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sexta-feira, 7 de março de 2014

Fantástico, Favela, Ideologia e Alienação


Em reportagem no domingo dia 23 de fevereiro de 2014, o programa fantástico da TV Globo falou sobre a nova classe média brasileira como meio de integração a capitalismo brasileiro onde reportagens como estas procuram convencer a opinião pública que existe uma paz social nas comunidades pobres como: favelas, bairros proletários e periferias onde residem pessoas de baixa renda.
Reportagens como estas não novidades! Com estas reportagens estão buscando convencer os mais pobres a aceitar passivamente as injustiças do sistema capitalista e a ausência de serviços públicos por parte do Estado burguês que quando aparece nestas comunidades é através da presença do agente de repressão representado pelas polícias quando invadem estas comunidades. O que estas reportagens escondem e não mostra é que vivemos em uma sociedades que existe uma segregação social, onde os ditos moradores oriundos das favelas e áreas proletárias não são bem vindos nas areias da praias frequentadas pelas camada mais privilegiadas isto ocorre nas praias de São Paulo, Rio de janeiro e outras regiões. Como reflexo disso acontecem as divisões, os conflitos, os arrastões e os rolezinhos.
Programas e reportagens como: Fantástico, Domingo Legal, Caldeirão do Huck e outros, procuram manipular e estigmatizar os mais pobres onde se aproveitam das necessidades e desespero das pessoas usando as migalhas do capitalismo, como: Dar uma passagem para um nordestino que mora em São Paulo visitar o Nordeste, liberar recursos para a reforma de uma casa, reforma de automóvel velho e etc. O que estes programas não explicam é que as pessoas se encontram nesta situação por culpa do capitalismo. Todos esses programas buscam desviar as massas de uma possível tomada de consciência dos problemas e da falta de infra-estrutura em comunidades de baixa renda, historicamente gerada pela forma de organização da sociedade capitalista.
Além de todo aparato ideológico nas mãos, certos programas de TV como o “Esquenta” na Rede Globo se utiliza de prestígio e popularidade de artistas que não buscam remar contra a ordem estabelecida fazendo o papel de apenas vendedor de mercadoria se mediocrizando e aceitando fazer o papel de idiota perante as câmeras. Hoje as obras de artes e as manifestações culturais não são para refletir elas buscam apenas entreter e diluir os problemas sociais cotidianos vividos pelas massas trabalhadoras.
Músicas como o “Rap da Felicidade”, as músicas de funk que fazem apologia ao crime não tem nada de revolucionário. Estes tipos de manifestações buscam apenas confinar os mais pobres ao consumismo alienado, a naturalização dos problemas fazendo com que todos procurem se adaptar a ordem burguesa confinado em seu próprio lugar para não incomodar o sono da burguesia declarando guerra ao capitalismo.
Artistas, músicos, entidades como: A Cufa, Afroregee se somam aos aparatos ideológicos da burguesia para promover a alienação e a despolitização dos problemas gerados pelo capitalismo. É claro que não devemos descriminar os gêneros populares como o que todos convencionaram chamar de Funk, porém “Popular não é popularesco”, devemos manter em alerta nosso senso crítico para entender que à por parte da indústria cultural um processo de empobrecimento das manifestações artísticas e culturais para superar este impasse. devemos lutar pela democratização do acesso a cultura criando condições para que as grandes massas possam ter acesso a uma ampla política cultural voltada as reais necessidades espirituais das amplas massas populares, onde a cultura possa levar as massas a refletir sobre a realidade em que vive.
Ao contrário do que pensam certos programas ninguém nasceu para viver amontoado como tentam nos convencer os programas alienantes das redes de televisão a serviço da burguesia, devemos lutar para que o poder público ao invés de dar recursos públicos para grandes empresários passe a investir em políticas habitacionais para que possa retirar as pessoas das áreas de riscos para que eles possam morar com dignidade em cidades e bairros com infla-estrutura onde todos possam ser feliz, onde os trabalhadores através do “Poder Popular” possa construir estas cidades organizada segundo seus interesses em oposição a ordem capitalista.
Que no lugar deste País há de nascer um Brasil Socialista
José Renato André Rodrigues
Professor de Filosofia
Comitê Central do PCB

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Fallece el cantautor cubano Santiago Feliú a causa de un infarto

El cantautor cubano Santiago Feliú murió esta madrugada. Santiago, quien nació en La Habana el 29 de marzo de 1962,perteneció al movimiento conocido como la Nueva Trova y tuvo también una presencia notable en Novísima Trova, autor de canciones inolvidables como Para Bárbara, Vida, Ay, la vida y otras.
Se presentó junto a grandes exponentes de las dos generaciones de trova como Noel Nicola, Frank Delgado, Luis Eduardo Aute, Luis Pastor, León Gieco, Silvio Rodríguez, su hermano Vicente Feliú, entre otros.
Reproducimos la nota publicada por Silvio Rodríguez, esta mañana en su blog Segunda Cita:
Santy
«Suena el teléfono a las cuatro de la mañana y pienso que ojalá sea un equivocado. Desde una conciencia adormecida el instinto de conservación lanza ese pensamiento. Si esa llamada no es error ¿qué buena noticia te pueden dar a las cuatro de la mañana? El instinto no traiciona, no miente, viene de un lugar ignoto pero corta como navaja, porque cuando escucho Aurora y después cuándo fue, ya la cabeza está en Vicente, que está en Guatemala, en algún accidente de avión o carretera, en un atentado loco.
Pero no es avión ni carretera ni atentado ni Vicente. Es Santiago, el más joven, a quien hace una hora se lo llevó un infarto.
Ayer mismo borré la carpeta donde le puse una selección de fotos de su boda. ¿Por qué llevaba días pensando en él?
Muchas malas palabras se me ocurren. Muchas. Son tantas, que se atropellan.»

sábado, 18 de janeiro de 2014

Do Fetiche da Mercadoria ao Fetiche da Tecnologia e das Redes Sociais

Sem dúvida não podemos ser contra o avanço da tecnologia, do avanço da ciência no mundo. Aqui no continente Americano não vai retornar o modo de vida dos povos nativos da época da conquista colonial, não tem volta, a questão é enfrentar o problema hoje.

