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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Que papelão

Menina para
com olhar fixo:
separa, revira,
no lixo se atira,
recolhe, que sina,
do fundo o pão
(e batuca o latão).
Ah, sociedade,
que papelão!

Na vida ensina
bem mais que aprende.
Que idade menina?
12… não cresce?
Faminta, adoece
(só 9, eu diria).
P’ra escola? Vai não?
Ah, sociedade,
que papelão!

Por que o sorriso?
No rosto, menina,
marcado de sol,
de alvorada a arrebol.
É por ironia?
“Sétima economia”
(vocifera um ladrão).
Ah, sociedade,
que papelão!

E se chega o canalha?
Na mão a navalha -
que crápula – a domina.
Que vida, menina!
Nem aguenta briga,
(tão cedo, a barriga)
Será filho ou irmão?
Ah, sociedade,
que papelão!

E aquele que preza
a ordem, a família alva.
E chora: ora ou reza,
e quer sua alma salva,
de olho em cargo eleito
(pra nada fazer pós pleito).
Esse é o verdadeiro “Cão”.
Ah, sociedade,
que papelão!

Fábio Henrique de Carvalho

http://coisacoisamente.wordpress.com/2012/05/05/que-papelao/

sexta-feira, 4 de maio de 2012

1º de Maio com poesia


Pesquisadores da UFMG celebram o Dia Internacional do Trabalho com antologia eletrônica de poemas sobre trabalhadores
O Dia Internacional do Trabalho está chegando. Para celebrar a data, algo adequado na Faculdade de Letras é divulgar sistematizadamente uma parte da cultura que faz de trabalhadores, personagens do povo, os protagonistas de muitos versos. Poemas brasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público tem justamente este foco. A obra inclui textos de Alvarenga Peixoto, Augusto dos Anjos, Castro Alves, Cruz e Souza, Fagundes Varela, Luiz Gama, Machado de Assis, Maria Firmina dos Reis, Olavo Bilac, Tomaz Antônio Gonzaga e Vinicius de Moraes.
São autores que faleceram há 70 anos ou mais, e por isto suas obras são legalmente consideradas de domínio público. A exceção é Vinícius de Moraes (1913-1980), cujos herdeiros de direitos autorais liberaram antecipadamente parte da obra, para publicações sem fins comerciais, por meio da Coleção Brasiliana (www.brasiliana.usp.br ) do Instituto de Estudos Brasileiros sediado na USP. Poemas, crônicas e canções do “poetinha” podem ser encontrados também no sítio eletrônico www.viniciusdemoraes.com.br.
A antologia de poemas foi organizada por pesquisadores da UFMG que desenvolvem na Faculdade de Letras há três anos análise linguística de discursos sobre trabalhadores, incluindo o discurso literário, além do jornalístico, do histórico e do educacional. Coordenado pelos professores Antônio Augusto Moreira de Faria e Rosalvo Gonçalves Pinto, o LINTRAB (Grupo de Estudos em Linguagem, Trabalho, Educação e Cultura) envolve estudantes de graduação, que fazem sua iniciação científica, e de pós-graduação.
Como destacam os coordenadores do projeto na introdução do livro, “o trabalho humano consolida hábitos, valores, crenças – cultura, enfim”. Daí a importância de estudar textos que tragam em primeiro plano os personagens trabalhadores e a temática do trabalho. A distribuição gratuita na internet, por sua vez, busca contribuir para a difusão dos textos, tornando-os facilmente acessíveis aos próprios trabalhadores, como também a estudantes e outros interessados no assunto.
Informações:   lintrab@ufmg.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Livro: Poemas brasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público
Organizadores: Antônio Augusto Moreira de Faria, Rosalvo Gonçalves Pinto (professores coordenadores), Fernanda Barbosa Moraes, Fernanda Gonzaga, Júlia Batista Castilho de Avellar, Letícia Lucinda Meirelles, Lucas Morais Retes, Luciana Martins Arruda, Luísa Gaspar Andrade, Luiz Paixão Lima Borges, Maria Juliana Horta Soares, Pauliane Santos Coelho, Priscila Lopes Viana e Rosa Maria Saraiva Lorenzin (estudantes).
Edição: Faculdade de Letras da UFMG - Coleção Viva Voz (Laboratório de Edição - LABED), 2011
Disponibilizada gratuitamente no endereço eletrônico:
http://www.letras.ufmg.br/vivavoz/data1/arquivos/poemastrabalhadores-site.pdf

quarta-feira, 2 de maio de 2012

As Mulheres da Comuna 17 de abril - Poesia de Juan Lima

As Mulheres da Comuna 17 de abril
(Ocupação Urbana em Fortaleza/Ceará)




Barracos, muriçocas...
Na rua da paz a miséria, fome...
Mas também a alegria, coragem.
Muita dor, curada com o calor de abraços.

Na rua da felicidade a lama...
Mas nasce flores por todos os lados.
Rosas, Joanas, Margaridas, Marias...
Todas Marias de peitos abertos rasgando o chão,
fazendo história. Histórias feridas,
cravadas de dor, curadas cotidianamente com amor,
sorrisos, punhos firmes, gritos fortes e agudos,
que ecoam pelos ares...


Florescem e se multiplicam, Rosas, Marias, Joanas.
Margaridas por todos os lados.
Elas avançam...
e eu homem, me sinto mais seguro e sensível.


Juan Lima  UJC/Ceará

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pirataria - Poesia de Patrick Osorio

Ah a pirataria!!!!
E por que não?
Eu defendo sim!
Um PDF sobre privataria!
Um download de um pancadão!
Um jogo pra Playstation Slim

Isso é contra a lei!
Disso eu já sei!!
Sei que é ilegal
Mas me diga que não é legal?

Direitos Autorais
Me diga quem são seus pais
Uma ideia louca(de uma velha rouca?)

