tem pessoas de classe média
que estão lá um período da vida que depois saíram de lá e também foram
para Alemanha, o cacete. Tem de tudo lá: classe média baixa, média e
meia média. Entende? Então o que me interessava era conhecer isso, o que
é viver naquela cidade. Paris, Moscou, Nova York, é tudo igual. Você
encontra a mesma solidão. Um cara que mora numa quitinete e que morre,
dez dias depois alguém encontra pelo cheiro porque era solitário. Se
encontra aqui, se encontra em Nova York, se encontra em todo lugar.
Inclusive a minha tia avô ela mora em um edifício igualzinho a esse...
Em Copacabana?
Em Copacabana!
A maior porcentagem de idosos no Brasil é em Copacabana: tem 15% de
idosos. A razão é muito simples. Tem tudo lá: prostituição, crime, tal.
Mas é um bairro que tem muita vida, tem comércio, tudo é perto. É muito
melhor morar em Copacabana do que no centro da cidade que não tem nada. E
a praia está perto então o velhinho vai lá e passeia. Então morar em
Copacabana, hoje, para aquelas pessoas foi um ganho. É uma coisa
interessante com todos os problemas que tem.
Eu li uma entrevista em que você dizia que, quando você começou a fazer o Edifício Master, sentia medo de não desenvolver uma história boa porque era um bairro de classe média.
Isso aí é porque as pessoas se defendem. Você vai lá na favela e todo
mundo está disposto a falar, eles têm eloquência, têm beleza na fala,
têm a gíria. Cem anos de cultura em favela. A favela é um troço orgânico
e forte em comparação com o asfalto. O exterior/interior não existe,
você está andando e da janela alguém te chama pra entrar, entende? Eles
têm consciência que tem o ‘nós da favela’ e tem o ‘nós do asfalto’. Isso
está ligado, porque eles vivem a vida do asfalto também, vão à praia e
tal mas eles tem consciência do ‘nós’ favelados. Num prédio, ninguém
fala ‘nós’. A diferença é essa. Como é que eu vou dizer ‘nós do meu
prédio’? Eu moro num prédio normal- 30 apartamentos, 35, sei lá. Mas não
vou dizer ‘nós’. Nem conheço quem mora lá, nem quero conhecer ninguém.
As pessoas na favela se conhecem todas, é um outro tipo de vida. Tem
esse lado positivo de formar comunidade, de que é uma vida muito aberta.
Então quem se mata é quem mora no Master, em favela ninguém se mata. Já
ouviu falar em algum suicídio em favela? Eu nunca vi. É impressionante,
não sei se tem estudo sobre isso, mas eu não conheço caso. Um mata o
outro, droga é outra coisa porque o cara é viciado, dependente e guerra
do tráfico é outra coisa. Mas suicídio mesmo, sem razão ou por
depressão, é difícil.
Então por isso eles [os personagens de Master] falavam pouco,
eles riam pouco, tinham pouca riqueza vocabular. Em termos de
experiência de vida também não era tão forte. É por isso que tem 37
personagens – eu tinha que ter quantidade porque eu sabia que não ia ter
personagens maravilhosos como tive em outros filmes que podiam ocupar
dez minutos. Tem 37 pessoas no filme e acho que nenhum chega a cinco
seis minutos. Pessoas que entram por três, quatro minutos. Mas em
compensação é 1 hora e 50 minutos de gente falando.
Quando te veio essa ideia de botar só gente falando?
Isso foi desde que eu voltei a fazer cinema com Santo Forte. Fui fazer
um filme sobre religião mas não queria botar culto nenhum, queria botar
gente falando sobre religião. Daí eu fiz, acabei filmando também culto,
mas acabei tirando e jogando fora. Depois de longas experiências
arrumando e montando, tirei praticamente tudo, mas ainda tem imagens. E
eu fui reduzindo e atualmente tem um filme que não tem imagem nenhuma.
Só tem um preto e tem uma pessoa que fala ou canta. E é chegar no
limite. Filme que só tem pessoas falando como Jogo de Cena. O
próximo vai ser pior ainda, só tem uma pessoa que fala, um corpo
falando. Então atrás você não tem que distrair, mostrar fotografia do
filho, do neto. “Meu filho morreu”, pronto, conta a história do filho. A
pessoa imagina, não preciso da foto do filho. Se é dito, a imagem é
totalmente desnecessária no caso dos filmes que eu faço. Eu trabalho com
cinema que se baseia na palavra. Por isso é muito difícil vender pra
fora. Nunca vendeu. Quem não entende português é difícil, a legenda
passa 60 %. Então é difícil porque meus filmes não vendem.
Você acha que vocês documentaristas são heroicos?
Não, não, não, não. A palavra herói não existe. Vítima e herói: não
existe. Não tem coitadinho. Sabe o pobre, o coitadinho, como são feito
os filmes. “Ah o coitadinho do pobre!” Eu não fui no lixo para tratar de
vítima, senão acaba a relação. Eu vou tratar ele de igual pra igual na
medida que é possível. Eu quero conhecer a sua razão. As minhas razões
para estar aqui eu sei – eu posso, eu quero. Agora quais são as suas?
Cada um tem suas razões para estar em algum lugar para fazer alguma
coisa. Isso que eu quero descobrir. Então a razão do outro me interessa.
Tentar estar no lugar do outro é a chave da questão. É impossível, mas
tem que tentar, e nesse confronto de tentar entender o outro sai um
diálogo que é improvisado, que é inventado, porque você inventa também
quando fala. E não importa, se inventa bem, é verdade. Se é bem
inventado, é verdadeiro e ponto final. “Eu fui feliz”, sei lá se é
verdade. Tá dizendo! Pode ser que daqui um ano diga outra coisa.
Entendeu? Tem que ser inventado com verdade. Quem inventa mal tá fora!
O documentário já existe à margem do cinema brasileiro. E os filmes estrangeiros dominam o mercado brasileiro então…
Tem o Cinema Novo, tem o cinema brasileiro sério que sempre foi marginal
e vai continuar a ser. Tem Globo Filmes e tal, as exceções, mas é 15 %
do mercado. O cinema brasileiro em geral é marginal no mercado. Calcule
os filmes sérios que tem alguma dimensão estética, o que seja, social, o
que seja. São filmes que se tiver 30, 50 mil espectadores já é
extraordinário. No mundo todo o documentário é um lixo pequeno. Pensa
que na França é diferente? Passou um filme que tem 100 mil espectadores e
é extraordinário, é uma festa. Na França! Entende? As pessoas vão ao
cinema para ver histórias inventadas com atores. Baseadas em fatos reais
ou não, mas simplesmente vão para o cinema sonhar. Sempre foi assim. E
agora é sonhar em 3D. E aumentou até o nível de diferença de um cinema
para o outro. Não dá pra competir com os filmes 3D americanos. Não tem
como o brasileiro fazer isso. Agora daí, de repente, pega essa esquema
de novela e tal e faz o filme. São exceções. Mas o conjunto do cinema, o
cinema brasileiro foi, é, e será sempre marginal. O próprio cinema vai
passar a ocupar um lugar marginal. As pessoas vão ver filme aonde? Até
em celular. Entendeu? Então o ato social de ver filme vai ficar menor,
vai ficar como teatro. Ou então filmes que exigem telas gigantescas
IMAX, sei lá. Os caras vão ver lá, vão ver esse tipo de cinema.