Sem dúvida a internet, as redes sociais facilitam as comunicações, aproximam as pessoas, encurta a distância e as informações chegam mais rápidas. Porém não vamos acreditar e endeusar que a internet e as redes sociais são a solução para todos os nossos problemas. Para achar que basta um click que basta uma nota no facebook que as pessoas vão se mobilizar para que os problemas sejam resolvidos. Para que a sociedade se movimente é preciso gente (homens e mulheres) de carne e osso para a classe trabalhadora entre em ação, para fazer greves, ocupações, manifestações etc. A vida tem demonstrado isto, foram as ações das massas que tem arrancado algumas vitórias frente ao Estado Burguês.
O crescimento sem planejamento das Cidades no Brasil não é uma novidade das sociedades de classes ela é prática constante do capitalismo. O progresso promovido pelo grande capital trás consigo problemas graves como a desigualdade sócio-econômicas gerando desagregação do tecido social é quando surgem bairros melhor equipado com bons serviços de infra-estrutura voltados para as classes mais abastardas, de outro surgem bairro populares sem um mínimo de dignidade sem um mínimo de assistência ou serviços onde vão morar as classes trabalhadoras, onde a violência é prática rotineira no cotidiano de jovens destas classes onde estes jovens vão ver, sentir como prática comum a violência entre a polícia e grupos marginais gerados por esta mesma sociedade, onde muitos jovens oriundos destas camadas mais pobres enxergam no crime a ilusão da ascensão social e acesso ao consumo alienado promovido pelo bombardeio da mídia burguesa ao serem assassinados no dia seguinte já vai outro para tomar o seu lugar em um eterno ciclo vicioso, onde tantos policiais quanto os soldadinhos do tráfico são apenas a engrenagem de todo um sistema dominante que busca manter os trabalhadores desorganizados e alienados na própria periferia, confirmando na prática o que Engels já falava quando o observa a vida do Operário Inglês: “Só resta algumas coisas ao proletariado, o se organiza para lutar ou então se aliena na exploração aceitando passivamente ser explorados ou então cai no lupenproletariado para ser preso ou assassinado pela Policia”.
Outro problema para os jovens na periferia e nas grandes cidades tem sido o crescimento da frota de automóveis que tem provocado muitas mortes principalmente de jovens. Este crescimento do número de automóveis não tem permitido as crianças brincar nas ruas as pessoas não interage nas ruas ou calçadas obrigando as crianças a crescer como prisioneiras do medo.
O acesso rápido aos bens de consumo nas classes populares cria uma ilusão de ascensão social. Hoje muitos assalariados, autônomos passaram a adquirir os serviços de internet, TV a Cabo, telefones fixos, telefones celulares, tablet e outros objetos. Isto tem facilitado estas pessoas de baixa renda poder ver notícias, poder pesquisar, isto por um lado, por outro pode gerar um novo tipo de alienação que é a distancia entre as pessoas, justamente por vivermos no capitalismo.
Este endeusamento da tecnologia das redes sociais tem tirado das crianças a criatividade, muitas crianças criavam brinquedos como carrinhos de rolimã, riscar uma caixa de sapato ou remédio para fazer ônibus, lata de leite para fazer o pé de cavalo, garrafa de água sanitária para fazer carros, caixas de fósforo para fazer telefone, todos queimavam calorias, pular corda, improvisar um golzinho na rua, visitar um colega, tudo isso fazia parte da integração entre as pessoas, hoje com as redes sociais as crianças ficam horas no computador ou tablet comendo porcarias (besteiras industrializadas) não se queima calorias. Estas crianças crescem sem ler um bom livro, muitos país, tios, avós e primos mais velhos para não ter problemas simplesmente deixa passar para não parecer careta, não ser impopular, chato, simplesmente deixa passar. Se não tem um computar em casa vai a uma lan-house para ver pornografia, jogos violentos com o que há de pior da cultura violenta Estadunidense onde o mote é a violência banal. O resultado já está assistido, jovens que se atrasam nos estudos, dormem durante as aulas e não querem ouvir um NÃO achando que o mundo é perfeito e bonitinho.
Já não bastava a alienação das crianças e dos jovens nas redes sociais, hoje muitos adultos já estão totalmente alienados e dependentes das redes sociais não podemos esquecer que vivemos em uma sociedade capitalista, quem dirige a fábrica dos computadores, quem cria as redes sociais também tem os seus interesses ideológicos na manutenção desta ordem burguesa de que continue as relações de produção capitalista.
Se o século XX foi marcado por conquistas históricas para as classes trabalhadoras, hoje o capitalismo estar vivendo uma de suas maiores crises, ainda não estamos vivendo um Ascenso dos trabalhadores como foi no século passado quando tivemos a Revolução Socialista na Rússia em 1917, a formação do sistema mundial do Socialismo onde as burguesias foram obrigadas a conceder direitos aos trabalhadores em todo o mundo, direitos hoje ameaçados.
Hoje é a grande contradição temos um avanço tecnológico, que poderia ser colocado para reduzir a jornada de trabalho, criar novos empregos, aumento o tempo para o lazer, estudo e a convivência humana substituindo esta correria louca de nossos dias.
Hoje estamos vivendo o contrário, aparelhos eletrônicos são criados não só para facilitar a vida mais também para aprisionar as pessoas ao trabalho. Dependendo da profissão estes aparelhos tornam-se uma escravidão mesmo após o horário de trabalho, nas horas de folga o celular, tablet, laptop fica aporrinhando gerando pressão não relaxando nas horas de folgas. Antes quando você se reunia em família, quando você visitava um tio, um tio avô, um primo de primeiro, segundo, terceiro grau, todos participavam da conversa (do papo), gerando aquela bela convivência que deixa saudade em qualquer um. Hoje em certas famílias cada um vai para um canto no seu mundinho no celular, tablet, computador e em algumas famílias as crianças e jovens não aprendem noções básicas como dar um bom dia, boa tarde ou boa noite, outros entram ou sai de uma casa pior do que um bicho por que o bicho esta mais educado que certas pessoas, isto se reflete nos transportes coletivos com todos usando fone no ouvido para acelerar o processo de surdes para depois no fim da vida se perguntar por que ficou surdo. As novas gerações estão perdendo a tradição de ouvir uma notícia no rádio, muitos não para ler um jornal ou ver um programa de entrevista, prefere ficar nas redes sociais postando um monte de bobeiras e coisas sem sentidos.
Hoje nossas vidas esta sendo tão corrida que não temos tempo para visitar um amigo e parente. Nasce um primo novo de segundo ou terceiro grau, ou filho de um amigo não temos tempo para visitar posta no face, as pessoas não se dar conta disto porque nada melhor do que o contato cara a cara ou como diz um programa de humor o famoso cara crachá, o resultado disto já sabemos surge pessoas egoístas voltadas para seus mundinhos particulares adestradas por jogos eletrônicos, com comportamento anti-social que vão lotar os consultórios de psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.
Assim como não devemos cair no fetiche da mercadoria, não devemos cair no vício de ficar horas nas redes sociais, nem ficar enfeitiçado com a tecnologia pois nada pode substituir a criatividade e o contato humano e a solidariedade entre as pessoas.
Precisamos estar atentos a capacidade de manipulação do sistema capitalista, usar as redes sociais a nosso favor com os pés no chão sem a ilusão de que elas por si só vá garantir a contra-hegemonia da classe da trabalhadora, devemos ser firmes para superar os novos desafios e buscar novas formulas de organização e luta do ponto de vista da dialética para apontar os rumos e os caminhos da construção da revolução socialista no Brasil.

José Renato André Rodrigues
Professor de Filosofia
Comitê Central do PCB



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Revista denuncia abuso de policial contra artista

Figura muito conhecida nas ruas de Belo Horizonte, o artista Celton decidiu fazer uma edição diferente, mas que conta uma história real, na qual ele se sentiu humilhado com a suposta atuação autoritária de um policial militar. Quase três anos após o incidente, Lacarmélio Alfêo de Araújo colocou em circulação a “Edição de Indignação”, contando a história de um PM que o teria intimidado em público e, segundo ele, o prendeu sem nenhum motivo aparente.
Lançada no fim de 2013, a edição número 30 da revista “Celton” custa R$ 2,50 e está sendo vendida pelo quadrinista em vários sinais de trânsito. O fato aconteceu em abril de 2011 e, conforme Araújo, fez com que boatos de que ele teria assaltado uma farmácia começassem a circular na cidade. Isso foi o que o motivou a contar a história. “Foi para limpar o meu nome que decidi fazer essa revista”, revela.

A confusão. Nesta edição, ele conta que estava vendendo suas revistas no cruzamento das avenidas Raja Gabaglia e Barão Homem de Melo, no Bairro Estoril, na região Oeste da capital, quando foi surpreendido por um motorista, gritando para que ele saísse do local. “Já estou acostumado com pessoas nervosas no trânsito e, por isso, o ignorei, até porque não percebi que era militar, pois estava em seu carro pessoal.”

Em seguida, o motorista teria parado o carro em frente a um ponto comercial. E, segundo Araújo, “gritando e muito exaltado”, ordenou que ele fosse até lá. Com a intenção de prender o artista, o militar chamou viaturas e o quadrinista chegou a ser algemado e colocado em um camburão.

Depois de interferência de testemunhas e de muita discussão, a polícia liberou o artista, que chegou a fazer uma denúncia contra o policial para a corregedoria da PM. O tenente-coronel Alberto Luiz, chefe da assessoria de Comunicação da PM, explicou que a corregedoria instaura um inquérito para apurar o caso e tomar as devidas providências, caso seja provado que houve abuso por parte do policial. Além disso, ele disse que é obrigação da polícia entrar em contato com a vítima e dar uma resposta sobre o andamento do processo. Ele não soube precisar qual é o andamento dessa investigação.

Biografia
- Lacarmélio Alfêo de Araújo nasceu em Inhapim, na Zona da Mata. Em 1972, se mudou para a capital.

- Criou o personagem “Celton” em 1975, e vendia a revista enquanto trabalhava como engraxate. Depois de conseguir um empréstimo, “Celton” foi publicada pela 1ª vez em agosto de 1981.