Se eu inventei o direito é meu
E foda-se o seu
Mas e o conhecimento que me baseei?
Desse eu não quero saber!
Pensou que eu ia rimar?
Que me importa lucrar!

Conhecimento
Patrimônio cultural
Patrimônio mundial
Ou patrimônio Capital?

Pirataria, qual sua função afinal?
Pra que se possa ter acesso, a este universo
De DVD a dois real! Será que sou perverso?
Será que sou o Dath Vader? Trocando o bem pelo mal?

Ah a pirataria!!!!
E por que não?
Eu digo vários “sims”!
Uma cópia de pornografia!
Um xerox de um livrão!
O terceiro jogo do the Sims


Patrick Osorio de Melo dos Santos
PCB/Sabará-MG

terça-feira, 24 de abril de 2012

S.A. Poesia de Sidney de Moura

Todos os sorrisos brilham
Seguidos de olhares desencontrados
Olhos inspecionando o espaço
A espera do surpreendente abraço
Inesperado

Hoje

O calor não se mistura
Transita sem frescura
Nada flácido
Revestido de armadura.

Robocop noturno
Sem gingado
Rebolado
Sem bulir
Sem bailado

Que S.A. é essa
Que por mais que se peça
Emsimesmada
Não se apresenta

Que coisa!
Ao final estende a mão
Sinaliza sem revide
Chama e não divide
O táxi da madruga.

Já foi o Tempo...
“Taxista siga aquele carro”

Pe-rigo! Pe-rigo!


SIDNEY DE MOURA

Quem sozinho afronta a frota - Poema de Gilson Ribeiro


Quem sozinho afronta a frota,
desperta pena,
atrai o riso.

Quem sozinho em esquálida bravata
brande a débil altivez.

Quem, minúsculo no requadro,
sussurra seu brado:

os fardados não são páreos
para os párias!



GILSON RIBEIRO

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Somos Rosas - Poesia de Ana Carolina Ferreira

Cheiro de rosas
Rosas ao vento
Quantas são as rosas
Que vivem neste mundo?

Rosas cheirosas
E rosas medíocres
Rosas das mais belas
Belas e coloridas

Eu sinto a brisa
E o cheiro de flores
Somos as rosas
Eu Margarida

Somos Rosas Brancas
Delicadas e singulares

Somos Violetas
Tão pequenas e tão sutis

Somos Girassóis
Acenando para o sol
Dando adeus à solidão
E se entristecendo na escuridão

Somos Lírios,
Somos Lilases
Somos Damas-da-Noite
Somos Copo-de-Leite

Mas cuidado companheiro!
Somos mulheres!
Somos rosas,
e temos espinhos!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

ESTÁ NO AR A HISTÓRIA DO PCB (PARTE 1) EM QUADRINHOS!







Camaradas, companheir@s e amig@s,concluímos a primeira parte do projeto de produção da História do PCB em Quadrinhos. Os arquivos estão disponíveis para download na página do Partido Comunista Brasileiro (www.pcb.org.br).
Durante o Congresso da UJC (União da Juventude Comunista), sairá uma tiragem impressa para distribuição.

Para acessar a História em Quadrinhos do PCB, clique nos links abaixo:

Arquivo 1 Arquivo 2 Arquivo 3 Arquivo 4

O trabalho foi todo desenvolvido a partir da colaboração voluntária de desenhistas de quadrinhos, alguns deles profissionais, que participaram do Concurso Nacional divulgado pela página do PCB: feras como Rosali Colares, Alex D'Ates e Luciano Irrthum. Daniel Oliveira e Márcio Rodrigues foram responsáveis pelo roteiro e argumentos, com supervisão de Ricardo Costa. Dario Silva produziu a capa e Luiz Coutinho fez a diagramação e ainda colaborou com desenhos, revelando uma face até então pouco conhecida deste camarada, sempre solicitado pelo PCB para trabalhos gráficos.
O resultado final é impactante e belo, pela obra artística sensível dos desenhistas, cujos desenhos mágicos deram forma a histórias que jamais poderão ser apagadas. Mas também o é em virtude da fantástica história de lutas abordada e que envolveu tantos homens e mulheres neste país, os quais dedicaram suas vidas em prol da erradicação da exploração e pela construção de novas relações entre os povos, fraternas e justas.
Este resultado só foi possível graças ao trabalho solidário e entusiasmado de todos aqueles que participaram do projeto desde o início. O PCB, ao longo de toda sua história, sempre contou com o apoio de pessoas que, mesmo tendo no peito o ardor da justiça, não militam organicamente em nossas fileiras. Amigos que nos esconderam da prisão,da tortura e da morte, quando estas bateram às nossas portas. Amigos que disponibilizaram seus jornais
e revistas para que nossas ideias, censuradas, pudessem aflorar. Amigos que exigiram a legalidade do Partido, mesmo nele não estando filiadas, que choraram conosco as nossas perdas e reveses, que nos estenderam as mãos...
Esta é a história do PCB, uma história feita por combatentes e militantes, mas também pelos seus amigos e simpatizantes!
Em breve estaremos produzindo o volume dois, que abordará a história do Partido das lutas contra a ditadura civil-militar de 64 aos dias atuais. Quem gostou da experiência e quiser contribuir para o próximo volume, será um grande prazer.
A HQ do PCB será mais um instrumento de trabalho político e de formação da nossa militância, para divulgação da história de lutas do PCB, no ano em que comemoramos os 90 anos de fundação do Partido. É também material fundamental de difusão da linha política e ideológica atual.
Forte abraço a todos e boa leitura!

