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quinta-feira, 17 de abril de 2014

"Luíses - Solrealismo Maranhense" : filme denuncia Maranhão dos Sarneys



Filme coletivo feito sem recursos, sobre a situação política/anti-social da capital maranhense (e por extensão do Estado do Maranhão). Mesclando depoimentos sobre o caos da saúde e da situação agrária, um manifesto contra os podres poderes do clã dos Sarneys (que governam o estado há mais de 40 anos),o diretor coloca em xeque de forma inventiva o caos e a absurda situação histórica da região.

Filme: Luíses - Solrealismo Maranhense

Ano: 2013

Produção: Éguas Coletivo Audiovisual

Site oficial: Solrealismo.com

Leia mais sobre o filme em nosso site aqui.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A história de uma fábrica ocupada contra o capitalismo!

Da Revista Miséria 


Para ajudar os trabalhadores da Flaskô nessa luta clique aqui.

Conheça mais no vídeo abaixo:

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Hemorragia

Enquanto as dores se espalham pelo corpo cansado
Olho minhas mãos e meus pés
Olho as mãos e os pés dos outros
E torno a olhar minhas mãos e meus pés
Mãos e pés surrados

A melhor conversa que vivi com um operário
Não continha uma palavra sequer
Ele entrou no trem e olhou meus pés descalços,
Sentou frente a mim, afrouxou a bota e se libertou
Ficamos então a olhar os nossos calos da vida

É sempre bem vinda a solidariedade dos que não têm calos.
Porém é inevitável não sangrar a cada vez que noto
mãos e pés delicados e bem tratados

Lopes Camarada


segunda-feira, 10 de março de 2014

Muito mais que um bloco... obrigado camaradas!


 

(aos camaradas do Bloco Comuna que Pariu!)
Mauro Iasi
Era carnaval, era um bloco, mas era muito mais que isso. Sei lá, alguma coisa nascendo, alguma coisa rompendo. Cada um chegou do seu jeito, com seus sonhos guardados em seus medos, com sua alegria e suas angústias, cada um num ritmo, uns sabendo mais outros menos, outros nada, mas ali seu deu o milagre da fusão.
Tinha de tudo, camaradas do PCB, companheiros de outros partidos, militantes, amigos, brancos sem jeito, negros, homens, mulheres (tinha até um japonês, eu vi), quem vota num e quem vota no outro, junto com quem não vota, e tudo aquilo que andava separado, ficou em silêncio e uma figura levanta as mãos e soa um apito alto. Não podemos dizer de um “chefe” de bateria, entre nós não há chefes, um dirigente, negro, com roupas íntimas de mulher (vermelha provocação), cabelos de índia. E o chão tremeu, vindo da terra, de quilombos e senzalas rebeladas, de cada gota derramada, de suor ou sangue, de cada ato de amor, de cada beijo na boca, de cada coisa que arrepia a pele e faz o corpo vestir a alma pelo lado de fora.
Era uma porção de gente diferente que ali estava junto sob a direção de um mestre. Profissional, não porque tem valor de troca e preço, profissional como o artesão que ama sua arte, como o operário que desempenha com perfeição seu ofício, como gari que volta na rua varrida para pegar a latinha que ficou prá traz, como poeta que enlouquece na busca da última palavra. Uma porção de diferença que ali estava junto: um bloco.
O produto esconde o processo, os problemas, as noites, os ensaios, a falta de grana, gente que atrapalha, mas o produto traz na pele a marca do trabalho, que pega um sonho e esculpe a realidade até que fica parecido com que queremos. E ficou bem parecido com que queremos. Alegre e comprometido, brotando do samba com escala em Paris, irônico, sarcástico, irreverente, cortando a carne podre do presente mostrando que é possível e necessário libertar o novo das prisões da acomodação.
Meu filho dormia no meu colo como se ouvisse Debussy, minha companheira se esmerava no surdo de primeira. Era carnaval, era só um bloco, ou era mais que isso. Um bloco revolucionário do proletariado, com capacetes operários vermelho futuro e uma voz de mulher cantando um samba contra dudus e cabrais, contra a Globo e o Capital, deixando cicatrizes de alegria no corpo triste da realidade.
Fiquei muito orgulhoso com meus camaradas. Era só um bloco... ou era muito mais.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Fantástico, Favela, Ideologia e Alienação


Em reportagem no domingo dia 23 de fevereiro de 2014, o programa fantástico da TV Globo falou sobre a nova classe média brasileira como meio de integração a capitalismo brasileiro onde reportagens como estas procuram convencer a opinião pública que existe uma paz social nas comunidades pobres como: favelas, bairros proletários e periferias onde residem pessoas de baixa renda.
Reportagens como estas não novidades! Com estas reportagens estão buscando convencer os mais pobres a aceitar passivamente as injustiças do sistema capitalista e a ausência de serviços públicos por parte do Estado burguês que quando aparece nestas comunidades é através da presença do agente de repressão representado pelas polícias quando invadem estas comunidades. O que estas reportagens escondem e não mostra é que vivemos em uma sociedades que existe uma segregação social, onde os ditos moradores oriundos das favelas e áreas proletárias não são bem vindos nas areias da praias frequentadas pelas camada mais privilegiadas isto ocorre nas praias de São Paulo, Rio de janeiro e outras regiões. Como reflexo disso acontecem as divisões, os conflitos, os arrastões e os rolezinhos.
Programas e reportagens como: Fantástico, Domingo Legal, Caldeirão do Huck e outros, procuram manipular e estigmatizar os mais pobres onde se aproveitam das necessidades e desespero das pessoas usando as migalhas do capitalismo, como: Dar uma passagem para um nordestino que mora em São Paulo visitar o Nordeste, liberar recursos para a reforma de uma casa, reforma de automóvel velho e etc. O que estes programas não explicam é que as pessoas se encontram nesta situação por culpa do capitalismo. Todos esses programas buscam desviar as massas de uma possível tomada de consciência dos problemas e da falta de infra-estrutura em comunidades de baixa renda, historicamente gerada pela forma de organização da sociedade capitalista.
Além de todo aparato ideológico nas mãos, certos programas de TV como o “Esquenta” na Rede Globo se utiliza de prestígio e popularidade de artistas que não buscam remar contra a ordem estabelecida fazendo o papel de apenas vendedor de mercadoria se mediocrizando e aceitando fazer o papel de idiota perante as câmeras. Hoje as obras de artes e as manifestações culturais não são para refletir elas buscam apenas entreter e diluir os problemas sociais cotidianos vividos pelas massas trabalhadoras.
Músicas como o “Rap da Felicidade”, as músicas de funk que fazem apologia ao crime não tem nada de revolucionário. Estes tipos de manifestações buscam apenas confinar os mais pobres ao consumismo alienado, a naturalização dos problemas fazendo com que todos procurem se adaptar a ordem burguesa confinado em seu próprio lugar para não incomodar o sono da burguesia declarando guerra ao capitalismo.
Artistas, músicos, entidades como: A Cufa, Afroregee se somam aos aparatos ideológicos da burguesia para promover a alienação e a despolitização dos problemas gerados pelo capitalismo. É claro que não devemos descriminar os gêneros populares como o que todos convencionaram chamar de Funk, porém “Popular não é popularesco”, devemos manter em alerta nosso senso crítico para entender que à por parte da indústria cultural um processo de empobrecimento das manifestações artísticas e culturais para superar este impasse. devemos lutar pela democratização do acesso a cultura criando condições para que as grandes massas possam ter acesso a uma ampla política cultural voltada as reais necessidades espirituais das amplas massas populares, onde a cultura possa levar as massas a refletir sobre a realidade em que vive.
Ao contrário do que pensam certos programas ninguém nasceu para viver amontoado como tentam nos convencer os programas alienantes das redes de televisão a serviço da burguesia, devemos lutar para que o poder público ao invés de dar recursos públicos para grandes empresários passe a investir em políticas habitacionais para que possa retirar as pessoas das áreas de riscos para que eles possam morar com dignidade em cidades e bairros com infla-estrutura onde todos possam ser feliz, onde os trabalhadores através do “Poder Popular” possa construir estas cidades organizada segundo seus interesses em oposição a ordem capitalista.
Que no lugar deste País há de nascer um Brasil Socialista
José Renato André Rodrigues
Professor de Filosofia
Comitê Central do PCB