- Em 1990, foi para os Estados Unidos e juntou dinheiro cantando música dos Beatles no metrô. Em 1998, a revista voltou para as ruas e até hoje é vendida em sinais pela capital mineira.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

NOTA DE FALECIMENTO da ativista Gleise Nana, 33 anos, que havia denunciado o sargento Emerson Veiga, do 15 BPM de Duque de Caxias


NOTA DE FALECIMENTO 
A ativista Gleise Nana, 33 anos, que havia denunciado o sargento Emerson Veiga, do 15 BPM de Duque de Caxias, faleceu na madrugada dessa segunda-feira, 20 de novembro, após um incêndio suspeito no apartamento da ativista.




A poetisa e diretora teatral havia denunciado o sargento após ele ter postado insultos no inbox da ativista. Em um deles o PM a chamava de "maconheira,vagabunda e anarquista de merda, responsável pela desordem no Rio de Janeiro." Com medo, Nana repassou as mensagens para os amigos. Passou, desde então, a receber telefonemas estranhos.




Com a ativista também havia muitas filmagens dos conflitos desde o começo, em junho. Nana tinha um vasto material com denuncia sobre abuso de PMs. Em um deles, o tenente-coronel Mauro Andrade admite que a PMERJ se excedeu.




Em um incêndio suspeito, no dia 18 de outubro, a ativista teve 35% do seu corpo queimado. O misterioso incêndio em seu apartamento também afetou os órgãos internos de Nana. Após quase 40 dias de coma, a ativista não resistiu e faleceu. Cabe frisar que, num primeiro instante, a Polícia Civil trabalhou apenas com a hipótese de incêndio acidental. Mas após insistência de amigos e o trabalho dos advogados da Comissão dos Direitos Humanos da OAB, a própria Polícia Civil admitiu que o incêndio pode ter sido criminoso. 
Texto: Israel Montezano 
Foto: O dia

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Chávez “encendió la mecha” de la unidad latinoamericana presente en este tiempo (+Video)




El artista manifestó que él, como ciudadano, está dispuesto a asumir hasta las máximas consecuencias -de manera pacífica- para que Puerto Rico logre su independencia

 
René Pérez, cantante de la agrupación puertorriqueña Calle 13, al referirse al Comandante Hugo Chávez y su legado, indicó que fue éste quien “encendió la mecha” de la unidad latinoamericana que existe en estos momentos, que inclusive sirve de ejemplo al mundo entero.
“Ese legado (de Chávez), de unidad, de unificar países, esta unidad que se siente latinoamericana tiene que ver mucho con su trabajo, con lo que hizo. Se siente. Eso yo no lo sentí nunca antes y la fuerza que hay y esas gana de colaborar entre países que puede existir -que antes eran menos-, es gracias al trabajo que él hizo, fue fundamental, importante (…) creo que él fue el que encendió la mecha de que esté pasando lo que pasa ahora y que Ecuador se atreva decir de momento: -Mira (Julian) Assange puede entrar a la embajada. Eso tiene que ver con esa mecha que encendió Chávez”.
Esas fueron sus palabras hacia el líder socialista en una entrevista exclusiva a Actualidad RT, concedida al programa “Detrás de la Noticia” moderado por Eva Golinger, donde conversaron temas de la realidad del continente, de los abusos del gobierno estadounidense sobre Puerto Rico y del lanzamiento de su más reciente tema “Multiviral”, junto a Julian Assange.

PUERTO RICO INDEPENDIENTE

Al consultarle sobre la independencia de su natal Puerto Rico, “Residente” manifestó que él como ciudadano está dispuesto a asumir hasta las máximas consecuencias -de manera pacífica- para que la isla caribeña sea soberana.
El artista abogó por que no existan más colonias en el mundo, al tiempo que calificó de anacrónica la existencia de éstas. “Hay que trabajar con al educación (en Puerto Rico), hay mucha gente que está desconectada con lo que ocurre en Latinoamérica y más conectados con lo que pasa en Estados Unidos”.
“Es imposible que Estados Unidos esté ‘ayudando’ sin sacar nada a cambio, (…), es obvio esta gente no esta haciendo obras caridad con los puertorriqueños, nos hubiesen dado una patada hace rato, es porque le están sacando dinero y en algo contribuye a su economía. Hay dinero de por medio. Siendo independientes ganaríamos más”.
Continuó: “(Barck) Obama es nuestro presidente, pero nosotros no votamos por Obama. Eso es un abuso, somos esclavos prácticamente de Estados Unidos (…) yo no odio a este país, es una molestia con el gobierno y todas las movidas maquiavélicas que han realizado históricamente, cien años de mal educarnos para hacernos dependientes”.
En cuanto al futuro de América Latina, el músico aseguró que viene algo nunca antes visto. “Latinoamérica está siendo ejemplo al mundo entero. Se está dando cátedra de humanidad y valentía. Se está demostrando una unidad y una fuerza que no se había visto, no solo en lo económico, sino en lo social.
René Pérez, reiteró su petición para que en la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (Celac), exista presencia de Puerto Rico con un delegado o un representante elegido por los propios borinqueños para generar el acercamiento necesario para generar los cambios necesarios en la llamada “isla del encanto”.

MULTIVIRAL

El líder de la agrupación Calle 13 aseguró que el nuevo tema Multiviral, realizado junto al creador de WikiLeaks, no será sonado en las radios, por ello fue lanzado por las redes sociales de manera gratuita.
Detalló que esta canción forma parte del nuevo disco que están preparando, y que funciona como un adelanto. Agregó, que se realizará un video que será lanzado “por todos lados”.
“La intención de este tema es llegarle a la masa, bien sea a través de conciertos y del video”, dijo.
El nuevo disco se está terminando y viene incluido un documental que contendrá artes plásticas. Adelantó que el proyecto contará con la participación de muchos artistas que a través de la pintura y la escultura realizarán trabajos inspirados en la canción Multiviral.
Asimismo, refirió que ya están trabajando en lo que será su próxima gira, la cual será de manera simultánea con el lanzamiento de su nuevo trabajo discográfico.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Quem pagou a conta? A guerra secreta da CIA contra a Cultura


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Livro Quem pagou a conta?O livro Who Paid the Piper: The CIA and the Cultural Cold War (London: Granta Books) de Francis Stonor Saunders conta em detalhes a maneira como a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) infiltrou-se e influenciou um grande número de organizações culturais por meio de seus agentes e de organizações filantrópicas associadas, como as Fundações Ford e Rockfeller. O livro revela ainda como a CIA no pós guerra alistou muitos intelectuais na campanha para provar que o engajamento à esquerda é incompatível com a arte séria e o conhecimento.

A autora Francis Stonor Saunders, detalha como e porque a CIA patrocinou congressos culturais, montou exibições de arte e organizou concertos. A Agência também publicou e produziu autores conhecidos que seguiam essa linha de Washington, patrocinou a arte abstrata e fez ataques à arte de conteúdo social. E, em todo o mundo, financiou publicações que atacavam o marxismo, o comunismo e as políticas revolucionárias, ao mesmo tempo que justificavam ou ignoravam políticas imperialistas destrutivas e violentas dos Estados Unidos.

A CIA conseguiu atrair um dos mais proeminentes porta-vozes (ou defensores) do discurso da liberdade intelectual, a ponto de incluir alguns intelectuais em sua folha de pagamento.

Muitos desses intelectuais ficaram conhecidos por se envolver com esses “projetos”, mas outros ficaram orbitando em torno desses projetos, alegando que não sabiam das ligações com a CIA, depois que os seus patrões foram denunciados publicamente no final da década de 60 e durante a Guerra do Vietnã, e depois que a maré política virou para a esquerda.

Publicações anticomunistas americanas e européias receberam várias verbas, direta e indiretamente, entre as quais a Partisan Review, Kenynon Review, New Leader e Enconuter. Entre os numerosos intelectuais pagos pela CIA estavam Irving Kristol, Melvin Lasky, Isaiah Berlin, Stephen Spender, Sidney Hook, Daniel Bell, Dwight MacDonald, Robert Lowel, Hannah Arendt e Mary MacCarthy. Na Europa, a CIA teve um interesse pela promoção da “Esquerda Democrática” e de ex-esquerdistas entre eles Inacio Silone, Stephen Spender, Arthur Koestler, Raymond Aron, Anthony Crosland, Michael Josselson e George Orwell.