Voltando ao Cabra. Você disse antes que você não tem uma intenção
politica com seus filmes. Você diria que nesse filme você teve alguma
intenção politica?
Não tem intenção política na medida que a palavra política é equivocada.
Todo filme é político. Mas eu estou interessado no social, não no
político. Como é que uma sociedade existe? Por que o Brasil é como é?
Por que as pessoas são como são? Primeiro, você tem que saber como as
coisas são para depois se quiser mudar. No Cabra, eu estava fazendo uma coisa que é diferente porque o Cabra tinha
um ato político de fazer o filme, porque tinha história envolvida no
filme. Isto é: minha vida parou com o filme. Esse é o fantasma. Como
parou a vida dos camponeses. Então apresentou para mim uma dimensão
psicológica, é realmente um filme de um caráter politico mas a partir de
uma coisa pessoal também. Peões, não. Qualquer cara pode filmar a greve
dos operários. Eu fui e fiz um filme lá, mas não tem nada ver com
Cabra.
Por isso você quis que o enfoque do peões fossem nos metalúrgicos em vez de políticos?
Tem uma divisão né? Tem a história do Lula e o João [Moreira Salles]
estava interessado e eu não, até pelo fato de que é o tipo de filme que
tem que negociar cada dia o que filmar etc. Tinha que pedir ajuda ao
sindicato foi muito trabalhoso, muito penoso. Cem mil sindicalistas. E
eu tinha que achar gente que o sindicato queria e encontrar gente que
dissesse coisas que não fossem evidentes. Então teve uma limitação. Não
faço mais filme politico, histórico. Em princípio não faço mais.
O Peões deve ter sido difícil porque você estava pegando uma região inteira não era como o Master que você ficou num prédio só…
Esse é o problema, ficou um negócio amplo demais. Só se eu ficasse um
ano fazendo pesquisa que era impossível. A prisão espacial é essencial
para mim. Eu preciso ter uma prisão espacial e naquela prisão eu sou
inteiramente livre. Essa pobreza espacial é essencial pra eu não
procurar ideologicamente aquele cara interessante. Não, nesse prédio eu
tenho que achar um filme. Todos os filmes que eu filmo a regra é essa:
num lugar tem que achar um filme. Até agora pelo menos tenho achado uns
filmes que não são iguais. Mas são sempre num lugar só. Tirando Peões,
todos os filmes que eu fiz recentemente são num lugar só. Numa vila que
tem 80 famílias, num canto de lixo, num teatro de gente que responde a
um anúncio. Se eu não pedir nada para a pessoa fazer e conversar meia
hora com ela, ninguém mais controla se está filmando ou se não está. Não
tem como conversar meia hora e a pessoa ficar engessada. Ou fica e sai
do filme.
Igual àquele momento no Peões que o rapaz está falando e a esposa não quer participar, ela fala mas não quer aparecer.
Isso é extraordinário! Justamente houve uma briga porque o fotógrafo
queria que minha assistente filmasse ela. Eu não quis e ela teve razão
de não ter filmado porque o que me interessava era ela fora [de cena].
Ela sai da filmagem, portanto contra, daí ela às vezes dava palpite. Foi
maravilhoso. Quem está no campo, quem está fora do campo isso é
essencial. Ao lado estava o filho deles que é débil mental. Então tinha,
a meio metro do quadro, no sofá, um filho de vinte anos completamente
nervoso que gemia. Eu até perdi uma sequência interessante porque
entrava o gemido do cara. Você filmando e tinha o cara aqui, a mulher
aqui atrás e aqui do lado do sofá o filho gemendo. Não é que ele está
com dor, o cara tem problemas gravíssimos. E você filma e…pra eles é
normal, eles vivem com aquele filho, então é normal pra mim, e vamos
filmar.
A sua infância teve alguma coisa a ver com seu envolvimento no cinema mais tarde?
Não, eu era cinéfilo, uma pessoa que via filme. Ser cinéfilo é assistir
três filmes por dia, anotar no caderno. Quando eu tinha dez anos eu
fazia isso. Agora era impossível pensar no cinema brasileiro. Eu vi nove
vezes uma chanchada, Carnaval no fogo. O que eu via de cinema
brasileiro era chanchada, carnaval. Isso até 1951, 52. Fora isso eu via
cinema americano, depois argentino, mexicano. Depois neorrealismo, até
que eu fui estudar cinema e passei a me interessar. Mas isso de fazer
cinema foi um passo gigantesco que só foi possível depois que eu voltei
da Europa em 1960, 61 quando o Cinema Novo começou a nascer e se tornou
possível fazer cinema no Brasil. De uma forma marginal, mas de qualquer
maneira uma tentativa de ver o Brasil que não tinha aparecido no cinema
brasileiro de antes. E fora da chanchada que realmente já não precisava
mais porque com a chegada da televisão a chanchada não tinha mais
mercado.
Se o Brasil não fosse não atrasado naquela época teria sido possível você entrar antes no ramo do cinema?
Isso não sei. Antes do Cabra, em que eu já tinha uns 40 anos, tudo que eu fizesse não tinha importância. Só quando eu fui filmar o Cabra que eu me libertei. Tudo que eu fiz antes não importa porque eu não sabia o que eu queria da vida. Quando eu fui fazer o Cabra,
eu sabia o que queria fazer. Trabalhei cinco, seis anos, pesquisa,
filmagem e fiz um filme à altura do que tinha sido a história. Depois
fiquei 15 anos praticamente sem fazer filme até fazer o Santo Forte.
Se o Santo Forte não tivesse tido tanto êxito…
Se não fosse a produção do Santo Forte, eu tava morto. Se a repercussão
crítica fosse ruim ou ninguém fosse ver, é possível que eu desistisse.
Mas a verdade é que eu confiava, sempre confiei no filme falado que era
como era e tal. Meus amigos diziam que era impossível, que ninguém ia
aguentar. Todos os meus amigos, todos. Tirando uma pessoa da equipe,
todos. “Não, é impossível, é uma tortura etc.” Mas foi gravado, foi
aceito e foi maravilhoso. O documentário teve cinco prêmios e o público
foi de 18 mil pessoas, o que até hoje é difícil fazer, e a crítica foi
maravilhosa. Pensei “ Pô, achei, finalmente achei e eu quero continuar a
fazer isso” e fiz e não parei de filmar de lá pra cá.
