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terça-feira, 20 de março de 2012

A barbárie civilizada - Poesia por Fernando Lustosa

A barbárie civilizada

por Fernando Lustosa, terça, 14 de Fevereiro de 2012 às 21:14 ·
O homem alienou-se da natureza;
Uniu a um só tempo as engrenagens a sua destreza;
Passou a desconhecer tais matérias;
Concretizou suas virtudes em verdades efêmeras.

O homem alienou-se de si;
Vendeu seus valores humanísticos a lucrativos e espoliativos fins;
Proletarizou seus ideais
E passou a compor e a corroborar com as paródias legais.

O homem alienou-se de seu ser genérico,
Objetivou-se a trabalhar com escassez de vida;
Criou dois mundos transcendentes ao intelectual e ao operacional;
Ceifou suas faculdades humanas e concretizou-se como um ser estranho a si, tal como ao seu meio social.

O homem alienou-se do homem;
Reduziu seus semelhantes a meras definições banhadas pelo fetichismo da mercadoria e a competição;
Reificou sua essência de ser humano;
Enquanto a realística feição social passou a estar em segundo plano,
E com o instinto de revolução apaziguado por algozes regados em prantos. 

Fernando Lustosa
PCB/RJ

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