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO

não temos pátria/ camarada/
não existem fronteiras entre os justos/
a dor dos sofridos nos atrela
e linhas traçadas em mapas
jamais poderão nos apartar/
nem muros/ nem urros/ aferro/
não importa de onde vem o berro/
lá estaremos/ aqui estaremos/
como um só povo/ multidão/
como um só grito/ alvoroço/
como um só punho de resistência
e uma constelação brilhando
em olhos de esperança/
hoje o mundo não cabe na lágrima
de uma mãe palestina/

*Otávio Dutra é estudante de sexto ano de medicina na ELAM, membro da Coordenação Nacional da UJC e militante da base Paulo Petry do PCB em Havana-Cuba.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Fallece el cantautor cubano Santiago Feliú a causa de un infarto

El cantautor cubano Santiago Feliú murió esta madrugada. Santiago, quien nació en La Habana el 29 de marzo de 1962,perteneció al movimiento conocido como la Nueva Trova y tuvo también una presencia notable en Novísima Trova, autor de canciones inolvidables como Para Bárbara, Vida, Ay, la vida y otras.
Se presentó junto a grandes exponentes de las dos generaciones de trova como Noel Nicola, Frank Delgado, Luis Eduardo Aute, Luis Pastor, León Gieco, Silvio Rodríguez, su hermano Vicente Feliú, entre otros.
Reproducimos la nota publicada por Silvio Rodríguez, esta mañana en su blog Segunda Cita:
Santy
«Suena el teléfono a las cuatro de la mañana y pienso que ojalá sea un equivocado. Desde una conciencia adormecida el instinto de conservación lanza ese pensamiento. Si esa llamada no es error ¿qué buena noticia te pueden dar a las cuatro de la mañana? El instinto no traiciona, no miente, viene de un lugar ignoto pero corta como navaja, porque cuando escucho Aurora y después cuándo fue, ya la cabeza está en Vicente, que está en Guatemala, en algún accidente de avión o carretera, en un atentado loco.
Pero no es avión ni carretera ni atentado ni Vicente. Es Santiago, el más joven, a quien hace una hora se lo llevó un infarto.
Ayer mismo borré la carpeta donde le puse una selección de fotos de su boda. ¿Por qué llevaba días pensando en él?
Muchas malas palabras se me ocurren. Muchas. Son tantas, que se atropellan.»

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Eduardo Coutinho: “Tudo o que eu faço é contra o jornalismo”

                                                                         