Daniel Oliveira - militante do PCB de Minas Gerais e editor do Blog Cultural Rosa do Povo
Ricardo Costa (Rico) - Secretário Nacional de Formação Política do PCB

http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=3887:esta-no-ar-a-historia-do-pcb-parte-1-em-quadrinhos&catid=56:memoria

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Olha sua Imagem diversa

Olha sua Imagem diversa
Que espelha a miséria
Que gela a costela
De fome tão séria
De Justiça na gleba
... Plural que é a terra dos homens.

Por tão elástica ser a condição humana
Esse reflexo não copiado
É o elo de nossa tão fadada tarefa

Tarefa essa de construir uma fuga da cela
Da alienada constituição da realidade que cancela,
Ao natal, toda a potência das almas humanas
De se desenvolverem

Livres,

Emancipadas

E Belas.

Leonardo C. de Albuquerque
PCB/RJ

terça-feira, 17 de abril de 2012

Minha conversão

O ontem!
E o hoje...
Projetam dias...
Sempre iguais! 
Horizontes sempre iguais.
E Itajaí está tomada.
Pelo tédio.
Bem comum.
De quem não sabe...
... para aonde quer ir!
Fico em casa entediado.
Sentimento bem comum
Para quem não sabe...
... para onde vai!
Itajaí tem um aspecto  nebuloso
Bem comum em cidades
Que se verticalizam!
E ganham os céus…
Itajaí do hoje
Itajaí do ontem
Tediosa & nebulosa!
Sentimentos bem comuns...
Para quem não sabe para onde vai
Ou de aonde veio!
 
Samuel Costa é poeta em Itajaí

domingo, 15 de abril de 2012

Texto de L. C. Albuquerque

Me admira as cores inquietas que rompem da madruga cinza sua mansidão
Insatisfeita com o raiar de dias formais e sem brilho

Dessa rotineira quietude desbrava o canto de um novo alvorecer
Uma juventude vermelha na rua se coloca a transpirar fagulhas de vontade
... E fazer parte dessa juventude, que canta o amanhã
E vive mais interinamente que qualquer um esses dias opacos,
Me enche o espírito de uma aura vermelha e indomável

Fazer parte disso tudo me da a certeza que outro mundo é possível
E que essa rapaziada é quem pintará, rimará, dançará, esculpirá o sorriso dos que virão depois deles

Dando-lhes a pura liberdade de expressar suas almas.

Leonardo C. de Albuquerque

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O poeta e os apressadinhos


imagem


Jacques Gruman

Queria falar sobre ETs e a origem da vida na Terra (sem a permissão dos criacionistas), com pinceladas de Rod Serling e Robert Wise. Fica para a próxima. No meio do caminho, fui atropelado – e não fui o único – por um poema-bomba e não vou jogá-lo fora com um peteleco blasé. Simplesmente não dá.
Quem é que ia dar bola para um poema, menos de trinta linhas, publicado num pequeno jornal do sul da Alemanha? Acontece que o autor era Günter Grass, prêmio Nobel de literatura, e o alvo uma suposta ameaça de Israel à paz mundial. Um bombardeio pesado veio em reação. Foi do patético (a embaixada israelense em Berlim não teve pudor em divulgar uma nota, enquadrando Grass na mitologia antissemita do assassinato ritual de gentios antes da Páscoa judaica) ao comedido.  Creio que vale a pena olhar de perto o que está por trás dessa situação. Senão, caímos na histeria e no assassinato da Razão.
Grass, é verdade, serviu, por um breve período e no final da Segunda Guerra Mundial, na SS, a tenebrosa tropa de elite nazista, responsável por crimes hediondos. Era um adolescente que, como tantos outros, foi provavelmente forçado a se alistar no ocaso do Terceiro Reich, quando começavam a escassear recrutas. A ligação com a SS foi um dos argumentos usados para desqualificar o grande escritor alemão e acusá-lo de antissemita. Ora, sem levar em conta as circunstâncias em que ele esteve na SS e a idade que tinha (quantos de nós estão completamente amadurecidos com dezessete anos ?), é imoral julgá-lo. Mais do que isso. Tristão de Athayde, San Tiago Dantas e Dom Helder Câmara, para ficar nos mais conhecidos, foram integralistas na juventude. Dantas chegou a contribuir para o jornal dos galinhas verdes em São Paulo. Todos mudaram e, cada um à sua maneira, deram importante contribuição humanista para a política brasileira. Se a lupa congelasse nos anos 1930, seriam execrados.
Grass ousou criticar a pusilanimidade com que a comunidade internacional trata o único estado nuclear do Oriente Médio: Israel. O Estado judeu tem um arsenal atômico não determinado (calcula-se em algumas dezenas de bombas), tecnologia militar para alcançar qualquer país da região e se recusa a admitir fiscalização independente (a mesma que exige, junto com seus aliados, do Irã). Não assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e obteve parte do material, que usou para fabricar as bombas, da África do Sul, durante o regime de apartheid. Será que é ser antissemita exigir ao menos igualdade de tratamento para as potências nucleares ? O escritor alemão criticou a hipocrisia do Ocidente, que troca de lentes quando olha seus aliados. Nisso, estou com ele. Serei um ingênuo perigoso ? Terei auto-ódio ? Cartas para a redação.
Grass é “culpado” pela militância pró-palestina. Ah, isso não lhe perdoam os que igualam, de forma pueril e inconsistente, antissionismo e antissemitismo. O primeiro, é uma forma de manifestação política legítima, com a qual, ao longo da História, muitos judeus se identificaram. Ninguém é obrigado a concordar com ele. Os que discordam, com argumentos igualmente legítimos, podem lutar com seus adversários no terreno adequado: a política. O segundo, é uma patologia múltipla, com braços religiosos, psicológicos, sociais. Claro que há casos em que um se aninha nos braços do outro, a política servindo de biombo para a patologia. Isso, no entanto, não é, em absoluto, obrigatório.
Grass vocalizou uma preocupação verdadeira: o que acontecerá caso Israel lance um ataque contra o Irã ? Se isso for antissemitismo, muitos israelenses se enquadram no figurino, a começar pelos escritores David Grossman e Amos Óz. Grossman, que perdeu um filho num dos conflitos com o Líbano, chegou a dizer que, caso aconteça, o ataque será “uma aposta selvagem, apressada, passível de mudar o futuro completamente, de maneira que eu sequer me atrevo a imaginar”. O fato de Grass ser alemão tira-lhe o direito e o dever de pensar sobre ações que envolvam um Estado nacional e, dentro dele, os judeus ?
Leio que o governo israelense proibiu a entrada de uma missão da ONU, criada para apurar o impacto dos assentamentos judaicos sobre a população palestina. Em 2010, autoridades israelenses deportaram uma prêmio Nobel da Paz (certamente uma ameaça perigosíssima à segurança nacional). Os falashas, judeus etíopes que vieram com fanfarras, protestam contra a discriminação. Será que criticar essas e outras mazelas deve ser monopólio dos patrícios ? Se os críticos não pertencerem à tribo, serão antissemitas ? É tão constrangedor que me faz lembrar um personagem do seriado Seinfeld, um dos meus vícios declarados. É o tio Leo (uncle Leo). Judeu, ele via antissemitas em todos os cantos. Serviam-lhe um hambúrguer mal passado na lanchonete ? O cozinheiro é antissemita ! Não conseguia um bom lugar na sinagoga ? O rabino é antissemita ! A paranoia do Leo é engraçada na televisão. Na vida real, não tem graça nenhuma.