Tem documentário que mostra um caso isolado, por exemplo, de uma criança
pobre que trabalha nas minas da Bolívia e você como espectador se
sente muito deprimido e culpado. Mas quando você sai dali você não sente
continuidade…
Tem um monte de filmes que se aproximam do outro. Quem é o outro? O
outro é o pobre miserável. O cara com defeito físico, o destituído tal,
tal. E quem filma geralmente é uma pessoa de classe média, mesmo que com
origem proletária. E tem a mania, americano adora isso, de tratar de
forma paternalista. E daí o povo adora e chora e sente culpa. Isso é
coisa que eu me recuso a fazer. Isso é uma coisa proibida em meu
dicionário. Michael Moore, tem uma hora que ele abraça uma mulher lá que
foi vítima, pra que ir lá e abraçar? Você tem que guardar distância da
pessoa, não tem que consolar ninguém. Ou se consola, faz isso fora do
filme. Então existe o “humanismo” entre aspas, que os americanos adoram,
que é filmar o pobre. O cinema humanitário é o pior cinema do mundo. O
humanitário ou de mensagem. Al Gore, ou então, mensagem. E a outra coisa
de americano é essa: se é um filme sobre negra e lésbica tem que ser
filmado por negra e lésbica. Sabe? Iguais filmam iguais. Quando a minha
tese é outra: negro tem que filmar branco e camponês tem que filmar
negro e tem que trocar. Índio tem que começar a filmar branco e
branco…sabe? Nada impede que branco filme índio. Precisa dos dois lados,
um do lado de dentro, um de fora. Não tem sentido que um filme sobre
metalúrgico só pode ser feito por metalúrgico. Isso é uma tolice. O
multiculturalismo que botou isso na cabeça. Então pra filmar uma lésbica
eu tenho que ser lésbica? É o mesmo do mesmo, entende? Não há conflito.
Não vou ao cinema para ser educado, pra aprender o bem. Odeio esse tipo
de coisa tipicamente americana.
Eles colocam aquela narração em off que é uma voz assim divina falando…
Quando tem voz em off é pra tratar da pobre vítima da crueldade, os
mineiros da Bolívia. E tratam de um jeito que é pra fazer o cara ter
culpa, chorar. Não estou fazendo filme pra ONG, pra arranjar dinheiro.
Eu fiz o filme sobre o lixo, ninguém me deu dinheiro pra terminar. Pra
começar sim, pra terminar foi difícil. Por quê? Porque se eu dissesse
que era pra promover um sindicato, eu ganhava. Se fosse catador que
queria fazer um sindicato. Porque esses são os filmes que são
politicamente corretos. Como meu filme não era, era o cotidiano dos
catadores só, ninguém deu dinheiro.
De todos os seus filmes, qual abriu mais portas para você?
Eu me identifiquei com o Cabra. Se não fosse pelo Cabra estava na televisão, TV Globo até hoje, eu estava morto. Fora o Cabra, foi o Santo Forte. Agora, prazer tive em quase todos. Se eu não tivesse prazer eu não fazia. Não sou missionário.
Você acha que Cabra não seria um filme tão bom se não tivesse sido retomado anos depois?
Evidente. Teria sido um documento de época importante mas o filme é um
filme com 70 camadas de sentido histórico. É uma revisão da história do
Cinema Novo, do cinema brasileiro que inclui tudo: jornalismo, história,
cinema, linguagem. Exatamente porque é um filme que conta a história do
filme, cinema e história todo tempo, lado a lado. É extraordinário que
eu consegui, porque eu soube fazer, tive um montador que me ajudou, tive
um fotógrafo que me ajudou a fazer. Enfim, é um filme que aguenta até
hoje porque ele não é um filme triunfalista. Ele lida com uma verdade do
personagem e não com discurso. Os filmes em geral políticos são
triunfalistas, tomamos o poder. Mentira. Jamais faria um filme assim.
Quando se ganha se perde também porque dura dez anos. E esse é um filme
muito chão, muito simples. Cabra tem dispositivos de montagem
extraordinários, tem jornal, manchete, o filme antigo, o filme que eu
filmei na UNE, filmes de outras pessoas. Tem filme americano que eu
roubei pra usar a imagem, que não paguei, graças a Deus. E a aventura
foi essa.
Por que você acha que mudou tanto sua visão entre o primeiro e o segundo filme?
Eu comecei a fazer documentário na TV Globo e eu comecei a descobrir que
era aquilo que eu queria fazer. Aí foi uma escola pra fazer o Cabra
porque a rapidez que se trabalha em televisão me ajudou a fazer isso
depois de uma forma muito mais refinada. Então me ajudou, me educando e
me deseducando. Cabra é um filme de suspense porque eu também não sabia o
que eu ia encontrar. Quando fui filmar [pela segunda vez] eu não via a
Elizabeth [personagem de Cabra] há 17 anos, exatamente o tanto de
tempo quanto o espectador… Fui encontrar 17 anos depois, conhecer os
filhos. Conheci eles quando filmei eles em 1962, 64 e fui lá ver eles
17, 18 anos depois como está no filme. Eu tinha que chegar filmando.(Com
o Brasil de Fato)
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Eduardo Coutinho
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
(VIDEO) Lançamento do livro Obamicídio no Programa Kapitan Underground
Kapitän Underground (Nº10) - Banda Native In Black E entrevista Com Daniel Oliveira e Hallisson Nunes Gomes,escritores, poetas. Toda segunda-feira ao vivo,ás 20 horas realizado em Belo Horizonte/MG-Brasil
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Poema: Vale a pena - Mauro Iasi
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sábado, 18 de janeiro de 2014
Do Fetiche da Mercadoria ao Fetiche da Tecnologia e das Redes Sociais
Sem
dúvida não podemos ser contra o avanço da tecnologia, do avanço
da ciência no mundo. Aqui no continente Americano não vai retornar
o modo de vida dos povos nativos da época da conquista colonial, não
tem volta, a questão é enfrentar o problema hoje.
Sem
dúvida a internet, as redes sociais facilitam as comunicações,
aproximam as pessoas, encurta a distância e as informações chegam
mais rápidas. Porém não vamos acreditar e endeusar que a internet
e as redes sociais são a solução para todos os nossos problemas.
Para achar que basta um click que basta uma nota no facebook que as
pessoas vão se mobilizar para que os problemas sejam resolvidos.
Para que a sociedade se movimente é preciso gente (homens e
mulheres) de carne e osso para a classe trabalhadora entre em ação,
para fazer greves, ocupações, manifestações etc. A vida tem
demonstrado isto, foram as ações das massas que tem arrancado
algumas vitórias frente ao Estado Burguês.
O
crescimento sem planejamento das Cidades no Brasil não é uma
novidade das sociedades de classes ela é prática constante do
capitalismo. O progresso promovido pelo grande capital trás consigo
problemas graves como a desigualdade sócio-econômicas gerando
desagregação do tecido social é quando surgem bairros melhor
equipado com bons serviços de infra-estrutura voltados para as
classes mais abastardas, de outro surgem bairro populares sem um
mínimo de dignidade sem um mínimo de assistência ou serviços onde
vão morar as classes trabalhadoras, onde a violência é prática
rotineira no cotidiano de jovens destas classes onde estes jovens vão
ver, sentir como prática comum a violência entre a polícia e
grupos marginais gerados por esta mesma sociedade, onde muitos jovens
oriundos destas camadas mais pobres enxergam no crime a ilusão da
ascensão social e acesso ao consumo alienado promovido pelo
bombardeio da mídia burguesa ao serem assassinados no dia seguinte
já vai outro para tomar o seu lugar em um eterno ciclo vicioso, onde
tantos policiais quanto os soldadinhos do tráfico são apenas a
engrenagem de todo um sistema dominante que busca manter os
trabalhadores desorganizados e alienados na própria periferia,
confirmando na prática o que Engels já falava quando o observa a
vida do Operário Inglês: “Só resta algumas coisas ao
proletariado, o se organiza para lutar ou então se aliena na
exploração aceitando passivamente ser explorados ou então cai no
lupenproletariado para ser preso ou assassinado pela Policia”.