"Quero saber das pessoas que eu filmo, só"
04/02/2014 
Mariana Simões
Na Pública
Em entrevista inédita concedida em 2011 a Mariana Simões, então estudante de comunicação, o documentarista Eduardo Coutinho não escolhe as palavras para definir o que faz
Eu tinha 22 anos quando comprei uma passagem para o Rio de Janeiro para entrevistar Eduardo Coutinho, que morreu no domingo, dia 2/2, no Rio de Janeiro. Na época eu cursava graduação em Comunicação nos Estados Unidos e estava passando as férias em Brasília. Fiquei um mês trabalhando na tese: metade fazendo pesquisa sobre a obra de Coutinho e a outra metade com o telefone na orelha, tentando agendar uma entrevista com o documentarista.
Quando consegui o número de telefone do escritório dele,  achei que a minha entrevista estava garantida. Mas faltando uma semana para eu voltar para Nova York, ainda não tinha dado em nada. Comecei a entrar em pânico. “Se faça de boba, minha filha,” meus pais me disseram.
Eu segui o conselho: mandei um e-mail para a produtora dele dizendo que já tinha comprado minha passagem para ir ao Rio de Janeiro e que, no dia seguinte, ligaria para confirmar o horário da entrevista. “Você sabe como é, ele já está velho, não gosta mais de dar entrevista,” alguém me disse pelo telefone dias depois. Expliquei que já estava no Rio de Janeiro esperando ele me atender. A passagem custou caro, eu iria voltar logo para o exterior, fui dizendo.
Eu tinha entrevistado o cineasta Vladimir Carvalho na semana anterior. Ele foi simpático ao telefone e, quando nos encontramos, ficamos horas conversando. Um homem sorridente, com boa vontade, cheio de energia.  
Com Coutinho foi praticamente o oposto. Quando entrei na sala para entrevistá-lo, a única que estava sorridente era eu. Coutinho estava atrás de uma mesa, me esperando, um maço de cigarros em mãos. Ele falava baixo, meio rouco. Tossia muito. 
Apertou minha mão. Perguntei se podia filmar a entrevista, ele gesticulou que sim e eu comecei a agradecer como uma tonta. Disse que era uma honra poder entrevistar um homem que mudou a cara do documentário brasileiro. Fui logo acrescentando que achava ele um grande documentarista, alguém que eu admirava, mas percebi que ele não gostou dos meus elogios. Não queria se fazer de herói, nem aceitar o título de grande cineasta; ele era apenas um cara que gostava de documentar o encontro da câmera com o mundo. E, de fato, avisou que não fazia filmes para descobrir a verdade sobre ninguém.
Tudo que eu tinha entendido sobre o trabalho dele até então foi aos poucos desmoronando. “Eu estou interessado que a pessoa fale a partir de sua experiência sabendo que, como é memória, toda memória é mentirosa, e portanto tem verdade e mentira juntos. Isso é inevitável,” ele explicava. De acordo com Coutinho, não era possível fazer um documentário que só contasse a verdade. Para ele, não existia uma verdade única sobre um acontecimento, mas sim várias verdades ou várias experiências vividas que juntas pudessem contar uma história.
Assim como os gestos e o comportamento dele, naquele dia, também contaram uma história.
Quando entrei na sala, vi um homem de 80 anos que já estava cansado, cuja voz às vezes falhava, mas um homem que ao longo da entrevista foi se soltando, começou a mostrar outra cara. Apesar da aversão que sentia em dar entrevistas, eu notava o brilho no olho dele, o orgulho que tinha pelo que fazia, a paixão que sentia pela arte que havia criado. Antes de ir embora, pedi para tirarmos algumas fotos juntos. Na última, ele puxou meu braço  e disse: “Agora chega de fotos genéricas, vamos fazer uma em movimento.” E aí ele acenou para a câmera e por um instante consegui capturar algo: não a verdade sobre Coutinho, mas um retrato dele naquele momento. Que se foi.
Você acha que o documentário é de alguma forma uma extensão do jornalismo?
Questões gerais eu odeio. Se você me pergunta a diferença do documentário pra ficção nós não vamos sair do lugar. Não, eu fiz nove anos de jornalismo para a TV Globo, trabalhei três anos em jornal também, até fui jornalista, dirigi filmes para o Globo Repórter. Mas eu, desde que eu saí do Globo Repórter, tudo que eu faço é contra o jornalismo.
Contra o jornalismo?
Eu odeio o jornalismo. Não estou interessado em jornalismo. Não estou interessado em informações, mapas, em filme militante, em filme político. Deus me livre. Aquecimento global, liberar maconha. Não estou interessado em filmes políticos, sociais, genéricos. Nada que é genérico me interessa. Quero saber das pessoas que eu filmo, só. Então comigo é uma exceção, um tipo de cinema particular que eu faço, do qual é o único que eu sei falar. Não falo sobre o cinema em geral porque, bom, o documentário pode ser tudo, né? Jornalistas podem fazer excelentes documentários jornalísticos, evidente. O Michael Moore é jornalista, no fundo um cineasta, e que é um tipo engraçado e tal, mas que é um populista evidentemente de esquerda e que, enfim, usa metas que eu não usaria. Mas é um cara altamente eficaz, está milionário e tal, mas é jornalismo. E seus filmes são úteis? São, em certa medida são. Tratar dos assuntos que ele trata, agora, as metas que ele usa, não me interessa.
Você acha que o Michael Moore interfere muito no filme?
Michael Moore é um exemplo, tem mil outros. Todo cara que começa a fazer um filme dizendo “eu vou fazer esse filme para obter tal resultado” não me interessa. Vou dar um exemplo: o filme do Al Gore, não vou ver. Não estou interessado! O filme que o cara sabe que ele vai fazer para dizer que a maconha deve ser legalizada, não estou interessado! Que o mundo vai ser aquecido, o cacete a quatro, não estou interessado! Outro pra dizer que não pode comer carne. Outro pra dizer que a miséria é boa. Não quero saber disso, não interessa. Faça um livro, faça isso no jornal. Agora a experiência de fazer cinema, que é tão ingrata, que você não ganha dinheiro, que é chata pra burro, só tem sentido para mim se é uma coisa que você goste, desse tipo de coisa eu não gosto. Tem gente que adora e faz bem. Um filme que é feito sobre o nazismo etc, isso é um filme jornalístico de um certo sentido, mas com alto nível de pesquisa e tal e interessante, mas não é o tipo de filme que me interessa fazer.
Até que ponto você, como diretor, deve interferir, por exemplo, durante uma entrevista?
Eu tento não interferir. Ou melhor, eu tento… Eu não julgo. Eu não julgo se um cara, uma pessoa que é escrava, que gosta de ser escrava, eu não vou perguntar “mas como?!” Se ela quiser ela dá um discurso do porquê ela gostar de ser escrava. Eu não estou lá para mudar as pessoas, eu estou lá para ver o estado do mundo através das pessoas. A partir da relação que eu vou ter com a pessoa, que é o essencial, na qual tudo pode acontecer, pode haver conflitos ou não conflitos etc. Mas que eu não estou lá a fim de dizer para a pessoa que ela mude de opinião, não. Aliás, a opinião não me interessa. Me interessa que as pessoas tratem de sua vida. A partir de suas vidas, as pessoas vão ter opiniões de direita e esquerda, tanto faz, mas que são viscerais. Eu não estou interessado no conteúdo social da vida da pessoa, eu estou interessado no que a pessoa fala a partir de sua experiência sabendo que, como é memória, toda memória é mentirosa, portanto tem verdade e mentira juntas, isso é inevitável. Não há solução. Ninguém consegue desobstruir a memória, então eu aceito aquilo que é exagero. Como sabe se o sentimento é verdadeiro ou não? Sabe, “eu gostei de um cara.” Eu sei lá se gostou ou não, ela conta a história do romance dela, é um segredo. Porque são pessoas comuns. Se eu fosse entrevistar o Napoleão não ia entrevistar sobre a vida dele, o interessante é a política dele. Quer falar sobre um político, faça um livro.