Sugestão 1: Leiam o poema de Grass (What must be said) na íntegra. É fácil encontrar na internet. Não fiquem apenas em trechos, que dão uma ideia muito pobre do conteúdo.
Sugestão 2: Leiam o artigo de Guila Flint , sobre a decisão do governo israelense proibir a entrada de Günter Grass no país.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/04/120409_guntergrass_israel_gf_ac.shtml

quarta-feira, 11 de abril de 2012

VÍTIMAS DO DESCASO - Poesia de William Alexandre

Eis que o céu desaba novamente
diante de nossos olhos,
Para lembrar-nos da dor
que nunca conseguimos esquecer.
Eis que numa simbólica data
Recai sobre nós como o peso do destino
A angústia de nossa perda.
E em nossos ombros suportamos
Toda nossa omissão consentida.
E aqueles que se foram não aparecem
como fantasmas a nos atormentar,
Mas como testemunhas de uma certeza:
Acidentes não acontecem se podíamos evitar

Essa chuva: são lágrimas,
As nossas e daqueles a quem condenamos
com nossa indiferença.
Como se o próprio Deus que inventamos
para livrai-nos do mal
Viesse agora nos punir pelos erros
Que sabíamos que estávamos cometendo.
“Não somos políticos, não somos de esquerda”
E enquanto outros decidiam o que queriam ser,
E como deveríamos viver,
A realidade desabava ante nós,
E as vidas escorriam pelas mãos da morte.
Uma tristeza tão concreta que discurso algum
Pode relativizar.

Duas vezes um mesmo povo fora castigado
A primeira vez pela pobreza,
a segunda por ser pobre.
Os anos passam e a história se repete.
A primeira vez era tragédia,
Desde então tudo parece farsa,
Egoísmo e incompetência.
E assim continuaremos a viver
Até que sejamos capazes de perceber
Que somos nós que fazemos a história
E que, se não está ao nosso alcance
Voltar e fazer um novo começo,
É nosso dever, e isso não se pode negar,
Que podemos ainda fazer um novo fim.
William Alexandre
 
OBS: Há exatos 2 anos um forte período de chuvas atingia o Rio de Janeiro. Centenas de pessoas morreram em diversos municípios como Friburgo, Teresópolis, Volta Redonda e Niterói. As mortes, no entanto, não foram resultado do acaso, ou mera fatalidade. Pelo contrário, são o resultado da indiferença histórica dos governos para com as classes populares. Até hoje, diversas famílias continuam sem lugar para morar pois, quando há, o aluguel social não é suficiente. Tudo isso é parte da estratégia covarde de criminalizar a pobreza e responsabilizar a classe trabalhadora por não ter escolha. Estamos de luto, mas só porque ele é parte da nossa recusa de aceitar tal mundo, e de nossa luta para transformá-lo.

Parada do Velho Novo

Eu estava sobre uma colina e vi o Velho se aproximando, mas ele vinha como se fosse o Novo. Ele se arrastava em novas muletas, que ninguém antes havia visto, e exalava novos odores de putrefação, que ninguém antes havia cheirado. A pedra passou rolando como a mais nova invenção, e os gritos dos gorilas batendo no peito deveriam ser as novas composições. Em todas as partes viam-se túmulos abertos vazios, enquanto o Novo movia-se em direção à capital. E em torno estavam aqueles que instilavam horror e gritavam: Aí vem o Novo, tudo é novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós! E quem escutava, ouvia apenas os seus gritos, mas quem olhava, via tais que não gritavam. Assim marchou o Velho, travestido de Novo, mas em cortejo triunfal levava consigo o Novo e o exibia como Velho. O Novo ia preso em ferros e coberto de trapos; estes permitiam ver o vigor de seus membros. E o cortejo movia-se na noite, mas o que viram como a luz da aurora era a luz de fogos no céu. E o grito: Aí vem o Novo, tudo é novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós! Seria ainda audível, não tivesse o trovão das armas sobrepujado tudo.”