Contando com o entusiasmo de Sidney Hook e Melvin Lasky, a CIA teve um papel destacado na fundação do Congresso pela Liberdade Cultural, uma espécie de OTAN cultural que agrupou todo tipo de esquerdistas e direitistas “antiestalinistas”. Eles tinham absoluta liberdade para defender os valores culturais e políticos do Ocidente, atacar o “totalitarismo estalinista” e tergiversar sobre o racismo e imperialismo americano.

A CIA e a arte pela arte

De vez em quando, um artigo de crítica marginal a sociedade de massas americana era publicada nas revistas subsidiadas pela CIA. Uma coisa particularmente estranha nesse grupo de intelectuais pagos pela CIA não era o seu comprometimento político, mas a pretensão de que buscava a verdade de maneira desinteressada, de que eram humanistas iconoclásticos e livres-pensadores e artistas que defendiam a arte pela arte em contraposição aos “filiados” e “assalariados” corruptos da máquina estalinista. É impossível acreditar na alegação que não sabiam das ligações com a CIA.

Como é que eles podiam ignorar a falta de qualquer crítica básica em suas revistas contra os inúmeros linchamentos que estavam ocorrendo no Sul dos Estados Unidos naquele período? Como podiam ignorar, durante a realização de seus congressos culturais, qualquer crítica às intervenções imperialistas dos Estados Unidos na Guatemala, no Irã, Grécia e Coréia, que provocaram milhões de mortes? Como podiam ignorar as grosseiras justificativas, publicadas em suas revistas para os crimes imperialistas que estavam ocorrendo naquela época?

Todos esses intelectuais eram soldados: alguns falastrões, venenosos, rudes e polêmicos, como Sidney Hook e Melvim Lasky; outros eram ensaístas elegantes, como Stephen Spender, ou informantes, donos da verdade como George Orwell. A autora do livro, Francis Stonor Saunders, retrata a elite wasp(1) manipulando os cordéis na CIA e os ex-esquerdistas rosnando contra os dissidentes esquerdistas.

Quando a verdade veio à tona no final dos anos 60 e alguns “intelectuais” de Nova York, Paris e Londres fingiram indignação por terem sido usados, a CIA fez retaliações contra eles. Tom Braden, que dirigiu a Seção das Organizações Internacionais da CIA, entregou-os contando detalhes de que todos eles tinham que saber quem pagavam seus salários e bolsas. De acordo com Branden, a CIA financiou as suas “espumas literárias” expressão usada pelo chefe linha-dura da CIA Cord Meyer, para qualificar os “exercícios intelectuais” de Hook, Kristol e Lasky.

Braden escreveu que o dinheiro das publicações mais conhecidas e prestigiadas da autodenominada “Esquerda Democrática” (Encounter, New leader, Partisan Revew), vinha da CIA e que “um agente (da CIA) tornou-se o editor da Encounter”. Por volta de 1953, escreveu Braden; “nós influenciávamos ou trabalhávamos em organizações internacionais em todos os campos”.

O livro de Saunders traz informações úteis sobre as maneiras pelas quais as operações da CIA eram montadas para defender os interesses imperialistas dos Estados Unidos na frente Cultural. O livro dá início também a uma importante discussão sobre as conseqüências a longo prazo das posições ideológicas e artísticas defendidas pelos intelectuais da CIA.
Saunders rechaça as alegações (de Hook, Kristol, e Lasky) de que a CIA e suas fundações associadas ofereciam ajuda sem pedir nada em troca. Ela demonstra que “dos indivíduos e das instituições subsidiadas pela CIA esperava-se que tomassem parte… da propaganda de guerra”. A propaganda mais eficaz seguindo a definição da CIA, era do tipo em que “o sujeito se move na direção que você quer por razões que ele acredita ser a deles”.
O plano da CIA para impedir o prêmio Nobel para Pablo Neruda
Quando a CIA punha recursos à disposição da “Esquerda Democrática” para eventuais discussões sobre reforma social, seus intelectuais ficavam interessados nas polêmicas “antiestalinistas” e nas diatribes literárias contra os marxistas ocidentais e contra os escritores e os artistas soviéticos. Eles recebiam então patrocínios mais generosos e eram promovidos com maior visibilidade. Braden refere-se a isso como a “convergência” entre a CIA e a “Esquerda Democrática” européia na luta contra o comunismo.

A colaboração entre a “Esquerda Democrática” e a Agência incluía operações fura-greves na França, a deduragem contra estalinistas (Orwell e Hook) e campanhas camufladas de difamação para evitar que artistas esquerdistas fossem premiados (isso aconteceu por exemplo na disputa de Pablo Neruda pelo Prêmio Nobel em 1964).

(….) Uma das mais importantes e fascinantes discussões do livro de Saunders é o fato da CIA e seus aliados no museu de arte Moderna de Nova York (MoMA) terem aplicado vastas somas de dinheiro na promoção da pintura e dos pintores do Expressionismo Abstrato, considerado um antídoto à arte de conteúdo. Ao promover o Expressionismo Abstrato a CIA comprou uma briga com a ala direita do Congresso. A Agência achava que a escola espresava “uma ideologia anticomunista, a ideologia da liberdade e da livre empresa, cujo o não figurativismo e apoliticismo constituíam a própria antítese do realismo socialista”. O Expressionismo Abstrato era visto como a verdadeira expressão da vontade nacional. Para enfrentar as críticas da direita no Congresso, a CIA voltou-se para o setor privado, mais precisamente para o MoMA e seu cofundador, Nelson Rockefeller, que se referia ao Expressionismo Abstrato como “a pintura da livre empresa”. Muitos diretores do MoMA mantiveram duradouras relações com a CIA e quiseram dar mais que uma mãozinha na promoção do Expressionismo Abstrato como arma da Guerra Fria cultural. Caríssimas exposições foram organizadas por toda Europa e críticos de arte foram mobilizados para escrever artigos repletos de entusiásticos elogios. A combinação de recursos econômicos do MoMA com a fundação Fairfeld, ligada à CIA, garantiram a colaboração das mais prestigiosas galerias de arte da Europa, as quais por sua vez puderam espalhar sua influência estética pela Europa afora.

O Expressionismo Abstrato, como uma ideologia “da arte livre” (segundo George Kennan) foi usado para atacar politicamente os artistas engajados da Europa. O Congresso pela Liberdade Cultural (ponta de lança da CIA) ofereceu grande apoio à cultura abstrata em oposição à estética figurativa e realista, num explícito ato político. Comentando o papel político do Expressionismo abstrato, Saunders sublinha “Uma das características mais extraordinárias no papel que a pintura americana jogou na Guerra Fria cultural não foi o fato de ter se tornado parte da iniciativa, mas o fato desse movimento, tão deliberadamente declarado apolítico, ter se tornado tão intensamente politizado”. A CIA associou artistas apolíticos e a arte com liberdade. Isso foi feito para isolar os artistas da esquerda européia. A ironia é que a postura apolítica só valia para o consumo da esquerda. Apesar de tudo, a CIA e suas organizações culturais foram capazes de moldar profundamente a visão de arte no pós-guerra. Alguns escritores, poetas, artistas e músicos de prestígio proclamaram a sua independência da política e declararam sua crença na arte pelo amor da arte. O dogma do artista do intelectual livre, como alguém desconectado do engajamento político, ganhou corpo e está disseminado até hoje.

Embora tenha apresentando uma detalhada descrição das ligações entre CIA e os artistas e intelectuais ocidentais, Saundres deixou inexploradas as razões estruturais para a necessidade da CIA de controlar os dissidentes. Seus argumentos estão muito baseados no contexto da competição política e no conflito com o comunismo soviético. Ele não faz uma tentativa séria de localizar a Guerra Fria cultural da CIA no contexto das lutas de classes, da revolução e do Terceiro Mundo e nos desafios marxistas independentes à dominação do imperialismo econômico dos Estados Unidos. Isso leva Saunders a valorizar algumas iniciativas e operações da CIA em detrimento de outras. (….)