Por que você começou a fazer documentário tão tarde na vida? Acho interessante que não foi na faculdade que você entrou nesse caminho. Você começou fazendo Direito, não foi?
Comecei por Direito porque era o que se fazia. Direito, Engenharia, Medicina. Mas enfim, larguei, fui trabalhar em jornalismo, depois fiz um curso de cinema e passei a fazer cinema. Agora, ninguém podia pensar em fazer documentário no Brasil nos anos 1960. Nem cinema! Quanto mais documentário. Longa metragem? Isso não existia. Som direto ia começar ainda e tal. E daí fui fazer ficção até o final dos anos 70. Fiz um filme interrompido que tinha um lado documental, mas que ao mesmo tempo eram camponeses e atores. E daí eu parei, fui fazer televisão teve o golpe de estado tal, tal, tal. Eu larguei o cinema durante dez anos e voltei para fazer o Cabra [Marcado para Morrer] onde eu fiz um trabalho de História, de jornalismo, de cinema, tudo misturado. Cabra tem tudo isso. Cabra tem tudo, pesquisei como um filho da puta. Trabalhei muito antes de fazer o filme. Sobre a história dos camponeses, pra saber que perguntas que eu devia fazer. Nos filmes que eu fiz nos últimos dez anos e tal, não faço pesquisa, não tem que fazer pesquisa. Eu vou filmar num lixo e simplesmente vou ao lixo conversar com as pessoas. Isso é bom ou ruim? Você tem que perguntar pra uma pessoa que tá lá no lixo, isso é bom ou ruim? Porque eu sei que tem aquilo e tem coisa pior que aquilo.
Em Boca do Lixo, você se surpreendeu com o que as pessoas falaram nos depoimentos?
Não há coisa mais degradante do mundo do que o cara ser filmado catando o lixo. E tive a reação deles e aí eu dizia ‘e por que?’ E depois eles diziam os motivos pelos quais trabalham no lixo. Motivos até econômicos, entende? Enfim, eu tentei ouvir o lado deles. Ninguém diz aqui é bom, mas muitos dizem “não, mas aqui eu alimentei meus filhos, eu conheci amigos”, por exemplo. O cara de esquerda supõe que aquilo dali é horrível, que a culpa é do governo, que a culpa é do capitalismo. Acontece que eu fui lá aberto e ouvi gente dizendo: “Eu prefiro isso do que ser empregada”. Tá aí um troço novo. Porque o cara nas condições terríveis do lixo, pelo menos ele é autônomo, ele não tem patrão. Alienado ou não, o cara julga um triunfo ele não ter um patrão. No Brasil inteiro deve ter um milhão de pessoas que vivem na rua vendendo coisas. E essa noção de liberdade, se é falsa ou não, não importa. O cara no lixo diz: “Olha eu trabalho aqui, agora sábado eu não venho. Sábado eu faço feira, não sei o que.” Não ter um patrão. Para quem tem herança de escravidão é um troço essencial. Tudo no Brasil está ligado ao troço da escravidão. Isso pesa muito, entende? O horror ao trabalho é um troço que vem dos 350 anos de escravidão.
Pulando um pouco, o filme que me introduziu ao seu trabalho, foi o Edifício Master
É onde eu já estou num outro caminho, em que eu não quero dizer que aquilo ali é o inferno ou o paraíso. Eu quero simplesmente tentar ver como as pessoas vivem aquilo. Porque como eu não vivo aquilo, se eu tivesse a minha idade e tivesse morando lá eu dizia ‘pô, fim de linha, que fracasso’. Depende, as pessoas que eu encontrei lá, tem um aposentado que esteve nos Estados Unidos, tem pessoas de classe média que estão lá um período da vida que depois saíram de lá e também foram para Alemanha, o cacete. Tem de tudo lá: classe média baixa, média e meia média. Entende? Então o que me interessava era conhecer isso, o que é viver naquela cidade. Paris, Moscou, Nova York, é tudo igual. Você encontra a mesma solidão. Um cara que mora numa quitinete e que morre, dez dias depois alguém encontra pelo cheiro porque era solitário. Se encontra aqui, se encontra em Nova York, se encontra em todo lugar.
Inclusive a minha tia avô ela mora em um edifício igualzinho a esse...
Em Copacabana?
Em Copacabana!
A maior porcentagem de idosos no Brasil é em Copacabana: tem 15% de idosos. A razão é muito simples. Tem tudo lá: prostituição, crime, tal. Mas é um bairro que tem muita vida, tem comércio, tudo é perto. É muito melhor morar em Copacabana do que no centro da cidade que não tem nada. E a praia está perto então o velhinho vai lá e passeia. Então morar em Copacabana, hoje, para aquelas pessoas foi um ganho. É uma coisa interessante com todos os problemas que tem.
Eu li uma entrevista em que você dizia que, quando você começou a fazer o Edifício Master, sentia medo de não desenvolver uma história boa porque era um bairro de classe média.
Isso aí é porque as pessoas se defendem. Você vai lá na favela e todo mundo está disposto a falar, eles têm eloquência, têm beleza na fala, têm a gíria. Cem anos de cultura em favela. A favela é um troço orgânico e forte em comparação com o asfalto. O exterior/interior não existe, você está andando e da janela alguém te chama pra entrar, entende? Eles têm consciência que tem o ‘nós da favela’ e tem o ‘nós do asfalto’. Isso está ligado, porque eles vivem a vida do asfalto também, vão à praia e tal mas eles tem consciência do ‘nós’ favelados. Num prédio, ninguém fala ‘nós’. A diferença é essa. Como é que eu vou dizer ‘nós do meu prédio’? Eu moro num prédio normal- 30 apartamentos, 35, sei lá. Mas não vou dizer ‘nós’. Nem conheço quem mora lá, nem quero conhecer ninguém. As pessoas na favela se conhecem todas, é um outro tipo de vida. Tem esse lado positivo de formar comunidade, de que é uma vida muito aberta. Então quem se mata é quem mora no Master, em favela ninguém se mata. Já ouviu falar em algum suicídio em favela? Eu nunca vi. É impressionante, não sei se tem estudo sobre isso, mas eu não conheço caso. Um mata o outro, droga é outra coisa porque o cara é viciado, dependente e guerra do tráfico é outra coisa. Mas suicídio mesmo, sem razão ou por depressão, é difícil.
Então por isso eles [os personagens de Master] falavam pouco, eles riam pouco, tinham pouca riqueza vocabular. Em termos de experiência de vida também não era tão forte. É por isso que tem 37 personagens – eu tinha que ter quantidade porque eu sabia que não ia ter personagens maravilhosos como tive em outros filmes que podiam ocupar dez minutos. Tem 37 pessoas no filme e acho que nenhum chega a cinco seis minutos. Pessoas que entram por três, quatro minutos. Mas em compensação é 1 hora e 50 minutos de gente falando.
Quando te veio essa ideia de botar só gente falando?