Bertold Brecht

terça-feira, 10 de abril de 2012

Quando e por que nascemos

imagemCrédito: PCB



Aos 90 anos do PCB (1922-2012)







Não sei quantos anos temos.
Sei que festejamos hoje 90 anos
porque nascemos em 1922.
Mas, talvez tenha sido antes,
talvez tenhamos nascido em 1917
quando os trabalhadores russos
iniciaram a construção do futuro,
ou foi em 1919 quando na Internacional
sonhamos sonhos planetários.
Talvez tenha sido antes ainda.
Em 1871, na Paris Revolucionária da Comuna
ou em 1848, quando os trabalhadores
levantaram-se para falar com sua própria voz.
Não sei, mas talvez tenha sido antes.
Quando dois alemães se encontraram
e viram o mundo através de nossos olhos
nos mostrando o caminho da emancipação.
Mas talvez não.
Talvez tenha sido há muito mais tempo:
quando um trabalhador
olhou para suas mãos
e percebeu que não eram mais suas mãos.
Quando olhou para seus pés e viu
que a terra não era mais a sua terra.
Não sei, mas acredito que foi ali que nascemos.
Talvez por isso é que nascemos.
Talvez por isso vivemos tanto tempo.
Talvez por isso resistimos.
Talvez por isso estejamos aqui hoje
para dizer aos trabalhadores:
_ Olha, esta são suas mãos,
são seus os produtos do trabalho.
_ Olha, esta é tua terra,
são nossos seus frutos.
_ Coragem, levanta a cabeça e veja:
olha este sol que se insinua
por trás das nuvens que o escondia.
Não há noite tão longa que derrote o dia.
Veja como tinge de vermelho o universo.
_ Levanta tua mão, camarada, assim...
agora fecha o punho, isso...
Lembra como era aquela canção?
Coragem, vocês nunca estarão sozinhos
Porque aqui estamos camaradas.
Por isso nascemos.
Por isso lutamos tanto.
Por isso sobrevivemos.
É por vocês camaradas
que fomos, que somos, que seremos
sempre
Comunistas!

Mauro Iasi
março de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Vamos celebrar a solidariedade internacional à Angye! NÃO MAIS PRESOS POLÍTICOS NA COLÔMBIA!

Reservem o fim de tarde de sábado 14 de abril! Ato em solidariedade a poeta colo...mbiana Angye Gaona (com a participação dela via videoconferência) e com o fantástico grupo CANTO LIBRE, entoando o cancioneiro de luta latino-americano! Tragam poesias, canções e cenas!!! Vamos celebrar a solidariedade internacional à Angye! NÃO MAIS PRESOS POLÍTICOS NA COLÔMBIA!


Mais info:https://www.facebook.com/events/148086915317511/

TECIDO BRANDO
Angye Gaona

Calma e tino te digo, peito brando.
Não queiras conter toda a água dos mares.
Toma uns litros de ondas bravas,
de espuma fera.
Deixe que se encrespe dentro de ti,
cavalo afrontado,
mas não domes esta água
que o tempo a requer viva
e pulsante.
Respira e prepara-te, peito brando.
Não queiras conter todo o ar dos abismos,
toma só o de tua pequena inspiração,
o acaricie por instantes,
o sussurre como se ao último alento
e o deixa livre ir ali,
aonde tu também querias:
vasto, imenso, indistinto.
Sopra forte o que guardas.
Não recolhas mais lágrimas, peito brando.
E se um menino preso chora, dirás,
e se um homem é torturado, dirás.
Que não é tempo de guardar a ira, te digo.
É momento de forjar e fazer luzir
o fio da navalha.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

UM MINUTO


O que é um minuto em nossas vidas?
Na sua? Na minha? Na de todos?
Pode ser tudo,
Pode não ser nada.

Em um minuto:
Uma vida nasce,
Enquanto outra é ceifada.

Um minuto pode significar:
Uma felicidade,
Uma tragédia,
Um encontro,
Um desencontro,
Um aceno para a paz,
Uma declaração de guerra.

Um minuto em nossas vidas,
Pode significar:
Um abraço de reconciliação,
Um beijo de união,
Um ato de traição,
Um coração que pára,
Uma boca que fala.

Um minuto parece não ser nada,
Mas é tempo que não se repete,
Uma dor causada a alguém,
Uma calúnia contra um amigo,
Um encontro de dois corações,
Duas vidas se unindo em uma só.

Um minuto pode ser tudo,
Também pode não ser nada.
Depende do momento,
Da ocasião,
Da situação,
De mim, de você e de todos.

Antônio Francisco Cândido
Membro Correspondente da A.C.L.A.C. Arraial do Cabo - RJ.
 


sexta-feira, 30 de março de 2012

CELA – 6

A hora dos
capuzes negros
é a hora mais negra
... dos prisioneiros.

Descer às cegas
pelas cascatas
apalpando paredes
adivinhando fissuras

Pisando superfícies
escorregadias
de sangue
e urina.

Às cegas.

Eis que me retornam
vestes, sapatos,
óculos, relógios.

Bolsa povoada
de lenços, moedas,
inúteis estojos.

Despojada até aos ossos
não sei o que fazer
de meus despojos.

Lara de Lemos

quarta-feira, 28 de março de 2012

Poema 90º aniversário do PCB feito no Expresso Vermelho

Eu tenho um sonho
E corro atrás desse sonho!!!

De um mundo melhor
De paz e igualdade

Solidariedade ao socialismo e ao comunismo
A sociedade e a comunidade

Diáspora a revolução
Que se expalhe o socialismo
90 Anos do PCB
E viva o Partido Comunista Brasileiro

Nas ruas, nas praças, operários e camponeses
Nasce o novo homem, justo, social e igual
Nasce o novo povo
Que se reconhece como povo
Homens e mulheres que do presente
Construirão o Futuro!!!