Outro
problema para os jovens na periferia e nas grandes cidades tem sido o
crescimento da frota de automóveis que tem provocado muitas mortes
principalmente de jovens. Este crescimento do número de automóveis
não tem permitido as crianças brincar nas ruas as pessoas não
interage nas ruas ou calçadas obrigando as crianças a crescer como
prisioneiras do medo.
O
acesso rápido aos bens de consumo nas classes populares cria uma
ilusão de ascensão social. Hoje muitos assalariados, autônomos
passaram a adquirir os serviços de internet, TV a Cabo, telefones
fixos, telefones celulares, tablet e outros objetos. Isto tem
facilitado estas pessoas de baixa renda poder ver notícias, poder
pesquisar, isto por um lado, por outro pode gerar um novo tipo de
alienação que é a distancia entre as pessoas, justamente por
vivermos no capitalismo.
Este
endeusamento da tecnologia das redes sociais tem tirado das crianças
a criatividade, muitas crianças criavam brinquedos como carrinhos de
rolimã, riscar uma caixa de sapato ou remédio para fazer ônibus,
lata de leite para fazer o pé de cavalo, garrafa de água sanitária
para fazer carros, caixas de fósforo para fazer telefone, todos
queimavam calorias, pular corda, improvisar um golzinho na rua,
visitar um colega, tudo isso fazia parte da integração entre as
pessoas, hoje com as redes sociais as crianças ficam horas no
computador ou tablet comendo porcarias (besteiras industrializadas)
não se queima calorias. Estas crianças crescem sem ler um bom
livro, muitos país, tios, avós e primos mais velhos para não ter
problemas simplesmente deixa passar para não parecer careta, não
ser impopular, chato, simplesmente deixa passar. Se não tem um
computar em casa vai a uma lan-house para ver pornografia, jogos
violentos com o que há de pior da cultura violenta Estadunidense
onde o mote é a violência banal. O resultado já está assistido,
jovens que se atrasam nos estudos, dormem durante as aulas e não
querem ouvir um NÃO achando que o mundo é perfeito e bonitinho.
Já
não bastava a alienação das crianças e dos jovens nas redes
sociais, hoje muitos adultos já estão totalmente alienados e
dependentes das redes sociais não podemos esquecer que vivemos em
uma sociedade capitalista, quem dirige a fábrica dos computadores,
quem cria as redes sociais também tem os seus interesses ideológicos
na manutenção desta ordem burguesa de que continue as relações de
produção capitalista.
Se
o século XX foi marcado por conquistas históricas para as classes
trabalhadoras, hoje o capitalismo estar vivendo uma de suas maiores
crises, ainda não estamos vivendo um Ascenso dos trabalhadores como
foi no século passado quando tivemos a Revolução Socialista na
Rússia em 1917, a formação do sistema mundial do Socialismo onde
as burguesias foram obrigadas a conceder direitos aos trabalhadores
em todo o mundo, direitos hoje ameaçados.
Hoje
é a grande contradição temos um avanço tecnológico, que poderia
ser colocado para reduzir a jornada de trabalho, criar novos
empregos, aumento o tempo para o lazer, estudo e a convivência
humana substituindo esta correria louca de nossos dias.
Hoje
estamos vivendo o contrário, aparelhos eletrônicos são criados não
só para facilitar a vida mais também para aprisionar as pessoas ao
trabalho. Dependendo da profissão estes aparelhos tornam-se uma
escravidão mesmo após o horário de trabalho, nas horas de folga o
celular, tablet, laptop fica aporrinhando gerando pressão não
relaxando nas horas de folgas. Antes quando você se reunia em
família, quando você visitava um tio, um tio avô, um primo de
primeiro, segundo, terceiro grau, todos participavam da conversa (do
papo), gerando aquela bela convivência que deixa saudade em qualquer
um. Hoje em certas famílias cada um vai para um canto no seu
mundinho no celular, tablet, computador e em algumas famílias as
crianças e jovens não aprendem noções básicas como dar um bom
dia, boa tarde ou boa noite, outros entram ou sai de uma casa pior do
que um bicho por que o bicho esta mais educado que certas pessoas,
isto se reflete nos transportes coletivos com todos usando fone no
ouvido para acelerar o processo de surdes para depois no fim da vida
se perguntar por que ficou surdo. As novas gerações estão perdendo
a tradição de ouvir uma notícia no rádio, muitos não para ler um
jornal ou ver um programa de entrevista, prefere ficar nas redes
sociais postando um monte de bobeiras e coisas sem sentidos.
Hoje
nossas vidas esta sendo tão corrida que não temos tempo para
visitar um amigo e parente. Nasce um primo novo de segundo ou
terceiro grau, ou filho de um amigo não temos tempo para visitar
posta no face, as pessoas não se dar conta disto porque nada melhor
do que o contato cara a cara ou como diz um programa de humor o
famoso cara crachá, o resultado disto já sabemos surge pessoas
egoístas voltadas para seus mundinhos particulares adestradas por
jogos eletrônicos, com comportamento anti-social que vão lotar os
consultórios de psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.
Assim
como não devemos cair no fetiche da mercadoria, não devemos cair no
vício de ficar horas nas redes sociais, nem ficar enfeitiçado com a
tecnologia pois nada pode substituir a criatividade e o contato
humano e a solidariedade entre as pessoas.
Precisamos
estar atentos a capacidade de manipulação do sistema capitalista,
usar as redes sociais a nosso favor com os pés no chão sem a ilusão
de que elas por si só vá garantir a contra-hegemonia da classe da
trabalhadora, devemos ser firmes para superar os novos desafios e
buscar novas formulas de organização e luta do ponto de vista da
dialética para apontar os rumos e os caminhos da construção da
revolução socialista no Brasil.
José
Renato André Rodrigues
Professor
de Filosofia
Comitê
Central do PCB
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Poesia passada
o passado parece moído
como carne de segunda,
como parte não gostosa,
fragmentos indesejados
pelos comedores de filet mignon.
o pretérito imperfeito
avulta ao que erroneamente chamam de perfeito,
que determina uma ação acabada.
que ação está acabada?
nostálgica sensação do inacabado passado.
quantos outros desvios
tinha o labirinto de Ateneu?
quantos caminhos singulares surgiriam
num passo mal dado?
que caminho esqueceu na infância
o pobre casal cansado do amor?
outras respostas surgiriam
dos desvios não escolhidos.
sinto moído o passado
num engenho desativado.
são os pedaços miúdos
do passado e do presente que passou
ou acaba de passar.
posso sentir o passado diferente em poucas horas
porque o que passou ainda se move
no ritmo do relógio ainda sem corda.