Isso foi desde que eu voltei a fazer cinema com Santo Forte. Fui fazer um filme sobre religião mas não queria botar culto nenhum, queria botar gente falando sobre religião. Daí eu fiz, acabei filmando também culto, mas acabei tirando e jogando fora. Depois de longas experiências arrumando e montando, tirei praticamente tudo, mas ainda tem imagens. E eu fui reduzindo e atualmente tem um filme que não tem imagem nenhuma. Só tem um preto e tem uma pessoa que fala ou canta. E é chegar no limite. Filme que só tem pessoas falando como Jogo de Cena. O próximo vai ser pior ainda, só tem uma pessoa que fala, um corpo falando. Então atrás você não tem que distrair, mostrar fotografia do filho, do neto. “Meu filho morreu”, pronto, conta a história do filho. A pessoa imagina, não preciso da foto do filho. Se é dito, a imagem é totalmente desnecessária no caso dos filmes que eu faço. Eu trabalho com cinema que se baseia na palavra. Por isso é muito difícil vender pra fora. Nunca vendeu. Quem não entende português é difícil, a legenda passa 60 %. Então é difícil porque meus filmes não vendem.
Você acha que vocês documentaristas são heroicos?
Não, não, não, não. A palavra herói não existe. Vítima e herói: não existe. Não tem coitadinho. Sabe o pobre, o coitadinho, como são feito os filmes. “Ah o coitadinho do pobre!” Eu não fui no lixo para tratar de vítima, senão acaba a relação. Eu vou tratar ele de igual pra igual na medida que é possível. Eu quero conhecer a sua razão. As minhas razões para estar aqui eu sei – eu posso, eu quero. Agora quais são as suas? Cada um tem suas razões para estar em algum lugar para fazer alguma coisa. Isso que eu quero descobrir. Então a razão do outro me interessa. Tentar estar no lugar do outro é a chave da questão. É impossível, mas tem que tentar, e nesse confronto de tentar entender o outro sai um diálogo que é improvisado, que é inventado, porque você inventa também quando fala. E não importa, se inventa bem, é verdade. Se é bem inventado, é verdadeiro e ponto final. “Eu fui feliz”, sei lá se é verdade. Tá dizendo! Pode ser que daqui um ano diga outra coisa. Entendeu? Tem que ser inventado com verdade. Quem inventa mal tá fora!
O documentário já existe à margem do cinema brasileiro. E os filmes estrangeiros dominam o mercado brasileiro então…
Tem o Cinema Novo, tem o cinema brasileiro sério que sempre foi marginal e vai continuar a ser. Tem Globo Filmes e tal, as exceções, mas é 15 % do mercado. O cinema brasileiro em geral é marginal no mercado. Calcule os filmes sérios que tem alguma dimensão estética, o que seja, social, o que seja. São filmes que se tiver 30, 50 mil espectadores já é extraordinário. No mundo todo o documentário é um lixo pequeno. Pensa que na França é diferente? Passou um filme que tem 100 mil espectadores e é extraordinário, é uma festa. Na França! Entende? As pessoas vão ao cinema para ver histórias inventadas com atores. Baseadas em fatos reais ou não, mas simplesmente vão para o cinema sonhar. Sempre foi assim. E agora é sonhar em 3D. E aumentou até o nível de diferença de um cinema para o outro. Não dá pra competir com os filmes 3D americanos. Não tem como o brasileiro fazer isso. Agora daí, de repente, pega essa esquema de novela e tal e faz o filme. São exceções. Mas o conjunto do cinema, o cinema brasileiro foi, é, e será sempre marginal. O próprio cinema vai passar a ocupar um lugar marginal. As pessoas vão ver filme aonde? Até em celular. Entendeu? Então o ato social de ver filme vai ficar menor, vai ficar como teatro. Ou então filmes que exigem telas gigantescas IMAX, sei lá. Os caras vão ver lá, vão ver esse tipo de cinema.
Voltando ao Cabra. Você disse antes que você não tem uma intenção politica com seus filmes. Você diria que nesse filme você teve alguma intenção politica?
Não tem intenção política na medida que a palavra política é equivocada. Todo filme é político. Mas eu estou interessado no social, não no político. Como é que uma sociedade existe? Por que o Brasil é como é? Por que as pessoas são como são? Primeiro, você tem que saber como as coisas são para depois se quiser mudar. No Cabra, eu estava fazendo uma coisa que é diferente porque o Cabra tinha um ato político de fazer o filme, porque tinha história envolvida no filme. Isto é: minha vida parou com o filme. Esse é o fantasma. Como parou a vida dos camponeses. Então apresentou para mim uma dimensão psicológica, é realmente um filme de um caráter politico mas a partir de uma coisa pessoal também. Peões, não. Qualquer cara pode filmar a greve dos operários. Eu fui e fiz um filme lá, mas não tem nada ver com Cabra.
Por isso você quis que o enfoque do peões fossem nos metalúrgicos em vez de políticos?
Tem uma divisão né? Tem a história do Lula e o João [Moreira Salles] estava interessado e eu não, até pelo fato de que é o tipo de filme que tem que negociar cada dia o que filmar etc. Tinha que pedir ajuda ao sindicato foi muito trabalhoso, muito penoso. Cem mil sindicalistas. E eu tinha que achar gente que o sindicato queria e encontrar gente que dissesse coisas que não fossem evidentes. Então teve uma limitação. Não faço mais filme politico, histórico. Em princípio não faço mais.
O Peões deve ter sido difícil porque você estava pegando uma região inteira não era como o Master que você ficou num prédio só…
Esse é o problema, ficou um negócio amplo demais. Só se eu ficasse um ano fazendo pesquisa que era impossível. A prisão espacial é essencial para mim. Eu preciso ter uma prisão espacial e naquela prisão eu sou inteiramente livre. Essa pobreza espacial é essencial pra eu não procurar ideologicamente aquele cara interessante. Não, nesse prédio eu tenho que achar um filme. Todos os filmes que eu filmo a regra é essa: num lugar tem que achar um filme. Até agora pelo menos tenho achado uns filmes que não são iguais. Mas são sempre num lugar só. Tirando Peões, todos os filmes que eu fiz recentemente são num lugar só. Numa vila que tem 80 famílias, num canto de lixo, num teatro de gente que responde a um anúncio. Se eu não pedir nada para a pessoa fazer e conversar meia hora com ela, ninguém mais controla se está filmando ou se não está. Não tem como conversar meia hora e a pessoa ficar engessada. Ou fica e sai do filme.
Igual àquele momento no Peões que o rapaz está falando e a esposa não quer participar, ela fala mas não quer aparecer.
Isso é extraordinário! Justamente houve uma briga porque o fotógrafo queria que minha assistente filmasse ela. Eu não quis e ela teve razão de não ter filmado porque o que me interessava era ela fora [de cena]. Ela sai da filmagem, portanto contra, daí ela às vezes dava palpite. Foi maravilhoso. Quem está no campo, quem está fora do campo isso é essencial. Ao lado estava o filho deles que é débil mental. Então tinha, a meio metro do quadro, no sofá, um filho de vinte anos completamente nervoso que gemia. Eu até perdi uma sequência interessante porque entrava o gemido do cara. Você filmando e tinha o cara aqui, a mulher aqui atrás e aqui do lado do sofá o filho gemendo. Não é que ele está com dor,  o cara tem problemas gravíssimos. E você filma e…pra eles é normal, eles vivem com aquele filho, então é normal pra mim, e vamos filmar.