A tarefa dos intelectuais pagos pela CIA não era questionar, mas servir ao império

As verdadeiras origens da Guerra Fria cultural estão enraizadas na luta de classes. Muito antes a CIA e seus agentes ex-comunitas da AFL-CIO Irving Brown e Jay Lovestone usaram milhões de dólares para subverter sindicatos militantes e acabar com greves comparando sindicatos social-democráticos. O Congresso pela Liberdade Cultural e seus esclarecidos intelectuais receberam dinheiro dos mesmos agentes da CIA que contrataram os gângsters de Marselha (França) para acabar com a greve dos portuários em 1948. Depois da Segunda Guerra, com a desmoralização na Europa da velha direita (comprometida por suas ligações com os fascistas e com o sistema capitalista enfraquecido), a CIA chegou a conclusão de que para submeter os sindicalistas e intelectuais contrários a OTAN seria necessário encontrar ou (inventar) uma Esquerda Democrática disposta a participar das lutas ideológicas. A CIA criou uma seção especial para neutralizar as objeções da bancada direitista do Congresso. A Esquerda Democrática foi essencialmente usada para combater a Esquerda radical e dar um verniz ideológico à hegemonia americana na Europa. Até o ponto dos pugilistas ideológicos da Esquerda Democrática poderem dar forma às políticas estratégicas e interesses dos Estados Unidos. A tarefa deles não era questionar ou reivindicar, mas servir ao império em nome dos “valores democráticos do Ocidente”. Somente quando surgiu uma oposição maciça à Guerra do Vietnã nos Estados Unidos e na Europa, e as suas ligações com a CIA foram denunciadas é que muitos intelectuais promovidos ou financiados pela Agência abandonaram o navio e começaram a criticar a política externa dos Estados Unidos. Um exemplo: depois de passar a maior parte de sua carreira na folha de pagamento da CIA, Stephen Spender tornou-se crítico da política americana no Vietnã, assim como alguns editores da Partisan Review. Todos eles alegaram inocência, mas poucos críticos acreditaram que um caso de amor com tantas revistas e conferências, de tão longo e profundo envolvimento, pudesse transpirar sem um certo grau de conhecimento.

Ataques à Stálin visavam encobrir os crimes do imperialismo

O envolvimento da CIA na vida cultural dos Estados Unidos, Europa e outras regiões teve importantes conseqüências a longo prazo. Muitos intelectuais foram recompensados com o prestígio e reconhecimento público e verbas para pesquisas justamente para trabalhar com viseiras ideológicas da Agência. Alguns dos grandes nomes da Filosofia, da Ética Política, da Sociologia e da Arte, que ganharam visibilidade com as conferências e revistas financiadas pela CIA, definiram as normas e os padrões para a formação da nova geração, baseado nos parâmetros políticos estabelecidos pela CIA. Não foi nem o mérito nem a competência, mas sim a política – a linha de Washington- que definiu a “verdade” e a “excelência” e as futuras cátedras das universidades, fundações e museus de maior prestígio. As ejaculações retóricas da Esquerda Democrática antiestalinistas dos Estados Unidos e da Europa e suas profissões de fé nos valores democráticos e na liberdade serviam como capa ideológica para os mais abomináveis crimes do Ocidente .

Uma vez mais recentemente, muitos intelectuais da Esquerda Democrática perfilaram-se com o Ocidente e com o exército de libertação de Kosovo2 no apoio ao banho de sangue de milhares de servos e ao assassinato de um monte de inocentes vítimas civis. Se o antiestalinismo foi o ópio da Esquerda Democrática durante a Guerra Fria, o intervencionismo praticado em nome dos direitos humanos tem hoje o mesmo efeito narcortizante, iludindo os esquerdistas democráticos contemporâneos.

A CIA foi quem criou o modelo de artistas apolíticos e divorciados das lutas

As campanhas culturais da CIA criaram o protótipo dos intelectuais, acadêmicos e artistas que hoje se dizem apolíticos e que estão divorciados das lutas populares e cujo valor aumenta na medida em que se distanciam das classes populares e se aproximaram das fundações de prestígio. O modelo do profissional de sucesso criado pela CIA é o porteiro ideológico que deixa de fora os intelectuais que escrevem sobre a luta de classes, a exploração de classes e o imperialismo americano – ou seja, categorias “ideológicas”, “não objetivas”, como eles dizem. A pior e mais duradoura influência dos integrantes do Congresso pela Liberdade Cultural não foi a defesa que eles fizeram das políticas imperialistas dos Estados Unidos, mais o êxito que conseguiram ao impor sobre as novas gerações de intelectuais a idéia de excluir qualquer discussão sobre o imperialismo americano nos meios de comunicação políticos e culturais influentes. A questão não é se os intelectuais ou artistas atuais podem ou não assumir uma posição progressista a respeito deste ou daquele assunto. O problema é a permanente crença entre os escritores e artistas de que as expressões sociais e políticas anti-imperialistas não devem aparecer em música, pintura ou qualquer escrito sério se querem que sua obra seja considerada um trabalho de substancial mérito artístico. A mais persistente vitória política da CIA foi a de convencer os intelectuais de que o engajamento sério e firme à esquerda é incompatível com a arte séria e o conhecimento. Hoje, na ópera, no teatro ou nas galerias de arte assim como nos encontros profissionais das universidades , os valores definidos pela CIA durante a Guerra Fria estão visíveis e disseminados: quem ousa despir o imperador?

James Petras é sociólogo marxista norte-americano

Notas

1. Wasp (white Anglo-Saxon Protestant), protótipo do americano “puro”
2. KLA(Kosovo Liberation Army)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O povo, As artes e o Partido Comunista