Otávio Dutra
como carne de segunda,
como parte não gostosa,
fragmentos indesejados
pelos comedores de filet mignon.
o pretérito imperfeito
avulta ao que erroneamente chamam de perfeito,
que determina uma ação acabada.
que ação está acabada?
nostálgica sensação do inacabado passado.
quantos outros desvios
tinha o labirinto de Ateneu?
quantos caminhos singulares surgiriam
num passo mal dado?
que caminho esqueceu na infância
o pobre casal cansado do amor?
outras respostas surgiriam
dos desvios não escolhidos.
sinto moído o passado
num engenho desativado.
são os pedaços miúdos
do passado e do presente que passou
ou acaba de passar.
posso sentir o passado diferente em poucas horas
porque o que passou ainda se move
no ritmo do relógio ainda sem corda.
Otávio Dutra
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Na Serra Tem Veneno - [MiniDoc Completo]
Mini-documentário produzido por Miguel Santos e Fábio FG, contando um pouco sobre o movimento de música rap que acontece em uma das cidades da serra carioca: Nova Friburgo.
#AgoraÉSério Provocações&Produções
NaSerraTemVeneno
Sobre o autor
Olá
Me chamo Fábio FG, sou rapper, produtor cultural e produtor musical em minha cidade, Nova Friburgo - RJ.
Trabalho com o rap, promovendo diversas intervenções, rodas culturais, eventos etc.
No dia 12 de Janeiro de 2014 nós lançamos nosso primeiro Mini documentário, o "Na Serra Tem Veneno"
que mostra um pouco do cenário aqui de minha cidade, mostrando depoimento de vários rappers que fazem o movimento hip hop, por aqui, acontecer.
No dia 12 de Janeiro de 2014 nós lançamos nosso primeiro Mini documentário, o "Na Serra Tem Veneno"
que mostra um pouco do cenário aqui de minha cidade, mostrando depoimento de vários rappers que fazem o movimento hip hop, por aqui, acontecer.
Espero que goste, em baixo está o link do Youtube para assisti-lo na íntegra.
Pode me responder por este mesmo e-mail ou me adicionar no facebook:
Ou acesse o meu site: http://www.fabiofg.com.br
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Revista denuncia abuso de policial contra artista
Figura muito conhecida nas ruas de Belo Horizonte, o artista Celton decidiu fazer uma edição diferente, mas que conta uma história real, na qual ele se sentiu humilhado com a suposta atuação autoritária de um policial militar. Quase três anos após o incidente, Lacarmélio Alfêo de Araújo colocou em circulação a “Edição de Indignação”, contando a história de um PM que o teria intimidado em público e, segundo ele, o prendeu sem nenhum motivo aparente.
Lançada no fim de 2013, a edição número 30 da revista “Celton” custa R$ 2,50 e está sendo vendida pelo quadrinista em vários sinais de trânsito. O fato aconteceu em abril de 2011 e, conforme Araújo, fez com que boatos de que ele teria assaltado uma farmácia começassem a circular na cidade. Isso foi o que o motivou a contar a história. “Foi para limpar o meu nome que decidi fazer essa revista”, revela.
A confusão. Nesta edição, ele conta que estava vendendo suas revistas no cruzamento das avenidas Raja Gabaglia e Barão Homem de Melo, no Bairro Estoril, na região Oeste da capital, quando foi surpreendido por um motorista, gritando para que ele saísse do local. “Já estou acostumado com pessoas nervosas no trânsito e, por isso, o ignorei, até porque não percebi que era militar, pois estava em seu carro pessoal.”
Em seguida, o motorista teria parado o carro em frente a um ponto comercial. E, segundo Araújo, “gritando e muito exaltado”, ordenou que ele fosse até lá. Com a intenção de prender o artista, o militar chamou viaturas e o quadrinista chegou a ser algemado e colocado em um camburão.
Depois de interferência de testemunhas e de muita discussão, a polícia liberou o artista, que chegou a fazer uma denúncia contra o policial para a corregedoria da PM. O tenente-coronel Alberto Luiz, chefe da assessoria de Comunicação da PM, explicou que a corregedoria instaura um inquérito para apurar o caso e tomar as devidas providências, caso seja provado que houve abuso por parte do policial. Além disso, ele disse que é obrigação da polícia entrar em contato com a vítima e dar uma resposta sobre o andamento do processo. Ele não soube precisar qual é o andamento dessa investigação.
Biografia
- Lacarmélio Alfêo de Araújo nasceu em Inhapim, na Zona da Mata. Em 1972, se mudou para a capital.
- Criou o personagem “Celton” em 1975, e vendia a revista enquanto trabalhava como engraxate. Depois de conseguir um empréstimo, “Celton” foi publicada pela 1ª vez em agosto de 1981.
- Em 1990, foi para os Estados Unidos e juntou dinheiro cantando música dos Beatles no metrô. Em 1998, a revista voltou para as ruas e até hoje é vendida em sinais pela capital mineira.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
TSJ ordenó la inmediata libertad de “Julián Conrado”, el “cantante” de las Farc
(Caracas, 9 de enero – Nota de prensa).- La Sala de Casación Penal del Tribunal Supremo de Justicia, en ponencia conjunta, declaró desistida la extradición pasiva en contra del ciudadano de nacionalidad colombiana Guillermo Enrique Torres Cueter -alias Julián Conrado-, en virtud de que Colombia dispuso retirar y cancelar las solicitudes de extradición requeridas a Venezuela.
En vista de lo anterior, la Sala del Alto Juzgado venezolano ordenó el levantamiento de la medida judicial privativa preventiva de libertad dictada contra el mencionado ciudadano por el Juzgado Vigésimo Sexto de Primera Instancia en Funciones de Control del Circuito Judicial Penal del Área Metropolitana de Caracas. Asimismo la Sala del TSJ ordenó su inmediata libertad y se libre la correspondiente boleta de excarcelación.
Este ciudadano se encontraba preventivamente a las órdenes del mencionado tribunal mientras se recibían los argumentos del Gobierno colombiano que avalaban la extradición pasiva requerida, por la comisión de los delitos de desaparición forzada de personas y reclutamiento ilícito. Posteriormente se recibió otra petición de extradición por parte de Colombia por los delitos de secuestro extorsivo agravado, desaparición forzada y tortura en persona protegida.
Sin embargo, el 26 de diciembre de 2013, el Viceministro de Asuntos Multilaterales y Encargado de las Funciones del Despacho de la Ministra de Relaciones Exteriores de la República de Colombia, Carlos Arturo Morales López, mediante Nota Verbal DM.DIAJI N° 2845 comunicó a la cancillería venezolana la decisión de la República colombiana de “retirar y cancelar, con carácter inmediato, las solicitudes de extradición presentadas respecto del señor Guillermo Enrique Torres Cueter, alias Julián Conrado”.
En la misma fecha el canciller venezolano, Elías Jaua Milano, envió una misiva a la presidenta del Tribunal Supremo de Justicia, magistrada Gladys María Gutiérrez Alvarado, en la que informó que el Gobierno de Colombia decidió retirar la solicitud de extradición hecha sobre Guillermo Enrique Torres Cueter, para que en consecuencia se actúe en el ámbito de sus competencias.
Al respecto la Sala de Casación Penal del TSJ precisó en su decisión que “al ser retirada y cancelada la solicitud formal de extradición por parte de la República de Colombia, lo ajustado a Derecho y procedente es declarar desistida la solicitud de extradición pasiva, iniciada con motivo de la petición realizada por la Fiscalía Vigésima del Ministerio Público a Nivel Nacional con Competencia Plena, en contra del ciudadano Guillermo Enrique Torres Cueter”.