Poema escrito pela Delegação Expresso Vermelho PCB Minas
Transcrição: Daniel Cristiano
PCB 21 - Ipatinga/MG

terça-feira, 27 de março de 2012

Black bird U.S.A

O voo livre do pássaro
De metal
São penas de plásticos
A Iludir as massas
E o canto pré-gravado
E sampleado soa falso
E adulterado
E o sonho de mundo melhor
É sepultado!
São aviões não-tripulados
Voos mortais a fazer vítimas
Pelo mundo pobre...
Ei senhor Robert Bales
Quem atirou e matou...
O meu sonho?
Sonho de liberdade...
E de um mundo melhor!
São penas sintéticas
E abstratas!
Voos vazios
São voos não tripulados
A fazer vítimas invisíveis
Impossíveis!
São sonhos falsos
Quem alguém
Inventou
Quem tripula os "drones"?
No jogo mortal
Que ninguém vê!
O voo livre do pássaro
De metal
E não tripulado
E a mira do senhor Robert Bales
Mira impossível
E abstrata
Que ninguém condena

Samuel Costa - Itajaí

segunda-feira, 26 de março de 2012

Repartido (aos 90 anos do PCB)

Nossa história começa aos noventa
e é o passado que nos alimenta.

Pretendemos nossa voz emaranhada no
torvelinho da massa,
somada aos gritos de Revolução.

Nossa palavra pichada,apócrifa,
nos muros das cidades,
nosso jornal de clara opinião.

Pretendemos nossa cor
em revoadas pelas ruas,
estrelas em pleno dia,
a verdade posta nua!

Nossa história começa aos noventa,
e é o passado que nos alimenta.
Caminharemos firmes, sem demora,
novas páginas começam agora!

Orientados pelo Mar e pelo Lema:
Proletários, uni-vos!
Seguiremos em luta e emancipação.

Empunharemos o martelo e a foice,
com passo entre os povos,
Em táticas avançadas de direção.

Se já estivemos prestes,
estaremos mais prontos.
Se o norte vinha do leste,
teceremos novos pontos.

Nossa história começa aos noventa,
e é o passado que nos alimenta.
Semearemos com flores e com metais
a leira de dialéticos ideais.


Por Robson Luiz Ceron
Militante do PCB - Floripa

terça-feira, 20 de março de 2012

A barbárie civilizada - Poesia por Fernando Lustosa

A barbárie civilizada

por Fernando Lustosa, terça, 14 de Fevereiro de 2012 às 21:14 ·
O homem alienou-se da natureza;
Uniu a um só tempo as engrenagens a sua destreza;
Passou a desconhecer tais matérias;
Concretizou suas virtudes em verdades efêmeras.

O homem alienou-se de si;
Vendeu seus valores humanísticos a lucrativos e espoliativos fins;
Proletarizou seus ideais
E passou a compor e a corroborar com as paródias legais.

O homem alienou-se de seu ser genérico,
Objetivou-se a trabalhar com escassez de vida;
Criou dois mundos transcendentes ao intelectual e ao operacional;
Ceifou suas faculdades humanas e concretizou-se como um ser estranho a si, tal como ao seu meio social.

O homem alienou-se do homem;
Reduziu seus semelhantes a meras definições banhadas pelo fetichismo da mercadoria e a competição;
Reificou sua essência de ser humano;
Enquanto a realística feição social passou a estar em segundo plano,
E com o instinto de revolução apaziguado por algozes regados em prantos. 

Fernando Lustosa
PCB/RJ

segunda-feira, 19 de março de 2012

"Reflexões sobre a Melancia" - Poesia de Felipe Lustosa

Fruto que abrolha na aridez dum solo estapafúrdio de tabatinga,
Erva trepadeira e rastejante, que corta o nordeste afundindo a caatinga..
Suas folhas em triângulos suntuosos são macias como veludo de seda,
São largas, rasas, não balançam com o vento e ignoram a seca..

Melancia que traz consigo a tropicália do clima sob a forma de alimento bruto,
Melancia que emana a esterilidade dum solo infértil, com seu "sofrimento de fruto"..
Melancia fruto verde que nunca amadurece...
Melancia grande, listrada, de polpa aquosa, que é suculenta e apetece!

Melancia que possui sementes às dezenas,
Duras e ovalares, são negras e murubentas..
Melancia que reflete o verde falso dum sertão das Borboremas;
Terra sofrida, lavrada com foice e largada às contendas.

Não há sertanejo que ignore a presença duma melancia listrada;
Eu fico até imaginando: se ela quer ser notada?!
Num lugar tão seco, inóspito e escaldante;
Ela deve querer ser disputada por todos à todo o instante...

Diante do sol do meio-dia, ela alimenta a família do campesino,
Misturada à farinha, à ração humana e ao milho moído (bem fino)..
Para não trazer a tona: sua carência em consistência e sustância;
Suas deficiências em vitaminas, proteínas (e em fragrância)...
Pois lembre-se que a flor dum pé de melancia, só dura umas poucas semanas...
Não anuncia a vinda da primavera e  nem a chegada da sorte, enunciada pelas ciganas.

(Felipe Lustosa)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Um jovem de 90 anos - Poesia de Leonardo César de Albuquerque

Meu avô guardava tão firme
Um broche no meio do peito
Uma imagem que ao nos ver imprime
... A esperança de um poder eleito

Forjado da luta de muitos
Juntos sendo um partido
Por nosso povo aguerrido
Lutam por conquistar seus direitos

Desde Março de Vinte Dois
Meu avô se coloca a lutar
Recuar não é opção, pois
Na guerra não pode vacilar

Debatendo à democracia
Ao longo de sua trajetória
Tiveram muitas perdas
Tiveram muita glória

Mas o partido ainda anuncia

Nossos sonhos não faleceram
Nossa luta não envelheceu
Não aceitamos o que se estabeleceu
E os jovens também não o fizeram

Nossa idéia tão nova surgiu
Já mostrou longevidade em seu ar
E hoje ainda segue, a mil,
A muitas mentes cativar

Seus gritos se escutam ainda
Seus punhos erguidos ainda
Suas bandeiras tremulam ainda
Suas denuncias persistem ainda

O PCB não acabou
O PCB não recuou
O PCB se reformulou
O PCB na luta continuou

Meus avós e avôs de fato são
Aqueles que carregaram esse bastião
Da luta do povo trabalhador
Enfrentando a repressão e o horror

Hoje eu carrego este broche
Uma bandeira e a idéia vindoura
Colando nossa mensagem em postes
De que a juventude será a autora

O PCB vive
O PCB atua
Mas principalmente cresce!
Nesses 90 anos
Jamais fomos tão jovens
E sonhamos tão certo!

