Páginas

Mostrando postagens com marcador Afonso Costa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Afonso Costa. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Sangue


Meu sangue é o sangue dos homens
Dos trabalhadores
Dos operários
Do proletariado

Meu sangue é o sangue dos explorados
Daqueles que nunca abaixam a cabeça
Dos que vivem cativos e espoliados
Dos honestos, dos revoltados

Meu sangue é o sangue que quer justiça
Dos que não aguentam a injustiça e a opressão
Dos seres de bem
De todos os do BEM

Meu sangue enche os rios
As matas
Os mares
As montanhas
As ruas
As lojas
As fábricas

Mas um dia será um turbilhão
Um tsunami de justiça
De igualdade
Da verdade
Um sangue
Só um sangue
O sangue dos homens
O sangue da terra.


AC 31/03/2011
Afonso Costa é da direção estadual do PCB no Rio de Janeiro e jornalista com quase 35 anos de profissão. Além de matérias e artigos também escreve contos, crônicas e poesias, algo para aliviar a mente, para fazer a luta política no campo das letras.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Aí?


Cidadão pacato
Humilde e calado
Cabra arretado
Desconfiado
Menosprezado
Curtido e cordato

Gente da terra
Feito tapera
Errante quimera
Que nunca prospera

Cerceado e teimoso
Trabalhador
Nordestino corajoso
Cheio de dor

Carrega um sonho
Desejo contido
Anseio exprimido
Proibido
Escondido
Não permitido

Sem terra e sem lar
Procura um lugar
Onde possa trabalhar
Fugir de tanto azar

Esquecer a fome
Lembrar-se que é homem
Que tem um nome:
Brasileiro.

Afonso Costa é da direção estadual do PCB no Rio de Janeiro e jornalista com quase 35 anos de profissão. Além de matérias e artigos também escreve contos, crônicas e poesias, algo para aliviar a mente, para fazer a luta política no campo das letras.
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Minha terra

Minha terra é a terra do frevo
do xote, do xaxado, do forró,
carne de sol, qualhada e bobó,
sanfona, azabumba e realejo,
caatinga, sertão e muito brejo.

Minha terra é a terra do povo
de Luís Gonzaga e Jackson do Pandeiro,
do mar que quebra na praia,
do chapéu de couro, gibão e sandália,
procissão, reza e mortalha.

Minha terra é a terra do rebolado,
da dança, da crença, do mato fechado,
dos rios, da mata e da fartura,
tão invadida que não perdura
ameaça o sonho, agride a candura.

Minha terra é a terra do embolado,
da disputa do azul e do vermelho,
do tacacá, açaí e caranguejo,
farinha, água e lampejo
que cai e irriga o ano inteiro.

Minha terra é a terra do trevo,
da negra, da mulata, da morena,
da eterna garota de Ipanema,
das belas pernas, das grandes bundas,
das ancas quentes e salientes.

Na minha terra tem a Bahia,
O Pernambuco, a Paraíba e o Ceará,
Minas, Goiás e o Belém do Pará.
O velho Chico e o Grande Chico,
Os pampas, os longínquos morros do Amapá.

Não tem Y.
Não tem W
Não tem K.
Vão se embora!
Tirem a mão do meu jabá!

AFONSO COSTA
Jornalista, escritor e membro do CR/RJ do PCB