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terça-feira, 7 de janeiro de 2014
É noite, tudo se sabe! II
À noite é que me dispo
De duras verdades
E de mentiras palatáveis.
À noite, a realidade crua
grita aos meus olhos
E no espaço vazio da minha cama
a solidão é quem arde!
Lençóis, fronhas, coberta e travesseiros
Testemunham que enquanto um ciclo se fecha,
Nem sempre outro se ciclo se abre.
Que a vida individual não faz sentido,
como não faz sentido a dor
que em meu peito individual agora bate!
Por isso que à noite eu não durmo,
eu só me consumo,
e em algum momento
vou desistindo...
Rijo,
Brusco e
Tenso,
Mas mesmo assim, suave!
Wagner Farias
De duras verdades
E de mentiras palatáveis.
À noite, a realidade crua
grita aos meus olhos
E no espaço vazio da minha cama
a solidão é quem arde!
Lençóis, fronhas, coberta e travesseiros
Testemunham que enquanto um ciclo se fecha,
Nem sempre outro se ciclo se abre.
Que a vida individual não faz sentido,
como não faz sentido a dor
que em meu peito individual agora bate!
Por isso que à noite eu não durmo,
eu só me consumo,
e em algum momento
vou desistindo...
Rijo,
Brusco e
Tenso,
Mas mesmo assim, suave!
Wagner Farias
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Militantes do PCB publicam livro de poesias
Os militantes do PCB em Minas Gerais, Daniel Oliveira e Hallisson Nunes Gomes, acabam de publicar o livro OBAMICIDIO, uma coletânea de poesias.
A obra foi editada pela Editora e Livraria Estudos Vermelhos, de responsabilidade do camarada Alex Lombello, com capa baseada em uma pintura do camarada espanhol/brasileiro Magaiver (Alexandre Magno da Cunha Gomes).
Aguardem os lançamentos que serão promovidos durante o primeiro semestre, em centros culturais, bares, escolas e sindicatos.
Uma
explicação necessária
Diante das atrocidades cometidas pelos Estados Unidos em todo o
mundo, o poeta Pablo Neruda não viu outra saída a não ser deitar
suas armas contra aquele que encarnou em sua época o manto de Senhor
da Guerra: Nixon.
Hoje, nos vemos diante de uma outra conjuntura.
O extraordinário desenvolvimento tecnológico, o perene xadrez
geopolítico, a destruição dos direitos sociais através da
criminalização, e a ameaça às soberanias dos povos através da
tática de Guerra Imperialista Estadunidense colocou o mundo em um
grau de acirramento elevadíssimo. Nunca o fosso que separa pobres e
ricos, trabalhadores e capitalistas, foi tão grande. O pensamento
único busca a todo momento não deixar espaço para questionamentos.
Seja através de dólares, ou pela sua gigantesca máquina de guerra
hi-tech, o capitalismo se impõe atacando o que teme, o que não
considera “legítimo”.
Neruda concluiu que apenas com um Nixonicídio poderia por fim a
matança e a destruição. Um assassinato, mas não com fósforo
branco e agentes laranja. O arsenal do poeta trazia outras cores,
vivas, vibrantes, libertas. Cores do Caribe e da Ásia.
O saudoso poeta passou. Sua obra cravada no
mundo é um epitáfio em vida para Nixon, que caiu não por ter
arquitetado a destruição das luzidias flores que se abriam em todo
o mundo, mas por ter prevaricado em casa, espionando a oposição,
assim como Obama faz hoje com seu próprio povo.
Obamicídio é uma necessidade histórica. Não
se trata de lançar um chamado ao homicídio do patife da Casa
Branca, mas explodir em poesia e denúncia o genocídio que eles
promovem mundo afora.
Certa vez um nazista, apontando para o quadro
Guernica, perguntou a Picasso com ar de desdém se ele realmente
tinha feito “aquilo”. Com toda a calma que poderia ter no
momento, Picasso respondeu, “eu não, vocês fizeram isso”.
Assim, expomos nosso quadro, Obamicídio. Se
perguntarem quem é o autor, basta apenas apontar para a Casa Branca.
Mãos à obra!
Daniel Oliveira & Hallisson N. Gomes
Belo Horizonte, Dezembro de 2013
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domingo, 5 de janeiro de 2014
LEVANTE
A chuva cai
A folha
Se levanta
O tempo vai
O homem
Se levanta
Daniel Oliveira e Hallisson Nunes Gomes
A folha
Se levanta
O tempo vai
O homem
Se levanta
Daniel Oliveira e Hallisson Nunes Gomes
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Hallisson Nunes Gomes
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Martelo Palestino
O mundo perplexo
assiste
Cenas na televisão
Da mais sangrenta
invasão
Contra um povo que
resiste
E incansável
insiste
Nesta luta de rotina
Contra essa agressão
cretina
De hordas
imperialistas,
Caiam fora sionistas
Tirem as mãos da
Palestina.
Fora os Estados
Unidos
Fora os tanques de
Israel,
Contra essa agressão
cruel
Estaremos
prevenidos,
Nessa inseridos,
Lutando como felinos
Cantaremos os seus
hinos
Contra opressão do
sistema,
Esse agora é nosso
tema,
Somos todos
palestinos.
Paiva Neves
Fortaleza, 05 de
dezembro de 2012.
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Veja o filme O Capital (Le Capital)
Filme francês dirigido por Costa Gravas.
Drama - 2012
Legenda Português-PT
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Estátuas
Abaixo o mastodonte de granito!
Força, todos juntos,
que as cordas já uivam
asfixiando como um urso
o pedestal.
Pronto! O homem de pedra
estrondeia e se estatela
no meio da praça.
Empunhemos as marretas e os
martelos!
(Foices não! Ainda uma vez não:
enfeites e armadilhas.)
Vamos, espatifem o seu olhar sereno
espicacem o seu vulto solene
sua testa larga, suas orelhas.
Desmoronem e esfrangalhem todos os
dinossauros
e suas cabeças de esclerose.
Dilacerem todas as múmias
e seus catecismos simplórios.
Profanem os altares do socialismo
científico
e todos seus lugares sagrados
pois é a hora dos iconoclastas
e o crepúsculo dos deuses.
Nos pedestais vazios
se quiserem
soergam a altiva Liberdade
com seu facho novaiorquino
e seus raios democráticos.
Sim. Façam tudo isso
mas, ao final, sepultadas as
caricaturas
ao menos por curiosidade,
abram seus livros.
Desvencilhados de monumentos
e fetiches
desacorrentem seu pensamento crítico
derrubem também as comportas
com que cercam em pântano
o fluir de sua dialética,
e a louca paixão pela humanidade.
Então outra vez
companheiro Carlos e Frederico
companheira Rosa e companheiro
Ilitch
serão vocês
perigosos
outra vez.
Humberto Bodra
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Dissidência ou a arte de dissidiar
“Há hora de somar
E hora de dividir.
Há tempo de esperar
E tempo de decidir.
Tempos de resistir.
Tempos de explodir.
Tempo de criar asas, romper as cascas
Porque é tempo de partir.