Leonardo C. de Albuquerque
Partido Comunista Brasileiro/Niterói

quinta-feira, 15 de março de 2012

Anotações sobre organização - Poesia de Leonardo César de Albuquerque

Sendo o comunismo,
Pelas próprias palavras de Lênin,
A juventude do mundo,
... Nossa organização não pode ser nosso único fim.

Disciplinarmos para como um corpo atuar
É necessário pela responsabilidade de nossa luta
Mas quando com o povo interagir
Não podemos ser como um militar na labuta

Temos de transpirar democracia
Pelo próprio trabalho que é organizar
E jamais feder à rigidez
Como artigos velhos guardados em cima de um altar.

Um mundo novo está aí para sonhar
Pela simples existência do mundo da exploração
Levantemos nossas cabeças para vislumbrar o futuro
E cantemos em alto e bom som as palavras de ordem de nossa libertação.

Leonardo C. de Albuquerque

quarta-feira, 14 de março de 2012

DESPERTA, DOR. conto de Pirenco

Acordei com o barulho do relógio, abri os olhos e a primeira pancada... 4:55 da madrugada. Fui ao banheiro; tomei um banho pelada, muito rápido; água e luz tá o olho da cara. No café... não vai leite, não tem em casa. Só tem café preto e forte pra me manter acordada e sair por aí apresentando a minha carta de entrada, currículo. Tenho poucas copias, tivesse muita, teria de ir a pé. O dinheiro tá contado, recontado, contadinho, pro ônibus e prum salgado de 50 centavos. Sai de casa, dia 13 de fevereiro de 2012, pisei na calçada esburacada, e como guerreira zumbi, subi até o ponto, ''esperar o ônibus não é tarefa fácil'', pensei. Ponto lotado, empurra-empurra, sobe, não sobe; dentro mais lotado do que lá fora; “bom dia, motorista.” Ele não responde. Na catraca, a segunda pancada... ARMÊNIA 4,80. aumentaram a passagem. PORRA, ASSIM NÃO DÁ. Cobrador me diz uma coisa... POR QUE TUDO AUMENTA SEM NOS PERGUNTAREM SE AO MENOS QUEREMOS ? Eu não quero esse aumento. Se aceito, fico sem alimento. Essa condução tá mais cara do que o feijão. Cobrador... VAMOS DESPERTAR A NOSSA DOR !!! Preste atenção na jogada... o que você dá de lucro ao patrão, NUM SÓ DIA, paga o teu pão de todo o mês. E além do mais, o patrão não pega ônibus caro e lotado, ele anda de carro blindado com ar condicionado. Assim não dá, vamos despertar, dizer não ao aumento, não ao patrão. Vamos juntos... carona, companheiro?!!! 

terça-feira, 13 de março de 2012

Vitória Rara

dedicada a Victor Jara
 
Ouviu-se um clamor no Estádio Nacional,
Mas não era um grito de gol. Era a voz dos
Que não se entregaram, ainda que cercados.
Não se acuaram ante ao inimigo, e contidos,
e amontoados, eram conduzidos ao vestiário
para serem massacrados (talvez o inside tenha
vindo de algum assessor alemão,
veterano das SS, que exclamou de pronto:
_ Os chuveiros. Mein gott, os chuveiros!)
 
O augusto representante do império
com suas armas e legiões, não poupou
sua voz valente, seu corpo e emoções.
Infligiram toda dor que podiam,
trucidaram suas falanges, mas não derrotaram
seu espírito inquebrantável.
Com as mãos moídas, os fascistas gritavam:
_ Toca! E lhe puseram um violão.
E qual foi sua resposta: _ Eu não toco pra vilão,
Toco pro povo insurgente, meu som é revolução.