A sua infância teve alguma coisa a ver com seu envolvimento no cinema mais tarde?
Não, eu era cinéfilo, uma pessoa que via filme. Ser cinéfilo é assistir três filmes por dia, anotar no caderno. Quando eu tinha dez anos eu fazia isso. Agora era impossível pensar no cinema brasileiro. Eu vi nove vezes uma chanchada, Carnaval no fogo. O que eu via de cinema brasileiro era chanchada, carnaval. Isso até 1951, 52. Fora isso eu via cinema americano, depois argentino, mexicano. Depois neorrealismo, até que eu fui estudar cinema e passei a me interessar. Mas isso de fazer cinema foi um passo gigantesco que só foi possível depois que eu voltei da Europa em 1960, 61 quando o Cinema Novo começou a nascer e se tornou possível fazer cinema no Brasil. De uma forma marginal, mas de qualquer maneira uma tentativa de ver o Brasil que não tinha aparecido no cinema brasileiro de antes. E fora da chanchada que realmente já não precisava mais porque com a chegada da televisão a chanchada não tinha mais mercado.
Se o Brasil não fosse não atrasado naquela época teria sido possível você entrar antes no ramo do cinema?
Isso não sei. Antes do Cabra, em que eu já tinha uns 40 anos, tudo que eu fizesse não tinha importância. Só quando eu fui filmar o Cabra que eu me libertei. Tudo que eu fiz antes não importa porque eu não sabia o que eu queria da vida. Quando eu fui fazer o Cabra, eu sabia o que queria fazer. Trabalhei cinco, seis anos, pesquisa, filmagem e fiz um filme à altura do que tinha sido a história. Depois fiquei 15 anos praticamente sem fazer filme até fazer o Santo Forte.
Se o Santo Forte não tivesse tido tanto êxito…
Se não fosse a produção do Santo Forte, eu tava morto. Se a repercussão crítica fosse ruim ou ninguém fosse ver, é possível que eu desistisse. Mas a verdade é que eu confiava, sempre confiei no filme falado que era como era e tal. Meus amigos diziam que era impossível, que ninguém ia aguentar. Todos os meus amigos, todos. Tirando uma pessoa da equipe, todos. “Não, é impossível, é uma tortura etc.” Mas foi gravado, foi aceito e foi maravilhoso. O documentário teve cinco prêmios e o público foi de 18 mil pessoas, o que até hoje é difícil fazer, e a crítica foi maravilhosa. Pensei “ Pô, achei, finalmente achei e eu quero continuar a fazer isso” e fiz e não parei de filmar de lá pra cá.
Tem documentário que mostra um caso isolado, por exemplo, de uma criança  pobre que trabalha nas minas da Bolívia e você como espectador se sente muito deprimido e culpado. Mas quando você sai dali você não sente continuidade…
Tem um monte de filmes que se aproximam do outro. Quem é o outro? O outro é o pobre miserável. O cara com defeito físico, o destituído tal, tal. E quem filma geralmente é uma pessoa de classe média, mesmo que com origem proletária. E tem a mania, americano adora isso, de tratar de forma paternalista. E daí o povo adora e chora e sente culpa. Isso é coisa que eu me recuso a fazer. Isso é uma coisa proibida em meu dicionário. Michael Moore, tem uma hora que ele abraça uma mulher lá que foi vítima, pra que ir lá e abraçar? Você tem que guardar distância da pessoa, não tem que consolar ninguém. Ou se consola, faz isso fora do filme. Então existe o “humanismo” entre aspas, que os americanos adoram, que é filmar o pobre. O cinema humanitário é o pior cinema do mundo. O humanitário ou de mensagem. Al Gore, ou então, mensagem. E a outra coisa de americano é essa: se é um filme sobre negra e lésbica tem que ser filmado por negra e lésbica. Sabe? Iguais filmam iguais. Quando a minha tese é outra: negro tem que filmar branco e camponês tem que filmar negro e tem que trocar. Índio tem que começar a filmar branco e branco…sabe? Nada impede que branco filme índio. Precisa dos dois lados, um do lado de dentro, um de fora. Não tem sentido que um filme sobre metalúrgico só pode ser feito por metalúrgico. Isso é uma tolice. O multiculturalismo que botou isso na cabeça. Então pra filmar uma lésbica eu tenho que ser lésbica? É o mesmo do mesmo, entende? Não há conflito. Não vou ao cinema para ser educado, pra aprender o bem. Odeio esse tipo de coisa tipicamente americana.
Eles colocam aquela narração em off que é uma voz assim divina falando…
Quando tem voz em off é pra tratar da pobre vítima da crueldade, os mineiros da Bolívia. E tratam de um jeito que é pra fazer o cara ter culpa, chorar.  Não estou fazendo filme pra ONG, pra arranjar dinheiro. Eu fiz o filme sobre o lixo, ninguém me deu dinheiro pra terminar. Pra começar sim, pra terminar foi difícil. Por quê? Porque se eu dissesse que era pra promover um sindicato, eu ganhava. Se fosse catador que queria fazer um sindicato. Porque esses são os filmes que são politicamente corretos. Como meu filme não era, era o cotidiano dos catadores só, ninguém deu dinheiro.
De todos os seus filmes, qual abriu mais portas para você?
Eu me identifiquei com o Cabra. Se não fosse pelo Cabra estava na televisão, TV Globo até hoje, eu estava morto. Fora o Cabra, foi o Santo Forte. Agora, prazer tive em quase todos. Se eu não tivesse prazer eu não fazia. Não sou missionário.
Você acha que Cabra não seria um filme tão bom se não tivesse sido retomado anos depois?
Evidente. Teria sido um documento de época importante mas o filme é um filme com 70 camadas de sentido histórico. É uma revisão da história do Cinema Novo, do cinema brasileiro que inclui tudo: jornalismo, história, cinema, linguagem. Exatamente porque é um filme que conta a história do filme, cinema e história todo tempo, lado a lado. É extraordinário que eu consegui, porque eu soube fazer, tive um montador que me ajudou, tive um fotógrafo que me ajudou a fazer. Enfim, é um filme que aguenta até hoje porque ele não é um filme triunfalista. Ele lida com uma verdade do personagem e não com discurso. Os filmes em geral políticos são triunfalistas, tomamos o poder. Mentira. Jamais faria um filme assim. Quando se ganha se perde também porque dura dez anos. E esse é um filme muito chão, muito simples. Cabra tem dispositivos de montagem extraordinários, tem jornal, manchete, o filme antigo, o filme que eu filmei na UNE, filmes de outras pessoas. Tem filme americano que eu roubei pra usar a imagem, que não paguei, graças a Deus. E a aventura foi essa.
Por que você acha que mudou tanto sua visão entre o primeiro e o segundo filme?
Eu comecei a fazer documentário na TV Globo e eu comecei a descobrir que era aquilo que eu queria fazer. Aí foi uma escola pra fazer o Cabra porque a rapidez que se trabalha em televisão me ajudou a fazer isso depois de uma forma muito mais refinada. Então me ajudou, me educando e me deseducando. Cabra é um filme de suspense porque eu também não sabia o que eu ia encontrar. Quando fui filmar [pela segunda vez] eu não via a Elizabeth [personagem de Cabra] há 17 anos, exatamente o tanto de tempo quanto o espectador… Fui encontrar 17 anos depois, conhecer os filhos. Conheci eles quando filmei eles em 1962, 64 e fui lá ver eles 17, 18 anos depois como está no filme. Eu tinha que chegar filmando.(Com o Brasil de Fato)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