Partir partido,
Parir futuros,
Partilhar amanheceres
Há tanto tempo esquecidos.
Lá no passado tínhamos um futuro
Lá no futuro tem um presente
Pronto pra nascer
Só esperando você se decidir.
Porque são tempos de decidir,
Dissidiar, dissuadir,
Tempos de dizer
Que não são tempos de esperar
Tempos de dizer:
Não mais em nosso nome!
Se não pode se vestir com nossos sonhos
Não fale em nosso nome.
Não mais construir casas
Para que os ricos morem.
Não mais fazer o pão
Que o explorador come.
Não mais em nosso nome!
Não mais nosso suor, o teu descanso.
Não mais nosso sangue, tua vida.
Não mais nossa miséria, tua riqueza.
Tempos de dizer
Que não são tempos de calar
Diante da injustiça e da mentira.
É tempo de lutar
É tempo de festa, tempo de cantar
As velhas canções e as que ainda vamos inventar.
Tempos de criar, tempos de escolher.
Tempos de plantar os tempos que iremos colher.
É tempo de dar nome aos bois,
De levantar a cabeça
Acima da boiada,
Porque é tempo de tudo ou nada.
É tempo de rebeldia.
São tempos de rebelião.
É tempo de dissidência.
Já é tempo dos corações pularem fora do peito
Em passeata, em multidão
Porque é tempo de dissidência
É tempo de revolução”
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Palestina
Quero o sorriso que falta no rosto do pequenino
Quero a bola que não rola nos pés desse menino
Eu sou a criança morta na luta
pelo direito à sua terra
Eu sou a mãe que ninguém escuta
que clama e a arma berra
Sou o homem bomba e o recruta
que querem findar a guerra
Sou o grito de todos e de cada um que cala
com mais um dos muitos barulhos de bala
Que entra no peito da palestina
coberta de sangue dor e neblina
Mas ah, quando formos todos palestinos
Africano, Grego e latino
Não haverá bala que cale o hino
O nosso hino
A Internacional
DE PÉ Ó VÍTIMAS DA FOME...
JESSICA NICOLAI
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Retrato estilhaçado de um guerrilheiro
Em entrevista ao Correio, o jornalista Mário Magalhães, autor de
biografia vencedora do Prêmio Jabuti 2013, fala sobre a grandeza, as
contradições e a contribuição de Carlos Marighella para a conquista de
direitos no Brasil
Severino Francisco
Durante muitas décadas, o guerrilheiro Carlos Marighella foi um
personagem em busca de um autor. Não é mais. O repórter Mário Magalhães,
49, dedicou 9 anos de sua vida (sendo cinco anos e nove meses de
trabalho exclusivo) para reconstituir a trajetória aventurosa,
apaixonada, acidentada e quixotesca de Marighella. A varredura da
pesquisa incluiu entrevistas com 256 pessoas que passaram pela vida do
mulato baiano e alcançou arquivos públicos e acervos pessoais. O
resultado é um retrato estilhaçado, contraditório, dramático e vivo,
registrado em Marighella — O guerrilheiro que incendiou o mundo (Ed. Cia
das Letras), livro vencedor do Prêmio Jabuti de 2013 no gênero
biografia.
Filho de um italiano e de uma mulata baiana, passional e
estrategista, destemido e sentimental, disciplinado e anárquico,
cultivador da poesia e autor de manuais sobre a luta armada,
supostamente ateu e consagrado filho de Oxóssi em um terreiro de
candomblé, Marighella foi deputado do Partido Comunista Brasileiro e
líder da resistência clandestina ao longo de duas ditaduras. Permaneceu
preso durante sete anos e meio dos 57 anos e 11 meses em que viveu.
Mesmo depois da redemocratização do país, Marighella permanece um
personagem maldito e proscrito da história brasileira. Essa imagem sai
abalada com esse livro, que restaura a dignidade humana e política do
líder comunista. Magalhães mostra o enlace indivisível entre a vida do
mulato baiano e as transformações vertiginosas pelas quais o Brasil e o
mundo passaram durante o período de 1930 a 1960. Marighella é um dos
protagonistas de lutas que levariam a conquistas essenciais dos cidadãos
brasileiros: o 13º salário, o combate à mortalidade infantil, o direito
de organização partidária e o direito ao divórcio. A farsa montada pelo
regime militar para simular uma reação armada do guerrilheiro durante
tocaia é desconstruída. Ele foi assassinado quando estava desarmado.
Nesta entrevista, Mário Magalhães fala sobre as lutas, as contradições e
o lugar de Marighella na história brasileira: "É legítimo amar ou
odiar Marighella, mas é impossível ficar indiferente à sua vida
fascinante", sustenta Mário.
O que o fascinou em Carlos Mariguella para dedicar nove anos
de sua vida em pesquisas e escrever um livro de mais de 700 páginas. Ele
permanece um personagem maldito?
Marighella continua sendo um personagem maldito. Enquanto seu nome
estiver barrado dos livros de história, essa condição persistirá. Não
proponho que os manuais escolares o promovam ou condenem, mas que contem
sua história. Omiti-la é crime de lesa-história e de desonestidade
intelectual. Como costumo enfatizar, é legítimo amar ou odiar
Marighella, mas é impossível ficar indiferente à sua vida fascinante.
Foi ela que me seduziu a mergulhar na biografia, com dois motivos
relevantes. A trajetória de Carlos Marighella (1911-69) me permitiu
narrar quatro décadas frenéticas do Brasil e do mundo, dos anos 1930 aos
1960. E perfilar outros personagens espetaculares. No livro que
escrevi, há dezenas de coadjuvantes e figurantes que merecem biografias
específicas sobre eles.
Logo na capa, você faz uma aposta alta, chamando Marighella
de "guerrilheiro que incendiou o mundo". Até que ponto Marighella foi
tão importante no imaginário da guerrilha em um plano internacional?
Seria algo comparável ao impacto de Che Guevara?
Não é possível comparar, porque Che Guevara foi comandante
guerrilheiro de uma revolução vitoriosa e ministro de Estado. Mas, com
sua morte, em 1967, a CIA norte-americana apontou Marighella como seu
sucessor na inspiração de movimentos rebeldes na América Latina. Em todo
o mundo, Marighella inspirou e ainda inspira movimentos contestatórios.
Ele e sua organização armada foram ajudados por personalidades como o
cineasta francês Jean-Luc Godard, seu colega italiano Luchino Visconti, o
filósofo francês Jean-Paul Sartre e o pintor catalão Joan Miró. O
jornal parisiense Le Monde chamava Marighella de "mulato hercúleo". A
revista Time, dos Estados Unidos, de "mulato de olhos verdes", quando
eram castanhos. Quando a Ação Libertadora Nacional, grupo guerrilheiro
de Marighella, transmitiu mensagens pela Rádio Nacional paulista, em
1969, o New York Times dedicou enorme espaço ao fato. Até hoje os
documentos escritos por Marighella são estudados nas academias militares
da China e nas escolas de espiões nos EUA. Nas manifestações de junho,
cartazes com o rosto e proclamações de Marighella apareceram por todo o
Brasil. Excluindo artistas e desportistas, ele é um dos 10 brasileiros
de maior projeção internacional do século 20. O silêncio sobre seu nome
foi uma longeva herança da ditadura.