Daniel Braga & Daniel Oliveira
PCB/Minas Gerais

sexta-feira, 9 de março de 2012

LILA RIPOLL, poeta e comunista


imagemCrédito: PCB


Humberto Carvalho

Peço perdão aos poetas do passado e aos do presente, peço perdão aos poetas maiores, como também aos menores, pois vou falar de um poeta, com “P” maiúsculo, estrela de primeira grandeza, que veio, nas asas da Poesia, pousar no Rio Grande, espargindo a pura luminosidade do seu lirismo.
Trata-se de uma mulher/poeta e uso o verbo no presente, porque, parafraseando Guimarães Rosa, devo dizer que “os poetas não morrem, ficam encantados”.
Refiro-me à Lila Ripoll. Já em seu nome há sonoridade e ritmo típicos de um verso; diria que seu nome é como “um suspiro ritmado”.
Essa mulher pequena, aparentava, fisicamente, a fragilidade das açucenas. Por trás das lentes grossas dos óculos, seus grandes olhos escuros, de pupilas incendiadas, miravam horizontes intactos do sonho. Eram “olhos de olhar estrelas”. A testa alta, marcante em seu rosto, como que anunciava sua inteligência, sua capacidade de pensar, sonhar e lutar pelo sonho. De quando em vez, suas mãos esvoaçavam, denunciando sua feminilidade e essa graciosidade inata das mulheres nos gestos que, em Lila, eram, quase sempre, contidos.
Lila nasceu em 12 de agosto de 1905, na cidade de Quarai, na Região da Campanha. É uma característica geográfica daquela região, poder-se visualizar os campos, sem obstáculos à visão, até os limites das linhas do horizonte, criando uma sensação viva  de liberdade, mas também de solidão.
Se forem verdadeiras as teorias da influência do meio ambiente sobre os seres humanos, estará explicado o porquê das pessoas daquela região terem a atitude mental de serem abertas à aragem das idéias, como o campo o é em relação aos ventos.
Por tais razões Lila diz em seu poema “No casarão...”, do livro  “De mãos postas” (ed. Globo, 1938):
“Nasci num casarão velho, de esquina,
Escondido entre salsos pensativos.
E foi lá que a minha alma, ainda menina,
Olhando dia e noite os poentes vivos,
Aprendeu a viajar no pensamento. (...)”
Aprender a “viajar no pensamento” é abrir-se às idéias, é aprender a sonhar, é predispor-se a conhecer sem preconceitos, sem apriorismos. E a capacidade de sonhar será uma constante nos poemas de Lila como em “Tecedeira” do livro “Poemas e Canções” (ed. Cadernos da Horizonte, 1957):
“(...)
Sou tecedeira de um sonho,
puro, claro, inacabado.
Fia, fia, a tecedeira.
Chega o outono e a primavera.
Dos frutos caem sementes,
das sementes brotam flores.
E o fio interminável,
tece o sonho de uma espera.
(...)
Fia, fia, a tecedeira,
sem saber para quem tece,
com o fio interminável,
uma teia de ternuras.”
O sonho, a capacidade de sonhar, assume importância trancedental, especialmente para o poeta, sendo essa, talvez, a sua missão - espargir sonhos, como quem espalha sementes. É o que Lila canta em “Cantiga”, do livro “Poemas e Canções” (op. cit.):
“(...)
Que pode sonhar um poeta,
senão repartir venturas?
Poeta, irmão, sonhemos juntos
um mundo sem amarguras.
Sonhemos juntos, plantemos.
A terra está como um fruto
em pleno amadurecer.
Espalhemos nossos versos,
como quem joga sementes,
para a terra devolver.”
A solidão como decorrência daquela visão telúrica, se manifesta em seus poemas como em “Canção de Esconde, Esconde”, do livro “O Coração Descoberto”(Editorial Vitória Ltda., 1961):
“Solidão brinca comigo
um jogo de esconde, esconde.
Desaparece um momento
e surge não sei de onde.
(...)
Solidão se esconde e volta,
moe a vida, o sonho, o amor.
Ai! jogo de esconde, esconde,
esconde também a dor.”
Por estes versos, vê-se também que nossa poeta (ela não aceitava a denominação de poetisa, pois a considerava discriminatória) construía seus poemas de forma direta e simples, sem perda do lirismo, do ritmo e da sonoridade.
Quando a Poesia começou a caracterizar-se por ser uma espécie de extenuante laboratório de enigmas, envoltos em densa nebulosidade de mistérios dirigidos a iniciados em charadas, Lila fazia uma profissão de fé na universalidade da temática poética, podendo, a compreensão dos versos, ser atingida por todos.
Dessa maneira e por outro ângulo, Lila se expunha, o coração palpitante, como num ofertório, buscando a comunhão das emoções entre os leitores e a poeta, como o faz em “Aqui estou venturosa” do livro “Poemas e Canções” (op. cit.):
“Aqui está o meu corpo,
pleno de vida e de sonho,
apesar da solidão.
Aqui tens a minha alma,
que sofreu mortes e mortes,
mas não perdeu a ilusão.
Aqui está a minha vida,
partida e reconstruída,
sobre pedaços de amor.
Aqui tens o meu suspiro,
leve sopro perfumado,
feito de aroma e de dor.
Aqui tens as minhas palavras,
revestidas de poesia,
de verdade e sentimento.
Aqui estão minhas mãos,
que permaneceram puras,
em meio a todo tormento.
Aqui estão os meus anos,
multiplicados por quatro,
pelas dores que passaram.
Aqui tens tudo o que sou:
um pouco de céu e terra,
pelas leis que me geraram.
Aqui tens tudo o que sou:
espinho e flor, urze e rosa,
noite, dia e madrugada.
Aqui estou venturosa,
por ter sido como sou,
sem mentir pra ser amada!”

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Rancho da Goiabada

Os bóias-frias quando tomam umas birita
Espantando a tristeza
Sonham com bife-a-cavalo, batata-frita
E a sobremesa

É goiabada-cascão com muito queijo
Depois café, cigarro e um beijo
De uma mulata chamada Leonor ou Dagmar

Amar
O rádio-de-pilha, o fogão-jacaré, a marmita, o domingo
no bar
Onde tantos iguais se reúnem contando mentiras
Pra poder suportar

Ai, são pais-de-santo, paus-de-arara são passistas
São flagelados, são pingentes, balconistas
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados
Dançando dormindo de olhos abertos à sombra da alegoria
Dos faraós embalsamados


Composição: João Bosco e Aldir Blanc

sexta-feira, 2 de março de 2012

Acróstico de repúdio ao fascismo e apoio a resistência popular


Não pude conter o vômito
Ao saber o motivo da agressão fascista contra o povo do Pinheirinho
Homens, mulheres, crianças despejados de suas histórias
Antecede suas vidas a propriedade privada
Santificada pelo apodrecido Estado burguês

Armas, bombas, tiros e mortes
Legalmente amparada pela justiça
Capacetes de motoqueiro, paus e pedras, escudos, eis a resistência popular
Kombi de emissora televisiva fascista é incendiada
Manifestação para rodovia
Intensifica-se a repressão, tratores destroem casas
Não déia, entretanto, de resistir o Pinheirinho

Renato Queiroz Alves
PCB/Guarulhos