(VIDEO) Lançamento do livro Obamicídio no Programa Kapitan Underground



Kapitän Underground (Nº10) - Banda Native In Black E entrevista Com Daniel Oliveira e Hallisson Nunes Gomes,escritores, poetas. Toda segunda-feira ao vivo,ás 20 horas realizado em Belo Horizonte/MG-Brasil

sábado, 18 de janeiro de 2014

Do Fetiche da Mercadoria ao Fetiche da Tecnologia e das Redes Sociais

Sem dúvida não podemos ser contra o avanço da tecnologia, do avanço da ciência no mundo. Aqui no continente Americano não vai retornar o modo de vida dos povos nativos da época da conquista colonial, não tem volta, a questão é enfrentar o problema hoje.

Sem dúvida a internet, as redes sociais facilitam as comunicações, aproximam as pessoas, encurta a distância e as informações chegam mais rápidas. Porém não vamos acreditar e endeusar que a internet e as redes sociais são a solução para todos os nossos problemas. Para achar que basta um click que basta uma nota no facebook que as pessoas vão se mobilizar para que os problemas sejam resolvidos. Para que a sociedade se movimente é preciso gente (homens e mulheres) de carne e osso para a classe trabalhadora entre em ação, para fazer greves, ocupações, manifestações etc. A vida tem demonstrado isto, foram as ações das massas que tem arrancado algumas vitórias frente ao Estado Burguês.
O crescimento sem planejamento das Cidades no Brasil não é uma novidade das sociedades de classes ela é prática constante do capitalismo. O progresso promovido pelo grande capital trás consigo problemas graves como a desigualdade sócio-econômicas gerando desagregação do tecido social é quando surgem bairros melhor equipado com bons serviços de infra-estrutura voltados para as classes mais abastardas, de outro surgem bairro populares sem um mínimo de dignidade sem um mínimo de assistência ou serviços onde vão morar as classes trabalhadoras, onde a violência é prática rotineira no cotidiano de jovens destas classes onde estes jovens vão ver, sentir como prática comum a violência entre a polícia e grupos marginais gerados por esta mesma sociedade, onde muitos jovens oriundos destas camadas mais pobres enxergam no crime a ilusão da ascensão social e acesso ao consumo alienado promovido pelo bombardeio da mídia burguesa ao serem assassinados no dia seguinte já vai outro para tomar o seu lugar em um eterno ciclo vicioso, onde tantos policiais quanto os soldadinhos do tráfico são apenas a engrenagem de todo um sistema dominante que busca manter os trabalhadores desorganizados e alienados na própria periferia, confirmando na prática o que Engels já falava quando o observa a vida do Operário Inglês: “Só resta algumas coisas ao proletariado, o se organiza para lutar ou então se aliena na exploração aceitando passivamente ser explorados ou então cai no lupenproletariado para ser preso ou assassinado pela Policia”.
Outro problema para os jovens na periferia e nas grandes cidades tem sido o crescimento da frota de automóveis que tem provocado muitas mortes principalmente de jovens. Este crescimento do número de automóveis não tem permitido as crianças brincar nas ruas as pessoas não interage nas ruas ou calçadas obrigando as crianças a crescer como prisioneiras do medo.
O acesso rápido aos bens de consumo nas classes populares cria uma ilusão de ascensão social. Hoje muitos assalariados, autônomos passaram a adquirir os serviços de internet, TV a Cabo, telefones fixos, telefones celulares, tablet e outros objetos. Isto tem facilitado estas pessoas de baixa renda poder ver notícias, poder pesquisar, isto por um lado, por outro pode gerar um novo tipo de alienação que é a distancia entre as pessoas, justamente por vivermos no capitalismo.
Este endeusamento da tecnologia das redes sociais tem tirado das crianças a criatividade, muitas crianças criavam brinquedos como carrinhos de rolimã, riscar uma caixa de sapato ou remédio para fazer ônibus, lata de leite para fazer o pé de cavalo, garrafa de água sanitária para fazer carros, caixas de fósforo para fazer telefone, todos queimavam calorias, pular corda, improvisar um golzinho na rua, visitar um colega, tudo isso fazia parte da integração entre as pessoas, hoje com as redes sociais as crianças ficam horas no computador ou tablet comendo porcarias (besteiras industrializadas) não se queima calorias. Estas crianças crescem sem ler um bom livro, muitos país, tios, avós e primos mais velhos para não ter problemas simplesmente deixa passar para não parecer careta, não ser impopular, chato, simplesmente deixa passar. Se não tem um computar em casa vai a uma lan-house para ver pornografia, jogos violentos com o que há de pior da cultura violenta Estadunidense onde o mote é a violência banal. O resultado já está assistido, jovens que se atrasam nos estudos, dormem durante as aulas e não querem ouvir um NÃO achando que o mundo é perfeito e bonitinho.
Já não bastava a alienação das crianças e dos jovens nas redes sociais, hoje muitos adultos já estão totalmente alienados e dependentes das redes sociais não podemos esquecer que vivemos em uma sociedade capitalista, quem dirige a fábrica dos computadores, quem cria as redes sociais também tem os seus interesses ideológicos na manutenção desta ordem burguesa de que continue as relações de produção capitalista.
Se o século XX foi marcado por conquistas históricas para as classes trabalhadoras, hoje o capitalismo estar vivendo uma de suas maiores crises, ainda não estamos vivendo um Ascenso dos trabalhadores como foi no século passado quando tivemos a Revolução Socialista na Rússia em 1917, a formação do sistema mundial do Socialismo onde as burguesias foram obrigadas a conceder direitos aos trabalhadores em todo o mundo, direitos hoje ameaçados.
Hoje é a grande contradição temos um avanço tecnológico, que poderia ser colocado para reduzir a jornada de trabalho, criar novos empregos, aumento o tempo para o lazer, estudo e a convivência humana substituindo esta correria louca de nossos dias.
Hoje estamos vivendo o contrário, aparelhos eletrônicos são criados não só para facilitar a vida mais também para aprisionar as pessoas ao trabalho. Dependendo da profissão estes aparelhos tornam-se uma escravidão mesmo após o horário de trabalho, nas horas de folga o celular, tablet, laptop fica aporrinhando gerando pressão não relaxando nas horas de folgas. Antes quando você se reunia em família, quando você visitava um tio, um tio avô, um primo de primeiro, segundo, terceiro grau, todos participavam da conversa (do papo), gerando aquela bela convivência que deixa saudade em qualquer um. Hoje em certas famílias cada um vai para um canto no seu mundinho no celular, tablet, computador e em algumas famílias as crianças e jovens não aprendem noções básicas como dar um bom dia, boa tarde ou boa noite, outros entram ou sai de uma casa pior do que um bicho por que o bicho esta mais educado que certas pessoas, isto se reflete nos transportes coletivos com todos usando fone no ouvido para acelerar o processo de surdes para depois no fim da vida se perguntar por que ficou surdo. As novas gerações estão perdendo a tradição de ouvir uma notícia no rádio, muitos não para ler um jornal ou ver um programa de entrevista, prefere ficar nas redes sociais postando um monte de bobeiras e coisas sem sentidos.
Hoje nossas vidas esta sendo tão corrida que não temos tempo para visitar um amigo e parente. Nasce um primo novo de segundo ou terceiro grau, ou filho de um amigo não temos tempo para visitar posta no face, as pessoas não se dar conta disto porque nada melhor do que o contato cara a cara ou como diz um programa de humor o famoso cara crachá, o resultado disto já sabemos surge pessoas egoístas voltadas para seus mundinhos particulares adestradas por jogos eletrônicos, com comportamento anti-social que vão lotar os consultórios de psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.
Assim como não devemos cair no fetiche da mercadoria, não devemos cair no vício de ficar horas nas redes sociais, nem ficar enfeitiçado com a tecnologia pois nada pode substituir a criatividade e o contato humano e a solidariedade entre as pessoas.
Precisamos estar atentos a capacidade de manipulação do sistema capitalista, usar as redes sociais a nosso favor com os pés no chão sem a ilusão de que elas por si só vá garantir a contra-hegemonia da classe da trabalhadora, devemos ser firmes para superar os novos desafios e buscar novas formulas de organização e luta do ponto de vista da dialética para apontar os rumos e os caminhos da construção da revolução socialista no Brasil.

José Renato André Rodrigues
Professor de Filosofia
Comitê Central do PCB



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Poesia passada

o passado parece moído
como carne de segunda,
como parte não gostosa,
fragmentos indesejados
pelos comedores de filet mignon.

o pretérito imperfeito
avulta ao que erroneamente chamam de perfeito,
que determina uma ação acabada.
que ação está acabada?
nostálgica sensação do inacabado passado.

quantos outros desvios
tinha o labirinto de Ateneu?
quantos caminhos singulares surgiriam
num passo mal dado?
que caminho esqueceu na infância
o pobre casal cansado do amor?
outras respostas surgiriam
dos desvios não escolhidos.

sinto moído o passado
num engenho desativado.

são os pedaços miúdos
do passado e do presente que passou
ou acaba de passar.

posso sentir o passado diferente em poucas horas
porque o que passou ainda se move
no ritmo do relógio ainda sem corda.

Otávio Dutra

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Na Serra Tem Veneno - [MiniDoc Completo]



Mini-documentário produzido por Miguel Santos e Fábio FG, contando um pouco sobre o movimento de música rap que acontece em uma das cidades da serra carioca: Nova Friburgo.

#AgoraÉSério Provocações&Produções
NaSerraTemVeneno

Sobre o autor

Olá
Me chamo Fábio FG, sou rapper, produtor cultural e produtor musical em minha cidade, Nova Friburgo - RJ.
Trabalho com o rap, promovendo diversas intervenções, rodas culturais, eventos etc.
No dia 12 de Janeiro de 2014 nós lançamos nosso primeiro Mini documentário, o "Na Serra Tem Veneno"
que mostra um pouco do cenário aqui de minha cidade, mostrando depoimento de vários rappers que fazem o movimento hip hop, por aqui, acontecer.
Espero que goste, em baixo está o link do Youtube para assisti-lo na íntegra.
Pode me responder por este mesmo e-mail ou me adicionar no facebook:
Ou acesse o meu site: http://www.fabiofg.com.br

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Revista denuncia abuso de policial contra artista

Figura muito conhecida nas ruas de Belo Horizonte, o artista Celton decidiu fazer uma edição diferente, mas que conta uma história real, na qual ele se sentiu humilhado com a suposta atuação autoritária de um policial militar. Quase três anos após o incidente, Lacarmélio Alfêo de Araújo colocou em circulação a “Edição de Indignação”, contando a história de um PM que o teria intimidado em público e, segundo ele, o prendeu sem nenhum motivo aparente.
Lançada no fim de 2013, a edição número 30 da revista “Celton” custa R$ 2,50 e está sendo vendida pelo quadrinista em vários sinais de trânsito. O fato aconteceu em abril de 2011 e, conforme Araújo, fez com que boatos de que ele teria assaltado uma farmácia começassem a circular na cidade. Isso foi o que o motivou a contar a história. “Foi para limpar o meu nome que decidi fazer essa revista”, revela.

A confusão. Nesta edição, ele conta que estava vendendo suas revistas no cruzamento das avenidas Raja Gabaglia e Barão Homem de Melo, no Bairro Estoril, na região Oeste da capital, quando foi surpreendido por um motorista, gritando para que ele saísse do local. “Já estou acostumado com pessoas nervosas no trânsito e, por isso, o ignorei, até porque não percebi que era militar, pois estava em seu carro pessoal.”

Em seguida, o motorista teria parado o carro em frente a um ponto comercial. E, segundo Araújo, “gritando e muito exaltado”, ordenou que ele fosse até lá. Com a intenção de prender o artista, o militar chamou viaturas e o quadrinista chegou a ser algemado e colocado em um camburão.