Um dos méritos do seu livro é mostrar que Marighella
participou ativamente dos movimentos de reivindicação de direitos
sociais e mudanças em quatro décadas cruciais para a história do Brasil
do século 20. Que mudanças considera cruciais no país e qual o papel de
Marighella nas conquistas de direitos sociais?
Na Constituinte de 1946, ele defendeu o divórcio e perdeu, mas no
futuro esse direito seria conquistado. Batalhou pelo 13º salário e o
derrotaram, porém mais tarde o benefício se tornou lei. Idem o direito
de organização partidária. A luta contra a existência de ditaduras — ele
viveu sob duas, o Estado Novo (1937-45) e o regime instaurado em 1964 —
não foi em vão. Quando Marighella foi eleito deputado federal
constituinte, em 1946, a mortalidade infantil em Salvador era de
250/1.000. Hoje deve estar em torno de 20/1.000.
Marighella, que se empenhou contra a miséria, é um perdedor?
Divirjo da ideia de que Marighella foi um perdedor. Embora o Brasil
tenha melhorado desde o assassinato de Marighella, em 1969, eterniza-se
nossa maior tragédia: a pornográfica desigualdade social. O meu livro
mostra como Marighella e seus companheiros foram decisivos em muitos
movimentos nos quais se mantiveram discretos. Foi ele quem pessoalmente
orientou a célebre Greve dos 300 Mil, em São Paulo, em 1953. Partidários
seus lideraram a maior greve operária de 1968, em Contagem (MG).
Que bandeiras do Partido Comunista Brasileiro, demonizado há
50 anos, foram incorporadas ao discurso político atual? Qual a
contribuição do PCB para construção do Brasil moderno?
A principal foi a ideia de que os trabalhadores não são cidadãos de segunda classe, embora ainda sejam tratados como tal.
O Marighella que você revela no livro rompe com o figurino do
comunista dogmático. Parece ser firme, mas com traços pouco ortodoxos,
de espírito meio anárquico e hedonista baiano, durão e feminista. É o
fato de ser baiano que explicaria essas nuances?
A Bahia foi fundamental em sua formação. Marighella se definia, em
síntese, como "um mulato baiano". É curioso que, embora à frente do seu
tempo, dividindo o trabalho doméstico com a mulher, ele não se
considerava feminista e condenava o feminismo como compreendido na
década de 1940. Conto em detalhes no livro. Próximo da morte, Marighella
entrou em colisão com governo cubano. Um dos motivos foi a recusa dos
caribenhos em treinar mulheres brasileiras em guerrilha rural, distinção
de gênero inaceitável para Marighella.
"Responda sempre com poesia", diz Marighella para uma amiga.
Desde os tempos de estudos secundários ele sempre exercitou a poesia.
Qual a importância da poesia na vida de Marighella? Era só um versejar
ou significava também uma visão de mundo?
Significava uma maneira de encarar a vida. Às vésperas da morte,
Marighella se dedicava a compor paródias de sucessos de Roberto Carlos.
Ele ficou famoso na Bahia não pela política, mas ao responder em versos
rimados, aos 17 anos, uma prova de física, que eu publiquei na íntegra.
Marighella foi profundamente influenciado por dois poetas da Bahia,
Gregório de Matos e Castro Alves. Em 1965, lançou clandestinamente um
livro de poesias. A maior parte era de versos eróticos, e não políticos.
Aos 19 anos, concluiu assim um poema: "Andei como o diabo! Enfim...
eis-me de novo aqui:/ quero ver se descubro se já me descobri". Está
tudo no livro.
Como disse o Renato Russo: a violência é fascinante. A partir
de certo momento, Marighella tomou o caminho da violência como opção de
transformação social. É algo que mancha a biografia dele e o coloca na
condição de bandido? O que considera os altos e os baixos na trajetória
de Marighella?
Não escrevi nem uma hagiografia, exaltando o protagonista do livro,
nem um libelo contra ele. Também não tenho veleidades de juiz. Cumpro a
missão do biógrafo: contei o que Marighella fez, disse e, na medida do
possível, pensou. Ele tem grandes e pequenos momentos, como qualquer ser
humano. Não exponho minha opinião sobre a luta armada contra a
ditadura. Apenas registro que havia muitas formas legítimas de enfrentar
o regime pós-1964, e a guerrilha era uma delas. Teólogos clássicos da
Igreja já aceitavam, séculos atrás, o recurso à violência como
instrumento para combater tiranias. Mas não julgo Marighella, não
escrevo que ele foi herói ou bandido. Conto sua história, para que cada
leitor a avalie conforme seus próprios valores. Papel de biógrafo não é
fazer cabeça de leitor, mas contar histórias. Reconstituo a tortura pela
qual o jovem Marighella passou por 21 dias em 1936. Não duvido que haja
quem se identifique com os torturadores...
Há, no momento, uma discussão sobre a inviolabilidade da vida
privada de pessoas públicas. No caso de Marighella, a vida privada e a
vida pública se entrelaçam de maneira indivisível. Que prejuízos para a
compreensão de Marighella e da história a que ele está ligado se
houvesse cerceamento de pesquisa a aspectos da vida íntima do
personagem?
O livro que eu escrevi não existiria. Marighella lutou
apaixonadamente pela revolução social e amou e foi amado com igual
intensidade. Como separar o revolucionário valente do homem passional?
O grupo Procure Saber afirmou que os biógrafos ganham rios de
dinheiro com os livros que escrevem no Brasil. É verdade que vocês,
biógrafos, são milionários? No seu caso específico, você ficou muito
rico com o livro sobre Marighella?
Trabalhei nove anos na biografia. Nesse período, cinco anos e nove
meses em regime de dedicação exclusiva. Somando tudo o que ganhei com a
venda de exemplares e o que vou ganhar com os direitos de adaptação para
o cinema, só receberei 15% dos salários de que abri mão por 69 meses,
ao largar um ótimo emprego para cuidar do livro. Ou seja, de cada R$
100, só vi a cor de R$ 15. Trocando em miúdos, escrever biografia é um
suicídio financeiro.
O que diria aos ministros do STF que vão julgar o mérito da
ação que pede a revisão do artigo do Código Civil que tem possibilitado a
censura às biografias e a outras obras documentais envolvendo
personagens da história brasileira? O direito à inviolabilidade da vida
íntima deve se sobrepor ao direito da informação ou essa é uma falsa
questão?
Todos os direitos, de privacidade e liberdade de expressão, estão
garantidos pela Constituição Cidadã de 1988. Mas o que o direito à
privacidade tem a ver com censura prévia? O Brasil é hoje a única grande
democracia do planeta a censurar livros que ainda nem foram lançados. A
lei é de 2002, mas ela expressa a sobrevivência da cultura
obscurantista. Quem gosta de censura é ditadura. Espero que os ministros
do STF e os congressistas consagrem a democracia, a liberdade de
expressão e o direito à informação, abolindo a censura.
"Marighella continua sendo um personagem maldito. Enquanto seu
nome estiver barrado dos livros de história, essa condição persistirá.
Não proponho que os manuais escolares o promovam ou condenem, mas que
contem sua história"
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