Foi aproximadamente nos anos 30, que o Partido Comunista iniciou sua aproximação com o campo das artes plásticas. Com isso, vários intelectuais vem compor, de maneira significativa, as fileiras do Partidão. Neste momento, o Brasil vem passando por mudanças importantes nas artes plásticas, o movimento volta-se para uma temática social, rompendo com os valores academicistas da época. 
Morro da Favela - Tarcila do Amaral
Esse movimento artístico e com forte temática social é determinado não só pela conjuntura nacional, mas também com uma forte influência externa. Isso ficará evidente no trabalho de Tarsila do Amaral, ao retornar de uma exposição na URSS em 1931. Ela vai expor no Rio de Janeiro, trabalhos como "Operário" e "Segunda classe". Neste mesmo ano é criado o Clube dos Artistas Modernos (CAM), tendo à frente Flávio de Carvalho. 
É neste período que é criada a obra de Portinari, Retirantes. Foi seu primeiro trabalho seguindo este contexto social. Já no ano de 1933, teremos a filiação de Di Cavalcanti ao Partido Comunista, outro grande nome das artes plásticas brasileira e importante artista do realismo social brasileiro. 
Escultura Aberlado da Hora | Reprodução
Com a fundação do Clube de Cultura Moderna – CCM, entidade ligada culturalmente e politicamente a Aliança Libertadora Nacional (ANL), - frente de massas constituída pelo Partido Comunista, Militares nacionalistas, políticos e pessoas progressistas e antifascista - são realizadas exposições com mais de 170 desenhos e pinturas de tendências sociais. Reunindo artistas como Cândido Portinari, Santa Rosa, Carlos Leão entre tantos outros, incluindo o pernambucano Cícero Dias. 
Já em 1945, com a legalidade do PC, o Partido vai organizar uma exposição com o título "Artistas Plásticos do Partido Comunistas do Brasil" que contou com a participação de Cândido Portinari, Pancetti, Roberto Burle-Marx, Santa Rosa, Quirino Campos Fiorito, Haroldo Barros, Oswald de Andrade Filho, Sigmund, Bruno Giorgio, Mário Zarinini, Augusto Rodrigues e Bonadei etc. Essas exposições tinha o objetivo de levantar finanças pró-impressa popular, que era um importante meio de comunicação do Partido. Paralelo as exposições, eram realizadas oficinas e sabatinas sobre temas diversos, inclusive sobre temas artísticos. 
Todavia, será neste momento que o Partido Comunista vai contar com uma imprensa bastante atuante e diversificada, contando com importantes periódicos entre eles: Jornais e revistas, algumas delas voltada para as questões culturais. Com toda essa ebulição artística, no ceio do Partido, será no inicio da década de 50, uma das mais importantes iniciativas no campo das artes plásticas do Partido Comunista, O Clube de Gravuras, organizado em diversas cidades do Brasil. A criação desses clubes, está ligada diretamente a um grupo de artistas comunistas que, viveram em Paris. 
Tela "Eu vi o mundo... ele começava no Recife" - Cícero Dias, 1931. | Reprodução
Dialogando com outros artistas latino-americano, vão idealizar essa associação politico-cultural, fundado em 1950, na cidade de Porto Alegre. O clube dos amigos da gravura, foi pioneiro e realizaram nesta mesma cidade uma infinidade de exposição, publicação de álbum e organizaram uma escolinha de artes, inclusive com uma galeria para expor os trabalhos. Esses Clubes foram sendo difundidos por todo Brasil. Em Bagé, no ano de 1951, com uma duração de apenas um ano. Mas com uma forte atuação na cidade. E em 1952, foram fundados os clubes de gravura de Curitiba, São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. O Clube de Gravuras do Recife, será fundado em outubro de 1953 (completando em 2013, exatamente 60 anos), e sendo dirigido pelo artista plástico Abelardo da Hora. O Clube da Gravuras do Recife, viveu paralelamente ao Ateliê Coletivo do Recife, que por sinal tinha uma forte presença cultural e popular em seus trabalhos. 
Tamanha a importância desses movimentos e especificamente o Clube de Gravuras de Recife e o Ateliê Coletivo, todos eles dirigido por Abelardo da Hora, politicamente e culturalmente, foram as bases do movimento de cultura popular do Recife que mais tarde seria copiado pela União Nacional dos Estudantes, nos tempos de luta dessa entidade e só mudando de nome centro popular de cultura os CPC's da UNE, mas com as mesma características dos demais.
Antônio Henrique, militante da UJC e do PCB/PE
(Fonte: Rubim. Antônio Albino Canelas, Política e Cultura: O Partido Comunista e as Artes Plásticas no Brasil depois de 30)
[Esse é um texto para a seção Crônicas Vermelhas, onde os militantes da UJC/PE opinam, comentam, debatem sobre diversos temas. Para acessar o conteúdo Crônicas Vermelhas basta acessar no "arquivo do blog por temática" a temática Crônicas Vermelhas, ir na página formação ou destaques, ou clicando no marcador dessa postagem.]

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Funk da ostentação alienação e ideologia


Os jovens das camadas mais pobres da sociedade capitalista sempre buscaram na música uma das formas de expressar sua revolta contra as injustiças de uma sociedade desigual, estas músicas quando surgem acabam se impondo a indústria fonográfica ganha os veículos de comunicação de massa, aparecem produtores empresários que logo vão ganhar altas somas de dinheiro, onde os produtores e empresários vão procurar enquadrar os artistas antes rebeldes em dóceis vendedores de mercadorias adaptados a lógica do mercado é fazer música por encomenda.

Isto ocorreu com inúmeros gêneros musicais. Rock, Jazz, Blues, Samba, Forro etc. Porém foi no século XX com o aperfeiçoamento do mercado de consumo no capitalismo contemporâneo é que surgiu o que os pensadores da Escola de Frankfurt chamam indústria cultural, o nicho do mercado voltado para o entretenimento. Voltando um pouco no tempo, após a segunda guerra mundial, vimos surgir um ritmo musical que marcou a indústria fonográfica e sacudiu o mundo, o Rock And Roll. Entre o fim da década de 1940 e 1950, este ritmo passou a ser expressão inicial da juventude rebelde nos Estados Unidos e depois ganhou o mundo a partir dos anos 1960 ganhando expressão no Rock Britânico em banda como Beatles e Rolling Stones que tinham nos ídolos do Rock Estadunidense suas referencias músicas para criticar o comportamento conservador da sociedade de seus tempos.
Mesmo sem uma clara consciência os jovens e as camadas mais pobres podiam se identificar com este ritmo e denunciar os padrões conservadores da sociedade capitalista, tanto nos Estados Unidos como em todo o mundo. Artistas como Jerry Lee Lewis, Litle Richard, Jonh Lennon, Bob Dilan, Black Sabbath, Pink Floyd, Janis Joplin, Jim Morrison, The Clash, e outros denunciaram em suas músicas a desigualdade social, as guerras imperialistas como a guerra do Vietnam, a Revolução na Nicarágua ao mesmo tempo em que neste mesmo gênero outro ícone Elvis Presley foi a pura expressão dos artistas rendido ao Status Quo aceitando apoiar as ações dos governos capitalistas dos Estados Unidos, se relacionou bem com o ex-presidente Nixon criticou a presença dos Beatles em solo Estadunidense tanto que John Lennon em sua famosa frase afirma sua decepção com seu antigo ídolo (Elvis morreu para mim quando vestiu o uniforme do exercito e conclamou a juventude dos Estados Unidos a ir para a guerra).
Como diz Roberto Muggiatti em seu livro Rock do Sonho ao pesadelo, não podemos sofrer do mal de Orfeu achar que a música por si só vai alterar a realidade do mundo como acreditaram algumas gerações de jovens durante os anos 1950, 1960, 1970 e 1980 no caso aqui no Brasil, quando na verdade usando uma frase do Jimi Hendrix um dos maiores guitarristas de todos os tempos,para se por fim ao capitalismo só a luta organizada das massas exploradas para por fim a este sistema.
A Pujança e efervescência cultural tem haver com a luta de classe, há momentos em que os artistas mesmos conscientes ou de forma inconsciente acabam captando os anseios das massas e as revoltas se refletem nas músicas de muitos artistas mesmo não sendo artistas comunistas expressam em suas letras a contestação à ordem burguesa, a indústria cultural apenas produz para vender ao mercado consumir onde a sociedade mesmo sem uma consciência clara consume, quem hoje com 40 anos cantava Revolução, Revolução uma música do grupo RPM, e nem sabia bem o que era.
Hoje quem esta na casa dos 35 e 45 anos, se pergunta Porque? Hoje os jovens da periferia esta curtindo o Funk da Ostentação e qual a razão de tanto sucesso. Não adianta já partir com pré-julgamento e condenar, devemos fazer uma analise de como esta a luta de classes e como ela se refletiu no Brasil no momento em que estes jovens estão transitando da infância para a juventude e quais são os seus ídolos na música e na vida real.
O chamado Rock Brasil nome difundido após a consolidação deste gênero em nosso país, hoje o Rock Brasil é muito cultuado até pela nova geração de brasileiros, hoje as músicas destes músicos são comentadas até em provas de concurso e vestibular. Ha um fosso muito grande de letras de músicas politizadas, não é apenas as rádios que não tem interesse em divulgar as músicas politizadas, mesmo em época de ditadura e repressão a sociedade ou parcela dela busca burlar a censura e ter acesso, vivia-se outra conjuntura política.
Quando o Rock vai se consolidar como gênero no Brasil, é um momento em vivíamos o período das greves, das lutas contra a ditadura empresarial-militar, após o fim desta ditadura para a volta a democracia formal de hoje mesmo vivendo em uma ditadura de classe, nossos jovens se expressava nas músicas de bandas como Legião Urbana, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, Ultra a Rigor, Ira, Titãs, Garotos Podres e tantas outras. A revolta e o ódio destas letras eram nomes de chapas de Grêmios Estudantis, Dce’s, Ca’s, Congresso de Estudantes nas manifestações e greves daquele período, o Brasil respirava política naquele momento, diante deste quadro o que a indústria cultural poderia fazer vender discos, brincos para os rapazes se sentir igual aos seus ídolos, as rádios e programas de TV vão apenas tocar e vender como produto vejam os casos das camisas com o Rosto de Che.
A partir do impacto do avanço do neoliberalismo no mundo, e no Brasil com a eleição de Fernando Collor em 1989, os anos 1990 em nosso país passou a ser expressão não mais de uma música politizada, mais de uma música idiotizada mercantilizada sem graça descompromissada com as questões sociais, veio a moda e onda do chamado pagode mauricinho, do breganejo hoje rebatizado de sertanejo universitário se analisado a melodia, a harmonia e as letras não tem nada de novo, entre o breganejo de ontem e o breganejo de hoje chamado vulgarmente de Sertanejo Universitário. Grupos como Só pra Contrariar, Raça Negra, Tá na Mente, Chitãozinho e Xororó, Zé di Camargo e Luciano são expressão destes ritmos tão bem denunciada por Lulu Santos em uma entrevista no Programa do Fausto Silva logo no início dos anos 1990 esta entrevista estava no Youtube.
Hoje as músicas de periferia como o Funk da Ostentação reflete a concepção não do artista engajado comprometido com as lutas da classe trabalhadora que luta contra a exploração do capital, esta música reflete o sonho do jovem filho de trabalhadores que vai ascender socialmente, é fazer uma comparação desta música brasileira com a atual música negra dos Estados Unidos o foco não é as lutas coletivas e sim a saída individual ter carros e mulheres. Esta expressa não a visão do bandido romântico de ontem que roubava no asfalto e distribua aos pobres nos morros e periferia, que aconselhava os jovens para não entrar no crime, estudar ser alguém na vida, o Funk da Ostentação reflete a ideia do bandinho iludido com o poder de ter uma arma, consumir roupas caras construir um casarão no morro ostentar poder com as armas enquanto vive poder ter varias mulheres no caso as jovens mais bonitas poder curtir e depois morrer e ter outro para substituí-lo dando continuidade a empreitada capitalista das drogas. Este Funk da Ostentação reflete este mundo capitalista dos bens de consumo, ter carrões, fazer aliança com o mundo do crime, praticar sexo não como uma forma prazerosa libertaria mas, como uma forma alienada de viver como isto vem ocorrendo em nossas periferias, as chamadas gravidez na infância onde estas jovens acham que podem reproduzir o que as mulheres sem conteúdo divulgada pela mídia fazem de usar seus corpos como mercadorias, casar com jogadores de futebol, artistas e empresários, porém no mundo real a história é outra há uma distância entre o mundo real e da fantasia, mesmo sendo um país de mulheres lindas nem todas vão ter as chances de uma Larissa hoje rebatizada de Anita mesmo não sendo tão bonita pode fazer correção no corpo e mixar sua voz em estúdio para gravar e fazer sucesso enquanto pode.
Músicas como o Funk da Ostentação apenas contribui para alienar nossos jovens ajudando a reforçar a ideologia burguesa contribuindo e ajudando a destruir os filhos das classes trabalhadoras ao valorizar o crime e transformar em glamour a violência na periferia.
Defendemos a mais ampla liberdade de expressão das artes, arte como formação da universalidade do sujeito com educação estética não há contradição entre arte popular e arte de massa, há um encontro entre ambos o capitalismo é que criou esta falsa separação ao procurar comercializar todo em uma sociedade onde tudo se torna mercadoria incluindo as artes.
A arte não deixa de ser um fenômeno social, é impossível pensar a arte isolada da sociedade, o artista reflete em sua obra de arte a maneira de ver e sentir o mundo,neste sentido o artista deve se identificar com o proletariado sentir suas alegrias e tristezas compartilhar com as massas os sonhos e esperança de um mundo melhor na derrota do capitalismo no nascimento da Sociedade Socialista.

