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sexta-feira, 15 de março de 2013

A esperança quem vem braços!*

Ele tinha, como quase todos, os dois braços. Bom, a estatística é uma coisa que me intriga, será que muitas pessoas não tem braços? Quantas não o tem desde que nasceram? Quantas o perderam?
Este aqui lembra de alguém que tinha ambos, que carregava coisas, que provavelmente escrevia cartas, ou emails na modernidade, que andava em bicicleta, que abraçava! Desde uma vez em que li um livro falando sobre o poder do abraço, fiquei notando a palavra: a-bra-ço. No meio dela o nome do membro e ela toda algo tão bom e tão importante para o ser humano, que me deixa mortificada a possibilidade da falta dele de forma acidental ou possivelmente "criminosa". As pessoas que me conhecem, sabem que eu poderia aqui falar um pouco dessa temática, mesmo sem especialidade nela, o crime. Mas não será o caso, quem sabe noutros no futuro? 
Mas falemos dos dois braços que ele tinha, dos abraços que deu e como dará agora? A lembrança do braço! "Era linda, mas era coxa!" diria Machado. Eu não sei se lindo, mas sem braço. E o mais louco é a tragédia, a perda, a dor física e da falta. Esse último conceito ficaria para a psicanálise, algo que nem de longe me aproprio e deixo para quem o entende! Mas falta um braço, sem ele muita perda, faltaria o abraço, o aperto de mão?(não pois se pode desviar ao outro braço), e a bicicleta? Ah! Dessa eu sou suspeita de falar, como eu gosto! Desde pequena! A bicicleta era o sonho das crianças da minha infância! E como sofri para aprender a equilibrar sobre ela! E como dou risada quando pergunto ao meu pai(um  apaixonado por bicicleta!): " por que cê não tenta andar com uma mão só?" E ele me responde:" eu já sou feliz demais conseguindo me equilibrar com as duas!"
Então pensaria, como agora ele andará em bicicleta? Será que pretende? É possível? Acho que sim, já vi muitos, dotados das duas mão claro, fazerem malabarismos com um braço só em bicicletas! Palhaços em apresentações, por exemplo, sem as duas mãos ou em monociclos(assim?) fazerem estripulias! Imagino que numa perda como essa a esperança tem que ser muito grande e os a(braços) muito fortes!
O que fica de tudo isso acho que seria a vida! A esperança que vem dos braços, afinal as mãos que são o final dos braços representam muito essa vontade, esse desejo de ser, uma mão erguida em punho, uma mão dada, uma mão que sinaliza...
Acredito firmemente que o mundo ficará melhor! Acredito nas pessoas. Eu ainda sou dos que sonham e não só sonham, mas muito(no meu possível) fazem para ver o mundo mais abraçado e mais cheio de outra vida que não a da falta. 
O mundo é um lugar possível e vale a pena lutar por ele! 


Laila Vieira de Oliveira
Belo Horizonte/MG
* para o ciclista que perdeu um braço, nunca saberei a dor dessa perda, não tratei da questão no viés da responsabilização do que tirou o seu membro da esperança(o que é preciso falar e tratar), falei da esperança...

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