Depois de interferência de testemunhas e de muita discussão, a polícia liberou o artista, que chegou a fazer uma denúncia contra o policial para a corregedoria da PM. O tenente-coronel Alberto Luiz, chefe da assessoria de Comunicação da PM, explicou que a corregedoria instaura um inquérito para apurar o caso e tomar as devidas providências, caso seja provado que houve abuso por parte do policial. Além disso, ele disse que é obrigação da polícia entrar em contato com a vítima e dar uma resposta sobre o andamento do processo. Ele não soube precisar qual é o andamento dessa investigação.

Biografia
- Lacarmélio Alfêo de Araújo nasceu em Inhapim, na Zona da Mata. Em 1972, se mudou para a capital.

- Criou o personagem “Celton” em 1975, e vendia a revista enquanto trabalhava como engraxate. Depois de conseguir um empréstimo, “Celton” foi publicada pela 1ª vez em agosto de 1981.

- Em 1990, foi para os Estados Unidos e juntou dinheiro cantando música dos Beatles no metrô. Em 1998, a revista voltou para as ruas e até hoje é vendida em sinais pela capital mineira.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

TSJ ordenó la inmediata libertad de “Julián Conrado”, el “cantante” de las Farc












(Caracas, 9 de enero – Nota de prensa).- La Sala de Casación Penal del Tribunal Supremo de Justicia, en ponencia conjunta, declaró desistida la extradición pasiva en contra del ciudadano de nacionalidad colombiana Guillermo Enrique Torres Cueter -alias Julián Conrado-, en virtud de que Colombia dispuso retirar y cancelar las solicitudes de extradición requeridas a Venezuela.
En vista de lo anterior, la Sala del Alto Juzgado venezolano ordenó el levantamiento de la medida judicial privativa preventiva de libertad dictada contra el mencionado ciudadano por el Juzgado Vigésimo Sexto de Primera Instancia en Funciones de Control del Circuito Judicial Penal del Área Metropolitana de Caracas. Asimismo la Sala del TSJ ordenó su inmediata libertad y se libre la correspondiente boleta de excarcelación.
Este ciudadano se encontraba preventivamente a las órdenes del mencionado tribunal mientras se recibían los argumentos del Gobierno colombiano que avalaban la extradición pasiva requerida, por la comisión de los delitos de desaparición forzada de personas y reclutamiento ilícito. Posteriormente se recibió otra petición de extradición por parte de Colombia por los delitos de secuestro extorsivo agravado, desaparición forzada y tortura en persona protegida.
Sin embargo, el 26 de diciembre de 2013, el Viceministro de Asuntos Multilaterales y Encargado de las Funciones del Despacho de la Ministra de Relaciones Exteriores de la República de Colombia, Carlos Arturo Morales López, mediante Nota Verbal DM.DIAJI N° 2845 comunicó a la cancillería venezolana la decisión de la República colombiana de “retirar y cancelar, con carácter inmediato, las solicitudes de extradición presentadas respecto del señor Guillermo Enrique Torres Cueter, alias Julián Conrado”.
En la misma fecha el canciller venezolano, Elías Jaua Milano, envió una misiva a la presidenta del Tribunal Supremo de Justicia, magistrada Gladys María Gutiérrez Alvarado, en la que informó que el Gobierno de Colombia decidió retirar la solicitud de extradición hecha sobre Guillermo Enrique Torres Cueter, para que en consecuencia se actúe en el ámbito de sus competencias.
Al respecto la Sala de Casación Penal del TSJ precisó en su decisión que “al ser retirada y cancelada la solicitud formal de extradición por parte de la República de Colombia, lo ajustado a Derecho y procedente es declarar desistida la solicitud de extradición pasiva, iniciada con motivo de la petición realizada por la Fiscalía Vigésima del Ministerio Público a Nivel Nacional con Competencia Plena, en contra del ciudadano Guillermo Enrique Torres Cueter”.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

É noite, tudo se sabe! II

À noite é que me dispo
De duras verdades
E de mentiras palatáveis.

À noite, a realidade crua
grita aos meus olhos
E no espaço vazio da minha cama
a solidão é quem arde!

Lençóis, fronhas, coberta e travesseiros
Testemunham que enquanto um ciclo se fecha,
Nem sempre outro se ciclo se abre.

Que a vida individual não faz sentido,
como não faz sentido a dor
que em meu peito individual agora bate!

Por isso que à noite eu não durmo,
eu só me consumo,
e em algum momento
vou desistindo...

Rijo,
Brusco e
Tenso,

Mas mesmo assim, suave!


Wagner Farias 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Militantes do PCB publicam livro de poesias


Os militantes do PCB em Minas Gerais, Daniel Oliveira e Hallisson Nunes Gomes, acabam de publicar o livro OBAMICIDIO, uma coletânea de poesias.

A obra foi editada pela Editora e Livraria Estudos Vermelhos, de responsabilidade do camarada Alex Lombello, com capa baseada em uma pintura do camarada espanhol/brasileiro Magaiver (Alexandre Magno da Cunha Gomes). 
Aguardem os lançamentos que serão promovidos durante o primeiro semestre, em centros culturais, bares, escolas e sindicatos. 

Uma explicação necessária



Diante das atrocidades cometidas pelos Estados Unidos em todo o mundo, o poeta Pablo Neruda não viu outra saída a não ser deitar suas armas contra aquele que encarnou em sua época o manto de Senhor da Guerra: Nixon.
Hoje, nos vemos diante de uma outra conjuntura. O extraordinário desenvolvimento tecnológico, o perene xadrez geopolítico, a destruição dos direitos sociais através da criminalização, e a ameaça às soberanias dos povos através da tática de Guerra Imperialista Estadunidense colocou o mundo em um grau de acirramento elevadíssimo. Nunca o fosso que separa pobres e ricos, trabalhadores e capitalistas, foi tão grande. O pensamento único busca a todo momento não deixar espaço para questionamentos. Seja através de dólares, ou pela sua gigantesca máquina de guerra hi-tech, o capitalismo se impõe atacando o que teme, o que não considera “legítimo”.
Neruda concluiu que apenas com um Nixonicídio poderia por fim a matança e a destruição. Um assassinato, mas não com fósforo branco e agentes laranja. O arsenal do poeta trazia outras cores, vivas, vibrantes, libertas. Cores do Caribe e da Ásia.
O saudoso poeta passou. Sua obra cravada no mundo é um epitáfio em vida para Nixon, que caiu não por ter arquitetado a destruição das luzidias flores que se abriam em todo o mundo, mas por ter prevaricado em casa, espionando a oposição, assim como Obama faz hoje com seu próprio povo.
Obamicídio é uma necessidade histórica. Não se trata de lançar um chamado ao homicídio do patife da Casa Branca, mas explodir em poesia e denúncia o genocídio que eles promovem mundo afora.
Certa vez um nazista, apontando para o quadro Guernica, perguntou a Picasso com ar de desdém se ele realmente tinha feito “aquilo”. Com toda a calma que poderia ter no momento, Picasso respondeu, “eu não, vocês fizeram isso”.
Assim, expomos nosso quadro, Obamicídio. Se perguntarem quem é o autor, basta apenas apontar para a Casa Branca.
Mãos à obra!




Daniel Oliveira & Hallisson N. Gomes
Belo Horizonte, Dezembro de 2013


domingo, 5 de janeiro de 2014

LEVANTE

A chuva cai
A folha
Se levanta

O tempo vai
O homem
Se levanta

Daniel Oliveira e Hallisson Nunes Gomes