José Renato André Rodrigues
Professor de Filosofia
Membro do Comitê Central do PCB

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Vianinha, um guerreiro da cultura!

Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha, nasceu no Rio de Janeiro, em 1936, e foi um dos principais nomes da dramaturgia brasileira, apesar de ter morrido muito jovem, em 1974, aos 38 anos, de câncer. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi autor teatral, ator, roteirista de TV, animador cultural, fundador do Centro Popular de Cultura, o histórico CPC da UNE, e do Teatro de Arena e do Grupo Opinião e do Teatro Jovem. Filho do teatrólogo, radialista e cineasta Oduvaldo Viana, também militante histórico do PCB, Vianinha marcou sua trajetória por incansável luta pelas transformações sociais e pelo compromisso com a arte popular, revolucionária e contra o imperialismo cultural que até hoje domina as principais programações culturais brasileiras.
Vianinha estudou arquitetura até o terceiro ano e depois abandonou o curso para se dedicar ao teatro. Começou  em 1955, no Teatro Paulista do Estudante, atuando em vários espetáculos, entre os quais Rua da Igreja, de Lnnon Robinson, Escola de Maridos, de Molière.. Depois participou do Teatro de Arena, em 1956, e atuou em várias peças teatrais, entre as quais Homens e Ratos, de Steinbeck e À Margem da Vida de Tenessee Willians. Preocupado em criar uma dramaturgia vinculada aos problemas nacionais, promove o Seminário de Dramaturgia, visando a descoberta de novos talentos e a criação de textos vinculados à realidade brasileira.

Vianinha era um autor, ao mesmo tempo criativo e compromissado com as transformações sociais. Visando levar a arte diretamente à população criou um elenco para percorrer com sua peça A Mais Valia Vai Acabar Seu Edgar escolas, favelas, sindicatos da cidade e do campo e organizações de bairro. Dessa experiência nasce a ideia do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, que marcou uma trajetória histórica com seu “teatro revolucionário” objetivando conscientizar a população. A experiência do CPC foi tão exitosa que depois suas atividades se estenderam por outras áreas da cultura, como música, teatro, cinema, etc.
Em sua trajetória de artista do povo ganhou vários prêmios nacionais e internacionais, como Quartos Quadras de Terra, que recebeu o primeiro prêmio latino-americano da Casa  das Américas, em Havana. Ganhou dois Miliéres, com as peças Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come e A Longa Noite de Cristal, além outros prêmios em São Paulo e do Serviço Nacional de Dramaturgia. Além de fundador do Grupo Opinião e do Teatro Jovem, Vianinha também atuou no cinema, em Cinco Vezes Favela, de Cacá Diegues, e fez tele-dramas de agitação e tele-teatro para uma comunicação rápida e direta com o público. Em 1973 vai para TV Glogo, onde escreve, junto com Armando Costa, o premiadíssimo seriado A Grande Família, até hoje ainda apresentado na TV Globo.
Vianinha, como autor identificado com os interesses do povo brasileiro, foi duramente censurado pelo regime militar. A maior parte de suas obras não puderam ser exibidas a partir de 1964 porque estavam proibidas pela censura. Vianinha morreu aos 38 anos sem ver encenadas suas duas obras primas, Papa Highirte, escrita em 1968 e só montada onze anos depois, e a clássica Rasga Coração, cujos últimos diálogos foram ditados no leito da morte, e também só encenada muitos anos depois.
Princpiais obras de Vininha
1959 - Chapetude Futebol Clube
1957 – Bilbao, Via Copacabana
1961 - A Mais Valia vai Cabar, seu Edgar
1963 - Quatro Quadras da Terra
1963 – Brasil Versão Brasileira
1964 -  Roteiro Show Opinião
1965 – Se Correr o Bicho Pega, Se Ficaro Bicho Come
1965 – Moço em Estado de Sítio
1966 – A Mão na Luva
1967 – Os Aeredos Mais os Benevides
1967 –Meia Volta Volver
1968 – Papa Highirte
1968 – Dura Lex, Sed Lex, No Cabelo Só Gumex
1971 – Corpo a Corpo
1971 – A Longa Noite dos Punhais
1971 – Nossa Vida em Família
1973 – Allegro Desbum
1974 – Rasga Coração
Roteiros de Shows
1964 -  Roteiro Show Opinião
1966 – Telecoteco Opus No. 1
Participação Como Ator
Teatro
1955 – Rua da Igreja
1956 - Escola dos dos Maridos
1956 -  À Margem da Vida
1956 - Homens e Ratos
1956 – Só o Faraó Tem Alma
1958 – Eles não usam Black-Tie
1965 – Liberdade Liberdade
1969 – As Duas Faces da Moeda
1971 – Um homem sem Importância
Cinema
1962 - Duas Vezes Favela
Adaptações de Peças para TV, Teleteatro e seriado televisivo
1972 – Medéia, Noites Brancas, A Dama das Camélias, Mirandolina, Ano Novo, Vida Nova.
1973 - A Grande Família

Fonte: http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=528%3Avianinha-um-guerreiro-da-cultura&catid=6%3Amemoria-pcb

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Cotidiano Transformado em Canções


Chico Buarque tem os olhos fundos de CAROLINA. 
Olhos que guardam todas as dores do mundo.
Mas, ao contrário da musa de sua música, para quem o tempo passou na janela e ela nada viu, Chico transforma em canção o COTIDIANO. 
Registra tudo com olhar aguçado de um cronista que, como poucos, sabe traduzir o espírito e a realidade de seus contemporâneos.

Uma realidade dura como a de PEDRO PEDREIRO, que fica esperando,esperando...
Mas Chico não constrói suas crônicas apenas com tijolo, num desenho lógico. O poeta amargo de DEUS LHE PAGUE ou de COTIDIANO esbanja AÇÚCAR E AFETO para cantar o amor, como em BEATRIZ. 
Sabe também cantar a canção despedaçada de TROCANDO EM MIÚDOS ou de ATRÁS DA PORTA, em que contraditoriamente maldiz o nome dela e a adora pelo avesso.

A contradição só desnuda os muitos Chicos de suas crônicas musicadas. 
E neste campo ele pode tudo. Incorpora o universo feminino em OLHOS NOS OLHOS. 
Mas o Chico de ANGÉLICA, que chora a perda do filho nos porões da ditadura, convive pacificamente com MEU GURI e o PIVETE dos sinais da cidade. 
São realmente muitos os Chicos. 
É como SOB MEDIDA, em que ele ser sua alma gêmea, sua fêmea, seu par, sua irmã, seu incesto.

Emiliana Esteves
Sabará/MG

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Graciliano Ramos: Cultura a serviço do povo

Camaradas:
Não sei bem se o que lhes vou dizer nesta conversa ligeira combina com o título dela, anunciado no jornal. Escapou-me a notícia, é possível que me afaste um pouco da matéria comunicada aos leitores.
Bem. Para não estarmos com prólogos, entro no assunto e declaro que, na minha fraca opinião, antes de vermos no livro um veículo de cultura, devemos considerá-lo simples mercadoria. Evidentemente ele não é uma graça de Deus, como a luz do sol e a água da fonte: encerra o esforço de numerosas pessoas, do trabalho complexo do autor à rija labuta do impressor. Sem levarmos em conta as fases anteriores e posteriores a isso: a fabricação do papel, da tinta, das máquinas, dos cordéis; a distribuição, a propaganda e até o que neste momento realizamos, pois, confessemos honestamente, exercemos aqui o ofício de camelôs.
Esta minha declaração chocha retira ao livro, objeto pouco mais ou menos inútil à massa e apenas acessível aos iniciados, o caráter de coisa misteriosa a que desde a infância nos habituamos. Criou-se uma espécie de tabu vantajoso à classe dominante: a sabedoria dos compêndios foi durante séculos e continua a ser meio de opressão. Sujeitos hábeis reuniram ideias safadas e adularam, sem nenhuma vergonha, os seus patrões horrorosos. A imprensa sadia é instituição velha, anterior aos tipógrafos, já usada pelos escribas do Egito.

Deixemos os escribas do Egito. Se meter-me em funduras, daqui a pouco estarei falando difícil, empregando a linguagem que desvia dos pensamentos arrumados na folha o homem da multidão. Volto ao que afirmei no começo: o livro é mercadoria. As metralhadoras também são mercadorias, que, até hoje utilizadas contra o povo, irão resguardá-lo. É intuitivo, porém, que de nada servirão se ele não souber manejá-las.
A verdade é que nem todos os livros cantam loas aos tiranos. A desgraça dessa gente é perceber que as suas armaduras racham, a sua força se esvai, os seus defensores se transformam de repente em inimigos. A palavra escrita é arma de dois gumes. A literatura velha arqueja e sucumbe; a literatura nova fere com vigor a reação desesperada. Não nos ocupamos da primeira, está visto; deixaremos que se enterre, no silêncio, na penumbra e no mofo, com algum latim resmungado pelos críticos da LEC.(2) A segunda é a que nos traz a esta sala, encerra-se nos volumes aqui expostos. Precisamos conhecê-la de perto. É claro que nada ganharemos olhando, com respeito, esses volumes protegidos por uma vitrina. Indispensável sabermos o que há dentro deles. Vimos numa capa o nome de Máximo Gorki e experimentamos o desejo de largar uns palpites sobre ele, atrapalhando tudo. Recuamos a tempo — e na reunião da célula ouvimos, bastante chateados, referências ao admirável russo, num informe. Contudo, a recordação da vitrina permanece, garantimos que Máximo Gorki é notável. Temos de cor uma lista de personagens célebres, afirmamos a celebridade, mas seria difícil dizermos em que ela se baseia. Asserções que nos fizeram na escola, repetidas longamente, foram aceitas afinal. Em vão tentamos adivinhar como subiram certos figurões das letras nacionais. Vi um tipo quase chorar lendo a notícia da morte de um literato conde.
Necessário conhecermos a razão dos nossos entusiasmos, não nos comovermos à toa. Vamos ver se a página impressa é digna de admiração. Tratemos, pois, de adquiri-la: é para ser vendida que se exibe além do vidro. Terra de leitura escassa. Vemos filas para banha, açúcar, pão, carne, o diabo, mas não conceberíamos fila diante de uma livraria. Realmente ali não se vendem comestíveis. Contudo é bom um sujeito ler algumas vezes, ao menos para fingir importância na presença do chefe ou da namorada.
Literatura ao alcance da massa? Muito bem. O livro está perto, à mão, na vitrina. Foi redigido cuidadosamente: no interior dele não há cercas de arame farpado, evitaram-se atoleiros, rios cheios, pedras escorregadias e pinguelas, enfim qualquer inteligência razoável pode transitar ali facilmente, por todos os lados. Agora esperemos que o homem do povo se mexa, dê alguns passos até o balcão da livraria, peça o volume. E pague, naturalmente, pois os cidadãos que mourejam naquilo não vivem no éter.
Rio, 28 de fevereiro de 1947
IN: RAMOS, Graciliano. Garranchos [organização de Thiago Mio Salla]. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2013, p. 293.
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Notas
1. Arquivo Graciliano Ramos, Manuscritos, Discursos, not. 12.22A. Título atribuído pelo organizador. Palestra proferida por Graciliano no comitê distrital Santos Dumont, órgão pertencente à estrutura do PCB, no dia 1° de março de 1947. Segundo o jornal Tribuna Popular, tal fala, intitulada “Cultura a serviço do povo”, se deu no contexto da “Campanha do livro”, promovida pelo Partidão, que pretendia, sobretudo, estimular a venda de obras das editoras de orientação comunista Vitória e Horizonte. Na oportunidade, o escritor alagoano foi homenageado pelo jornalista Astrojildo Pereira (GRANDE INTERESSE desperta a “Campanha do livro”. Tribuna Popular, Rio de Janeiro, 27 de fevereiro de 1947, p. 3).
2. Referência à Liga Eleitoral Católica (LEC), uma associação civil de caráter nacional criada em 1932, no Rio de Janeiro, por dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, com o auxílio de Alceu Amoroso Lima. “Seu objetivo era mobilizar o eleitorado católico para que este apoiasse os candidatos comprometidos com a doutrina social da Igreja nas eleições de 1933 para a Assembleia Nacional Constituinte e de 1934 para a Câmara Federal e as assembleias constituintes estaduais” (KORMIS, Mônica. LIGA ELEITORAL CATÓLICA (LEC). In: ABREU, Alzira Alves de et al [coords.]. Dicionário histórico-biográfico brasileiro — Pós-1930. Rio de Janeiro: CPDOC, 2010). Atuou ainda nos pleitos presidenciais de 1945 e de 1950, bem como nas eleições para a Assembleia Constituinte de 1946.